Ilustração de John Gannam, 1948.
Entra o sol pela vidraça
e em teu leito empalidece,
deslumbrado pela graça
que teu corpo lhe oferece.
(Durval Mendonça)
Ilustração de John Gannam, 1948.
Entra o sol pela vidraça
e em teu leito empalidece,
deslumbrado pela graça
que teu corpo lhe oferece.
(Durval Mendonça)
Domingo
Cláudio Dantas (Brasil, 1959)
óleo sobre tela
Carlos Drummond de Andrade
Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou na relva para pegar um pássaro.
O mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo ao redor de Clara.
As crianças olhavam para o céu… Não era proibido!
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos…
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs, naquele tempo!!!
Em: Poemas para a Infância: antologia escolar, editado por Henriqueta Lisboa, s/d, São Paulo: Edições de Ouro, p. 26-7
Pastora, c. 1752
Jean-Honoré Fragonard (França, 1732–1806)
Óleo sobre tela, 118 × 160 cm
Milwaukee Art Museum, EUA
William Shakespeare
Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
Tradução de Bárbara Heliodora
Em: Poemas de amor, William Shakespeare, Tradução de Barbara Heliodora, Editora Ediouro:2001
Ilustração Margaret Evans Price
Do espelho da tua sala,
procura o exemplo seguir:
ele reflete e não fala,
tu falas sem refletir…
(Carlos Guimarães)
“
Pescaria, John Newton Howitt (1885 – 1958)Para não faltar o peixe,
Na mesa do nosso lar,
O pescador bem cedinho,
Sua rede atira no mar.
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Ouça, cartão postal holandês, 1929.
Você mente quando diz
que me tem um grande amor;
mas isto me faz feliz:
— Minta sempre, por favor…
(Agmar Murgel Dutra)

“Ano Novo, vida nova”
– reza o dito popular.
Tal fato só se comprova
se você mesmo mudar.
(Sonia Regina Rocha Rodrigues )

Fernando Pessoa
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Em: Cancioneiro, Fernando Pessoa, Cyberfil: 2002 – página 34
Papai Noel, ilustração de Dan Andreasen.
Minha maior alegria,
no Natal, era a emoção
do amor, que meu pai
trazia sob a barba… de algodão!
(Sérgio Ferreira da Silva)

Ruy Espinheira Filho
Há uma luz suave em que respiram.
Não mudaram nada e fingem não ver
como sou mais moço na fotografia.
Contam histórias, sempre, mesmo quando em silêncio
(e tanto quanto se contam, contam-me também de mim).
Não mais precisam beber, só se refletem no copo
que ergo e em que bebo, por eles e por mim,
trespassado ainda dos sonhos que compunham a alma
de que se iluminava o moço nas fotografias.
Em: Sob o céu de Samarcanda: poemas, Ruy Espinheira Filho, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil e Fundação da Biblioteca Nacional: 2009, página 152.
