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Capa da revista Country Home, abril de 1936
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O meu guarda-chuva tem
este mistério tamanho:
— se o levo, a chuva não vem,
mas se o deixo… tomo um banho!
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(Heraldo Lisboa)
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Capa da revista Country Home, abril de 1936–
O meu guarda-chuva tem
este mistério tamanho:
— se o levo, a chuva não vem,
mas se o deixo… tomo um banho!
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(Heraldo Lisboa)
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Mosquito, ilustração Maurício de Sousa.–
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Cecília Meireles
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O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
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O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.
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Este mosquito esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí,
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
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Oh!
Já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.
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Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
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E ele está com muita fome.
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Em: Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2002.
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Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.
Obras:
Espectros, 1919
Criança, meu amor, 1923
Nunca mais…, 1924
Poema dos Poemas, 1923
Baladas para El-Rei, 1925
O Espírito Vitorioso, 1935
Viagem, 1939
Vaga Música, 1942
Poetas Novos de Portugal, 1944
Mar Absoluto, 1945
Rute e Alberto, 1945
Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948
Retrato Natural, 1949
Problemas de Literatura Infantil, 1950
Amor em Leonoreta, 1952
12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952
Romanceiro da Inconfidência, 1953
Poemas Escritos na Índia, 1953
Batuque, 1953
Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
Panorama Folclórico de Açores, 1955
Canções, 1956
Giroflê, Giroflá, 1956
Romance de Santa Cecília, 1957
A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
A Rosa, 1957
Obra Poética,1958
Metal Rosicler, 1960
Antologia Poética, 1963
História de bem-te-vis, 1963
Solombra, 1963
Ou Isto ou Aquilo, 1964
Escolha o Seu Sonho, 1964
Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965
O Menino Atrasado, 1966
Poésie (versão francesa), 1967
Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998
Inscrição na areia
Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952
Motivo
Canção
1º motivo da rosa
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Manoel Pereira Reis Júnior
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Aranha:
ela tece o aranhol
com fios de prata
que tem no novelo do palpo…
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Ela se emaranha toda
na volúpia de tecer um tapete
de filigranas de luz para dormir…
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Dorme e sonha . . .
na faina de viver fiando
a vida inteira…
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E a aranha, bailarina sonâmbula,
fiandeira da prata que produz,
descreve em todos os lugares
a giratória, girante das giradas,
que são fios de prata que reluz.
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Reviravolteia, sobe, desce,
na augústia de dar a forma
ao fio que ela tece. . .
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– Aranha! que sorte bonita é a tua,
de construir um aranhol,
que a noite se tinge de lua,
e de dia se veste de sol! …
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Manoel Pereira Reis Júnior ( Catu, BA, 1911 — RJ, RJ 1975) Poeta biógrafo, professor, jornalista, historiador, prêmi ABL (1944 e 1973).
Obras
As Últimas do outono, 1973
Canções do infinito, 1943
Cantigas da mata, 1936
Delírio de Pã, 1938
Epopéia heróica, 1941
Iocaloa, 1932
Maria da Graça, 1931
Ronda luminosa, 1934
Teia de aranha, 1930
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Pirilampo, ilustração Jeniffer Emery, EUA.–
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Brilhante de asas — o vagalume,
Dentro da noite escura e feia,
Para a beleza do negrume,
Ele a si próprio se incendeia.
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(Sabino de Campos)
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Ilustração Jones Holmgreen, capa da revista Homes & Garden , Setembro 1938.–
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Roseana Murray
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A arquiteta gostaria
de projetar mil casas
por dia,
aéreas, subterrâneas,
casas de vidro e de paina,
redondas, de esvoaçantes
telhados.
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Em frente à prancheta
a arquiteta sonha
o justo sonho
de todo mundo ter
onde morar.
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Em: A bailarina e outros poemas, Roseana Murray, São Paulo, Editora FTD: 2001.
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Roseana Murray nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Língua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).
Obras:
Poesia para crianças e jovens
Fábrica de Poesia, ed. Scipionne, 2008
Poemas e Comidinhas, com o Chef André Murray, ed. Paulus, S.P, 2008
Residência no Ar, ed. Paulus, 2007
No Cais do primeiro Amor, ed. Larousse, 2007
Desertos, ed. Objetiva, 2006. ( Finalista do Prêmio Jabuti ) – Altamente Recomedável FNLIJ, 2006
O traço e a traça ed. Scpionne, 2006.
O xale azul da sereia, ed. Larrousse, 2006.
O que cabe no bolso? ed. DCL, 2006.
Paisagens, ed. Lê, 2006.
Pêra, uva ou maçã ed. Scipione, 2005. (Catálogo de Bolonha 2006 e Acervo Básico, F.N.L.I.J).
