Ricardo Lísias sobre Nobel de Ishiguro

6 10 2017

 

 

122-Carolina-Wren-Bird-Painting-Collectible-BooksIvanhoé

Camille Engel (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela,  50 x 40 cm

 

 

“O Prêmio Nobel a Kazuo Ishiguro destaca não apenas um romancista notável, cheio de recursos e muito lúcido, mas também uma consciência que está o tempo todo nos avisando, através da forma literária, de que há algo de muito perigoso se movimentando debaixo dos nossos olhos.  Uma excelente escolha, que dá um pouco de fôlego em um tempo que parece sufocado por conservadorismos tacanhos e violentos. Ishiguro é o contrário disso: ele é excelente.”

 

Em: “Um pouco de fôlego num momento conservador“, Ricardo Lísias, O Globo, Segundo Caderno, página 2; 6 de outubro de 2017.

 





Resenha: “O conto da aia” de Margaret Atwood

1 10 2017

 

 

the-wise-virgins-1965.jpg!HalfHDAs virgens sábias, 1965

Paul Delvaux (Bélgica, 1897-1994)

óleo sobre tela, 280 x 180 cm

 

Tenho uma longa história com O conto da aia.  Lá no final da década de 1980, quando ainda morava fora do Brasil, comprei esse livro em inglês.  Tentei  lê-lo uma vez e não consegui levar a leitura avante.  Mudei-me para o Brasil em 2002 e o livro veio comigo, junto a toda a biblioteca da casa, somos dois dedicados às humanidades, coisa que colabora imensamente para acumulação de livros.  Aqui tentei ler de novo, porque tinha amigos que insistiam que eu o fizesse.  Duas tentativas.  E não consegui levar a leitura adiante.  Sete anos depois, saí de um apartamento grande para um menor e sacrifiquei parte dos livros.  Lá foi ele, sem culpa.  Eventualmente achei um exemplar, no sebo, em português e tentei de novo.  Nada.  Doei-o para o camelô de livros usados do meu bairro (moro próximo à PUC, aqui os camelôs vendem livros).  Passaram-se os anos e meu grupo de leitura decide que este seria o livro na berlinda em outubro de 2017, já que há uma série na televisão baseada em seu enredo. Comprei em inglês no Kindle para que eu e meu marido pudéssemos ler e para que não ocupasse mais lugar nenhum na minha moradia.  Finalmente, sob coerção, fui do início ao fim.  E para a discussão de grupo, peguei emprestado um exemplar em português e passei horas tentando achar as frases que mais me impressionaram para podermos todos achar no texto durante a discussão. Resultado: li.  Achei que é um livro importante de ler.  Acredito que toda mulher deva lê-lo. Vou recomendar às minhas sobrinhas que o façam.  Mas confesso não tive prazer nenhum em degustá-lo.  Margaret Atwood que me perdoe.

Ainda estou sob o impacto da leitura. E muito próxima do texto para realmente poder analisá-lo.  É a obra mais misoginista que encontrei até hoje. É de arrepiar uma leitora. Mas talvez as citações possam falar por si mesmas.  Um livro como esse já foi chamado de ficção científica.  Hoje é mais comum falarmos de ficção distópica. Ou seja, ficção cuja trama, situada em um futuro não muito longínquo, mostra uma realidade repleta de privações, com futuro desesperador e opressivo. Trata-se da história da República de Gilead dominada por uma seita religiosa radical.  Nessa sociedade mulheres têm duas únicas funções: procriar e  ser de uso para homens.  As mulheres também não aprendem a ler.  Na verdade o conhecimento é privilégio de poucos: “Não existem mais revistas, não existem mais filmes …” [34]. As que não conseguem engravidar são consideradas dissidentes e levadas à morte. A orelha do livro registra que essa é a realidade no século XXI.  Essa visão sombria, com conotações apocalípticas é sufocante e permeia toda a obra, transformando-a numa gigantesca aventura asfixiante.  Barbaridades diversas são cometidas através do tempo. Já na primeira página a autora estabelece sutilmente o clima de  ansiedade: “Lembro-me daquele anseio, por alguma coisa que estava sempre a ponto de acontecer e que nunca era a mesma…” [11].

