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Noite fria… e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Noite fria… e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!
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(Edmar Japiassú Maia)
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Soldadinho de chumbo, s/d
Marysia Portinari ( Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 30 x 20 cm
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Manuel Bandeira
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Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança…
Aérea, pois não!
Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
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Em: Manuel Bandeira Antologia Poética, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio:1978, 10ª edição
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Martins D’Alvarez
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— Que bairro bonito e grande!
Tu me dizes, debruçada
na sacada
da janela
deste meu primeiro andar.
De fato, a rua é um viveiro
de mocidade e de graça,
entre um recanto de praça
e um trapo verde de mar.
–
Bairro lindo, na verdade,
o mais belo da cidade.
Mas, nã me digas que é grande…
Não me digas, por favor!
Só eu sei, anjo moreno,
eu que provo o veneno,
como este bairro é pequeno
para abrigar nosso amor.
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Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977
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A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim,com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.
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(Miguel Russowsky)
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Seja qual for o quinhão,
há sempre quem o bendiga;
a migalha do seu pão
é um banquete pra formiga.
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(Ney Damasceno)
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Sérgio Caparelli
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O tatu cava um buraco
a procura de uma lebre,
quando sai pra se coçar,
já está em Porto Alegre.
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O tatu cava um buraco,
e fura a terra com gana
quando sai pra respirar
já está em Copacabana.
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O tatu cava um buraco
e retira a terra aos montes,
quando sai pra beber água
já está em Belo Horizonte.
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O tatu cava um buraco
dia e noite, noite e dia,
quando sai pra descansar,
já está lá na Bahia.
–
O tatu cava um buraco,
tira a terra, muita terra,
quando sai por falta de ar,
já está na Inglaterra.
–
O tatu cava um buraco
e some dentro do chão,
quando sai pra respirar,
já está lá no Japão.
–
O tatu cava um buraco
com as garras muito fortes,
quando quer se refrescar
já está no Polo Norte.
–
O tatu cava um buraco
um buraco muito fundo,
quando sai pra descansar
já está no fim do mundo.
–
O tatu cava um buraco,
perde o fôlego, geme, sua,
quando quer voltar atrás,
leva um susto, está na lua.
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Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre, LPM: 2000, 27ª edição
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Moça chorando, 1964
Roy Lichtenstein
Esmalte sobre placa de aço, 116 x 116 cm
Edição: 5
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A lágrima é um pingo d’água,
Irizado e transparente:
– A bailarina da mágoa
Dançando no olhar da gente.
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(João Rangel Coelho)
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Lavadeiras no Rio Piabanha em Petrópolis, s/d
Carlos Gomes (Brasil, 1934-1990)
óleo sobre tela, 56 x 48 cm
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Jorge de Lima
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As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.
As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras
ficam tão tristes, tão pensativas!
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As cantigas tangem os bois dos boiadeiros!
Os bois são morosos, a carga é tão grande!
O caminho é tão comprido que não tem fim.
As cantigas são leves…
E as cantigas levam os bois, batem a roupa
das lavadeiras.
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As almas negras pesam tanto, são
tão sujas como a roupa, pesadas
como os bois…
As cantigas são tão boas…
Lavam as almas dos pecadores!
Levam as almas dos pecadores!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968
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Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.
Obras:
Poesia:
XIV Alexandrinos (1914)
O Mundo do Menino Impossível (1925)
Poemas (1927)
Novos Poemas (1929)
O acendedor de lampiões (1932)
Tempo e Eternidade (1935)
A Túnica Inconsútil (1938)
Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)
Poemas Negros (1947)
Livro de Sonetos (1949)
Obra Poética (1950)
Invenção de Orfeu (1952)
Romance:
O anjo (1934)
Calunga (1935)
A mulher obscura (1939)
Guerra dentro do beco (1950)
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Leitora, 1921
Eugen Spiro (Alemanha, 1874-1972)
óleo sobre tela
Sammlung F.Benjamin, Berlim-Grünewald
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Bocage
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Aflito coração, que o teu tormento,
Que os teu desejos tácito devoras,
E ao doce objeto, às perfeições adoras,
Só te vás explicar co(m) pensamento.
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Infeliz coração, recobra alento,
Seca as inúteis lágrimas, que choras;
Tu cevas o teu mal, porque demoras
Os voos ao ditoso atrevimento.
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Inflama surdos ais, que o medo esfria;
Um bem tão suspirado, e tão subido,
Como se há de ganhar sem ousadia?
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Ao vencedor afoute-se o vencido;
Longe o respeito, longe a cobardia;
Morres de fraco? Morres de atrevido.
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Felicidade, vantagem
que todos querem ganhar,
não é bem um fim de viagem,
é um modo de viajar.
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(Eno Teodoro Wanke)