Soneto de Natal, Alphonsus de Guimaraens Filho

19 12 2019

 

 

 

3 REIS, baseado em xilogravura

 

 

Soneto de Natal

 

Alphonsus de Guimaraens Filho

 

 

É Natal. Foram tantos os Natais…

Pois que é Natal mais uma vez, apreende

esse cântico longo que se estende

por terras, mares, não termina mais.

 

Natal mais uma vez. Uma vez mais,

o menino que só a estrela entende,

os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende

a certeza das coisas abissais.

 

Pois que é Natal, pensemos no menino,

apenas no menino. E o contemplemos

no berço onde ora está, tão pequenino.

 

Já quanto aos pais, a meditar deixemos.

Sabem os pais qual a hora do destino.

Fingindo não saber, sonhando olhemos.

 

Em: Todos os sonetos, Alphonsus de Guimaraens Filho, Rio de Janeiro, Editora Galo Branco: 1996





Natal, por Murilo Mendes

18 12 2019

 

 

 

Lucia de Lima (Brasil, contemp) NatalNatal

Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)

acrílica

 

 

“Natal é ver os magos, não reis, que trazem a cultura, a sabedoria, a fascinação do oriente geográfico e do oriente interno de cada um; é ver a riqueza e variedade da terra, a multiplicação compulsória dos pães e dos peixes, a re-unificação da família humana numa assembleia universal, o prazer das futuras viagens, o cérebro eletrônico, a subida aos espaços interestelares; é ver a invisibilidade de Deus, que escapa à televisão.”

 

Em:Chaves para a festa do Natal, Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p.410.





Último Natal, poesia de Miguel Torga

16 12 2019

 

 

 

Spiridon Vikatos (Argostoli, 1878 – Atenas, 1960).Árbol de Navidad-Árvore de Natal

Spiridon Vikatos (Grécia, 1878 – 1960)

óleo sobre tela

 

 

Último Natal

 

Miguel Torga

 

Menino Jesus, que nasces

Quando eu morro,

E trazes a paz

Que não levo,

O poema que te devo

Desde que te aninhei

No entendimento,

E nunca te paguei

A contento

Da devoção,

Mal entoado,

 

Aqui te fica mais uma vez

Aos pés,

Como um tição

Apagado,

Sem calor que os aqueça.

Com ele me desobrigo e desengano:

És divino, e eu sou humano,

Não há poesia em mim que te mereça.





Imagem de leitura — Pauli Ebner

16 12 2019

 

 

b4c8cecfc64aef0f5c3b9496ca616985A hora da lição, Pauli Ebner (Áustria, 1873 — 1949), Cartão Postal.




Natal, por Murilo Mendes

15 12 2019

 

 

 

Rosina Becker do Vale, NatividadeNatividade com Reis Magos, 1964

Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914 – 2000)

guache sobre papel, 36 x 28 cm

 

 

“Natal é ver a festa, a alegria, a visagem do sobrenatural ao alcance de todos, a imediata matéria corporal, máximo emblema, a própria substância de Deus-homem encarnado.  É ver a necessidade do enigma para poder um dia decifrá-lo.”

 

Em: Chaves para a festa do NatalTransístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p.409.





Olhando para Hopper

14 12 2019

 

 

 

people-in-the-sunPessoas no sol [Banho de sol], 1960

Edward  Hopper (EUA, 1882-1967)

Óleo sobre tela, 102 x 153 cm

National Museum of American Art, DC

 

 

“Certa vez, escrevi uma série de sonetos spencerianos tentando contar as histórias baseadas nas pinturas de Hopper. Tristes e sórdidas histórias todas elas, de pessoas patéticas, solitárias e infelizes, marginalizadas, bêbados e pedófilos, mas acabei por rasgar os sonetos e jogá-los no lixo. Os poemas sobre pinturas são pretensiosos, não importa o quanto você os burile. Ainda assim, um quadro de Hopper fazia doer lugares desconhecidos dentro de mim. Lugares onde eu era suscetível ao toque, porque as pessoas de Hopper são, também, pessoas solitárias. Só de olhar para elas você pode dizer que não são amadas e, independentemente do número de figuras no quadro, cada uma delas é um ser solitário. Como se existissem numa caixa invisível que não pode ser penetrada pelo amor, ou pelo toque. Dentro de si mesmas, elas estão entorpecidas e sem esperança.”

