Êta mulher jogo duro!
Por mais que eu implore e tente,
não me garante o futuro…
Só quer saber de … presente!
(João Costa)
Êta mulher jogo duro!
Por mais que eu implore e tente,
não me garante o futuro…
Só quer saber de … presente!
(João Costa)
Kay Crain (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 30 x 23 cm
Vasily Kandinsky (Rússia/França, 1866-1944)
óleo sobre tela, 95 x 138 cm
Museu do Estado Russo, São Petersburgo
Quem gosta de Kandinsky — um dos pais da pintura abstrata — ou quem não gosta de suas telas. Quem é indiferente ou quem nunca ouviu falar desse pintor. Ninguém deve perder a oportunidade de visitar a exposição Kandinsky: tudo começa num ponto, que abriu esta semana no CCBB [Centro Cultural do Banco do Brasil] do Rio de Janeiro. A exposição que veio de Brasília, sai do Rio de Janeiro no final de março, em direção a Belo Horizonte, para depois ir para São Paulo.
Dizer que essa exposição é extraordinária não é um exagero. Se você tem interesse em saber mais sobre a arte moderna, sobre a evolução das correntes da arte moderna dê a si mesmo um presente: reserve de duas a três horas de um dia, e siga esta exposição de início ao fim. Vá com sapatos confortáveis. Traga um xale ou um casaco leve. Por contraste com a temperatura ambiente no Rio de Janeiro pode-se sentir frio no museu. Não reclame da temperatura baixa, ela preserva as telas para futuras gerações. Em nome de seus descendentes, proteja-se do frio e se delicie com uma aula minuciosa, interessante, compreensiva, cobrindo muitos aspectos das raízes do trabalho de Kandinsky e com isso das raízes da arte moderna do século XX.
Não perca! Uma das mais importantes exposições que eu já vi não só no Rio de Janeiro, mas em outros lugares do mundo. São obras de Kandinsky e muitos de seus compatriotas que não estão facilmente acessíveis nem mesmo nos museus na Europa ocidental. Há muitas de artistas de grande calibre cujo trabalho nos é menos familiar. A maioria delas veio da Rússia e outras de coleções europeias. Obras que jamais foram vistas nas Américas. Há filmes, slides e interatividade. Há também a imersão na obra, uma exposição em 3D. Visite esta parte por ultimo — na Rotunda — para melhor apreciar a obra. Mas há sobretudo nessa exposição um contexto para a obra do pintor que pode ser digerido em diversos níveis. É um privilégio ter a oportunidade de visitar essa exposição.
O Carnaval está chegando e com ele muitos dias de férias. Esqueça por um momento a folia e encha os olhos e preencha as lacunas da sua educação artística com essa exposição.
O CCBB está de parabéns. Na minha opinião esta exposição supera a de M. C. Escher que também foi de primeira categoria.
Kandinsky: Tudo Começa Num Ponto
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro – Rua Primeiro de Março, 66, Centro – Rio de Janeiro/ RJ
(21) 3808.2100
De 28 de janeiro a 30 de março 2015
ENTRADA FRANCA
Como bem lembrou um de nossos leitores: O CCBB do Rio de Janeiro fecha às terças-feiras!
Les Promenades d’Euclide, 1955
[O passeio de Euclides]
René Magritte (Bélgica, 1898-1867)
óleo sobre tela, 162 x 129
The Minneapolis Institute of Art.
Tomemos “Les promenades d’Euclide“, uma das telas fundamentais de Magritte, versão aperfeiçoada de uma outra anterior, “La condition humaine“.
A cortina pesada alude a um cenário onde algo vai ser “representado”. São estas as dramatis personae: em primeiro plano além da cortina o cavalete e a larga vidraça. O cavalete é posto em grande destaque no conjunto: sujeito e protagonista em função do qual o ambiente — inclusive a paisagem — subsiste; um dos objetos-símbolos capitais do ofício de Magritte pictor. Este o secciona para sobrepor à tela original uma segunda, ao mesmo tempo libertada dele e integrada na parte inferior da vidraça, que corresponde à janela dividindo o espaço nos quadros dos antigos pintores flamengos.
Em segundo plano a torre, o arvoredo, o casario, duas minúsculas figuras isolando-se numa avenida deserta; e a linha do horizonte demarcada com rigor. Domina a tela um céu nuvioso. Todos esses elementos reunidos em absoluta consciência criam uma profundidade especial a que o espírito adere: texto de poesia ótica, não-literária. O seccionamento de duas partes do cavalete, a rarefação da segunda tela, a infinitude da perspectiva da alameda, que poderia remontar a Van Eyck ou Memling; a sobriedade da linguagem cromática em suas dominantes marrom, verde, branco e cinza, a justeza do desenho paciente, tudo isso forma uma atmosfera poética onde a mais alta fantasia se submete à planificação. O astro subterrâneo levanta-se, e, para maior segurança do seu itinerário, assume a ordem, a régua e o compasso, determinando relações de surpresa num contexto lógico de objetos familiares. Ajunte-se a isto, também de acordo com a linha dos antigos flamengos, a notação do silêncio, do respiro, da pausa funcionando como dramatis personae.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.187-8.
Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)
óleo sobre tela, 54 x 73 cm
Yugo Mabe (Brasil, 1955)
acrílica sobre tela, 60 x 73 cm
São Paulo, Rio Tamanduateí, 1965
Innocêncio Cabral Borghese (Brasil, 1897-1985)
óleo sobre tela, 40 x 49 cm
Fernando Cassiani (Brasil, 1921-2001)
óleo sobre tela, 40 x 30 cm
Composição Urbana, São Paulo, 2013
Gilberto Primo (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 40 x 140 cm
Estação Cidade Jardim, São Paulo, 2005
Márcio Schiaz (Brasil, 1965)
óleo sobre tela, 31 x 70 cm
Menase Waidergorn (Romênia/Brasil, 1927)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm