Um gato chinês, poesia infantil de José Paulo Paes

19 06 2012

Gato com olhos cor de mel, ilustração Ditz.

Um gato chinês

José Paulo Paes

Era uma vez

Um gato chinês

Que morava em Xangai

Sem mãe e sem pai

Que sorria amarelo

Para o rio Amarelo

Com seus olhos puxados

Um para cada lado

Era uma vez

Uma gato mais preto

Que tinta nanquim

De bigodes compridos

Feito mandarim

Que quando espirrava

Só fazia “chim”!





Noite de inverno, poema de Américo Macedo

18 06 2012

Marinha, 1965

Heitor de Pinho (Brasil, 1897-1968)

Óleo sobre cartão, 25 x 40 cm

Coleção Particular

Noite de Inverno

Américo Macedo

Estala a ventania! O mar bravio,

Ruge, como uma hiena acorrentada!

O céu de chumbo, cúpula pesada,

Mostra-se escuro, umbrático e sombrio!

A chuva cai pesadamente!  O frio

Corta, como uma lâmina afiada!

E muito ao longe ecuta-se a balada

Dos sapos a cantar n’água do rio.

O raio corta o espaço enfurecido,

Em ziguezagues prófugos e cresce

O fragor do trovão, enraivecido!

E sobe… e sobe a intérmina caudal!

E a água é tanta e tanta, que parece

Um segundo dilúvio Universal!

Em: Panorama da Poesia Norte Rio-grandense, Rômulo Wanderley, Natal, Edições do Val: 1965, prefácio de  Luís da Câmara Cascudo.

Américo Soares de Macedo, ( 1877- 1948) nasceu em Assu, no Rio Grande do Norte a 29 de dezembro de 1877.  Funcionário da Prefeitura Municipal.  Morreu modestamente em 2 de janeiro de 1948.

Obras:

Sombras, poesia, 1945





Quadrinha da esperança

17 06 2012

Pato Donald acorda para uma manhã ensolarada, ilustração Walt Disney.

Tenha fé, não erga a voz
blasfemando revoltada,
porque Deus manda a alvorada
depois de uma noite atroz.

(Élton Carvalho)





Trova da educação

16 06 2012

Ilustração Maurício de Sousa.

Nenhum dinheiro, no mundo,
vale mais que a educação:
pois ela é um cesto sem fundo,
sempre a desejar mais pão…

(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)





Quadrinha do meio ambiente

15 06 2012

Chico Bento prepara a terra para plantar, ilustração Maurício Sousa.

Que o mister da agricultura
não traga, em nenhum momento,
mesmo gerando fartura,
selvagem desmatamento!

(Wanda de Paula Mourthé)





Quadrinha das lembranças

14 06 2012

Menina na rede conversando com cachorro, Capa da Revista Good Housekeeping, 1928.

Como persiste a fragrância

da flor que o vento levou,

doces lembranças da infância

nem mesmo o tempo apagou.

(Dororthy Jansson Moretti)





Barca Bela, poesia de Almeida Garrett

12 06 2012

Ilustração décadas 1920-30.
[Pelo estilo e formato, pode ser capa da Revista Americana St. Nicholas, da época]

Barca Bela

Almeida Garrett

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela,

—-Que é tão bela,

—-Ó pescador?

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

—-Colhe a vela,

—-Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela…

—-Mas cautela,

—-Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela,

—-Só de vê-la,

—-Ó pescador.

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge dela

—-Foge dela

—-Oh pescador!

Em:  Folhas Caídas, Almeida Garrett, Porto, Editorial Domingos Barreira: s/d





A flor e a nuvem, fábula de Pierre Lachambaudie

11 06 2012

Flor seca, ilustração de Justin Francavilla.

A flor e a chuva

Lachambaudie

Reina o estio. No vale

Languida flor emurchece,

E chama, p’ra socorrê-la,

Uma nuvem, que aparece.

Tu que do Aquilão[*] nas asas

Vais pelo espaço a correr,

Vê que de calor me abraso,

Vem, não me deixes morrer.

Com essas águas que levas,

A minha dor refrigera.

— “Tenho missão mais sagrada,

Agora não posso — espera“.

Disse e foi-se!.. De abrasada

Cai e espira a flor tão bela:

Volta a nuvem e despeja

Quanta água tinha sobre ela.

Era tarde!

[*] Aquilão é o vento do norte.

Em: O Espelho, revista semanal de literatura, modas, indústria e artes, Rio de Janeiro, 1859.

NOTAS:

1 – Não sei de quem é o texto em português.  A publicação de 1859, não traz autoria.

2 – Lachambaudie (1807-1872) foi um escritor, poeta, cancioneiro francês.   Trabalhou como contador a maior parte de sua vida.  Foi um escritor de fábulas, na tradição de seu conterrâneo La Fontaine, em verso. Dentre outras publicações de poesia, distingui-se sobretudo seu livro, Fábulas de Pierre Lachambeaudie, de 1844.

Frequentemente quando posto uma fábula sem a famosa “moral” no final, alguém inevitavelmente me pergunta pela moral.  Não é um obrigatoriedade de todas as fábulas apresentarem uma moral, pré-estabelecida pelo autor.  Muitas vezes, talvez até mais do que se imagina, a moral é para ser entendida pelo leitor.  Aqui nesse caso, cabe o dito popular:

Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.





Quadrinha das palavras na areia

11 06 2012

Praia, Caroline Ruth Eger.

Deixei recado na areia

da praia de ondas selvagens

me esqueci que a maré cheia

nada entende de mensagens…

(Albertina Moreira Pedro)





A pombinha da mata, poesia infantil de Cecília Meireles

10 06 2012

Descanso, ilustração de George Straub, 1951.

A Pombinha da mata

Cecília Meireles

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

“Eu acho que ela está com fome”,

disse o primeiro,

“e não tem nada para comer.”

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha carpir.

“Eu acho que ela ficou presa”,

disse o segundo,

“e não sabe como fugir.”

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

“Eu acho que ela está com saudade”,

disse o terceiro,

“e com certeza vai morrer”.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa