
Que saudades dos folguedos
dos meus Natais mais risonhos…
em que singelos brinquedos
amanheciam meus sonhos!
(João Freire Filho)

Que saudades dos folguedos
dos meus Natais mais risonhos…
em que singelos brinquedos
amanheciam meus sonhos!
(João Freire Filho)
Ilustração Margaret Tarrant.
No meu Natal é rotina
deixar tudo no “capricho”:
no peito faço faxina e
jogo as mágoas no lixo!
(Élbea Priscila de S e Silva)
Ilustração de Alice Havers.
“Volta!”, eu peço, em voz bem alta!
Antes que a minha ansiedade
faça com que o “sentir falta”
passe a chamar- se… “saudade”…
(Izo Goldman)
Ilustração Stacy Curtis.
Vinícius de Moraes
Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.
Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.
Quer ver a foca
Fazer uma briga?
É espetar ela
Bem na barriga!
Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição, página 67-69.
Figura feminina
Angelo Simeone, (Itália/Brasil, 1899 -1963)
óleo sobre tela colada sobre eucatex, 60 X 48 cm
Sosígenes Costa
Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.
Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.
É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.
Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.
Mulher lendo (esposa do pintor), 1962
Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)
pastel sobre papelão, 50 x 44 cm
Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.
Em: Antologia Poética, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 2001
Cartão postal da Alemanha, de Ernst Kuzer, 1913.
Para de amor cantar mágoas,
foi que se fez o violão,
que a gente aperta no peito,
e encosta no coração…
(Adelmar Tavares)
Ilustração de Sally Franklin.
Dirce de Assis Cavalcanti
Para cultivar pássaros
e falar com as flores
subir à montanha,
capturá-la em seus abismos
com viril delicadeza
mergulhar na amplidão
de suas formas.
Um mergulho perigoso
de onde se sai aos pedaços.
Reunir os cacos
em melancólico mosaico
recompor a paisagem
do que se foi um dia
mesmo sabendo que inteiro
não se é nunca mais.
Gabriela Mistral, 1956
Oswaldo Guayasamin (Equador/EUA, 1919 – 1999)
óleo sobre tela
Poetisa chilena ganhadora do Nobel de Literatura de 1945