Descontentamento com o armistício? Revolução 1932

9 10 2008

RanchoRancho

1° de outubro de 1932

 

 

Formou-se, ao que parece, uma corrente dos que não querem a paz, talvez receosos que essa paz seja algo deprimente para São Paulo.  Nota-se descontentamento para com a proposta de armistício do General Klinger, por parte de alguns oficiais inferiores, os quais estão dispostos a prosseguir a luta.

 

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A cidade está tranqüila se bem  que paira certo ar de descontentamento entre os paulistas, receosos do acordo e da paz ferirem o brio paulista.

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 149 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

Tropas legalistas em São Paulo

Tropas legalistas em São Paulo





A cidade amanheceu radiante. Revolução de 1932

6 10 2008

 

 

 

 

 

30 de setembro de 1932

 

A cidade amanheceu radiante: os boatos de pacificação se alastraram desde as 7 horas da manhã.  Em verdade, porém, o que há é um armistício para entendimentos entre São Paulo e a Ditadura, o qual será levado a efeito ainda hoje ou amanhã.  Jornais publicam hoje haver sido assinado o armistício e terem entrado em confabulações para a par os representantes de São Paulo e da Ditadura.  

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 149 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 





Metralharam o avião da ditadura. Revolução de 1932

4 10 2008

 

Ataque à fortaleza.  1932Ataque à fortaleza. 1932

 

29 de setembro de 1932

 

 

Nos dias anteriores houve relativa calma.  Alguns boatos somente.  Fala-se que esteve iminente a ocupação de Campinas pelas tropas federais e que as trincheiras que guarneciam aquela cidade eram nos arrabaldes, tanto que as tropas iam de bonde para o front!  Hoje corre com insistência o boato da ocupação pelas forças federais da cidade de Ribeirão Preto o que causou certo abatimento entre a população paulista.  Fala-se que o combate do setor na frente de Campinas é decisivo.  Voou sobre esta cidade um avião da ditadura.  Metralharam-no e fugiu sem ter bombardeado.

 

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 148 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Tunel da Mantiqueira, 1932.





Onde está o leitor ou a leitora nas artes plásticas brasileiras?

3 10 2008

José Ferraz de Almeida Jr (Brasil,1850-1899) Moça com livro, 1879, MASP

 

 Moça com livro, 1879

José Ferraz de Almeida Júnior ( Brasil, 1850-1899)

óleo sobre tela

Museu de Arte de São Paulo

 

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Coleciono imagens de pessoas lendo.  A maioria foi feita por pintores europeus até o final do século XIX e depois deste período os artistas americanos passam à frente dos europeus na representação de homens, mulheres e crianças lendo.  Acredito que isto se deva ao número muito maior de artistas americanos, i.e., a classe dos artistas plásticos nos EUA ocupa uma maior percentagem da população do que o grupo de europeus em relação à população européia.  Provavelmente uma conseqüência na educação mais democrática, mais universal  no país da América do Norte. Mas, este não é o assunto nesta postagem. 

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José Ferraz de Almeida Jr, (Brasil 1850-1899), Moça lendo carta

Saudade, 1899, [Moça lendo carta]

José Ferraz de Almeida Jr ( Brasil 1850-1899)

óleo sobre tela, 197 x 101 cm

Pinacoteca do Estado de São Paulo [PESP]

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Meu tópico é questionar: por que um tema comum na Europa e nos países da América do Norte é praticamente inexistente nas artes plásticas brasileiras?  Uma opinião sem qualquer estudo específico seria de que no Brasil as pessoas não leriam tanto.  E também de que havia muito menos artistas em relação à população brasileira do que no resto do mundo.  Ou seja a proporção não permitiria a abundância de imagens, a necessidade de variações de temas.

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O tópico da mulher lendo, esta eterna musa inspiradora dos europeus e americanos, então, ainda restringe mais a imaginária brasileira.  No Brasil, a imagem da mulher leitora mal aparece na pintura do século XIX e aparece de maneira bem resumida durante o século XX.   A fascinação dos artistas estrangeiros pela mulher lendo poderia ter sido causada por diversos motivos:

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José Ferraz de Almeida Júnior, (Brasil 1850-1899) Familia reunida em casa do interior

 Família reunida em casa do interior, s/d

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil 1850-1899)

óleo sobre tela

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1) A  modelo, mesmo sofrendo de um preconceito comum — de que esta mulher teria uma posição social duvidosa —  associada à uma mulher fácil, de princípios morais flexíveis — nos países mencionados anteriormente, mesmo sendo pobre  esta mulher era alfabetizada o suficiente para poder posar convincentemente como leitora.  

