Papa-livros: leitura para outubro

24 09 2009

costa do mosquito

 

Esta é a seleção de leitura para o mês de outubro de 2009. 

 

A costa do mosquito

 

Autor: PAUL THEROUX

Editora: Objetiva

ISBN: 9788560281909

Edição: 1ª 2009

Número de páginas: 456

 

Discussão para o dia 18 de outubro de 2009.  Resenha aparecerá aqui depois desta data, quem quiser debater o conteúdo será bem-vindo, depois de 18 de outubro.

Boa leitura!




PAPA-LIVROS: Veronika Peters, O que cabe em duas malas

24 09 2009

Freira lendo no interior de igreja, Enrico Coleman (Itália 1846-1911)Freira lendo no interior de uma igreja, 1877.

Enrico Coleman (Itália, 1846 – 1911)

Aquarela,  54,25 cm x 36 cm

 

Milhares de pessoas, muitas das que temos entre nossos amigos, parecem estar sempre à procura de um significado maior em suas vidas, de uma paz espiritual que não encontram no dia a dia,  de uma comunhão, talvez, um encontro transcendental.  Alguns procuram esta espiritualidade nas filosofias orientais ou no estudo de conceitos metafísicos.  Tenho certeza grande parte do sucesso de muitas das obras do mago brasileiro, Paulo Coelho, se deve,  justamente, a esta procura por um significado maior do que os limites físicos de cada ser.  Poucas pessoas, no entanto, se entregam à esta procura na curiosa maneira em que a autora deste livro autobiográfico relata:  entrada para um convento. 

Considerando-se que Veronika Peters não havia sido educada dentro do catolicismo e que havia saído de casa ainda jovem adolescente de 14-15 anos, rebelde,  sua entrada num convento de freiras beneditinas aos 21 anos, já demonstra desde o início desta narrativa a ânsia de um significado maior em sua vida; a incrível sede de reflexão e auto-conhecimento que a absorvem; todas características que a levam a testar seus limites, seguidamente pelos 12 anos que permance no convento.   Inicialmente, a autora parece ciente do teste a que se submete:

O que vai acontecer se eu for privada de toda espécie de “distração”: sem rádio, sem televisão, sem telefone?  Vou enlouquecer, ou fazer alguma descoberta?  Seja como for, quero conhecer a experiência do silencio, quero sem me distrair, refletir sobre Deus, sobre a minha vida, sobre o mundo….  [pág.45]

Mas, a medida que a vida no convento continua, Veronika, ao contrário do que poderíamos esperar ou ao contrário do que ela mesma esperava, continua procurando por respostas e acalentando dúvidas quanto a sua permanência no local, sem se esquecer de que ainda há algo que lhe escapa. 

Vou bem aqui, é provável que ainda permaneça por algum tempo.  Um pequeno mundo próprio, onde não me sinto mais tão estranha como nos primeiros dias, espera aos poucos ser descoberto por mim.  Viver por algum tempo nesse lugar, com estas mulheres, em conformidade com esta idéia, parece-me ser a oportunidade para descobrir coisas, que em nenhum outro lugar serei capaz de aprender.  Algumas delas possuem algo que eu também gostaria de possuir. [pág 67-68, em carta a sua amiga Lina].

E assim passam-se doze anos no convento.  De noviça à freira, Veronika procura por respostas a perguntas que não sabe formular, mas que sente estarem presentes em sua vida.  Através desses anos, temos uma interessante visão da vida num convento moderno.   Para quem, como eu, que só conhece o interior dos conventos através de turismo histórico,  da leitura de Vida de Santa Teresa e de produções Hollywoodianas, foi uma verdadeira lição do modernismo católico.   Mas mesmo através destes estágios todos para total aceitação da vida como freira, Veronika se sente em descompasso com a comunidade e é frequentemente advertida por isso:

— Você está me ouvindo? Por que fica tão dura assim atrás do volante?

— Desculpe, eu ainda não me sinto muito à vontade no meu novo papel.

— Você não está representando papel nenhum.

— Ainda preciso me exercitar para ser o que represento com esta roupa.

— Isso todas nós precisamos.  [pág. 89]

 

veronika peters 1

A autora, Veronika Peters.

