Trova da boa mentira

7 01 2018

 

 

 

Genieten (1929)Ouça, cartão postal holandês, 1929.

 

 

 

Você mente quando diz

que me tem um grande amor;

mas isto me faz feliz:

— Minta sempre, por favor…

 

 

(Agmar Murgel Dutra)





Trova do Ano Novo

2 01 2018

 

 

527MiscBonneAnnee

 

 

“Ano Novo, vida nova”

– reza o dito popular.

Tal fato só se comprova

se você mesmo mudar.

 

 

(Sonia Regina Rocha Rodrigues )





Peregrina escolhe os melhores livros do ano

17 12 2017

 

 

Bella e livros, por Anni MorrisBella e livros

Anni Morris (GB, contemporânea, residente na Nova Zelândia)

acrílica sobre tela

 

 

Dezembro,  vem a pergunta: qual foi o melhor livro do ano?

Meu gosto não é o de todos.  Mas pode servir de notas auxiliares para futuras leituras. Sem levar em conta o que li profissionalmente em história da arte e história do mundo ocidental, li até agora, segunda semana de dezembro um pouco mais de 41 livros.  Aqui está a lista dos que me lembrei.  Talvez tenha lido um pouquinho mais, mas o ano foi muito conturbado e nem sempre anotei ou escrevi resenha dos livros.  Sei que abandonei alguns.  Estou ciente de que há mais livros para ler do que tempo, mesmo que vivesse o dobro da minha idade.  Assim, não me desespero, abandono aquilo de que não gosto.

 

Slide1

 

Escolhi 8 livros melhores do ano.  8 de 41… nada mal, 20% de boas leituras.  Isso classifica o ano como muito bom.  A lista é eclética e inclui dois autores brasileiros, dois livros do mesmo autor inglês, um japonês, um português, um italiano e uma canadense.  Selecionei também, um fora de série, em separado,  por não ser ficção literária,  mas talvez uma das mais importantes leituras em anos.

 

A terra inteira e o céu infinito, Ruth Ozeki, livro mágico que reúne um tanto da filosofia oriental com a ficção científica.  Um livro cheio de observações relevantes para a vida e o mundo contemporâneo.  Acredito que seu público seja bastante universal. Resenha aqui.

As irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki, clássico da literatura japonesa, tenho certeza de que não é para todos os gostos.  Narrativa lenta como as estações do ano, límpida como a prosa de Eça de Queiroz. Sutil como as artes nipônicas. Não é para todos, mas se você gosta de boa literatura e lê clássicos do século XIX, este é para você. Resenha aqui.

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes, uma das mais belas ficções/ensaios sobre o luto.  Traz a marca registrada do autor, que navega dentro e fora do ensaio e da ficção literária com desenvoltura inigualável. Extrema sensibilidade. Resenha aqui.

O pecado de Porto Negro, Norberto Morais a grande descoberta do ano para mim foi este autor português, cuja obra está fortemente influenciada pelos clássicos portugueses e brasileiros.  Uma obra de gosto universal, que à maneira das tragédias gregas, lida com as paixões (boas e más) dos seres humanos. Belas imagens literárias.  Espero ansiosa sua próxima publicação. Resenha aqui.

Deserto, Luís Krausz, com este livro me apaixonei pela literatura deste autor já agraciado com o Prêmio Jabuti. Prosa delicada, memorialista, em pequeno ensaio, de uma passagem da vida de adolescência à adulta, com descrições inimitáveis e delicadas que lembram Proust.  Um joia. Resenha aqui.

Diário da queda, Michel Laub, o impacto emocional deste livro, que é considerado o primeiro de uma trilogia, superou em tudo o que havia lido do autor.  A maneira repetitiva com que narra é muito bem utilizada e na reta final entendemos as razões e o impacto é potente. Muito bom. Resenha aqui.

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes, com este livro voltei a me apaixonar por Flaubert e por Julian Barnes. Livro de grande impacto em que perdemos a noção do que é ficção e fato.  Simplesmente maravilhoso. Resenha aqui.

Três cavalos, Erri de Luca, sugerido por uma amiga, este livro surpreendeu pela gentileza com que trata os sentimentos.  Uma pequena obra de grande impacto. Literária. Resenha aqui.

 

Slide1

Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Recomendo Sapiens, leitura que mudará seu conhecimento do mundo.  Não é ficção literária mas tem imenso valor no seu conhecimento daquilo que nos rodeia.

 

Lista dos livros lidos em 2017, mais ou menos na ordem em que foram lidos.

A terra inteira e o céu infinito, Ruth Ozeki

As irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki

Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, Marçal Aquino

Kafka e a boneca viajante, Jordi Sierra i Fabra

A luz entre oceanos, M. L. Steadman

O tribunal da quinta-feira, Michel Laub

O perfume da folha de chá, Dinah Jefferies

NW, Zadie Smith

A livraria mágica de Paris, Nina George

Notícia de um sequestro, Gabriel Garcia Marquez

O colecionador, Nora Roberts

Partir, Tahar Ben Jelloun

O pecado de Porto Negro, Norberto Morais

A estrada verde, Anne Enright

Assando bolos em Kigali, Gaile Parkin

Os transparentes, Ondjaki

Os novos moradores, Francisco Azevedo

O conto da aia, Margaret Atwood

O amante japonês, Isabel Allende

Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Hibisco Roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

Matéria escura, Blake Crouch

A vida do livreiro A.J. Fikry, Gabrielle Zevin

Um beijo de Colombina, Adriana Lisboa

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes

Três cavalos, Erri de Luca

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes

Diário da queda, Michel Laub

Meus dias de escritor, Tobias Wolff

Deserto, Luís Krausz

Bazar Paraná, Luís Krausz

A resistência, Julian Fuks

Desvendando Margaux, Jean-Pierre Alaux e Noël Balen

Kitchen, Banana Yoshimoto

Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida

Muitas Coisas que Perguntei e Algumas que Disse,  Rosa Montero

Os Criadores de Coincidências, Yoav Blum

O Ano da Lebre, Arto Paasilinna

O Assassinato de Margaret Thatcher, Hilary Mantel

A vida peculiar de um carteiro solitário, Denis Thériault

Três Vezes ao Amanhecer, Alessando Baricco

 





“Chove. É Dia de Natal”, poema de Fernando Pessoa

4 12 2017

 

 

 

449b7c3185b8523b3ff29591d4d9ab0f

 

 

Chove. É Dia de Natal

 

Fernando Pessoa

 

Chove. É dia de Natal.