 

2) É verdade que o tema permite também que pessoas que não são modelos profissionais, tais como irmãs, mães e esposas de pintores, pudessem  facilmente se submeter a este papel de modelo, porque ler em geral é feito numa posição parada e confortável.  Ou seja mulher não profissional pode posar lendo.  

 

3) A fascinação quase erótica vista pelos artistas estrangeiros na pintura da mulher que se abandona ao ato privado da leitura parece ser mais provocativa lá fora do que no Brasil.  A sensualidade da mulher-leitora passa desapercebida no Brasil.  Talvez porque a maioria das mulheres brasileiras, mesmo das famílias mais abastadas, que se encontravam fora das grandes cidades, era analfabeta.  E analfabeta permaneceu até muitos anos dentro do século XX.

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José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil 1850-1899) Moça lendo em Itu.

 Moça lendo em Itu, sd

José Ferraz de Almeida Júnior ( Brasil 1850-1899)

óleo sobre tela

 

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No Brasil, a imagem da mulher leitora mal aparece na pintura do século XIX e aparece de maneira bem resumida durante o século XX.  A maior exceção à regra é do pintor paulista José Ferraz de Almeida Júnior ( 1850-1859) de quem conheço pelo menos quatro pinturas a óleo com o tema.

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Recentemente tive a oportunidade de ler o livro: O Retrato do Rei de Ana Miranda e me senti emocionada o suficiente para copiar algumas passagens que reproduzo aqui, descrevendo o tipo de consideração dada a quem queria ler.

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Bertha Worms (Brasil 1868-1937) Menina com livro, desenho

 Menina com livro, s/d

Bertha Worms ( Brasil 1868-1937)

desenho

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 Esta passagem ilustra bem o nível retrógrado da sociedade portuguesa, que não condizia mesmo com o resto da Europa neste sentido, principalmente porque a Mariana do romance é de uma classe social que na Europa já estaria lendo pelo menos o seu missal.  E explica a nossa herança cultural.

 

Ainda menina, Mariana recebera, uma noite, ordem de seu pai, dom Afonso, para que fosse à sala de livraria. Ela entrara, assustada. Sempre que o pai tinha uma repreensão ou castigo para as filhas chamava-as a tal lugar. O barão, em pé, diante da mesa, parecera-lhe um gigante. Batendo ritmadamente o chicote na mão, perguntara se ela estava pretendendo aprender a ler. Apontara com o chicote para um volume sobre a mesa, uma cartilha das primeiras letras. Mariana abaixara os olhos, sentindo o sangue tomar-lhe o rosto. Dom Afonso pegara o livro e aproximara-o da chama da vela. A cartilha demorou a pegar fogo e lentamente foi-se consumindo. “Cuida-te com os teus desejos”, o pai dissera. “Se eles te tomam, e não tu a eles, vais arder no fogo do inferno.” Em seu quarto a velha aia Sofia a esperava, com uma vara na mão. “Tira a roupa”, dissera a alemã. “Essas meninas da colônia são educadas como vacas. Que mal há em saber ler? As freiras não aprendem nos conventos? Na minha terra todas as mulheres sabem letras.” “Sabeis ler, dona Sofia?”  “Cala-te, menina. Tira a roupa.” Mariana, nua, curvada sobre o baú, esperara.“ Trata de gritar bem alto para que teu pai ouça”, Sofia sussurrara. E aplicara, sem nenhuma força, vinte vergastadas nas costas de Mariana, para cumprir a ordem do pai.

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Tarsila do Amaral (Brasil 1890-1973) Beatriz lendo, 1965

Beatriz lendo, 1965

Tarsila do Amaral ( Brasil, 1890-1973) 

óleo sobre tela

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Na história Mariana é mal vista através do padre local, justamente por parecer saber ler.  Ele suspeita que comunhão com o diabo por carregar um livro para a missa, todos os dias.  A dupla ironia é que ela realmente não sabe ler, mas não admite esta fraqueza para ninguém e continua sua solitária missão de “leitora” através de sua vida.   Aqui está uma passagem dos pensamentos de Frei Francisco no livro sobre a estranha dona Mariana. Estamos no Rio de Janeiro em 1707.

 

Nunca usava decotes como os das mulheres das Minas, vestia quase sempre saia e casaco pretos. Ás vezes aparecia com pintura e cabeleira, como os sodomas do palácio do governador. Costuma ser distraída e gostava de apreciar o horizonte. Falava com estranhos. Entrava nas igrejas, rezava ajoelhada. Andava com o nariz para o alto e olhava as pessoas nos olhos. Despertava vontade de fornicar, pois tinha carnes; mais dava medo. Às vezes a fidalga ficava olhando um livro de capa preta, que Lourenço não sabia dizer o que era, mas talvez fosse um missal.