 

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Há horas em que esse mundo parece particularmente medieval, talvez pela crudeza dos eventos, talvez pelas limitações impostas aos habitantes de Gilead.  Essa referência à Idade Média também é sugerida por Margaret Atwood nas entrelinhas.  Nesta sociedade das massas comandadas como robôs há poucafé ou expectativa de uma vida melhor. As pessoas não têm a sensação de poder:  “Éramos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivíamos nos espaços brancos  não preenchidos nas margens da matéria impressa. Isso nos dava mais liberdade.” [73] Nesta imagem, há, por exemplo, uma direta referência às ilustrações de manuscritos medievais, onde nas margens encontramos desenhos engraçados, animais diversos, pessoas nas tarefas mundanas, frades e cavaleiros enroscados em videiras floridas.  Nas margens tudo era válido.  Há muito simbolismo na narrativa algo que também remete aos textos medievais herméticos. Além disso, os nomes de mulheres Offred, Offglen, [Of Fred; Of Glen]  são semelhantes a denominações medievais em que o “dono” daquela pessoa é mencionado no nome de batismo, fato até hoje reminiscente em nomes nórdicos e russos: Adamson, Stephenson [filho de Adam, filho de Stephen] ou Kimmeldottir [filha de Kimmel] por exemplo.  Mais uma maneira sutil de acabar com a individualidade feminina.

A tensão emocional aparece quando há lembranças da vida anterior, e sonhos de como poderia ser diferente.  Se todos estivessem robotizados, nada aconteceria.  Mas é agonizante para o leitor, se colocar, como se coloca nessa narrativa em primeira pessoa, no lugar de quem tem flashes de memória de um mundo mais digno. “Eu gostaria que esta história fosse diferente. Gostaria que fosse mais civilizada. Gostaria que me mostrasse sob uma luz melhor, se não mais feliz, pelo menos mais ativa, menos hesitante, menos distraída por trivialidades. Gostaria que tivesse mais forma.Gostaria que fosse sobre o amor, ou sobre súbitas tomadas de consciência importantes para a vida da gente, ou mesmo sobre pores-do-sol, passarinhos, temporais e neve.” [317] Que tristeza! Que agonia!

 

MargaretAtwood1Margaret Atwood

 

O conto da aia é uma história de terror, muito pior do que qualquer livro de Stephen King.  Muito mais misterioso e estranho do que os contos de Edgar Allan Poe.  Há uma parte de mim que acredita que só uma mulher poderia ter escrito esse mundo aterrorizante da política de reprodução.  É um livro cruel. O desespero dessas mulheres que procuram entender o mundo em que vivem é grande: “Inalo o cheiro do sabão, o cheiro desinfetante, e fico parada no banheiro branco, ouvindo os sons distantes de água correndo, de descargas de vasos sanitários sendo puxadas. De uma maneira estranha sinto-me confortada, em casa. Há algo tranquilizador com relação a vasos sanitários. Pelo menos as funções corporais permanecem democráticas. Todo mundo caga,…” [301]

Se gostei da leitura?  Não.  Ela escreve bem?  Sim, muito bem.  É um livro que deve ser lido?  Sim.  Você o recomendaria?  Para todas as mulheres.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Resenha: “Altos voos e quedas livres” de Julian Barnes

23 08 2017

 

 

 

 

Vue du pont de Sèvres, 1908 - Henri Rousseau.Vista da Ponte de Sèvres, 1908

Henri Rousseau [Le Douanier] (França, 1844 – 1910)

óleo sobre tela, 81 x 100 cm

Museu Pushkin, Moscou

 

 

 

Altos voos e quedas livres é um ensaio dividido em três partes. Aborda paixão, amor, perda, morte e luto — sentimentos universais.  Além disso,  dá raro vislumbre sobre a maneira do autor pensar, organizar assuntos e interesses. Até que nos surpreendemos porque de um material distinto, sem conexão aparente, sub-repticiamente entra no assunto principal da obra:  o luto pela  morte da mulher amada.  Inicialmente a narrativa não parece contínua. Stacatto.  Somos apresentados a fatos, a histórias sobre balonismo.  De balões passamos ao uso da fotografia no século XIX. Assuntos que parecem não ter nada em comum. Finalmente entramos na terceira e última parte, quando tudo díspar coalesce numa meditação sobre o luto, o processo do luto que o escritor atravessa depois da morte de sua esposa, companheira de vida inteira.