Eventualmente  Veronika sai do convento.  E escreve o livro sobre sua vida lá.   A popularidade deste romance,  (Was in zwei Koffer passt), foi um dos dez livros mais vendidos na Alemanha em 2007, onde permaneceu na lista da Der Spiegel por mais de seis meses, é um testemunho do grande número de pessoas se identificam com a procura espiritual.  E como o texto da editora mesmo diz, esse verdadeiro fenômeno editorial já demonstra um significativo sintoma social.  Um texto leve, de leitura muito rápida, que encoraja todos seus leitores a perseguirem os caminhos — mesmo que difíceis — na procura de sua própria espiritualidade.





Primavera, por Arcimboldo

23 09 2009

Giuseppe Arcimboldo,Spring, 1573,Ost, Louvre, Paris, FrancePrimavera, 1573

Giuseppe Arcimboldo (Milão 1527-1593)

Óleo sobre tela

Museu do Louvre, Paris





Primavera, quadrinha

22 09 2009

 jardineira, donald zolan

Ilustração, David Zolan.

 

 

A Primavera explodiu
em folhas e cores novas!
Quem fez tudo ninguém viu                      
mas as flores são as provas…





Primavera! — quadrinha

22 09 2009

 

jardinagem, cg 1933, carolynn Haywood

Ilustração, Carolyn Haywood, 1933.

 

 

A Primavera vigora

com seus poderes de cores,

abrindo as sessões da aurora

numa assembléia de flores.

 

(Augusto Astério de Campos)





Quadrinha sobre a semente para uso escolar

21 09 2009

plantando2

 

A mão de Deus, sabiamente,

pôs, com grandeza incontida,

na pequenina semente,

todo o mistério da vida.

 

(Chagas Fonseca)





Imagem de leitura — Eduardo Feitosa

20 09 2009

Eduardo [de sá] Feitosa, (santo andre,sp, 1957) Ensinando a ler, ost,50 x 60Ensinando a ler, s/d

Eduardo Feitosa ( Brasil, 1957)

Óleo sobre tela,  50 x 60 cm

EduardoFeitosa (Santo André, SP, 1957)  freqüentou o curso de bacharelado em matemática na Universidade Fundação Santo André.  Autodidata.  Desde jovem se interessou por desenho artístico, ilustração em quadrinhos e criação de logotipos publicitários.  Tornou-se pintor em 1990, quando realizou sua primeira exposição. Especializou-se no hiper-realismo.  Já participou de exposições individuais e coletivas, no Brasil, nos Estados Unidos e em vários países europeus.





Filhotes fofos: leõezinhos vigiados pela mãe

19 09 2009

leoa

Foto:  Ali Jarekji/Reuters 

 

Há um mês, a rotina dos funcionários do zoológico da Jordânia mudou. O setor de felinos ganhou dois novos moradores –e uma mãe que é uma fera.

A fêmea Tamara deu à luz gêmeos no começo de agosto. Protetora, a leoa não sai de perto de seus filhos.

Tamara ruge para afugentar pessoas e não sai de perto de seus dois filhotes, nascidos no mês passado

Nem na hora das refeições ela sai de seu posto –come os pedaços de carne jogados pelos tratadores ali mesmo, em frente às crias.

O zoo fica nas proximidades de Amã, capital do país.

 

FONTE:  FOLHA ONLINE

 

PS: Acho que se eu tivesse filhotinhos tão fofos como os dela, ficaria brava também de alguém chegar perto!





Cartas de viagem: Espanha IV

19 09 2009

 

cordoba juderia

Córdoba, Espanha.

 

Córdoba, outubro de 19…

 

 Meus queridos: 

Córdoba e Granada são duas jóias espanholas.  Decidimos não rever Sevilha desta vez, porque estaremos de volta a Sevilha, tudo permitindo, durante a Semana Santa.

Desta vez visitamos ambas as cidades com uma calma invejável.  Revisitar é também redescobrir.   Nenhuma delas nos deixou desapontados.  Eu estava com medo de que Córdoba não fosse, nesta segunda visita, tão interessante quanto a achei da primeira vez.  Mas a minha memória não me falhou, e ainda a acho um dos lugares mais interessantes que conheço.  Tenho uma afeição inexplicável por ela.