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e no parágrafo seguinte:
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Frei Francisco interessou-se especialmente por esta última informação, que poderia esclarecer de vez o caráter de dona Mariana. Muitas pessoas se interessavam pelos livros de poesias e ensaios, abandonando as leituras de obras religiosas; não para adquirirem sabedoria filosófica, mas para se desavergonharem. Buscavam na Arte de amar apenas os trechos obscenos. Ovídio ensinava às esposas como enganar seus maridos em celas alugadas; suas mulheres ostentavam infidelidade e os homens uma complacência cornuda. A obra de Ovídio reduzia uma grande civilização a um galinheiro. A maioria dos livros continha um amontoado de sujeiras, arrotos de desbraguilhamentos. Os poetas costumam ser uma gente de natureza maliciosa. Descreviam príncipes em atividades obscenas nos alcouces, nobres em atitudes indignas nas camas, alcoviteiras ensinando moças a tornarem seus amantes generosos, velhos seduzindo meninas, exoterismo mundano, cumplicidade de salão; cantava-se gente da sarjeta em versos langorosos, padres eram difamados. Filósofos ensinavam como apanhar adolescentes no circo. Imperadores invadiam cidades vestidos como mulheres e deleitavam-se com escravos. O que achavam as pessoas, por acaso, que os poetas escreviam sobre as tendas esfumaçadas de César? Discussões sobre táticas de guerra? Meditações? Preferiam descrever vasos de vinho, coroas de pâmpanos, lascívia as bailarinas orientais e homens deitados na mesma cama.

 Em:  O retrato do rei, ANA MIRANDA, Cia das Letras:1991, São Paulo. páginas 87-88

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Adalberto Lutkemeyer (Brasil, RS) Mulher com livro, 1983

 Mulher com livro, 1983

Adalberto Lutkemeyer ( Brasil, RS, contemporâneo)

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É claro, reconheço que estamos tratando de ficção.  Mas Ana Miranda já provou que sua pesquisa histórica é exemplar.

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Duas ou três semanas depois de ler este livro, encontrei uma história semelhante no romance de Luiz Antonio de Assis Brasil, Manhã Transfigurada, em que o noivo de uma jovem no interior do Rio Grande do Sul, desconfia de sua “pureza” por sabê-la leitora de um livro de poemas…

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Seriam só estas as razões para tão poucas imagens de pessoas lendo na pintura brasileira?  

 





Boatos sobre sublevação de tropas. Revolução de 1932

2 10 2008

25 de setembro de 1932

 

 

Chegam tropas do norte para reforço da frente sul.  A cidade está cheia de soldados.  Há treinos de exercícios de lança-minas e bombardas.   Dizem que foram para o fronte dois caminhões blindados.  Boatos de sublevação de tropas na cidade do Rio Grande e de entendimentos entre o Sr. J. Neves e tropas do sul, na frente sul de São Paulo.

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 148 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 





Em Palmeiras, uma esposa casadoura! Revolução de 1932

27 09 2008

Militares em Santos

Militares em Santos

24 de setembro de 1932

 

 

Um soldado voluntário, caipira, reclama hoje, lamuriento falta de noticias de sua esposa em Palmeiras.  E explicava:

 

“ Na outra revolução ( a de outubro de 1930) que durou só vinte dias, ela não recebia também minhas cartas e como contasse que eu fora morto em combate, em Itararé, minha mulher, quando eu voltei, já estava de casamento tratado com outro!”

 

E, desta vez, com certeza, o lamuriento voluntário, após 74 dias de ausência, tinha, e com carradas de razão, o pensamento voltado para Palmeiras, onde se achava a sua casadoura esposa!!

 

 

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Revista O Cruzeiro

Revista O Cruzeiro

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

Militares de Caçapava, na Revolução de 1932

 





Hoje houve vários peixes! Revolução de 1932

25 09 2008
Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

Tropas no Instituto Biológico, Revolução de 1932

 

23 de setembro de 1932

 

Circulam muitos boatos favoráveis a São Paulo.  Boatos preparados pela imprensa!  A imprensa também propala boatos, para manter alto o moral das tropas!  O boato entre os soldados, na sua gíria, chama-se peixe!  Talvez por causa dos poissons d’avril.  Hoje houve vários peixes.  O João Alberto demitiu-se da polícia do Rio.  O Olegário Maciel está de relações tensas com Getúlio Vargas, etc.