“Processo de luto. Parece um conceito claro e sólido. Mas é um termo fluido, escorregadio, metafórico. Às vezes passivo, um período de espera pelo desaparecimento do tempo e da dor.; às vezes ativo, uma atenção consciente à morte, e à perda, e à pessoa amada…”[113]

 

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Cada pessoa trata da perda de um ente querido à sua maneira. É uma emoção particular, vivenciada solitariamente,  impossível de ser comunicada ou dividida. No entanto, é universal,  poderosa, toma o corpo e a alma, os sentimentos do ser humano. Compreende-se sua complexidade quando a testemunhamos, como neste ensaio,  simultaneamente triste, quase sempre romântico, e desde o início provocativo.  Este é um texto que requer reflexão, no início, lá no nível sonhador, do éter e seus balões, até o nível da terra, lugar onde vivenciamos nossas dores.

Luto é um sentimento que todos entendem.  Faz parte da condição humana. A dor da morte de um ser amado é experiência que não se deseja a ninguém mas que vivenciada é devastadora. Há diversas obras literárias dedicadas ao assunto Enquanto agonizo de William Faulkner; O ano do pensamento mágico de Joan Didion são duas das de que me lembro agora.  Altos voos e quedas livres toma agora um lugar entre elas, estará entre as mais belas, mais sentidas, mais reveladoras no complexo caminho dos sentimentos do amante que sobrevive.

 

Julian-BarnesJulian Barnes

 

Lembrar de quão vulnerável é a vida humana é essencial.  Só assim podemos nos dedicar a realmente viver o momento.  Julian Barnes mostra o amor em todas as suas facetas e a falta que o ente querido faz para quem ama.  Não deixe de ler. Belíssima obra.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Minha arma … Rosa Montero em “A História do rei transparente”

15 08 2017

 

 

RAMON CASAS (Espanha, 1866-1932)Entre capítulos, 1890-, ost, 41x 32, Museu Nacional d_art de Catalunya.Entre capítulos, 1890

Ramon Casas (Espanha, 1866-1932)

óleo sobre tela, 41 x 32 cm

Museu Nacional de Catalunha

 

 

“… A pena treme entre meus dedos a cada vez que o aríete investe contra a porta. Um sólido portão de metal e madeira que não tardará a despedaçar-se. Pesados e suados homens de ferro se amontoam na entrada. Vêm à nossa procura. As Boas Mulheres rezam. Eu escrevo. É a minha maior vitória, minha conquista, o dom do qual me sinto mais orgulhosa; e as palavras, embora estejam sendo devoradas pelo grande silêncio, hoje constituem minha única arma.”

 

 

Em: História do rei transparente, Rosa Montero, Rio de Janeiro, Ediouro:2005, página 9





Sobre livros: Erri de Luca

10 07 2017

 

 

Matisse,still-life-with-books-and-candle-1890Natureza morta com livros, 1890

Henri Matisse (França, 1869 – 1954)

óleo sobre tela, 45 x 38 cm

Coleção Particular

 

 

“E para ele encompridar mais um pouco me pergunta o que tenho no bolso. Um livro, digo. Qual? Um usado, leio livros em final de exercício. Por quê? Digo-lhe outra vez. A mão dele vai ao bolso do meu casaco, mas não tira, sopesa.

Leio os usados porque as páginas muito folheadas e engorduradas dos dedos pesam mais nos olhos, porque cada cópia de livro pode pertencer a muitas vidas e os livros deviam ficar desvigiados nos lugares públicos e deslocar-se junto com os passantes que os levam consigo por um pouco e deveriam morrer como eles, consumidos por doenças, infectados, afogados ponte abaixo junto com os suicidas, enfiados num aquecedor no inverno, rasgados pelas crianças para fazer barquinhos, em suma deveriam morrer em qualquer lugar a não ser de tédio e de propriedade privada, condenados a uma prateleira pela vida toda.”

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 25.