Não faz sentido tentar descrever para  vocês a grandiosidade da arquitetura islâmica na Espanha.  Seria impossível.  O Alhambra é mesmo um castelo das Mil e Uma Noites e os jardins Generalife fazem a maioria dos outros jardins e parques, orgulhos nacionais de outros países, parecerem projetos primitivos.  A mesquita de Córdoba também cai nessa mesma categoria.  São todas obras de príncipes visionários que tinham muito dinheiro, sábios matemáticos nas suas cortes e mão de obra abundante (em grande parte escrava) para construírem para seu desfruto pessoal as maravilhas arquitetônicas que nos restam.  Acho que vocês não devem saber – porque eu também só aprendi agora – que os escravos utilizados pelos califas no sul da Espanha, não eram africanos, como pode vir a nossa mente hoje em dia, mas eram, em sua grande maioria, portugueses e espanhóis, cristãos capturados durante as invasões na península ibérica pelos muçulmanos e feitos escravos nessa época medieval.   

 

cordoba, patio

Pátio em Córdoba.

 

Gosto especialmente de Córdoba, por causa de sua atmosfera e também por causa de sua Juderia – bairro judeu da idade média.   A maioria das cidades da Andaluzia e também do resto da península ibérica que estiveram sob controle islâmico tem áreas das cidades de residência para os judeus.  São em geral enclaves interessantíssimos dentro do perímetro urbano, que começaram a ser evacuados pelos judeus quando a Inquisição bateu firme e forte: 1488 na Espanha e 1496 em Portugal. Esses bairros atingiram o seu apogeu durante a dominação islâmica porque os mouros eram mais tolerantes do “povo da Bíblia”, que seus inimigos cristãos.  

A Juderia de Córdoba é um grupo de talvez 30 a 40 ruas bem estreitas (da largura de um carro) e becos.  Tem casas de dois ou três andares dos dois lados, que são todas brancas.  Tão brancas que poderiam ser usadas nos anúncios de “que sabão lava mais branco?”  Em geral, ela tem uma porta bem larga, no centro do prédio, que anteriormente talvez pudesse ser usada por uma carreta de mão.  Este portão leva a um saguão coberto de azulejos decorados com motivos mouriscos.  Esse saguãozinho deixa-nos perceber através de portões de ferro batido os jardins internos das casas.  Esses jardins são tão famosos que os atuais donos dessas casas deixam suas portas abertas para que passantes, como nós, possam ver e desfrutar de seu charme, olhando lá dentro.

 

juderia de cordoba, patio de la juderia

Pátio da Juderia, Córdoba.

 

Do lado de fora, essas casas são cobertas de vasos e potes de cerâmica, carregadinhos de plantas, de trepadeiras e choronas, e parecem estar colocadas nas paredes sem nenhuma ordem visível.  Não há grandes áreas de paredes pintadas de branco sem que alguém não coloque ali pelo menos uns vinte potes de plantas, pendurados nas paredes e também há  potes dependurados em arames que vão de lado a lado das ruas, dando a elas, dessa maneira, um teto de verduras, que sombreia o caminho.

Os nomes das ruas são também maravilhosos:  Rua das Flores, Rua da Lua, Esquina do Ouro, Rua dos Judeus, Praça do Burro.  Esses becos e ruas, de vez em quando, se abrem em pracinhas minúsculas, que podem  ter pequeninos monumentos, como encontramos um ao filósofo e astrônomo árabe  Averroes  e outro ao judeu andaluz, Maimonedes, rabino, médico e filósofo.  As ruas mais largas ( um carro e meio de largura) têm laranjeiras dando sombra às diminutas calçadas.  Nesta época do ano essas árvores estão carregadas de frutos.  E que aroma!

Bares e restaurantes freqüentemente usam esses jardins internos  como suas salas de almoço.  Sentados à mesa a gente pode apreciar todos os potes de plantas que populam as paredes internas dessas casas.  De vez em quando, ouve-se alguém cantarolar uma típica melodia andaluza.  