 

Em: Poesia pura, Binnie Kirshenbaum, Rio de Janeiro, Record: 2002, tradução de Lourdes Menegale, página 35.





“Não sei”, poesia de Cora Coralina

12 12 2019

 

 

Angelo Simeone, (Itália-Brasil, 1899-1963) Figura feminina, Óleo sobre tela colado sobre eucatex, 60 X 48cmFigura feminina

Angelo Simeone, (Itália-Brasil, 1899-1963)

óleo sobre tela colado sobre eucatex, 60 X 48cm

 

 

Não sei

 

Cora Coralina

 

Não sei se a vida é curta

ou longa para nós,

mas sei que nada

do que vivemos tem sentido,

se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

o colo que acolhe,

o braço que envolve,

a palavra que conforta,

o silêncio que respeita,

a alegria que contagia,

a lágrima que corre,

o olhar que acaricia,

o desejo que sacia,

o amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não

seja nem curta, nem longa demais,

mas que seja intensa, verdadeira,

pura enquanto durar.

 

Foi esta poesia que abriu, para reflexão, o Encontro de Fim de Ano dos grupos de leitura Papalivros e Ao Pé da Letra, no domingo, dia 8 de dezembro próximo passado.  Agradeço ao Professor Sérgio Gonçalves Mendes [PUC-RJ] a sugestão desta abertura.





Imagem de leitura — Amedeo Bocchi

11 12 2019

 

 

 

Amedeo Bocchi.2Pausa na leitura

Amedeo Bocchi (Itália, 1883 -1976)

óleo sobre tela





Fim de ano para Grupos de Leitura

10 12 2019

 

 

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Os grupos de leitura Ao Pé da Letra e Papalivros se reuniram pela quarta vez para o encontro de final de ano.  Ao todo 35 participantes fizeram a festa no restaurante/bar El Born, especializado em tapas, em Copacabana.  Muito foi comemorado neste encontro:  três futuras leitoras (bebês) integraram os grupos no início deste ano, três meninas.  O Papalivros assim passa a ter como mascotes Pedro de 5 anos e Mia que ainda não tem um aninho.  Enquanto o grupo Ao Pé da Letra tem duas bebês como futuras leitoras, Letícia e Luísa, assim como o mascote Bernardo, que nasceu já membro do grupo. E este ano o grupo recebeu também os leitores mirim Letícia de 11 anos e Leandro de 7,  filhos de novos membros,  que já vieram leitores devorando tudo que possa passar por suas mãos.

Muitas comemorações boas foram alvo dos nossos brindes.  Bodas de Prata, diversos jovens passando para universidades, membros abrindo consultórios, participando de oficinas de escrita, a publicação do romance Uma família como a nossa, de Chaia Zismán que nos honra com sua participação. Numerosas viagens. O Oriente parece ter sido o local de grande apelo além de Portugal, onde muitos passaram férias, sem tirar o brilho das cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro e das balneárias de Minas Gerais.  O Pantanal também foi alvo de turismo, assim como a sempre favorita cidade de São Paulo. E com boa saúde fomos em frente.

 

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A primeira leitura do ano de 2020 para o Papalivros será Três rainhas, três irmãs de Philippa Gregory, enquanto o grupo Ao Pé da Letra votou no 4321 de Paul Auster, para começar o ano.  Os grupos terão aproximadamente seis a sete semanas de descanso,  primeiros encontros em 2020 no final de janeiro. A ambos os grupos, boa sorte e boas leituras.

 

NOTA: Sim temos homens como membros dos grupos de leitura, mas as melhores fotos foram com as meninas.

 





Sobre o Natal: Cecília Meireles

3 12 2019

 

 

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“São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes, os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.”

 

Em: Ilusões do mundo, Cecília Meireles, Global: 2019