 

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Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

Bombardeio em Passa Quatro, Minas Gerais, Revolução 1932

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 147 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Jornal A Gazeta

Jornal A Gazeta





O Brasil não conhecia ainda uma guerra moderna… Revolução de 1932

24 09 2008

 

Grupo de combate, trincheira de Santos, 1932

Grupo de combate, trincheira de Santos, 1932

 

23 de setembro de 1932

 

 

Os aguerridos paulistas estão impressionados da própria guerra civil.  É que o Brasil não conhecia ainda uma guerra moderna e demorada, de trincheira, enfrentando um inimigo igualmente forte, disposto e aparelhado para os embates.

 

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Um [ilegível] da policia paulista se queixou hoje alarmado, da perturbação da ordem em Pirassununga.  E, eu presenciei a viva contestação de uma moça, que, em termos algo enérgicos mas corteses verberou o procedimento do soldado alarmista.

 

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Um padre, de batinas pretas e um gorro de soldado com as bandeiras paulista e nacional, ostentando um revolver à cinta, disse hoje, a um oficial, que seguia como capelão, ao lado do batalhão da Justiça.  E interrogado pelo oficial, se ele padre, seguia para São Paulo, respondeu irado:

Está louco!?  Vou é para a frente!

 

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A Cavalaria

A cavalaria

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 146 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Canhões





“Se não há água, requisite-se!” Revolução de 1932

22 09 2008
General Isidoro Lopes

General Isidoro Lopes

 

21 de setembro de 1932

 

É censurável em toda esta luta o azedume dos militares.  É um assunto que precisa ser atacado para combatê-lo.  Há entre todos os militares, exército ou milícia, um perene azedume, quando em campanha, uma constante indisposição e mau humor para com os civis e entre si mesmos, entre graduados e inferiores.  Eu tenho notado com mágoa esse azedume.  Parece que cada soldado é também um espião do outro.  Vivem todos em  mútua espionagem.  Desconfiam de tudo, de todos e se desconfiam entre si!

 

Militares inteligentes e cultos, militares ignorantes e estúpidos, todos são iguais na espionagem e no azedume!

 

Nos seus momentos de grande ira, de azedume agudo, para o militar, não existe nenhuma desculpa, nenhuma justificação de coisa alguma.

 

Quando um oficial de gros bonnet quer qualquer coisa, há de ser prontamente atendido, e, ai! Daqueles que opuserem qualquer objeção!  Os militares, em campanha, estão sempre azedos!

 

Hoje, um sargento, pouco azedo, talvez por ser um simples sargento (porque o azedume vai crescendo com os galões) contava a outro esta pilhéria que denota azedume e estupidez:

 

No Quartel General, às 18 horas, já escura a tarde, não havia, ainda, luz.  Um major grita a um subordinado que acenda as lâmpadas.  O subordinado faz-lhe ver, que não havia, ainda, luz por falta de água na represa da usina elétrica.  E o major, azedo e estúpido, retruca enraivecido: — Pois eu quero a lâmpada já acesa!  Se não há água, requisite-se!

 

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Plano de viação de rodagem, estado de São Paulo

Plano de viação de rodagem, estado de São Paulo

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 144-145 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

 

Armando Erbiste marcado no centro, Santos, 1932

Grupo no fronte: Armando Erbiste marcado no centro, Santos, 1932





Elogia-se o Batalhão 14 de Julho — Revolução de 1932

20 09 2008
Alegoria para a Revolução de 1932

Alegoria para a Revolução de 1932

20 de setembro de 1932

 

Monotonia completa.  Cidade cheia de soldados que passeiam e boateiam.  Reina algum desânimo.  Há boatos terroristas. 

 

Elogia-se o batalhão “14 de Julho” composto de homens formados e acadêmicos.

 

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Campanha em Santos durante a Revolução de 1932

Campanha em Santos durante a Revolução de 1932

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 143-144 em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

NOTA DA PEREGRINA:  Não houve nenhuma anotação entre os dias 12 e 19 de setembro de 1932.

Os federalistas

Os federalistas *

 

  • Nota do leitor Celso Pinho em 14-4-2019
  • Apenas uma correção. Na ultima foto deste Post, não se tratam de Federalistas conforme diz a legenda, e sim do Coronel Herculano de Carvalho, durante visita à Itapira, pouco depois de assumir o comando da Força Pública de São Paulo, tendo em vista o falecimento do Coronel Júlio Marcondes Salgado.