Espantalho
Almir Correia
Homem de palha
coração de capim
vai embora
aos pouquinhos
no bico dos passarinhos
e fim.
Almir Correia
Homem de palha
coração de capim
vai embora
aos pouquinhos
no bico dos passarinhos
e fim.
Paulo Mendes Campos
O gato pensa um bocado!
Pensa de frente e de lado!
Esticado ou enrolado!
Satisfeito ou chateado!
Brincalhão ou preocupado!
Sem jantar ou já jantado!
Com saúde ou constipado!
O gato pensa um bocado!
Pensa no império chinês!…
Pensa no irmão siamês!…
Mas um gato sem talento
só tem um pensamento:
CAMUNDONGO! CAMUNDONGO!
Se te pego, te viro assim: OGANODNUMAC!…
Galvão Queiroz
Mamãe lavava a gilete
que o Papai vinha de usar,
na pia junto ao toalete,
para, depois, ir guardar.
Chacuca que observava
tudo o que a mamãe fazia,
muito pensativo olhava
a água jorrando na pia.
De repente diz: Mãezinha,
quando eu crescer, vou usar,
como o Pai, essa enxadinha
pra meu queixo capinar?
Em: Almanaque Tiquinho, 1955, página 61
Corrêa Júnior
Dorme, dorme, bonequinha,
que a Noite já vai chegar,
com o mais lindos dos sorrisos
para o teu sono embalar!
Dorme, dorme, bonequinha,
que a Mamãe já vai chegar,
com a mais doce das cantigas,
para o meu sono embalar !
Em: Barquinho de papel: poesias Infantis, Corrêa Júnior, 1961
Martins D’Alvarez
A preguiça ficou doente
Com preguiça de comer.
Preguiça não quis remédio
Com preguiça de beber.
Preguiça não sai de casa
Preguiça de levantar!
Preguiça não se espreguiça
Preguiça de esticar.
Preguiça tem tal preguiça
De sarar e de viver,
Que preguiça só não morre
Com preguiça de morrer.
Em: No mundo da lua, Martins D’Alvarez, Editora Casa de José de Alencar, UFC:2000
Maria Dinorah
Menina das brancas asas,
dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,
quando passas pelas casas,
canta a rua e o céu sorri.
Tanto encanto há no seu jeito
feito de campo e açucena,
que as águas dançam no leito
enquanto a lua te acena.
Um anjo morre de inveja,
um astro morre de amor
ao ver-te cor de cereja,
tingindo o mundo de cor.
Menina, tão menininha,
nem sabes que és uma flor!
Fígado e Cebolas é a principal cidade de Rutabaga. Também é sua capital. Para chegar lá usamos o trem mais rápido: Flecha de Ouro Limitada. Fígado e Cebolas fica entre pradarias ondulantes. É o centro da vida agrícola do país. Sabemos das histórias dos habitantes da cidade através de seu habitante mais ilustre, o Cego com Cara de Batata, que toca acordeão nas calçadas dos Correios.
Todas as histórias de Figado e Cebolas estão incluídas na obra infantil do escritor e poeta americano Carl Sandburg (1878-1967), Rootabaga Stories, um grupo de histórias inter-relacionadas que ele escreveu para suas filhas, Margaret, Janet e Helga, livro publicado em 1922. Ainda que traduzidas pata muitas línguas este livro nunca foi publicado no Brasil. Há três outros volumes de histórias de Rutabaga: Rootabaga Pigeons (1923), Potato Face (1930) e a obra póstuma More Rootabagas (1997).
Carl Sandburg teve a intenção de criar histórias para crianças que fossem mais chegadas à realidade americana, do que as histórias de fadas com reis e príncipes. Neste ponto sua intenção foi semelhante à de Monteiro Lobato com as Histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo.
Papai Noel, bom velhinho,
neste Natal, sob a lua…
procure meu sapatinho
sobre a janela da rua!…
(Adelir Machado)
Cleonice Rainho
Nosso jardim é uma festa
de borboletas:
pequenas e grandes,
listradas,
amarelas e pretas
e uma pintadinha
que é uma graça.
Mas a azul, azulzinha,
a preferida,
é como se fosse
minha filhinha:
vi-a nascer da lagarta,
virou crisálida,
depois borboleta.
Quando voou
pela primeira vez
bati palmas: Vivô!!!
Voa e volta leve,
azul, azulzinha
e pousa num cacho
de rosas brancas
sua casinha.
Às vezes se ajeita,
mansinha,
tomando a forma
de um coração.
Seu corpo sedoso,
macio,
parece vestido
com pano do céu.