Brasil e África no horizonte de Hilton Marques

26 06 2008

Comprei este livro sem saber coisa alguma a respeito do autor. Não sei o que me interessou, o que me fez pegá-lo e ler a capa de trás para ter uma idéia do que se tratava.  Curiosa, comprei este pequeno volume e tomei a decisão certa,  porque agora posso me gabar de ter descoberto um novo escritor brasileiro, capaz de escrever uma boa história, em boa prosa, num ritmo rápido,  sobre um local misterioso e um novo tipo de heroína.

 

A senhora das savanas se passa no continente africano, num país imaginário fronteiriço à Angola e ao Zaire.  Seguimos a carreira de uma médica brasileira, que depois de se formar pela Universidade de São Paulo, entra para a organização mundial Médicos sem Fronteiras e vai trabalhar na África.  Passado algum tempo, ela decide ficar na África.  Quando a história do livro começa ela está dirigindo um pequeno hospital,  financiado por uma companhia de extração de minério, no que se poderia chamar de interior, de fim do mundo.

 

A história se desenvolve durante a guerra civil em Angola, depois de sua independência de Portugal.  Dois grupos lutam pelo poder: UNITA e MPLA.  Há mercenários estrangeiros em todo canto e eles lutam por cada lado.  Entre eles está um irlandês que havia passado muitos anos lutando pelo movimento IRA, que havia se desgostado e abandonado o movimento separatista irlandês, e como lutar era o que sabia fazer, acabou lutando na África.   Enquanto lutava pela UNITA e comandava um pelotão, sofreu um ataque surpresa fora do território de Angola, apesar de ser um excelente atirador e líder militar.  Eles haviam parado  para um descanso e todos os membros do pelotão tombaram.  Ele também havia sido dado por morto.  Mas foi descoberto, por casualidade, próximo da morte.  Nossa médica brasileira o salva sem saber quem ele é.

 

Ele permanece no hospital para sua recuperação e fica por lá por algum tempo. No processo une-se à nossa médica numa luta contra os novos donos da companhia mineradora, que pretendiam fechar o hospital.

 

Este é o tipo de romance que existe às centenas em outras culturas.  A Inglaterra, os Estados Unidos, a França são só três dos países que tem esta tradição rara no Brasil: um herói, neste caso uma heroína, viaja, vai embora, e faz uma diferença tremenda na vida local de um lugar longe de sua terra nativa.  Ela também é capaz de contribuir para o melhoramento de relações internacionais.

 

Este livro poderia servir de base para um roteiro de A Senhora das Savanas, Hilton Marquesfilme americano.  Melhor ainda, poderia se transformar numa mini-série da BBC, se a nossa heroína fosse inglesa.  A grande diferença é que este é um livro brasileiro.  Este é um detalhe de grande importância para mim.  Ela é mulher, brasileira e responsável por salvar muitas vidas.  Como eu gostaria de ter tido algumas dezenas de livros como este para ler quando estava me tornando adulta!   Na minha época, na minha geração, só heroínas de outras terras tinham suas vidas contadas ou filmadas.  Nós brasileiros sempre conhecemos melhor os heróis de outros lugares.  Havia muito poucos heróis, homens ou mulheres, que pudessem inspirar qualquer um de nós, adolescentes.

 

Este livro, então, tem tudo para que eu goste dele.  É um livro de aventura.  É um ótimo entretenimento, com uma narrativa forte,  num ritmo rápido.  É gostoso de ler.  É leve.   Não está preocupado em considerar as últimas novidades literárias, as últimas tendências pós-modernas, de-construtivistas, ou a última moda intelectual.  Este é um livro para a família toda ler, pessoas de todas as gerações.  Seria uma ótima fonte para um roteiro de filme.  Ele nos deixa com uma boa visão do que a vida na África naquele período poderia ser e como os grupos lutando pelo poder se envolvem na vida diária da população.  Abre os olhos.  Expande horizontes.  Ajuda a nos definir como as pessoas competentes, profissionais que somos. 

 

Gostei muito e recomendo.  Se você estiver procurando por aquele entretenimento, por aquele livro para levar num fim de semana na serra ou na praia, leve-o.  Você vai gostar!

 





A casa de papel, de Carlos Maria Dominguez

25 06 2008

A Casa de Papel de Carlos Maria Dominguez

Acabo de ler A Casa de Papel do escritor argentino Carlos Maria Dominguez.   Lê-se numa tarde, com tempo suficiente para degustar o texto e para reler as partes mais interessantes.  É um livro pequeno, quase um conto prolongado.  Uma novela, no sentido mais tradicional da palavra, são 98 páginas. E, no entanto, é uma delícia entrar no mundo mágico de Dominguez e nos encontrarmos nesta sala de espelhos que ele criou tão cuidadosamente.

