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Cochicho, ilustração Anni Matsick.
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Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém…
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(Alberto Isaías Ramires)
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Cochicho, ilustração Anni Matsick.–
Falar mal da vida alheia
é coisa que não convém;
quem tem telhado de vidro
não fustiga o de ninguém…
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(Alberto Isaías Ramires)
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Mauro Mota
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A caixa de letras.
Minha filha brinca.
Espalha-as na mesa,
compõe as palavras,
pessoas e coisas,
plantas e animais,
deslizam na mesa
consoantes, vogais.
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A caixa de letras
de matéria plástica,
brancas, amarelas,
vermelhas e pretas.
Minha filha brinca,
os nomes desfaz,
faz os objetos,
as letras empilha,
no mundo alfabético,
consoantes, vogais.
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Do O faz a cara
limpa da boneca
com os olhos bulindo
dos pontos dos i i .
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Do Q faz a rosa
suspensa no talo.
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Lápis e papel,
mas o poema informe.
As letras, as letras
brancas e amarelas,
vermelhas e pretas.
Que faço com elas?
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Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura:1968
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Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.
Obras:
Elegias (1952)
A tecelã (1956)
Os epitáfios (1959)
Capitão de Fandango (1960, crônica)
O galo e o cata-vento, (1962)
Canto ao meio (1964)
O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)
Poemas inéditos (1970)
Itinerário (1975)
Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)
Pernambucânia dois (1980)
Mauro Mota, poesia (2001)
Antologia poética, 1968
Antologia em verso e prosa, 1982.
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Noite fria… e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Soldadinho de chumbo, s/d
Marysia Portinari ( Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 30 x 20 cm
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Manuel Bandeira
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Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança…
Aérea, pois não!
Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
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Em: Manuel Bandeira Antologia Poética, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio:1978, 10ª edição
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Martins D’Alvarez
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— Que bairro bonito e grande!
Tu me dizes, debruçada
na sacada
da janela
deste meu primeiro andar.
De fato, a rua é um viveiro
de mocidade e de graça,
entre um recanto de praça
e um trapo verde de mar.
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Bairro lindo, na verdade,
o mais belo da cidade.
Mas, nã me digas que é grande…
Não me digas, por favor!
Só eu sei, anjo moreno,
eu que provo o veneno,
como este bairro é pequeno
para abrigar nosso amor.
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Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977
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A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim,com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.
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(Miguel Russowsky)
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Seja qual for o quinhão,
há sempre quem o bendiga;
a migalha do seu pão
é um banquete pra formiga.
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(Ney Damasceno)
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Sérgio Caparelli
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O tatu cava um buraco
a procura de uma lebre,
quando sai pra se coçar,
já está em Porto Alegre.
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O tatu cava um buraco,
e fura a terra com gana
quando sai pra respirar
já está em Copacabana.
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O tatu cava um buraco
e retira a terra aos montes,
quando sai pra beber água
já está em Belo Horizonte.
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O tatu cava um buraco
dia e noite, noite e dia,
quando sai pra descansar,
já está lá na Bahia.
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O tatu cava um buraco,
tira a terra, muita terra,
quando sai por falta de ar,
já está na Inglaterra.
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O tatu cava um buraco
e some dentro do chão,
quando sai pra respirar,
já está lá no Japão.
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O tatu cava um buraco
com as garras muito fortes,
quando quer se refrescar
já está no Polo Norte.
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O tatu cava um buraco
um buraco muito fundo,
quando sai pra descansar
já está no fim do mundo.
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O tatu cava um buraco,
perde o fôlego, geme, sua,
quando quer voltar atrás,
leva um susto, está na lua.
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Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre, LPM: 2000, 27ª edição
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Moça chorando, 1964
Roy Lichtenstein
Esmalte sobre placa de aço, 116 x 116 cm
Edição: 5
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A lágrima é um pingo d’água,
Irizado e transparente:
– A bailarina da mágoa
Dançando no olhar da gente.
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(João Rangel Coelho)
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Lavadeiras no Rio Piabanha em Petrópolis, s/d
Carlos Gomes (Brasil, 1934-1990)
óleo sobre tela, 56 x 48 cm
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Jorge de Lima
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As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.
As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras
ficam tão tristes, tão pensativas!
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As cantigas tangem os bois dos boiadeiros!
Os bois são morosos, a carga é tão grande!
O caminho é tão comprido que não tem fim.
As cantigas são leves…
E as cantigas levam os bois, batem a roupa
das lavadeiras.
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As almas negras pesam tanto, são
tão sujas como a roupa, pesadas
como os bois…
As cantigas são tão boas…
Lavam as almas dos pecadores!
Levam as almas dos pecadores!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968
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Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.
Obras:
Poesia:
XIV Alexandrinos (1914)
O Mundo do Menino Impossível (1925)
Poemas (1927)
Novos Poemas (1929)
O acendedor de lampiões (1932)
Tempo e Eternidade (1935)
A Túnica Inconsútil (1938)
Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)
Poemas Negros (1947)
Livro de Sonetos (1949)
Obra Poética (1950)
Invenção de Orfeu (1952)
Romance:
O anjo (1934)
Calunga (1935)
A mulher obscura (1939)
Guerra dentro do beco (1950)