Ilustração de Avelino Guedes.
Nosso amor de adolescente
teve tanta intensidade,
que nem toda a vida à frente
vai matar esta saudade!
(Walter Leme)
Ilustração de Avelino Guedes.
Nosso amor de adolescente
teve tanta intensidade,
que nem toda a vida à frente
vai matar esta saudade!
(Walter Leme)
Chico Bento ouve o canto dos passarinhos © Maurício de Sousa
Trinam pássaros nos galhos,
a brisa é leve e sombria;
a aurora sobre os orvalhos,
abre as cortinas do dia.
(Manoel Cavalcante de Souza Castro)
Primavera, ilustração de Marie Cramer.
Mário Quintana
Primavera cruza o rio,
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.
Catavento enlouqueceu,
Ficou girando, girando,
Em torno do catavento
Dançamos todos em bando.
Dancemos todos, dancemos,
Amadas, mortos, Amigos,
Dancemos todos até
Não mais saber o motivo….
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!
Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 121-2.
Rikhard-Karl Karlovich Zommer (Alemanha, 1866-1939)
óleo sobre tela, 52 x 93 cm
À caravana, que de longe vem
Cansada, a se arrastar num passo incerto,
As palmeiras do oásis oferecem
Um poema de sombras, no deserto.
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Professor Pardal pronto para decolar, © Walt Disney
Pra que foguete, pra quê?
Pra ir à lua distante?
Eu, quando beijo você,
não subo aos céus num instante?
(Wilson Montemór)
Pássaros no galho, ilustração de Noel Hopking.
Vede em seus lares como ao sol trabalha
O diligente e alegre passarinho:
Uma paina, um graveto, folha ou palha,
Ele conduz para fazer o ninho.
E no berço onduloso se agasalha,
Depois de horas de luta e de carinho,
Sem precisar de cobertor e toalha
A não ser o do céu estreladinho.
E bem feliz, na tépida mansão,
Cuida de sua meiga geração,
Sem vexames, sem lágrimas, sem guerra.
Humilde e bom, amando e sendo amado,
Cantando em meio às árvores do prado,
Antes eu fosse um pássaro na terra.
Em: Natureza: versos, Sabino de Campos, Rio de Janeiro, Pongetti: 1960, p. 36
Chico Bento tirou 7, ©Maurício de Sousa.
“Amor no plural amores…”
Dizem aí… Não há tal!
Enganam-se os professores,
porque amor não tem plural.
(Antonio Sales)
Manasses Andrade (Brasil, 1955-2021)
acrílica sobre tela, 100 x 80 cm
Carlos Drummond de Andrade
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
Piteco pensando na vida © Maurício de Sousa
Da vida ao brando balanço
diz o malandro, folgado:
— Se a morte é mesmo descanso,
prefiro viver cansado.
(Maia D’Athayde)
Carissa Rose Stevens (EUA,contemporânea)
aquarela e marcador permanente sharpie
Lêdo Ivo
O mundo em peso cai-me sobre os ombros
e em seguida se evola, sol de urânio.
Arquipélago branco, sai da terra
a rosa nuclear da anunciação.
Fossem meus braços límpidas colunas
e eu deteria o mundo enfurecido
por esta luz atômica que sobe
ao convívio dos céus despedaçados.
Ó corola de átomos, leitosa
flor da quinta estação da terra em pânico
que se exibe à feição do Apocalipse,
sê para nós igual à rosa branca
da paz, sempre banhada pelo orvalho
monumental das lágrimas dos homens!
Em: Central poética, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Nova Aguillar: 1976, p. 98-9.