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Galo, ilustração de Mary Ann Cary.
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Bem cedinho o galo canta,
molhado ainda de orvalho.
A roça, ouvindo-o, levanta
e entoa um hino ao trabalho.
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(A. A. de Assis)
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Galo, ilustração de Mary Ann Cary.–
Bem cedinho o galo canta,
molhado ainda de orvalho.
A roça, ouvindo-o, levanta
e entoa um hino ao trabalho.
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(A. A. de Assis)
Quer na alegria ou na dor,
entre sorrisos e ais,
para mim não existe cor:
brancos… pretos… são iguais.
(Alice de Oliveira)
Ilustração de Ingela P. Arrhenius.
Maria Alberta Menéres
Porque é que me chamo coelho
E não me chamo melão?
Porque é que me chamo lagartixa
E não me chamo cão?
Porque é que me chamo uva
E não me chamo chuva?
Porque é que me chamo Maria do Céu
E não me chamo chapéu?
Porque é que me chamo pedra
E não me chamo perna?
Porque é que me chamo cebola
E não me chamo papoila?
Porque é que me chamo casa
E não me chamo asa?
Porque é que me chamo Sol
E não me chamo Lua?
Porque é que me chamo Lua
E não me chamo caracol?
Cada coisa tem o seu nome
Para assim ser conhecida.
Em: Conversas com versos, Maria Alberta Menéres, Lisboa, Edições Asa:2005
Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1923)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Manuel Bandeira
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inaccessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno da Estela
Quero a brancura da Elisa
Quero a saliva da Bela
Quero as sardas da Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 135-136.
Cartão postal, 1ª metade do século XX.
Felicidade é um recado
sem data, sem remetente,
chegando sempre atrasado
na caixa postal da gente!
(Aurora Pierre Artese)
Conquista é jogo de azar
e, no amor, jogo pesado;
querendo te conquistar,
eu é que fui conquistado!…
(Heloísa Zanconato Pinto)
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Pierrot cantando ao luar, ilustração de John A. Ardema.–
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Murilo Araújo
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Cantemos rindo
canções douradas!
O luar é lindo
pelas estradas…
Rodem as rondas
com as mãos dadas!
Rodem nas rondas
os camaradas!
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Há na floresta
que a luz debrua
alguma festa
que continua…
Rodem as rondas
pela floresta…
Dance na festa
Senhora Lua!
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Não passam pagens
na redondeza
com carruagens
para a princesa?!
Rodem as rondas
com ligeireza!
Dance com os pagens,
Dona Princesa!
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Não andam fadas
voando no ar
pelas estradas
cor de luar?
Rodem as rondas
descabeladas!
Senhoras fadas,
vamos dançar!
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Pelas estradas
iluminadas…
Vamos dançar, dançar…
dançar!…
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Em: Poemas completos de Murilo Araújo, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960
Avião, ilustração de Hergé.
Entre nuvens no infinito,
sofro a prisão mais prisão…
Sinto-me pássaro aflito
na gaiola de um avião.
(Gilka Machado)
Desconheço a autoria da ilustração.
Ciumenta, a pata chorava,
procurando pelas matas,
sabendo que o pato estava
andando com duas patas!
(Aurora Pierre Artese)
Camundongos e caixa de biscoitos Huntleigh & Palmers
A. L. Holding (Inglaterra, séc. XIX-XX)
aquarela, 19 x 23 cm
Alzira Chagas Carpigiani
Rato roedor,
não roas as
roupas do
imperador.
Elas são grossas
e têm cheiro
de bolor.
Rato roedor,
rói sim
as roupas
da imperatriz.
Elas são
feitas de
seda macia
e têm gosto de anis.