Ricardo Coração de Leão na Áustria

22 06 2022

Ricardo Coração de Leão

Iluminura, MS Royal 14 C VII f.9

Data do manuscrito !250-1259

Biblioteca Britânica

 

 

 

“…Mas, depois de sua partida, o senhor de Zara enviou um emissário secretamente a seu irmão avisando-lhe que detivesse o rei quando ele chegasse às suas terras. Quando o rei chegou e entrou na cidade onde morava o irmão daquele senhor, este imediatamente convocou um homem em quem tinha toda confiança, Rogério, um normando de Argenton, que estava junto dele havia vinte anos e a quem dera sua sobrinha em casamento; ordenou-lhe que inspecionasse atentamente todas as casas onde houvesse visitantes alojados, e que tentasse identificar o rei por sua maneira de falar ou por qualquer outro detalhe. Prometeu dar-lhe a metade da cidade se conseguisse capturar o rei.

O homem localizou e examinou todas as casas onde havia viajantes; Ricardo ocultou por bastante tempo  sua identidade, depois, vencido pelas súplicas e pelas lágrimas do leal investigador, confessou sua identidade. Imediatamente o outro exortou-o , chorando, a fugir às escondidas, e ofereceu-lhe um cavalo excelente. Pouco depois, voltando para junto de seu senhor, disse que aquilo que se contava  a respeito da chegada do rei não tinha fundamento, mas que se tratava de Balduíno de Béthune e de seus companheiros, voltando da peregrinação. O senhor, furioso, mandou prender todos eles.

O rei deixou a cidade às escondidas com Guilherme de Etang e um jovem servidor que falava o alemão; viajou três dias e três noites sem se alimentar. Depois, compungido pela fome, foi até uma cidade chamada Viena, na Áustria, às margens do Danúbio, onde, por cúmulo de infelicidade, naquele momento  encontrava-se o duque da Áustria. O jovem servidor do rei foi trocar dinheiro; tirou muitos besantes , mostrando-se arrogante e pretensioso. Então os habitantes da cidade apoderaram-se dele imediatamente e lhe perguntaram quem era; respondeu que estava a serviço de um mercador muito rico que chegaria à cidade três dias depois. Foi libertado e voltou discretamente para junto do rei, em seu refúgio, exortando-o a fugir o mais depressa possível e contando-lhe o que acontecera. Mas o rei, ainda sob o efeito da fatiga causada por sua dura navegação, desejava descansar alguns dias naquela cidade. O servidor ia com frequência ao mercado para comprar o necessário, e certa vez, no dia de São Tomé Apóstolo, enfiara inadvertidamente sob seu cinto as luvas do patrão.Vendo-as, os magistrados da cidade voltaram a deter o servidor, maltrataram-no rudemente, infligiram-lhe muitas torturas, feriram-no e ameaçaram arrancar-lhe a língua se não se apressasse em dizer a verdade. O servidor, vencido por um sofrimento insuportável, contou-lhes tudo. E eles informaram o duque imediatamente, cercaram o alojamento do rei e instaram-no a entregar-se voluntariamente.

O rei permaneceu marmóreo em meio ao alarde de todas aquelas pessoas que palravam; deu-se conta de que sua bravura não poderia defendê-lo contra tantos bárbaros, e exigiu a presença do duque, garantindo que só se entregaria a ele. O duque chegou imediatamente e o rei deu alguns passos em sua direção, depois colocou sua espada e sua pessoa  em suas mãos.  O duque,muito satisfeito, levou o rei com ele, com grandes honras. Depois entregou-o à guarda de bravos cavaleiros que, noite e dia, vigiaram-no estreitamente em todos os lugares, de espada na mão.” *

 

* Narrativa baseada em diversos relatos da época de Ricardo I, de Inglaterra, conhecido como Ricardo Coração de Leão. 

 

Em: Ricardo Coração de Leão; história e lenda, Michele Brossard-Dandré e Gisèle Besson, tradução de Monica Stahel, São Paulo, Martins Fontes: 1993, pp: 224-6





Imperadores romanos, como eram? — César Augusto

29 10 2020
Augusto reconstrução facial pelo artista, Haround Binous (Suíça, contemporâneo)

Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus, nasceu em Roma, em 23 de setembro do ano 63 aEC.  Faleceu  em Nuvlana (Região de Nápoles) a 19 de agosto do ano 14 EC.   Fundador do Império Romano e seu primeiro imperador.   Período de governo: 27 aEC até 14 EC, ou seja 31 anos. 

Expansão do Império Romano durante o governo de Augusto.





