Papai Noel, ilustração de Dan Andreasen.
Minha maior alegria,
no Natal, era a emoção
do amor, que meu pai
trazia sob a barba… de algodão!
(Sérgio Ferreira da Silva)
Papai Noel, ilustração de Dan Andreasen.
Minha maior alegria,
no Natal, era a emoção
do amor, que meu pai
trazia sob a barba… de algodão!
(Sérgio Ferreira da Silva)

Ruy Espinheira Filho
Há uma luz suave em que respiram.
Não mudaram nada e fingem não ver
como sou mais moço na fotografia.
Contam histórias, sempre, mesmo quando em silêncio
(e tanto quanto se contam, contam-me também de mim).
Não mais precisam beber, só se refletem no copo
que ergo e em que bebo, por eles e por mim,
trespassado ainda dos sonhos que compunham a alma
de que se iluminava o moço nas fotografias.
Em: Sob o céu de Samarcanda: poemas, Ruy Espinheira Filho, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil e Fundação da Biblioteca Nacional: 2009, página 152.

Vinícius de Moraes
Onde vais, elefantinho,
correndo pelo caminho,
assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho,
espetaste o pé no espinho,
que sentes, pobre coitado?
— Estou com um medo danado
encontrei um passarinho.
Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971, p. 61.
Em:

Pleno outono … e em meu atalho,
sem um amor que me acolha,
invejo a sorte do orvalho
que se abriga em qualquer folha.
(Edmar Japiassú Maia)
Ilustração, ©Walt Disney
O trabalho do banqueiro
está no seu jogo impuro:
tem lucro com meu dinheiro
e ainda me cobra juro.
(Olympio Coutinho)
Cemitério de pets, ilustração de James Gilleard para Walt Disney.
José Paulo Paes
“Aqui jaz um leão
chamado Augusto.
Deu um urro tão forte,
mas um urro tão forte,
que morreu de susto.
Aqui jaz uma pulga
chamada Cida
Desgostosa da vida,
tomou inseticida:
era uma pulga suiCida.
Aqui jaz um morcego
que morreu de amor
por outro morcego.
Desse amor arrenego:
amor cego, o de morcego!
Neste túmulo vazio
jaz um bicho sem nome.
Bicho mais impróprio!
Tinha tanta fome
que comeu-se a si próprio”.
Em: Poemas para brincar, José Paulo Paes, São Paulo, Ática: 1994.
Ilustração anônima, década 1960
No porto dos meus anseios
esperanças são navios,
que de manhã partem cheios
e à tarde voltam vazios…
(Orlando Brito)

Jardim com palmeiras, s/d
Iracema Orosco Freire (Brasil, século XX)
óleo sobre madeira, 26 x 39 cm
Olegário Mariano
Choveu tanto esta tarde
Que as árvores estão pingando de contentes.
As crianças pobres, em grande alarde,
Molham os pés nas poças reluzentes.
A alegria da luz ainda não veio toda.
Mas há raios de sol brincando nos rosais.
As crianças cantam fazendo roda,
Fazendo roda como tangarás:
“Chuva com sol!
Casa a raposa com o rouxinol.”
De repente, no céu desfraldado em bandeira,
Quase ao alcance da nossa mão,
O Arco-da-Velha abre na tarde brasileira
A cauda em sete cores, de pavão.
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 1 (1911-1931), p. 277.
Surpresa, ilustração, desconheço a autoria e não consigo ler a assinatura.
Elias José
Um livro
é uma beleza,
é caixa mágica
só de surpresa.
Um livro
parece mudo,
Mas nele a gente
descobre tudo.
Um livro
tem asas
longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe
Um livro
é parque de diversões
cheio de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luzes e balões.
Um livro é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata do mar,
um foguete perdido no ar,
É amigo e companheiro.
Em: Caixa mágica de surpresa, Elias José, 1997: Editora Paulus

A voz dos ventos distantes,
dentro das conchas do mar,
são preces de navegantes,
que não puderam voltar.
(Hegel Pontes)