 

O livro mostra o comportamento de colecionadores de livros ou mesmo de colecionadores em geral.  Porque suas atitudes, não importa o que colecionem, (quer sejam caixinhas de fósforo, porcelana japonesa ou livros), suas paixões, suas manias e estranhezas, são todas as mesmas.   Carlos Maria Dominguez nos faz pensar nos excessos, no comportamento extremo.  Seu livro questiona onde fica aquela linha divisória, invisível, que marca a diferença entre o comportamento do louco e a maneira de ser de quem é considerado normal.    Seu foco são  livros.  Ele explora as conseqüências da paixão por livros como objetos e guardiões de idéias.  Mostra também  as armadilhas, os perigos, de comprar, armazenar e colecionar  livros.  Onde e quando parar?  Quem determina o limite?   Que limite?   E com destreza ele faz a pergunta que é o pesadelo de qualquer amante de livros:  qual deles guardar, como guardar, onde e por quanto tempo?  Depois de algum tempo o que se deve fazer com os  livros que você sabe que não irá mais ler?  

 

Na verdade, A Casa de Papel é uma grande reflexão na arte de ler, de estudar e na arte de se colecionar livros e idéias.  O texto está repleto de alusões literárias.  Diversos escritores e suas curiosas vidas são mencionados.  A referência mais central ou talvez eu deva dizer a referência mais entremeada no texto, a que mostra maior afinidade com o livro, é a história do escritor Joseph Conrad, publicada em 1917, que leva o título de Linha de Sombra.  Nesta história um marinheiro que quer deixar a vida no mar é seduzido a fazer uma última viagem na qual ele será o capitão do navio.  Ele aceita.  A viagem se transforma num pesadelo e os homens no navio ficam desesperados e à beira da loucura.  Será que colecionar pode levar a um tipo de loucura?  Onde está a linha que separa o são,  do doente quando o assunto é colecionar?

 

É impossível ler-se esta jóia de uma só vez sem perder muito de seu charme e tampouco de perder todas as possíveis reviravoltas e afinidades a outros livros que conhecemos.  Este é um texto muito compacto:  uma segunda leitura certamente enriquece a experiência.  Leia uma vez, e depois de novo.  Você não se arrependerá. Vai adorar.

 

Carlos Maria Dominguez

 

 

 

 

 

 

                  Carlos Maria Dominguez





Horror — para adolescentes?

24 06 2008

Comecei a me interessar pelo mundo dos livros de horror para adolescentes quando descobri que minha sobrinha, que havia se transformado em grande leitora desde do início da série das aventuras de Harry Potter e que tinha passado pelos livros para garotas adolescentes como os diversos diários e ainda a série (QUE AMOU!)  das calças viajantes de Ann Brashares, havia se tornado uma ávida leitora de livros de horror ou de terror, não deixando escapar um único título de Stephen King. 

 

Inicialmente surpresa, passei a procurar uma literatura de horror que estivesse bastante dentro dos gostos adolescentes.  Sempre acreditei que um leitor se forma cedo e prover aquele potencial leitor com algum assunto que seja de interesse é garantir que ele se tornará um leitor para sempre e que, eventualmente, abrirá o leque de suas preferências de acordo com a idade e a maturidade emocional.

 

Este tópico não pretende examinar se o gênero horror é bom ou não.  Tampouco quero fazer uma lista de seus melhores autores.  Não tenho esta preocupação no momento.  Mas sei, que para muitos, a literatura de horror para adolescentes parece tão radical quanto o rock’n roll parecia para uma geração anterior à minha.  Em outras palavras, não há como se conter as tendências de uma geração, a tendência do espírito dos tempos.   

 

O que gostaria de saber é:  o que os adolescentes lêem, o que gostariam de ler e o que existe no Brasil para atrair adolescentes à leitura,  quer seja deste gênero ou não.

 

As premissas são simples:

 

1 –  Adolescentes gostam de ler livros de horror.

2 –  Harry Potter provou, para os que ainda não acreditavam,  que o mundo dos novos leitores está na verdadeira aldeia global, ou seja, todos os adolescentes, em qualquer lugar do mundo, estão ligados pelo acesso imediato à informação.