 





Resenha: “Três Cavalos” de Erri de Luca

20 06 2017

 

 

The Woodcutter by Camille Pissarro (oil on canvas, 35x45-3-4 CourtO lenhador, 1879

Camille Pissarro (França, 1830 – 1903)

óleo sobre tela, 89 x 116 cm

The Robert Homes a Court Collection, Perth, GB

 

 

Nunca tinha ouvido falar de Erri de Luca até receber de Nanci Sampaio, uma amiga conhecedora dos meus gostos, esse livrinho chamado Três Cavalos.  Levei algum tempo até abrir suas páginas.  Dizem os budistas que as coisas acontecem na hora certa.  Então aconteceu agora esse amor pela obra do escritor italiano, cuja lista de publicações é longa e abrangente: o autor é jornalista, romancista e poeta.

 

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Sua prosa é seca e precisa. Concisa.  Mas de imagens vívidas e maneira de ver as coisas simultaneamente poética e inesperada.  Eu me encontrei relendo muitas passagens, marcando no texto, dois, três parágrafos pela beleza ou pela surpresa.  E como um poema, este é um livro pequenino que passa uma poderosa história em dois tempos, presente no sul da Itália e passado na Argentina.  Há também o paralelo entre dois amores, o de então e o do momento.  Duas mulheres perturbadoras que conquistam o coração quase inocente de um homem  que agora, aos cinquenta anos, leva a vida de jardineiro.

 

Erri_De_LucaErri de Luca

 

Ainda que este seja um romance com descrições da perseguição política na Argentina, o tema serve  de pano de fundo.  Maior que ele é o amor, força que impulsiona atos impensáveis. Também fala de amizade e da honra entre amigos.  A honra entre o narrador e seu amigo africano Selim, um trabalhador temporário que vai e volta da África e tem o dom da divinação. São 108 páginas concisas, repletas de poesia e determinação.  E emoção. Emoção contida como cabe a um europeu.  Mas lá está para nos puxar página após página ao seu surpreendente final.  Uma obra poderosa, marcante.  De grande impacto. Excelente leitura.

 

 

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O humor de Mark Twain

3 04 2017

 

 

DohanosIlustração de Stevan Dohanos, para The Saturday Evening Post, Janeiro, 1946.

 

 

Um dia, durante uma série de palestras  do gênero comédia em pé, através do país, Mark Twain entrou numa barbearia para fazer a barba.  Twain contou, então, ao barbeiro que era sua primeira visita à cidade.

“Você escolheu uma boa hora para vir,” disse o barbeiro.

“Sim?” respondeu Twain

“Mark Twain dará uma palestra hoje à noite. Imagino que você vá querer vê-lo?”

“Acho que sim…”

“Já comprou sua entrada?”

“Não, ainda não,”

“Bem, já está esgotada. Só terá lugar em pé.”

“É a minha sina,” disse Twain com um suspiro.  “Sempre fico em pé quando aquele cara visita a cidade!”





A chamada do escritor, José Eduardo Agualusa

22 02 2017

 

 

 

gevork-kotiantz-russia-1906-1996-estudante-1969-ost-100-x-100-cm

Estudante, 1969

Gevork Kotiantz (Rússia, 1906-1996)

óleo sobre tela, 100 x 100 cm

 

 

“Imagino que, pesquisando, seja possível encontrar, para cada romancista, o episódio fundador da sua escrita: o distante relâmpago, a pequena humilhação, um primeiro amor impossível, a mãe controladora, um crime íntimo, a morte do pai.

Todos nós gostaríamos de saber de que selva fabulosa saíram os tigres de Jorge Luís Borges; de que ruínas barrocas ou jardins perfumados emergiram as baratas de Júlio Cortázar ou as belas ninfetas e mariposas (serão a mesma coisa?) de Vladimir Nabokov. Não creio que o segredo da criação se esgote nesse conhecimento, e nem me parece que tal fosse desejável. Talvez tenha até o efeito contrário, levando-nos a reler os livros que mais amamos e que mais nos marcaram, e a encontrar nessa releitura novos e mais profundos mistérios.”

 

 

Em: “Um relâmpago que atravessa vidas”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 20/02/2017, 2º caderno, página 2.