Mais um ângulo da colonização brasileira, Francisco Antonio Doria

22 10 2020

 

 

 

Nuremberg_chronicles_f_58v_1 The city of Genoa in a woodcut from the Nuremberg Chronicle, 1493Vista da cidade de Gênova, encontrada nas Crônicas de Nuremberg, 1493, 58 v 1, xilogravura policroma Afonso a.

 

 

“…Gênova comercia com Bizâncio, possui interesses em Creta e em Chipre, onde os genoveses competem em constantes escaramuças com os venezianos. Associam-se os genoveses aos normandos na Sicília, onde são, apenas os genoveses, senhores feudais — e comerciantes. E dominam sem contestação, o Mediterrâneo ocidental.

Os genoveses revoam, por sobre o Mediterrâneo ocidental, também desde fins do século XI. Sua presença na península ibérica é muito antiga; devemos lembrar que em  1092, Afonso VI o bravo de Castela fez uma aliança com Sancho Ramírez, rei de Aragão, e com este convidou Gênova e Pisa para, todos juntos, atacarem Valência.  As duas cidades italianas teriam fornecido 400 navios à empresa, e teriam participado de um cerco infrutífero a Tortosa. Em 1147 Afonso VII o imperador, por sua vez, conquista Almeria com a ajuda dos genoveses.

Exploram, enfim, o Atlântico e buscam as Índias. Em 1291, os irmãos Guido e Vadino Vivaldi partem de Gênova à busca do caminho das Índias costeando a África.  Atingem a costa da Guiné onde naufragam, segundo nos deixa em seu testemunho Antoniotto Usodimare, mercador e cronista.  Mais ou menos ao mesmo tempo certo messer Emmanuele Pezagno, mercador também, também genovês, organiza a pedido de D. Diniz o lavrador (n. 1261, f.1325; rei em 1281) a marinha portuguesa.  Todos Usodimare, como o diz o nome desta família: têm o hábito das coisa do mar. Nos Pezagno fica hereditário o posto de almirantes de Portugal; são os almirantes Peçanhas.

 

City by the sea, a view of Lisbon, 1548, Spanish woodcut.Vista da cidade de Lisboa em 1548.  Xilogravura espanhola.

 

Chegam à Madeira. Em 1446, Bartolomeu Perestrelo, português, neto de um lígure ou lombardo, messer Gabriele Palastrelli, mercador sempre, recebe a donatária da ilha de Porto Santo.  Sua filha caçula, Filipa Perestrelo Moniz, casa-se com mais um genovês, Cristoforo Colombo, o descobridor. Concentrados em Sevilha e em Cádiz, os genoveses espraiam-se de vez, na segunda metade do século XV, por sobre o Atlântico. Giovanni Usodimare fixa-se na Madeira; e também Urbano Lomellini, junto com o parente de ambos, o banqueiro de Cádiz que financiará Colombo, Lodisio d’Oria.  Lodisio d’Oria esteve comprovadamente na Madeira em 1480, onde possui engenhos de açúcar em Santa Cruz, Santana e Porto de Seixo.

Por que este avanço por cima do Atlântico? Os genoveses espalham o cultivo da cana de açúcar, que viera do oriente e fora primeiro cultivada em Creta.  Usodimare, Lomellini, d’Oria, são todos senhores de engenhos açucareiros na Madeira. O dinheiro das casas bancárias de Gênova é sacarino, e vem do mel da cana. Colombo fora, provavelmente, agente comercial destes potentados da Ligúria, assim como os filhos segundos, bastardos, os parentes pobres. Cristoforo d’Oria, nascido em Faro no Algarve e filho de Lodisio d’Oria, leva a cana de açúcar às ilhas São Tomé e Príncipe, cuja governança recebe, e onde morre, talvez no mesmo naufrágio no qual provavelmente morrem seus primos os mercadores, e genoveses, Lazzaro e Lorenzo d’Oria.

Os Dorias da ilha da Madeira descendem de Leonor Doria, “filha de um Cavalheiro Doria, genovês,” conforme se indica no título “Velloza” do Nobiliáriosa Ilha da Madeira, de Henrique Henriques de Noronha.  Os da Bahia descendentes de Clemenza Doria filha de Lorenzo ou Lorenzino d’Oria, conforme Ferlgueiras Gayo no seu Nobiliário, título “Silvas”.”