 

Como não sou bibliotecária, minha fonte de informações foi:  1)  as grandes livrarias do Rio de Janeiro e  2) o que pude encontrar na internet.  A não ser que eu esteja extremamente desinformada e que não saiba dos segredos editoriais brasileiros, encontrei nas minhas perambulâncias poucas editoras realmente dedicadas aos títulos de horror para adolescentes no Brasil e três que se destacam Fundamento, Arx Jovem e Rocco. [*] Estas são as editoras com o maior número de títulos, sucessos internacionais para adolescentes, dentro da faixa de horror/terror.  A meu ver, são editoras investindo nos leitores de amanhã.

 

[*] A Editora Record também está incluída entre as que publicaram diversos títulos no gênero.  No entanto eles vieram como um post-scriptum, um adendo, pois vieram como conseqüência do sucesso da série Princesa de Meg Cabot,  uma autora que domina com sucesso dois gêneros do mercado adolescente: o horror e a surpreendente série da Princesa — água com açúcar para meninas adolescentes.

 

Alguma dúvida?  Vejamos: dos dez livros mais vendidos para adolescentes no gênero  horror através da Amazon.com, a Fundamento e a Rocco têm o maior número de títulos dos autores selecionados.  Uma menção honrosa deve ser feita para a Arx Jovem e para a Record, que com um único título pega uma carona neste tópico.  No entanto, os autores mais vendidos lá fora, ainda não estão publicados no Brasil.

 

Vamos dar uma olhada nesta lista, de abril de 2008.

 

Jenny Carroll – tem 4 livros entre os mais vendidos 

Reunion (1° lugar)

Ninth Key  (2° lugar)

Darkest (6 ° lugar)

Shadowland (7° lugar)

 

Lois Duncan – tem 3 livros entre os mais vendidos 

 

Summer of Fear (4° lugar)

They Never Came Home (8° lugar)

Stranger with my Face (9° lugar)

 

Nancy Holder — Smallville: Hauntings (3° lugar)  Autora de Buffy, A Caça-vampiros ( uma série muito popular de programas na televisão,  tem três títulos publicados no Brasil.  Angel: Eternidade (Arx Jovem); Angel: bem-vindo a Los Angeles (Arx Jovem);  Buffy, a Caça-vampiros: Sangue (Arx Jovem)

 

 

R. L. Stine – The Burning (5° lugar)  Autor muito conhecido pelos adolescentes brasileiros com diversas de suas obras traduzidas, entre elas: Um dia no parque de terror (Fundamento), Bem-vindo à casa dos mortos (Fundamento),  Goosebumps 9: o espantalho anda à meia-noite (Fundamento), Amor em dose dupla (Rocco),  Acampamento fantasma (Fundamento), Como matar um monstro (Fundamento), Sorria e morra (Fundamento), Goosebumps: a história da minha cabeça encolhida (Fundamento),  Goosebumps: ovos monstruosos,  [vol. 14] (Fundamento),  O supersticioso (Rocco), O mentiroso (Rocco), Meu nome é maldade (Rocco), O Caça-uivos (Rocco), O gato da meia-noite (Rocco), Eles me chamam de criatura (Rocco), O vizinho (Rocco), A vingança do povo das sombras (Rocco),  Fantasmas da rua do medo: a gosma (Rocco), Fim de semana alucinante (Rocco), O olho da cartomante (Rocco),  Beijo mortal (Rocco) Fantasmas da rua do medo (Rocco), Festa de Halloween (Rocco), Verão diabólico (Rocco), O pesadelo (Rocco), O desafio (Rocco), A vidente (Rocco), Uma noite na casa mal assombrada (Rocco), Você já encontrou o fantasma do mal (Rocco), Quem libertou os fantasmas (Rocco), Halloween em noite de lua cheia (Rocco),  Aula do além (Rocco), Clube do terror (Rocco), Admirador secreto (Rocco), Pesadelo em 3-D (Rocco),  O ataque dos macacos (Rocco),  O garoto que comeu a rua do medo (Rocco), Querido diário: eu morri (Rocco), Paixão mortal (Rocco), Armário 13 (Rocco), Não esqueça de mim (Rocco), O cavaleiro do medo (Rocco), A confissão (Rocco), O rosto: rua do medo (Rocco), Garota das sombras (Rocco), O homem inseto está vivo (Rocco), Número errado (Rocco), O Novato (Rocco), Goosebumps: ele saiu debaixo da pia [vol. 13] (Rocco), O mistério do boneco (Rocco), Sorria e morra outra vez (Rocco), Praia fantasma (Fundamento).