 

 

 





Desejo difícil, mas não impossível

13 02 2017

 

 

 

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Piquenique no vento

Anthea Craigmyle (GB, 1933- 2016)

óleo sobre placa, 18 x 23 cm

 

 

Com atraso de quase dois anos, retomo projeto de leitura começado há algum tempo: ler o que foi listado pela BBC como as 12 melhores obras na literatura britânica neste século. Listas como essa me fascinam. Sei que são tendenciosas.  Mas sou fã dos autores britânicos, então, as listas em que eles são estrelas se tornam mais ou menos um guia para a minha leitura.

Aqui estão:

01 — A fantástica vida breve de Oscar Wao, Junot Diaz (2007) — Abandonei, não gostei.

02 — O mundo conhecido, Edward P. Jones (2003) — comprado

03 — Wolf Hall, Hilary Mantel (2009) — comprado no Kindle, sem leitura

04 — Gilead, Marylinne Robinson (2004)

05 — As correções, Jonathan Franzen (2001)

06 — As incríveis aventuras de Kavalier e Clay, Michael Chabon (2000)

07 — A visita cruel do tempo, Jennifer Egan (2010)

08 — A longa caminhada de Billy Lynn, Ben Fountain (2012)

09 — Reparação, Ian McEwan (2001) — LIDO em inglês — gostei muito

10 — Meio sol amarelo, Chimmanda Ngozi Adchie (2006) — LIDO — gostei muito, muito

11 — Dentes brancos, Zadie Smith (2000) – Comprado, na prateleira

12 — Middlesex,. Jeffrey Eugenides (2002) — LIDO em inglês

 

Em compensação, já li muitos dos colocados logo abaixo, entre eles:

13. Chimamanda Ngozi Adichie, Americanah, LIDO, gostei
14. WG Sebald, Austerlitz
15. Elena Ferrante, My Brilliant Friend, LIDO, mais ou menos
16. Alan Hollinghurst, The Line of Beauty  LIDO, gostei muito, muito
17. Cormac McCarthy, The Road
18. Zadie Smith, NW
19. Roberto Bolaño, 2666
20. Shirley Hazzard, The Great Fire

 

E você?  Leu algum deles?

 

 

 

 





Resenha: “Kitchen” de Banana Yoshimoto

31 01 2017

 

 

alex_gross_3ice-cream-cone-despair-alex-grossSorvete de casquinha ou Desespero

Alex Gross (EUA, 1968)

 

 

Kitchen é o livro que apresentou ao ocidente, em meados da década passada, a escritora Banana Yoshimoto, revelação da moderna literatura japonesa.  Muito sucesso desde então abraçou a autora. O livro foi também minha apresentação ao trabalho dela e assim como outros leitores mundo afora irei ler suas outras obras. Com linguagem clara e delicada Yoshimoto apresenta os difíceis temas da perda, luto e renascimento emocional.

São duas histórias: uma novela (longo conto) e um conto.  Ambos tratam  com empatia as perdas por morte sofridas pelos personagens principais, jovens que se encontram sozinhos no mundo, sem familiares ou sem as pessoas que amam.  Todos acabam encontrando carinho e conforto através fontes inesperadas.  Suas vidas, que começam viradas pelo avesso sem perspectiva de melhores dias, parecendo perdidas em meio a tristeza e sofrimento aos poucos se liberam da decepção e visualizam um horizonte mais feliz, repleto de possibilidades.

 

 

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O estilo da autora é caprichoso.  Ela trata seus personagens, às vezes extravagantes, excêntricos e ocasionalmente exuberantes, com tanta delicadeza e aceitação que a própria estranheza não salta aos olhos.  Ao contrário, é comovente.  A narrativa leve, com jeito despretensioso, permite que sutilezas sejam ressaltadas, e que a vulnerabilidade de cada personagem apareça sem excessos ou melindres.

Banana Yoshimoto me lembra os interiores de casas japonesas onde o minimalismo é eloqüente; o gracioso tem peso e a almejada serenidade encontra expressão.  Não há excessos ainda que seus jovens personagens possam ser impulsivos,  às vezes precipitados.

 

 

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Banana Yoshimoto

 

 

Este é um livro sutil que trata de tópico difícil de maneira clara, delicada, agradável e sóbria.  Excelente leitura para qualquer idade. Vai para a minha lista de leituras para adolescente mais velhos, ou jovens adultos. Não é a toa que é um favorito da Geração X.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.

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