 

Em: Herdeiros do poder, Francisco Antonio Doria, e outros, Rio de Janeiro, Revan: 1994, pp 91-92





O nome América …

23 06 2020

 

 

 

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889), Américo Vespucio,1848, ost, 50 x 40 cmAmérico Vespúcio, 1848

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 

 

“Por iniciativa do jovem cosmógrafo Martin Waldessemüller [sic], o Ginásio Vosgense decidiu ‘revisar e ampliar’ a obra de Ptolomeu, tendo como base as ‘descobertas’ feitas por Vespúcio. E assim, em um texto que se tornaria profético, Waldessemüller [sic] escreveu: “Agora que uma outra parte do mundo, a quarta, foi descoberta por Americum Vesputium, de nada sei que nos possa impedir de denominá-la, de direito, Amerigem, ou América, isto é, a terra de Americus, em honra de seu descobridor, um homem sagaz, já que tanto a Ásia como a Europa receberam nomes de mulheres.”

Em um dos mapas que fez para acompanhar o livreto de 52 páginas, Waldesemüller [sic] usou pela primeira vez a palavra ‘América’, colocando-a sobre o território que representa o Brasil, na mesma latitude em que se localiza Porto Seguro. O novo continente estava batizado.

Cristóvão Colombo morrera quase que exatamente um ano antes, em 20 de maio de 1506, amargurado e na miséria. Os eruditos de Saint-Dié não ignoravam suas descobertas. Mas, até pelo menos 1514, muitos geógrafos – Waldessemüller entre eles – acreditavam que as ilhas achadas por Colombo em outubro de 1492 de fato eram os limites ocidentais da Ásia, enquanto que a América do Sul (supostamente descoberta por Vespúcio na viagem de 1497 e de fato explorada por ele próprio entre 1501 e 1504) seria um continente autônomo, totalmente separado delas ou, quando muito, interligado ao arquipélago por um istmo. Foi só depois da descoberta do oceano Pacífico, feita por Vasco Nuñes de Balboa, em setembro de 1513, que os cartógrafos do século XVI passaram a ter uma ideia um pouco mais próxima da realidade. E somente após o descobrimento do estreito de Magalhães, em 1519, o quadro geográfico iria adquirir molduras mais definidas.

 

Waldseemuller_map_closeup_with_AmericaO Mapa de Waldseemüller, ou Universalis Cosmographia

 

Em fins de 1513, cedendo às pressões da Coroa castelhana, Martim Waldesemüller[sic] retirou sua proposta de batismo. Chegou a sugerir que o Novo Mundo fosse chamadode Colômbia. Mas era tarde demais: as múltiplas ressonâncias da palavra América caíram no gosto popular. Em 1516, até o genial Leonardo da Vinci passaria a utilizas esse nome, colocando-o em um mapa que preparou a pedido da poderosa família Médici.

Vinte anos mais tarde, quando ficou claro que Vespúcio — ou alguém agindo em seu nome, com ou sem conhecimento dele – havia forjado a viagem em 1497, o nome ‘América’ começava a se popularizar na Europa, tendo sido adotado até por cartógrafos portugueses e, embora com muita relutância, aceito até pelos espanhóis. Desta forma, a ‘quarta parte do mundo’ acabou sendo batizada com o nome de um homem que não fora o seu descobridor. De acordo com um texto escrito em 1900 pelo historiador brasileiro Capistrano de Abreu, a ‘falsidade e a galanteria’ foram ‘pavoneadas pela imprensa e, por força delas, temos hoje o nome de americanos’.”

 

Nota — Martin Waldseemüller –  no texto aparece com 2 grafias ambas diferem da grafia padrão.

Em: Náufragos, traficantes e degredados: as primeiras expedições ao Brasil, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998, p. 61-63.





Esmerado: Estojo de marfim, século XIII

22 06 2020

 

 

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Estojo com placas de marfim encaixadas, e fechamento em cobre banhado a ouro.

Original do Sul Espanha

Século XIII

Comprimento: 7,7 cm Largura: 16,2 cm Altura: 11,7 cm

Victoria & Albert Museum, Londres

 

Estojos e caixas de marfim continuaram a ser fabricadas até depois final do domínio do califado de Umayyad.  Diferentes técnicas eram usadas na construção e ornamentação desses objetos.  Este exemplo é feito por grossas folhas de marfim, e não de um bloco sólido. Acabamento em cobre com banho de ouro é elaborado e constitui sua única decoração.

 

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Da ironia do aprendizado…

12 06 2020

 

alexandre-o-grande-4Aristóteles e seu aluno Alexandre

 

 

Carta de Alexandre, o Grande, a Aristóteles, o filósofo e o aluno

 

Alexandre para Aristóteles, saudações.

Você não deveria ter publicado suas aulas, como fez, pois como vou superar outros homens se as doutrinas em que fui treinado se tornam públicas para todos? No entanto, eu prefiro me distinguir pelos meus conhecimentos do que pelos meus feitos.