 

Meg CabotA mediadora (Record) (10)  que no gênero horror também têm os seguintes títulos no Brasil: A hora mais sombria (Record), Assombrado (Record), O arcano nove (Record), Crepúsculo (Record), A terra das sombras (Record)

 

Há uma outra pergunta:  temos algum escritor brasileiro que escreve sistematicamente no gênero horror para adolescentes?   Onde está o nosso Pedro Bandeira do horror?

 

 

Ilustração: Maurício de Sousa





Albinos, osgas no mundo encantado de Agualusa

19 06 2008

Hoje terminei de ler o delicioso livro Manual Prático de Levitação do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Este é o segundo livro de sua autoria que leio. Fiquei muito satisfeita em perceber que todo o encanto de linguagem e de temática que haviam me conquistado da primeira vez nas páginas de O vendedor de passados, permaneceu, vingou e cresceu, para minha total gratificação. Gosto de sua prosa, de seu humor, de sua imaginação e da delicadeza com que consegue abordar temas especialmente difíceis entre eles a guerra e suas infinitas e variadas conseqüências.

Diferente do anterior, este é um livro de contos, alguns pequeninos, tamanho bolso, mas que dão conta do recado com grande encanto. Estes contos nos oferecem uma breve viagem por Angola, Brasil e Outros Lugares de Errância. Esta é uma edição para o Brasil, uma coletânea de contos outrora publicados em Portugal e Angola. A eles só foram adicionados três contos inéditos: Os cachorros, O ciclista e Manual Prático de Levitação que dá o nome ao livro. A capa nesta edição da editora Gryphus já é sedutora o suficiente para mim. Trata-se de uma livre adaptação de um quadro do pintor belga René Magritte, cujos trabalhos fizeram parte não só do meu mestrado como do meu curso de doutoramento em história da arte. Nesta criação de Tite Zobaran e Mariane Esberard sobre o quadro Le chef d’oeuvre , duas silhuetas do homem com o chapéu coco se desdobram como se olhassem cada qual para um continente, mas são tão etéreas quanto o céu azul, levemente nublado que as preenche. Os autores foram muito felizes neste arranjo porque não só traz à tona a dualidade dos contos através de Angola e do Brasil como também o espírito onírico de grande parte da prosa Agualusa.

Este é um livro leve, de contos, retratos falados, quase-crônicas que devem ser lidas e apreciadas por todo tipo de leitor. São meras 150 páginas de encantamento. Vale a leitura!

 





Na Inglaterra, livros favoritos dos adolescentes em 2 décadas

18 06 2008

 John Gannam,(EUA 1907-1965) -- aquarela e gouache, anúncio para lençóis.

Recentemente uma amiga me passou uma lista dos livros mais vendidos na Inglaterra nos anos 70 e os mais vendidos — lá também — nos anos 90. Todos só para o público adolescente, ou seja aquele público entre os 12 e 15 anos. Falávamos de um assunto pelo qual batalhamos que é uma maior e melhor formação de leitores no Brasil. E conversávamos sobre as diferenças entre os adolescentes brasileiros e os de outros países.

A lista era a seguinte: [Os títulos estão em português quando houve tradução.]

10 livros mais lidos por leitores de 12 anos de idade em 1971.

Mulherezinhas de Louisa May Alcott
Beleza Negra: autobiografia de um cavalo de Anna Sewell
A ilha do tesouro de Robert Louis Stevenson
O leão, a feiticeira e oguarda-roupa, de CS Lewis ( 1° volume das Crônicas de Nárnia)
Jane Eyre de Charlotte Bronte
Heidi de Johanna Spyri
Oliver Twist de Charles Dickens
The Secret Seven de Ian Serraillier – não achamos a tradução para o português
Tom Sawyer de Mark Twain

10 livros mais lidos por meninas de 12 anos nos anos 90:

Point Horror coleção de vário autores — não achamos a tradução para o português
Sweet Valley de Francine Pascal (série) — não achamos a tradução para o português
Babysitters Club de Ann M Martin — não achamos a tradução para o português
Matilda de Roald Dahl
As bruxas de Roald Dahl
Os pestes de Roald Dahl
A fantástica fábrica de chocolates de Roald Dahl
Adrian Mole na crise da adolescência de Sue Townsend
What Katy Did series de Susan Coolidge — não achamos a tradução para o português

10 livros mais lidos por meninos de 12 anos nos anos 90:
O BFA de Roald Dahl
As bruxas de Roald Dahl
A fantástica fábrica de chocolates de Roald Dahl
Point Horror coleção de vário autores — não achamos a tradução para o português
Adrian Mole ( a série) de Sue Townsend
Astérix ( série) de Rene Goscinny
O parque dos dinossauros de Michael Crichton
Os pestes de Roald Dahl
O Hobbit de JRR Tolkien

Como vemos há pouca diferença entre meninos e meninas nos anos 90. Há uma ligeira prefência pelos livros de ficcção científica e quadrinhos pelos meninos, mas quase insignificante considerando-se que os primerios colocados em ambas as listas são praticamente os mesmos.

