Ilustração de Ariane Beigneux.
Oh! quanta beleza… quanta!
nessa algazarra dos ninhos!
Parece até que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
Joubert de Araújo Silva
Ilustração de Ariane Beigneux.
Oh! quanta beleza… quanta!
nessa algazarra dos ninhos!
Parece até que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
Joubert de Araújo Silva
Ilustração anônima.
Mãos em obras, em conquistas,
mãos no campo, em hospitais,
mãos em prece, mãos de artistas,
tão diversas, tão iguais…
(Orlando Brito)
Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)
óleo sobre tela, 33 x42 cm
Décio Valente
Casa velha
de monjolo antigo,
tranquilo abrigo,
de sapos, rãs e lagartixas,
onde vespas e aranhas tecelãs
penduram teias e enxus.
No córrego que passa,
lépidas libélulas
assustam ariscos guaru-guarus.
A água,
outrora,
espumante,
sonora,
escorre,
agora,
calma,
silenciosa…
Samambaias e avencas solitárias
enfeitam com verdes rendas
limoso nicho.
Gotas de orvalho
lembram pérolas,
contas de rosário
enfiadas em capim.
Aveludados musgos
amaciam a face dura
de rugosas pedras.
Alegres pássaros
cantam afinados duetos
com cigarras estridentes.
Centelhas de ouro em pó,
estilhas de prata laminada,
enchem de raro encanto
a folhagem molhada
daquele ameno recanto
da fazenda abandonada.
Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971, pp. 55-56
Murman Kutchava (Geórgia, 1962)
óleo sobre tela
“Ercília estendeu as mãos para sentir na pele a mordida lenta do sol. Mas o sol naquela manhã de inverno, oferecia mais luz que calor. Sem aquecer, ele avivava as cores, multiplicava reflexos, recortava sombras. Ercíllia enfiou as mãos nos bolsos do roupão e recolheu dentro dos olhos um pouco da paisagem colorida: o azul do céu, o verde violento de uma carrosseria, lá embaixo, o vermelho que transbordava de um caminhão carregado de terra. Depois aspirou com força o ar que, de tão fino e tão leve, parecia nunca ter atravessado outros pulmões… Os melhores momentos de sua vida eram esses, quando em nada pensava, entregue a uma sensação puramente física de bem-estar. Momentos breves e raros. Bem depressa, a roda do pensamento recomeçava a trabalhar, moendo lembranças, preocupações e rancores. “Berenice, Nelson, indiretas do chefe, faturas, mexericos de auxiliares, Nelson, Berenice”. Mas ela viera ao terraço cuidar de suas begônias. Fora Berenice quem a presenteara com aquelas plantas: “São para você começar um jardim suspenso”. Até agora, porém, o jardim suspenso resumira-se a dois vasos de cerâmica. “Sei lá se vou continuar aqui!” Endireitou uma haste florida, cortou algumas folhas secas. Um impulso irrefletido fê-la enterrar os dedos na terra fofa e úmida. E a mó do pensamento triturou uma farinha diferente: “Que bom se eu tivesse nascido numa fazenda!” Por um momento, imóvel, ela escutou o chamado da terra. Veio-lhe um desejo quase doloroso, de contato maior com a natureza. “O cheiro do capim gordura, o canto das cigarras! Alimentar-se de sol, como as plantas! Ah! se pudesse trocar aquele fundo comprimido de cidade por horizonte mais aberto e nele purificar seus olhos, olhos que tinham visto tanta coisa triste, tanta coisa feia… ” Pressentiu, porém, os passos de Berenice e retirou precipitadamente as mãos para escondê-las contra o corpo. Não queria ser surpreendida em pleno devaneio e quebrar o sortilégio que a tornava incomunicável.”
Em: Navio Ancorado, Ondina Ferreira, São Paulo, Edição Saraiva, 1948,pp: 120-121.
Ilustração de John Millar Watt.
No portão os namorados
são como barcos no cais,
pelos beijos amarrados,
querem ir e ficam mais.
(Cleonice Rainho)
Ilustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.
Almir Correia
O grilo
gritou no saco
gritou no papo
do sapo
gritou no poço
gritou na cara do moço
gritou no mato
gritou no
sa
………..pato.
E de repente
pra espanto da gente
não gritou mais.
Jan van Beers (Bélgica, 1852-1927)
óleo sobre tela, 24 x 35 cm
Martins Fontes
Ao ronronar da rede preguiçosa,
ela, — morena de olhos de ouro, –embala
a esbraseante volúpia que se exala
dos seus vinte e dois anos cor de rosa.
Verão. O sol embriaga. Em plena orgia,
fundem-se os cheiros cálidos da terra.
E a moça abre o roupão, os olhos cerra,
e o que espera e deseja fantasia.
E a rede para. A viração marinha
Beija-a, lânguida e longa, loucamente…
E ela, os olhos abrindo, de repente,
Fica surpresa, por se ver sozinha!
(Volúpia)
Em: Nossos clássicos: Martins Fontes, poesia, Rio de Janeiro, Agir:1959, p.66
Noite no campo, ilustração de Sylvie Daigneault.
Orvalha, e da flor molhada
brota uma lágrima, e corre.
— Silêncio!, que a madrugada
pranteia a noite que morre…
(Elton Carvalho)
Olívia Palito está ansiosa pelo que pode acontecer com Popeye, © E. C. Segar.
Dia dos mortos? Balela!
Finados? Tontos assuntos!…
Nem flor, nem cinza, nem vela,
nós todos estamos juntos.
(Cornélio Pires)
Ilustração de Marie Lawson, Revista Child Life, Outubro de 1935.
Minha sogra, aquela bruxa,
Num fusca mandando brasa,
E eu fico pensando – puxa!
Com tanta vassoura em casa!
(Magdalena Léa)