Ouça, cartão postal holandês, 1929.
Você mente quando diz
que me tem um grande amor;
mas isto me faz feliz:
— Minta sempre, por favor…
(Agmar Murgel Dutra)
Ouça, cartão postal holandês, 1929.
Você mente quando diz
que me tem um grande amor;
mas isto me faz feliz:
— Minta sempre, por favor…
(Agmar Murgel Dutra)

“Ano Novo, vida nova”
– reza o dito popular.
Tal fato só se comprova
se você mesmo mudar.
(Sonia Regina Rocha Rodrigues )

Fernando Pessoa
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Em: Cancioneiro, Fernando Pessoa, Cyberfil: 2002 – página 34
Papai Noel, ilustração de Dan Andreasen.
Minha maior alegria,
no Natal, era a emoção
do amor, que meu pai
trazia sob a barba… de algodão!
(Sérgio Ferreira da Silva)

Ruy Espinheira Filho
Há uma luz suave em que respiram.
Não mudaram nada e fingem não ver
como sou mais moço na fotografia.
Contam histórias, sempre, mesmo quando em silêncio
(e tanto quanto se contam, contam-me também de mim).
Não mais precisam beber, só se refletem no copo
que ergo e em que bebo, por eles e por mim,
trespassado ainda dos sonhos que compunham a alma
de que se iluminava o moço nas fotografias.
Em: Sob o céu de Samarcanda: poemas, Ruy Espinheira Filho, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil e Fundação da Biblioteca Nacional: 2009, página 152.

Vinícius de Moraes
Onde vais, elefantinho,
correndo pelo caminho,
assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho,
espetaste o pé no espinho,
que sentes, pobre coitado?
— Estou com um medo danado
encontrei um passarinho.
Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971, p. 61.
Em:

Pleno outono … e em meu atalho,
sem um amor que me acolha,
invejo a sorte do orvalho
que se abriga em qualquer folha.
(Edmar Japiassú Maia)
Ilustração, ©Walt Disney
O trabalho do banqueiro
está no seu jogo impuro:
tem lucro com meu dinheiro
e ainda me cobra juro.
(Olympio Coutinho)
O escritor Francisco Azevedo com o Grupo de Leitura Ao Pé da Letra, 24/09/2017.
O grupo de leitura Ao Pé da Letra teve o prazer de contar com a visita do escritor Francisco Azevedo, cujo livro Os novos moradores, lançado em junho deste ano, e já em sua segunda edição, foi a leitura escolhida para discussão no mês de setembro.
Seu terceiro romance, precedido por Arroz de Palma, Editora Record: 2008 e Doce Gabito, Editora Record: 2012, tem todas as marcas de um grande sucesso. Situado no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro ele se desenrola entre os ocupantes de duas casas geminadas na rua dos Oitis. Enquanto a casa de cor cinza é habitada por uma família severa cujos membros são emocionalmente distantes uns dos outros, a outra, amarela, tem como residente uma família amorosa e alegre. O relacionamento entre as famílias surge através dos filhos que com isso trazem para o âmago de cada núcleo familiar experiências e acontecimentos imprevisíveis.

O grupo de leitores se deliciou com a franqueza, modéstia e simplicidade do autor, que dividiu com os presentes sua maneira de escrever, explicou como as ideias se desenvolvem e abriu o leque de reações dos leitores aos seus livros, principalmente a este último, que trata de assunto familiar espinhoso. Francisco Azevedo foi espontâneo, e mostrou grande senso de humor ao se surpreender e divertir, aqui e ali, com a reação dos leitores a personagens, fatos e soluções de problemas encontrados no texto.


Foi sem sombra de dúvida uma noite memorável para os leitores. Agradecemos a presença de Francisco Azevedo e sua esposa Edvane. Aprendemos muito sobre o processo criativo e a maneira como sincronicidade parece agir em torno de uma criação literária, tornando-a quase inevitável. Um grande abraço de todos do Ao Pé da Letra, desejo de muito sucesso ao escritor e até o próximo encontro. Esperamos vê-lo quando seu próximo romance sair do prelo!