Recentemente recebi por email uma lista das séries de livros mais populares na Grã Bretanha no último 10 anos. Elas incluem:

JK Rowling – Harry Potter
Philip Pullman – His Dark Materials
Eoin Colfer – Artemis Fowl
Philip Ardagh – Awful End
JR Tolkein – Lord of the Rings series
Terry Pratchett – Discworld series, e outros
Jacqueline Wilson – Tracy Beaker
GP Taylor – Shadowmancer
Anthony Horrowitz – Alex Rider (não encontrei tradução para o português)
Lemony Snicket – A Series of Unfortunate Events

Fora a série de JK Rowling e seu Harry Potter os outros não me parecem tão populares no Brasil, apesar da maioria dos escritores terem pelo menos alguns de seus livros traduzidos no Brasil.

Uma breve pesquisa no portal da livraria virtual Submarino hoje inclui entre seus livros mais vendidos nesta faixa etária o seguintes títulos:

JK Rowling — Harry Potter e as relíquias da morte
JK Rowling — Harry Potter e o enigma do príncipe
A. Saint-Exupéry — O Pequeno Príncipe
Meg Cabot — Princesa Mia: o diário da princesa
Conn e Hal Iggulden — O livro perigoso para garotos
L. F. Veríssimo — Mais comédias para ler na escola
Malba Tahan — O homem que calculava
Bill Watterson — Calvin & Haroldo: e Foi Assim que Tudo Começou
C. von Ziegesar — Gossip Girl: você sabe que me ama (vol. 2)
C. von Ziegesar — Gossip Girl: Eu mereço (vol. 4)

Correndo o perigo de fazer conclusões com poucos dados, uma vista d’ollhos sobre a lista brasileira mostra uma leitura provavelmente feita por meninas [veja Meg Cabot e von Ziegesar] e bem leve.

PS: aliás eu me pergunto por quê? Por quê? A expressão Gossip Girl não foi traduzida? A mais óbvia tradução é: A fofoqueira, ou menina fofoqueira, Menina mexeriqueira, fuxiqueira, intrometida, alcoviteira, etc Tenho certeza de que se eu for ao dicionário ainda arranjo pelo menos mais dez sinônimos. Então por quê? Deixo aqui a dúvida, a pergunta as observações para quem queira ruminar.





Autran Dourado ganha o Prêmio Machado de Assis

17 06 2008

Monica lendo

 

O escritor mineiro, residente no Rio de Janeiro pelos últimos 40 anos, Autran Dourado foi honrado este ano com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras.  Este é o prêmio de maior prestígio dado pela ABL.  Esta premiação começou em 1941 e é dada a um escritor pelo conjunto de sua obra.  Outros escritores já agraciados neste século com a pequena estatueta [ um busto de Machado de Assis do escultor Mário Agostinelli], além do prêmio em dinheiro, foram:  o pernambucano Roberto Cavalcanti de Albuquerque (2007), o cearense César Leal (2006), os piauienses Ferreira Gullar (2005), Francisco de Assis Brasil (2004) e Wilson Nunes Martins (2002) e os cariocas Antonio Carlos Villaça  (2003),  e Ana Maria Machado (2001).  A entrega do prêmio será feita no dia 17 de julho, durante as festividades dos 111 anos da ABL.

 

Waldomiro Freitas Autran Dourado é natural de Patos de Minas.  Aos trinta anos foi o jovem Secretário de imprensa do Presidente Juscelino Kunbitschek .  Sua obra é variada e dentre muitos de seus romances destacam-se Uma Vida em Segredo (1964) hoje leitura obrigatória para escolas de nivel médio,  a Ópera dos Mortos (1967),  O Risco do Bordado (1970), Os Sinos da Agonia (1974),  As Imaginações Pecaminosas (1981) pelo qual recebeu o Prêmio Goethe de Literatura, Opera dos Fantoches (1995) e  Confissões de Narciso (1997).   Recipiente de muitos outros prêmios Autran Dourado também já foi agraciado com o prêmio Jabuti em 1982 por contos e crônicas e o Prêmio Camões em 1988, por sua contribuição para ao patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

 

 

 

Ilustração: Maurício de Sousa