Rios da Alegria, ed. Moderna, 2005. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J).
Poemas de Céu ed. Miguilim, 2005. (Antigo “Lições de Astronomia”).
Maria Fumaça Cheia de Graça, ed. Larousse, 2005.
Duas Amigas, ed. Paulus, 2005 (reedição).
Lua Cheia Amarela, ed. Dimensão 2004.
Caixinha de Música, ed. Manati, 2004. (Catálogo de Bolonha 2005)
Um Gato Marinheiro, ed. DCL, 2004.
Todas as Cores Dentro do Branco, ed. Nova Fronteira, 2004.
Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003. (Altamente Recomendável F.N.L.I.J)
Luna, Merlin e Outros Habitantes, ed. Miguilim/ Ibeppe, 2002. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J. )
Jardins, ed. Manati, 2001. (Prêmio Academia Brasileira de Letras de Literatura Infantil 2002. )
Caminhos da Magia, ed. DCL, 2001.
Manual da Delicadeza, ed. FTD, 2001.
O Silêncio dos Descobrimentos, com Elvira Vigna, ed. Paulus, 2000.
Receitas de Olhar, ed. F.T.D, 1997, ( Prêmio O Melhor de Poesia, F.N.L.I.J. )
Carona no Jipe, ed. Memórias Futuras, 1994 e ed. Salamandra, 2006
No final do Arco-Íris, ed. José Olímpio, 1994.
O Mar e os Sonhos, ed. Miguilim,1996, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
Paisagens, ed. Lê, 1996.
Felicidade, ed. F.T.D, 1995, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
De que riem os palhaços ed. Memórias Futuras, 1995. Esgotado
Tantos Medos e Outras Coragens, ed. F.T.D, 1994 ( Prêmio O Melhor de Poesia F.N.L.I.J e Lista de Honra do I.B.B.Y. ) Reedição com novas ilustrações em 2007
Qual a Palavra? ed. Nova Fronteira, 1994.
Casas, ed. Formato, 1994. Editado no México, ed. Alfaguara
Dia e Noite, ed. Memórias Futuras, 1994. Esgotado
Artes e Ofícios, ed. F.T.D, 1990, (Prêmio A.P.C.A. e Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. ) Reedição com novas ilustrações em 2007
Falando de Pássaros e Gatos, editora Paulus, 1987.
Fruta no Ponto, ed. F.T.D, 1986. (Prêmio O Melhor de Poesia. F.N.L.I.J.
Fardo de Carinho, ed. Murinho, 1980 e ed. Lê, 1985.
O Circo, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1985.
Lições de Astronomia, ed. Memórias Futuras, 1985. Esgotado
Classificados Poéticos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1984, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J, e finalista do Prêmio Bienal. )
No Mundo da Lua, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1983.
Contos para crianças e jovens
Território de Sonhos, ed. Rocco, Altamente Recomendável FNLIJ, 2006.
Sete Sonhos e um Amigo, ed. FTD, 2004.
Pequenos Contos de Leves Assombros, ed. Quinteto, 2003.
Um Avô e seu Neto, ed. Moderna, 2000.
Terremoto Furacão ed. Paulus, 2000.
Um cachorro para Maya, ed Salamandra, 2000.
Uma História de Fadas e Elfos, ed. Miguilim / Ibeppe, 1998, (Acervo Básico da F.N.L.I.J – criança ).
Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim / Ibeppe, 1996
O Fio da Meada, ed. Memórias Futuras, 1994. Ed. Paulus, 2002
Retratos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1990, Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
O Buraco no Céu ed. Memórias Futuras, 1989.
Poesia
Variações sobre Silêncio e Cordas, com desenhos de Elvira Vigna. E-BOOK, edição artesanal Maurício Rosa, Visconde de Mauá, maio de 2008.
Poesia essencial, ed. Manati, 2002.
15 poemas no livro Um Deus para Dois Mil, de Juan Arias, ed. Vozes (em seis línguas) 1999.
Caravana, inédito, vencedor do Concurso Cidade de Belo Horizonte, 1994.
Pássaros do Absurdo, ed. Tchê ,1990, vencedor do Concurso da Associação Gaúcha de Escritores.
Paredes Vazadas, ed. Memórias Futuras, 1988. Esgotado
Viagens , ed. memórias Futuras, 1984.
Revista Poesia Sempre.
Revista Microfisuras, Espanha
Correspondência
Porta a porta, com Suzana Vargas, ed. Saraiva, 1998, ?Acervo Básico da F.N.L.I.J – jovem).
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A colheita da estação,
junto aos vastos parreirais,
traz a marca e o coração
dos mais nobres ancestrais.