[tradução minha]

 

Em: Private Letters Pagan and Christian: an Anthology of Greek and Roman Private Letters from the Fifth Century before Christ to the Fifth Century of Our Era, selected  by Dorothy Brooke, New York, E. P. Dutton & Co., Inc: 1930, p. 37





Tempo para ABRACADABRA

20 03 2020

 

 

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Abracadabra

 

Palavra cabalística usada para encantamentos que supostamente possui poderes mágicos de cura principalmente quando escrita nesta forma triangular. O papel com esta palavra escrita precisa ser dobrado de tal maneira a esconder o escrito e  cozido com linha branca para ser usado pendurado ao pescoço. Era o melhor remédio para febre e malária.  Possivelmente considerada palavra de cura porque nela aparece duas vezes a palavra Abra que é composta pelas primeiras letras das palavras em hebreu significando Pai, Filho e Santo Espírito  –– Ab, Ben,  Rausch Acadosh.  A primeira vez  que esta palavra aparece é num poema do Século II; Praecepta de Medicina, de Q. Serenus Sammonicus.  Hoje em dia é usada para encantamentos, palavras sem sentido.

 

Handy-Book of Literary Curiosities, William S. Walsh, J.B. Lippincott: 1909





Eu, pintor: Jean Fouquet

2 02 2020

 

 

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Auto-retrato, 1450*

Jean Fouquet (França, n. 1420-?)

esmalte sobre placa de cobre, 6 cm diâmetro

Louvre

*Possivelmente o primeiro autorretrato.  Certamente entre os conhecidos, este é o primeiro.

 

 

 





Cuidado, quebra! Frasco de peregrino

16 01 2020

 

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Frasco de peregrino, c. 1480-1489

Vidro Veneziano

31, 8 cm altura, 17,8 cm diâmetro, 11 cm corpo, 8,6 cm pé

Corning Museum of Glass,  Corning, Nova York

 

Este frasco (cantil) tem em seu corpo, esmaltado, o brasão de Albertino della Rovere, Bispo de Pesaro.





Leitura silenciosa, conosco a partir da Idade Média

28 09 2019

 

 

 

4b Benson, Ambrosius Benson - Young Woman in Orison Reading a Book of Hours, 1520sJovem em oração lendo o Livro de Horas, 1520

Ambrosius Benson ( Itália, 1495 – Flandres, 1550)

óleo sobre madeira, 21 x 13 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

Uma das consequências inesperadas do IV Concílio de Latrão, também chamado de O grande Concílio, em 1215,  sob liderança do papa Inocêncio III, foi o nascimento da leitura silenciosa, individual.

Neste concílio, o maior concílio  ecumênico  da  Idade  Média,  a Igreja decidiu que as confissões de pecados seriam mandatórias para o povo, para as massas.  E que todo cristão que tivesse atingido a idade de discrição (primeira comunhão) deveria, pelo menos uma vez ao ano, confessar seus pecados ao padre de sua paróquia. (cânone 21, conhecido como Omnis utriusque sexus).

Até então a catequese tinha base no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações.  Seguia-se os passos da Igreja nos seus primórdios em que fiéis passavam seus bens para  a causa cristã e dividiam tudo entre eles. Com esse espírito houve maior adesão de leigos à Igreja e, entre outros hábitos,  a leitura da Bíblia  era comunitária.  O sistema feudal muito colaborou  para a manutenção de atitudes comunitárias.

A Igreja sempre considerou importante manter domínio sobre a  interpretação dos Evangelhos, portanto, não foi sem controvérsia, que aceitou os hábitos comunitários, baseados nos primórdios do desenvolvimento cristão. O concílio de 1215, tentou colocar um fim nisso, trazendo, entre outras modificações, a leitura para o âmbito individual.  Enquanto a confissão individual foi uma tentativa da Igreja  de se aproximar do povo, conhecer as verdadeiras preocupações do indivíduo,  na intimidade do confessionário pessoal, íntimo e velado.

 

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Com esta decisão o conceito de moralidade na Europa passou de externo, comunitário, onde todos eram responsáveis por todos;  para ser pessoal, ou seja, moralidade dependente do caráter, do juízo pessoal  e não mais dependente do julgamento da comunidade.  O nascimento da responsabilidade individual, que dois séculos depois fomentou o humanismo da Renascença, no século XIII deu espaço a hábitos solitários, como a leitura individual.

Mais tarde, esse individualismo na leitura,  foi auxiliado  com a invenção dos tipos móveis de Gutenberg que permitiu a publicação de livros com custo muito menor.

Mesmo assim, a leitura, silenciosa, individual, crescendo no íntimo do leitor, só passou a ser comum em meados do século XVIII.  Até então, a leitura pública era comum.