Lá para o Norte é melhor:

Há a neve que faz mal,

E o frio que ainda é pior.

 

E toda a gente é contente

Porque é dia de o ficar.

Chove no Natal presente.

Antes isso que nevar.

 

Pois apesar de ser esse

O Natal da convenção,

Quando o corpo me arrefece

Tenho o frio e Natal não.

 

Deixo sentir a quem quadra

E o Natal a quem o fez,

Pois se escrevo ainda outra quadra

Fico gelado dos pés.

 

Em: Cancioneiro, Fernando Pessoa, Cyberfil: 2002 –  página 34





Trova de Natal

1 12 2017

 

 

papai noel, dan andreasenPapai Noel, ilustração de Dan Andreasen.

 

 

Minha maior alegria,

no Natal, era a emoção

do amor, que meu pai

trazia sob a barba… de algodão!

 

(Sérgio Ferreira da Silva)

 





Os mortos, poema de Ruy Espinheira Filho

2 11 2017

 

 

getty-pile-old-photos-58b9d29b5f9b58af5ca8ca8c

 

 

Os mortos

 

Ruy Espinheira Filho

 

Há uma luz suave em que respiram.

Não mudaram nada e fingem não ver

como sou mais moço na fotografia.

 

Contam histórias, sempre, mesmo quando em silêncio

(e tanto quanto se contam, contam-me também de mim).

Não mais precisam beber, só se refletem no copo

 

que ergo e em que bebo, por eles e por mim,

trespassado ainda dos sonhos que compunham a alma

de que se iluminava o moço nas fotografias.

 

Em: Sob o céu de Samarcanda: poemas, Ruy Espinheira Filho, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil e Fundação da Biblioteca Nacional: 2009, página 152.

 

 





O elefantinho, poesia infantil de Vinícius de Moraes

22 10 2017

 

 

elefante e abacaxi

 

O elefantinho

 

Vinícius de Moraes

 

Onde vais, elefantinho,

correndo pelo caminho,

assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho,

espetaste o pé no espinho,

que sentes, pobre coitado?

 

— Estou com um medo danado

encontrei um passarinho.

 

Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas,  Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971, p. 61.

Em:





Trova do orvalho

19 10 2017

 

 

outono, folhas, brincadeira, menina

 

 

Pleno outono … e em meu atalho,

sem um amor que me acolha,

invejo a sorte do orvalho

que se abriga em qualquer folha.

 

(Edmar Japiassú Maia)





Trova do banqueiro

14 10 2017

 

bancoIlustração, ©Walt Disney

 

 

O trabalho do banqueiro

está no seu jogo impuro:

tem lucro com meu dinheiro

e ainda me cobra juro.

 

(Olympio Coutinho)





Visita do escritor Francisco Azevedo

24 09 2017

 

 

Grupo1O escritor Francisco Azevedo com o Grupo de Leitura Ao Pé da Letra, 24/09/2017.

 

 

O grupo de leitura Ao Pé da Letra teve o prazer de contar com a visita do escritor Francisco Azevedo, cujo livro Os novos moradores, lançado em junho deste ano, e já em sua segunda edição, foi a leitura escolhida para discussão no mês de setembro.

Seu terceiro romance, precedido por Arroz de Palma, Editora Record: 2008 e Doce Gabito, Editora Record: 2012, tem todas as marcas de um grande sucesso.  Situado no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro ele se desenrola entre os ocupantes de duas casas geminadas na rua dos Oitis.  Enquanto a casa de cor cinza é habitada por uma família severa cujos membros são emocionalmente distantes uns dos outros, a outra, amarela, tem como residente uma família amorosa e alegre.  O relacionamento entre as famílias surge através dos filhos que com isso trazem para o âmago de cada núcleo familiar experiências e acontecimentos imprevisíveis.

 

4d73bf4b-5b13-4c82-af6e-05b60b529583

 

O grupo de leitores se deliciou com a franqueza, modéstia e simplicidade do autor, que dividiu com os presentes sua maneira de escrever,  explicou como as ideias se desenvolvem e abriu o leque de reações dos leitores aos seus livros, principalmente a este último, que trata de assunto familiar espinhoso. Francisco Azevedo foi espontâneo, e mostrou grande senso de humor ao se surpreender e divertir, aqui e ali, com a reação dos leitores a personagens, fatos e soluções de problemas encontrados no texto.

 

Grupo2.jpg

 

Grupo3

 

Foi sem sombra de dúvida uma noite memorável para os leitores.  Agradecemos a presença de Francisco Azevedo e sua esposa Edvane.  Aprendemos muito sobre o processo criativo e a maneira como sincronicidade parece agir em torno de uma criação literária, tornando-a quase inevitável.  Um grande abraço de todos do Ao Pé da Letra, desejo de muito sucesso ao escritor e até o próximo encontro.  Esperamos vê-lo quando seu próximo romance sair do prelo!