Na Juderia há uma pequena sinagoga do século XIV, uma das pouquíssimas ainda em pé na Espanha ( a outra famosa sinagoga é a de Toledo).  Essa construção também tem à moda das casas e da mesquita, um jardim interno e por incrível que pareça foi construída num estilo bem islâmico de arquitetura semelhante ao encontrado nas mesquitas da época.  A arquitetura cristã em Córdoba deixa muito a desejar.  Preservados também estão os banhos árabes, hoje parte de uma loja de artigos turísticos, que tem quatro de seus cômodos dos fundos tombados, por serem os antigos banhos das cidade.  E há também na Juderia o Museu do Touro – o melhor que conheço na Espanha.   Assim como a Inquisição e a Guerra Civil Espanhola nesse século, a fascinação do espanhol com o touro está na lista daqueles assuntos que qualquer pessoa que queira entender a Espanha, tem que um dia destrinchar.

 

cordoba plazadelastendillas

Plaza de las Tendillas, Córdoba.

 

Mas Córdoba também é o desfile de seus habitantes nas ruas.  Gentes de todas as idades passeiam da Plaza de las Tendillas.  Observar as pessoas, por volta das cinco da tarde, de um dos muitos cafés nessa praça, é o grande passatempo tanto de espanhóis quanto dos turistas que visitam o local. Regado a chocolate quente com churros todos observam e são observados.   Todas as cidades espanholas têm esse fenômeno do andar/desfilar.  Todas as cidades espanholas são, conseqüentemente, dos melhores lugares para se observar pessoas, o comportamento humano.  Cada cidade tem sua personalidade; a mais barroca dessas atividades é a que se desenrola em Barcelona, sem dúvida.  Mas Córdoba é pequena o suficiente para que, depois só de alguns dias, sentada no mesmo café, a gente possa começar a conhecer os transeuntes.  Reconhece-se a senhora que vem passear acompanhada de sua filha, ou a adolescente que fez de tudo, no dia anterior, para ganhar a atenção de um rapaz, que hoje já não está com a camisa vermelha que lhe caía tão bem.  Em Córdoba é mais fácil a gente se sentir como parte da cidade; perde-se logo a noção de estarmos olhando para o cenário de uma peça teatral, como a gente se sente no início. Ao invés, a gente passa a se sentir como um extra numa cena de bar, depois de termos ido lá uma meia dúzia de vezes, e acompanhamos o roteiro da peça imaginária logo ali, debaixo dos nossos narizes.    E, no momento em que a gente se levanta para ir embora, de repente a gente cruza aquela linha imaginária que nos separava de um ator principal.  Como num passe de mágica, passamos a ser um deles, desfilando também na Plaza de las Tendillas, deixando que outros nos olhem e observem.  

 

Beijinhos a todos, e muitas saudades,  L.

 

 PS: Sabem que eu adoro esses 3 pingos da palavra beijinhos?





Festa das árvores, poema infantil de Arnaldo Barreto, para o dia da árvore

18 09 2009

arvore que cresce, 1956, mary jane chase

Ilustração, Mary Jane Chase, 1956.

 

FESTA DAS ÁRVORES

                                                       Arnaldo Barreto

Cavemos a terra, plantemos nossa árvore,

que amiga bondosa ela aqui nos será!

Um dia, ao voltarmos pedindo-lhe abrigo,

ou flores, ou frutos, ou sombras dará!

O céu generoso nos regue esta planta;

o sol de Dezembro lhe dê seu calor;

a terra que é boa, lhe firme as raízes

e tenham as folhas frescura e verdor!

Plantemos nossa árvore, que a árvore é amiga

seus ramos frondosos aqui abrirá.

Um dia, ao voltarmos em busca de flores,

com as flores, bons frutos e sombras dará!

———

Arnaldo de Oliveira Barreto (Campinas, SP 1869 — SP, SP 1925) Professor, educador, escritor, poeta, pedagogo.

Obras:

Cartilha das mães, 1895

Leituras Morais, 1896

Cartilha Analítica, 1909

Ensino simultâneo de leitura e escrita, 1918

Vários estilos, s/d

Contos infantis, diversas datas, entre eles:

A festa da lanterna

A pétala de rosa

A rosa mágica

Aladino e a lâmpada maravihosa

Ali-Baba e os quarenta ladrões

A anão amarelo

O califa cegonha

O filho do pescador

O gato de botas e  Branca de Neve

O gigante do cabelo de ouro

O isqueiro encantado

O lago das pedras preciosas

O sargento verde

O velocino de ouro, 1915

Viagens maravilhosas de Simbad