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(Amália Marie Gerda Bornhein)
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Ilustração Margret Boriss.–
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Elias José
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Banana-prata,
banana-ouro,
banana-d’água,
banana-baiana
banana-nanica
banana-são-tomé.
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O menino bananeiro
e os seus melhores amigos,
dois burrinhos vagarosos,
vão chegando à cidade.
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Queria vender bananas
muitas bananas,
gostosas e diferentes,
para todas as casas
da velha cidadezinha.
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Queria voltar pra casa
com os cestos vazios
e os bolsos bem cheios
de notas e moedas.
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Coisa melhor do mundo
é poder ajudar à mãe…
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Só que na cidade tão pequena,
há tantas bananeiras nos quintais!…
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Os cestos não vão se esvaziar.
e nos bolsos haverá poucas moedas…
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— Melhor assim do que nada! –
diz o menino bananeiro
aos seus burrinhos magricelas.
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Em: Mágica terra brasileira, Elias José, São Paulo, Saraiva:2006
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Elias José – (MG 1936 – MG 2008 ) escritor de literatura infantil e juvenil, contista, poeta, romancista e professor.
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Ilustração anônima.–
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Era uma vez um reino onde os animais mamíferos e os pássaros entraram em guerra. Nessa ocasião, abriu-se um grande debate sobre em que grupo o morcego deveria lutar, já que ele, um grande esperto, teimava em se manter afastado de ambos os lados.
Vencendo a guerra, os pássaros mantiveram o poder sobre os mamíferos, por quarenta anos seguidos. Observando esse poderio das aves, o morcego juntou-se a elas, desfrutando o que lhe cabia dos benefícios de pertencer aos dominadores.
Mas um dia, o leão e o tigre, desesperados por reverter aquela situação insuportável, decidiram que algumas novas medidas teriam que ser tomadas para trazer paz ao reino. As coisas não podiam continuar como estavam. Mas essa decisão foi plenamente ignorada por todos os animais que já acreditavam que a sorte estava lançada. Assim, as hostilidades entre pássaros e animais recomeçaram, sem dar trégua.
Na discussão que se seguiu, os animais resolveram espionar os movimentos do morcego, pois perceberam que ele permanecia neutro, sem escolher qualquer lado. Os animais pediram à raposa que prendesse o morcego e o trouxesse para inquérito junto aos líderes dos animais. O morcego foi condenado por pretender ser leal a ambos os lados, e os animais exigiram uma explicação. O morcego disse que havia seguido o conselho de sua esposa que o havia convencido a ficar pronto para aderir a qualquer um dos lados que vencesse, com a intenção de receber recompensa do lado vencedor.
O morcego foi severamente repreendido, considerado desleal e por isso acabou na prisão esperando julgamento ao final da guerra. Por dez longos anos ele permaneceu encarcerado, até que a guerra acabou. As aves haviam sido derrotadas.
Com a chegada do dia do julgamento, o morcego, achando que o caso era muito complicado para se defender por conta própria, decidiu contratar um esperto advogado para sua defesa, que argüiu que seu cliente tinha pleno direito de se alinhar com qualquer um dos lados, de acordo com sua vontade. Sua opinião estava baseada na anatomia do morcego. Não era uma pássaro apesar de ter asas e ser capaz de voar. No entanto, insistiu que quando o morcego estava no ar não invadia o território de ninguém. Tinham de admitir que voar era o seu elemento. Por outro lado, coberto por pelo, o morcego tinha dentes e grandes orelhas que nenhum pássaro apresentava. Levando tudo isso em consideração não parecia haver dúvidas: o morcego tinha qualidades que o permitiam ser considerado tanto um animal mamífero quanto um pássaro ou ambos. E estava, assim, livre para se juntar a qualquer um dos grupos do reino.
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Tradução e adaptação: Ladyce West
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Em: African Myths and Tales, Susan Feldmann, Nova York, Dell Publishing Company: 1963
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Encontrei uma versão semelhante a esse conto folclórico no portal do professor do MEC. Lá o conto de Rogério Andrade Barbosa, chamado de “Por que será que o morcego só voa de noite?” tem um outro final, mas os pontos de semelhança são muitos, vale a pena checar, inclusive porque há mais diálogos e parece mais “contável” para pequenos leitores, ainda que a conclusão final seja bastante diferente.
Papai Noel se diverte com o pianinho, ilustração Lello.–
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Papai Noel, por favor,
do Natal afasta os medos,
e coloca mais amor
no meio dos teus brinquedos!
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(Delcy Canalles)
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Cartão de Natal da Europa Oriental, inicio do século XX.–
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É Natal — Noite de Festas,
De regozijos, de luz …
Fogem as sombras funestas:
No mundo nasceu Jesus!
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(José Lara)