Retrato de Johann Joachim Winckelmann, 1762
Anton Raphael Mengs (Alemanha, 1728 — 1779)
Oleo sobre tela, 69 x 49 cm
Metropolitan, NY
Retrato de Johann Joachim Winckelmann, 1762
Anton Raphael Mengs (Alemanha, 1728 — 1779)
Oleo sobre tela, 69 x 49 cm
Metropolitan, NY
Ilustração Freddie Langeler.
Henriqueta Lisboa
— Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
— Ah, como a chuva é bonita
e como o vento é valente!
— Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
— Eu não sou feito de açúcar
para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só:
— Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 170.
“– Como é que você só leu uma página do seu livro, mamãe?” — Cartoon, Bil Keane.
Sérgio Caparelli
De patins, de bicicleta,
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão.
Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, 13ª edição, Porto Alegre, Projeto: 2007, p.106
Navio de emigrantes, 1939-1941
Lasar Segall (Lituânia/Brasil, 1891-1957)
óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cm
Museu Lasar Segall, São Paulo
“Pessoas deslocadas” era o nome que nos davam, desde 1945, e isso era o que éramos, verdadeiramente. Quando você vê bombas caindo em alguns antigos documentários, seja um exército avançando contra outro, aldeias e cidades consumidas por fogo e fumaça, você esquece dos grupos de pessoas no celeiro. Sr. e Sra. Inocente pagaram alto neste século só por estarem ali. Condenados pela história, como os marxistas gostavam de dizer, talvez pertencendo a uma classe social incorreta, um grupo incorreto ou uma religião incorreta – o que seja – eles eram e continuam a ser uma lembrança desagradável de todas as utopias filosóficas e nacionalistas que não deram certo. Com seus trapos e trouxas e seu ar de miséria e desespero, eles vieram em massa do Leste, fugindo do mal sem ideia de para onde estavam indo. Ninguém tinha muito para comer na Europa e aqui estavam os refugiados famintos, centenas de milhares em trens, campos e prisões, molhando pão dormido em sopa aguada, procurando por piolho nas cabeças de seus filhos e grasnando em dúzias de línguas sobre seu horrível destino.
Minha família, como tantas outras, pode ver o mundo graças às guerras de Hitler e a chegada ao poder de Stalin na Europa Oriental. Não éramos colaboradores alemães ou membros da aristocracia, nem éramos precisamente exilados políticos. Peixes pequenos, não decidíamos por nós mesmos. Tudo foi arranjado por nós pelos líderes do nosso tempo. Como tantos outros que estavam deslocados, não tínhamos nenhuma ambição de sair do nosso bairro em Belgrado. Nós gostávamos de lá. Negociações foram feitas sobre esferas de influência, fronteiras foram redesenhadas, a chamada Cortina de Ferro foi baixada, e nós ficamos à deriva com nossos poucos bens. Historiadores ainda estão documentando todas as traições e horrores que nos atingiram como resultado da Yalta e de outras tantas conferências, e o assunto ainda não chegou a seu ponto final.
Como sempre, houve diferentes graus do mal e da tragédia. Minha família não se deu tão mal quanto outras. Milhares de russos que os alemães haviam forçado a trabalhar para eles nas indústrias e fazendas foram devolvidos a Stalin contra a vontade deles pelos Aliados. Alguns foram assassinados, outros mandados para os ‘gulags’ para que não contaminassem o resto da população com novas ideias adquiridas pelo capitalismo decadente. Nossas perspectivas foram melhores. Tínhamos a esperança de acabar nos Estados Unidos, Canadá ou Austrália. Não que isso fosse garantia. Entrar nos Estados Unidos era particularmente difícil. A maioria dos países da Europa Oriental tinha cotas muito pequenas, diferente da Europa Ocidental. Aos olhos dos especialistas em genética e dos políticos da imigração, eslavos do sul não era material étnico altamente desejável.”
Em: “Refugees”, Charles Simic, Letters of Transit: Reflexions on Exile, Identity, Language and Loss, ed. André Aciman, New York, The New Press: 1990, pp. 120-121
Tradução Ladyce West.
Interior imaginado da Biblioteca de Alexandria, gravura de O.Von Corven.
“A biblioteca de Alexandria foi a maior da Antiguidade. Fundada no século III a. C., teve a missão de recolher ao menos um exemplar de todos os livros escritos no mundo. Setecentos mil rolos e papiros foram protegidos pelas suas paredes! Estava aberta a todas as áreas da poderosa inquietação que nos move a ser e saber mais do que temos sabido e sido. Uma fonte, uma torrente, uma gula de inundar desertos. A biblioteca de Alexandria existiu de verdade. E, tendo sido destruída, é também, até hoje, para quem gosta de livros, um mito. A mãe das bibliotecas. A casa dos sábios.”
Em: “Bibliotecas”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 05/09/2015, 2º caderno, página 2.
Pato Donald tem dívidas, ilustração de Walt Disney.
Meia fujona, ilustração.
Meus achados e perdidos
trazem de volta passados
que imaginava esquecidos
e, até, talvez… sepultados.
(João Freire Filho)
Alexandre Reider (Brasil, 1973)
óleo sobre tela, 20 x 24 cm
Alfredo Volpi (Itália/Brasil, 1896-1988)
óleo sobre cartão, 34 x 26 cm
Paisagem serrana com estradinha
Benedito Luizi (Brasil, 1933)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Bruno Bronislaw Lechowski (Polônia/Brasil, 1887–1941)
óleo sobre tela
Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)
óleo sobre madeira, 25 x 20 cm
Ipê amarelo com Baía de Guanabara ao fundo, 1946
Francisco Coculilo (Brasil, 1895-1945)
óleo sobre tela, 44 x 38 cm
Edson Lima (Brasil, 1936-2000)
óleo sobre tela, 50 x 67 cm
Fang [Fang Chen-Kong] (China/Brasil, 1931)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Fúlvio Pennacchi (Brasil, 1905-1992)
técnica mista sobre placa de pedra, 44 x 28 cm
Gonçalo Ivo (Brasil, 1924)
óleo sobre tela, 35 x 24 cm
Ricardo Schulz (Brasil, 1931-2015)
óleo sobre tela, 35 x 24 cm