O gato, poesia de Marina Colasanti

7 11 2016

 

 

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Gato com bola

Vicente Do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)

óleo sobre tela,  65 X 80 cm

 

 

O Gato

 

Marina Colasanti

 

No alto do muro

pulando no escuro

miando no mato

entrando em apuro

é o gato, seguro.

 

De antigo passado

e jeito futuro

movimento puro

ar sofisticado

é o gato, de fato.

 

Só pode ser gato

esse bicho exato

acrobata nato

que só cai de quatro.

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Trova do beijo de adeus

1 11 2016

 

 

casal-tom-lovellIlustração Tom Lowell.

 

 

Depois da falsa meiguice

e dos falsos beijos seus,

Adeus”; de graça, ela disse,

e eu disse: – Graças a Deus!

 

(Hegel Pontes)





Trova da saudade

27 10 2016

 

 

13364122295_faec51b688_cIlustração na Revista Collier’s de 1951.

 

Embora dela me esquive,

a saudade, tão ladina,

tem manhas de detetive,

e me espreita … em cada esquina…

 

 

 

(Élbea Priscila de Sousa e Silva)

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Um bebê, poesia de Paulo Setúbal

25 10 2016

 

 

Bebe acordado, maud Tousey FangelIlustração de Maud Tousey Fangel.

 

 

Um bebê

Paulo Setúbal

 

Um bebê… Ai que ventura

Do nosso peito extravasa!

Há um mês que é a nossa loucura,

Que é a joia da nossa casa.

 

Mimo não há, sem enleio,

Que mais alinde as vivendas,

Do que um bercinho bem cheio

De laçarotes e rendas.

 

E nesse ninho de luxo,

— Com dois berloques e um guiso,

Ver um petiz, bem gorducho,

Que nos envia um sorriso.

 

Ah! Nada eu sei de mais preço,

Nem nada mais inocente,

Do que um sorriso travesso

Numa boquinha sem dente!

 

E ao ver-te, entre o fofo arranjo

Do teu bercinho tão doce,

Eu sinto bem que és um anjo

Que Deus ao mundo nos trouxe…

 

E assim, bebê cor de leite,

Com olhos da cor do mar,

Tu és o único enfeite

Do nosso lar!

 

 

Em: Alma cabocla, poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 179-180.

 

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O navio cheio de bananas, poesia de Lêdo Ivo

20 10 2016

 

caravela3[8]

 

 

O navio cheio de bananas

 

Lêdo Ivo

 

 

Paisagem; maresia

azul e bananais!

No porão do navio,

o ouro dos litorais.

 

Fruto de um paraíso

de mormaço, num alvo

formigueiro de sal

entre negros trapiches.

 

O horizonte derrama

cal entre as bananeiras.

São roupas de operários,

Cantos de lavadeiras.

 

Como as bananas verdes

à luz do carbureto

logo ficam maduras

quaradas pelo sol

 

de uma falsa estação,

assim este cargueiro

esplende, no terral,

seu cacheado tesouro.

 

E o panorama é de ouro.

E o dia sabe a sal.

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Trova da espera

18 10 2016

 

 

 

esperando-ilustracao-blanche-wrightIlustração Blanche Wright.

 

 

Quem espera, sempre alcança…
Alcançarás, tu, que és forte:
na vida – eterna esperança…
sossego – depois da morte..

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

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Café, poesia de Ribeiro Couto

15 10 2016

 

cafe-uma-xicara-dePato Donald pede um café © Walt Disney
Café

Ribeiro Couto

Sabor de antigamente, sabor de família

Café que foi torrado em casa,

Que foi feito no fogão de casa com lenha do mato de casa.

Café para as visitas de cerimônia,

Café para as visitas de intimidade,

Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada, para toda gente.

Café para de manhã, para de tardinha, para de noite,

Café para todas as horas do riso ou da pena,

Café para as mãos leais e os corações abertos,

Café da franqueza inefável,

Riqueza de todos os lares pobres,

Na luz hospitaleira do Brasil.

Em: Poemas para a Infância: antologia escolar, editado por Henriqueta Lisboa, s/d, São Paulo: Edições de Ouro, p. 50

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Trova da mentira

14 10 2016

 

 

dormindo-no-barco-surpesa-margret-borissIlustração de Margret Boriss.

 

 

A mentira é sonho lindo

neste meu mundo encantado.

Sonhando, minto dormindo,

mentindo, sonho acordado.

 

 

(Sinval Emílio da Cruz)





Trova do amor adolescente

9 10 2016

 

 

beijo 7 avelino guedesIlustração de Avelino Guedes.

 

 

Nosso amor de adolescente

teve tanta intensidade,

que nem toda a vida à frente

vai matar esta saudade!

 

 

(Walter Leme)

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Trova da aurora

5 10 2016

 

 

canto do passarinhoChico Bento ouve o canto dos passarinhos © Maurício de Sousa

 

 

Trinam pássaros nos galhos,

a brisa é leve e sombria;

a aurora sobre os orvalhos,

abre as cortinas do dia.

 

 

(Manoel Cavalcante de Souza Castro)

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