Ilustração A. E. Marty.
Vou-me embora pela estrada
carregando os sonhos meus…
Vem atrás a passarada,
cantando, dizer-me adeus!
(Elza Capanema Leitão)
Ilustração A. E. Marty.
Vou-me embora pela estrada
carregando os sonhos meus…
Vem atrás a passarada,
cantando, dizer-me adeus!
(Elza Capanema Leitão)
Ilustração Maurício de Sousa.
Pela calçada ela passa…
e a rua, nos passos dela,
tocada de luz e graça,
transforma-se em passarela.
(Jacy Pacheco)
Olavo Nunes
Brincam alegres, faceiros,
Pelos jardins, descuidosos,
Os dois priminhos formosos,
Trocando ditos brejeiros.
Depois estacam ligeiros
A contemplar desejosos
Os belos frutos cheirosos
Dos pendentes cajueiros.
Diz ele maliciosamente,
Por entre um riso de gozo:
Trepa, priminha… e os colhe…
– E ela, ingênua, as faces ternas,
Prende o vestido entre as pernas
E diz, subindo: – Não olhe…
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 315
Francisco Olavo Guimarães Nunes, pseudônimos: José-Boêmio, José do Egito, Carlos Heitor, Carlos Augusto. Promotor público e poeta. Nasceu no Pará em 1871, faleceu em 1942.
Obras:
Musa Vadia, poesia, 1929
Sua obra ainda se encontra esparsa pelas muitas publicações para as quais foi contribuinte.
Irmão Metralha consulta um atlas à procura do tesouro do tio Patinhas, ilustração Walt Disney.
Que elegante está você!
Este pijama é perfeito!
Só não entendo porque
tantos números no peito!???
(José Ouverney)
Pai querido, o imagino
com sua mão calejada,
lá no Infinito, um menino,
reflorindo a minha estrada! …
(Adelir Machado)
Bebê dormindo, ilustração Frances Tipton Hunter (EUA, 1896 – 1957)
Mário Quintana
Não te movas, dorme, dorme
O teu soninho tranquilo.
Não te movas (diz-lhe a Noite)
Que inda está cantando um grilo…
Abre os teus olhinhos de ouro
(o Dia lhe diz baixinho).
É tempo de levantares
Que já canta um passarinho…
Sozinho, que pode um grilo
Quando já tudo é revoada?
E o Dia rouba o menino
No manto da madrugada…
Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, 13ª edição, Porto Alegre, Projeto: 2007, p.19
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Ilustração, navio no mar, 1935, Anton Otto Fischer.–
Navio, leve-me longe…
Leve-me às brumas do além.
Por lá, meu amor se esconde,
sem ter quem lhe queira bem.
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(Nair Starling)
Ilustração de Elizabeth Becker.
Reynaldo Valinho Alvarez
Carrego na mochila, entre outros trastes,
três ou quatro verdades importantes.
O resto é de mentiras. São contrastes
que entrego às outras partes contrastantes.
A lira não me vale. São desastres
o que encontro nos outros caminhantes.
Na terra devastada, erguem-se as hastes
das lanças e dos canos fumegantes.
A mochila me pesa. As três verdades
ou quatro, já não sei, não pesam tanto,
mude-se o tempo e mudem-se as vontades.
O que me dói ou pesa, ou o que é um espanto
é que um modesto grama de inverdades
valha um tonel de torpe desengano.
Em: Galope do tempo, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro: 1997, p. 55
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Natureza morta, 2008
Florêncio [Carlos José dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
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Domingos Pellegrini
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O milagre da uva
virar vinho
e o vinho virar
vinagre
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O milagre da flor
virar semente
e a semente virar
uma baita árvore
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O milagre das pedras
sua lenta vida
rocha virando areia
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E o milagre dos astros
o universo tecido
de órbitas e estrelas.
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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005