Entardecer na rua Aurora, Recife
Joel Oliveira (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 70 x 130 cm
Olímpia Couto (Brasil, contemporânea)
vinil sobre tela colado em eucatex, 90 x 70 cm
Augusto Frederico Schmidt
As flores do jambeiro vão caindo.
E aos poucos reina em sangue a madrugada.
Deste alto, o olhar domina ao longe
O mar tranquilo e azul.
E no mar, um veleiro vai fugindo
E o vento o afasta para longe,
para o reino que não sei.
Foge o veleiro e foge o tempo,
Para onde vão?
Não sei.
Vejo apenas as sombras
E as estrelas,
E mesmo a magra lua
Se esconderam;
E que no mar,
As asas claras de um veleiro
Fogem para um reino que não sei.
Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 134
Raro e alto incensório imperial chinês, século XV
Período Xuande
decoração baseada em flores de lótus, peônias e crisântemos em cores brilhantes esmaltada.
Cloisonné, com alças na forma de Fênix e pés em cabriolé na forma de cabeças de elefantes. Tampa com dragão dourado. Bronze dourado.
Altura, 40 cm, 32 cm, 19 cm
Tom e Jerry na praia, disputas e perseguições de lado.
Bom ver brigas resolvidas. A vida é curta. Ninguém ganha com desentendimentos. Mas brigas que levam anos são mais difíceis de resolver. O rancor cria raízes. Por isso é surpreendente que uma das mais famosas brigas literárias do século XX tenha chegado ao final este mês: Paul Theroux e V. S. Naipaul, voltaram a se falar.
V. S. Naipaul tinha como “discípulo” Paul Theroux. Os dois eram muito amigos. Até o dia em que Naipaul decidiu vender alguns presentes que Theroux havia lhe dado…
Pronto. Briga feita. Por anos não se falaram. Quase duas décadas!
O gesto de reconciliação veio de Theroux, a parte que havia se sentido ferida. Talvez, aos 73 anos de idade, ele tenha aprendido a perdoar. Mas, contrário à sabedoria popular, nem sempre a sensatez é resultado da idade. Paul Theroux, que não é bobo, deve ter reconhecido que presentes são dados para que o recipiente faça o que quiser com eles. Ou não seriam presentes, seriam empréstimos…
O momento da reconciliação foi público, durante o Festival Literário de Jaipur na Índia. Em uma palestra, Paul Theroux elogiou o livro de Naipaul, Uma casa para o Sr. Biswas, comparando o recipiente do Nobel de Literatura em 2001, com o autor britânico do século XIX, Charles Dickens. V. S. Naipaul, que estava na plateia, mostrou, aos 82 anos de idade, como havia sido importante a amizade deles e como a briga o havia afetado. Teve um momento de catarse, chorando abertamente ao ouvir os elogios de seu antigo discípulo. Um momento de dar engasgo na garganta…
Boas novas!
Fonte: The Telegraph
Cachorros jogando pôquer, 1903
C. M. Coolidge (EUA, 1844-1934)
Para a companhia de charutos, Brown & Begelow
A vantagem de uns dias de folga é que tive tempo de perambular pela rede. É impressionante a quantidade de informações a que temos acesso se nos deixarmos levar de link a link. Surfar me parece um pouco rápido demais. Perambular é mais o meu ritmo.
Entendo que tudo é uma questão de moda. Através de documentação, sabemos que a moda como imaginamos hoje — de qualquer item — é documentada desde o século XIV, no final da Idade Média ou início da Renascença, dependendo de como você classifica a época. Reis, príncipes, duques e demais nobres, banqueiros e grandes mercadores começaram a se vestir melhor com tecidos finos importados das terras orientais pela Rota da Seda. É a época em que itens de luxo como livros com iluminuras começaram a ser colecionados e roupas elegantes especialmente confeccionadas. O luxo ia aos poucos aparecendo, desafiando as rígidas leis suntuárias em exercício, até então, por toda a Europa.
Além disso sempre achei que conhecia a grande influência que os meios de comunicação exercem no público, do século passado ao presente. Cinema e televisão são meios de impacto muito grande. Mas confesso que fiquei surpresa ao ver quantificada e colocada em gráfico a influência do cinema na moda para a adoção de certas raças de cachorros, como animais de estimação. O gráfico abaixo me surpreendeu. É de um artigo publicado no Pacific Standard, chamado o Efeito Beethoven: o cinema nos leva à preferência de certas raças de cachorro. O título do artigo explica o conteúdo e o gráfico. Nele podemos ver a raça do cachorro, o nome do filme, o ano em que foi lançado e a sucessiva popularidade daquele tipo de cachorro, com o pico de demanda. Fiquei surpresa.
Ilustração de Joseph Leyendecker.
O livro é o portão de acesso
à liberdade e ao saber.
E nem sequer cobra ingresso:
basta abri-lo, entrar… e ler!
(Antônio Augusto de Assis)