Cidade brasileira, ilustração, Norbim.
Cidade brasileira, ilustração, Norbim.
Ilustração de Kate Greenaway, 1910, para o Flautista de Hamelin
Para dar cor aos matizes
da mais bela floração,
humildemente, as raízes
vivem ocultas no chão !
(Cipriano Ferreira Gomes)
Ilustração da revista Cosmolitan, Janeiro 1960.
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.
Em: Caderno H, (1945-1973), Mário Quintana, Porto Alegre: Editora Globo, 1973.
Ilustração Maurício de Sousa.
Ao sofrer uma agressão
a terra não choraminga
nem esboça reação,
mas… cedo ou tarde, se vinga…
(Adélia Victória Ferreira)
Ilustração de Marli Soares Borges.
Maria da Graça Almeida
Perfilados, apontados,
estão todos bem guardados
numa caixa tão bonita,
desenhada e com fitas!
São eretos, são brilhantes
coloridos, elegantes!
Têm o corpo de madeira,
têm a cor na cabeleira!
O azul colore o céu,
o verdinho aviva as folhas.
Pra pintar um bom painel,
o tom fica a sua escolha.
Tenho um sol brilhante e belo
com o lápis amarelo!
Lápis preto escurece
e o desenho entristece.
Com o branco passo apuros,
mas às vezes nele aposto,
sua cor em fundo escuro
quando vejo sempre gosto!
Dois pombinhos, 1897
Joseph Caraud (França, 1821-1905)
óleo sobre tela, 60 x 45 cm
Alfredo de Souza
Vem, sem demora, ver estes pombinhos
Que se beijam tão ternos, venturosos,
Deixando muito tempo os seus biquinhos
Colados em transportes amorosos;
Vem — mirar como fazem seus carinhos;
Ora arrulando em cantos maviosos,
Ora as asas batendo para os ninhos
— Ninhos plenos de odor, ninhos ditosos.
E já que tu sentiste quanto é bela
Essa cena que vimos, dando ensejo
De imitá-la por dentro da janela…
Resta apenas dizer-te, ó minha flor,
Que colemos os lábios, num só beijo,
Fingindo de pombinhos, meu amor!
Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p. 232.
Alfredo de Souza (Rio de Janeiro, 1880 — ??) — Foi jornalista e funcionário público.
Bibliografia
Aurora, sem data

Pedro Bandeira
O H é letra incrível,
muda tudo de repente.
Onde ele se intromete,
tudo fica diferente…
Se você vem para cá,
Vamos juntos tomar chá.
Se o sono aparece,
tem um sonho e adormece.
Se sai galo do poleiro,
pousa no galho ligeiro.
Se a velha quiser ler,
vai a vela acender.
Se na fila está a avó,
vira filha, veja só.
Se da bolha ele escapar,
Uma bola vai virar.
Se o bicho perde o H,
com um bico vai ficar.
Hoje com H se fala,
sem H é uma falha.
Hora escrita sem H,
ora bolas vai ficar.
H é letra incrível,
muda tudo de repente.
Onde ele se intromete,
tudo fica diferente…
Em: Mais respeito, eu sou criança, Pedro Bandeira, São Paulo, Moderna: 1994
Ilustração de Marcel Marlier ( Bélgica, 1930-2011)
Trago minhas mãos manchadas
de sangue, pelos espinhos
das mil rosas perfumadas
que espalhei nos teus caminhos…
Izo Goldman

Manuel Bandeira
Olho a praia. A treva é densa.
Ulula o mar, que não vejo,
Naquela voz sem consolo,
Naquela tristeza imensa
Que há na voz do meu desejo.
E nesse tom sem consolo
Ouço a voz do meu destino:
Má sina que desconheço,
Vem vindo desde eu menino,
Cresce quanto em anos cresço.
– Voz de oceano que não vejo
Da praia do meu desejo…
Em: Estrela da Vida Inteira- poesias reunidas, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1979, pp 30.
Ilustração de Mort Engel.
Teu retrato, enraivecida,
eu rasguei, sem embaraços…
mas a saudade, atrevida,
juntou de novo os pedaços!…
(Marilúcia Rezende)