Vernissage ou visita ao museu… a etiqueta.

18 02 2016

 

Nicholas Chistiakov, O salão vermelhoIV, 2013, ost, 45x60cm, ColPart, GBO salão vermelho IV, 2013

Nicholas Chistiakov (GB, 1981)

óleo sobre tela 45 x 60 cm

Coleção Particular, GB

 

 

Museus e Exposições

Não pare na frente dos outros para ver uma obra. Eles estão apreciando ou lendo a descrição, e você, atrapalhando.

Respeite a faixa no piso, delimitando a distância entre você e as obras.

A ordem nas filas nessas ocasiões é fundamental. Atenção.

Se estiver acompanhado, não queira se exibir dando palestras sobre a exposição ou seu autor. Demonstrações exageradas de cultura são ridículas.

Muitas pessoas preferem  admirar a arte em silêncio. Respeito.

 

Vernissages (abertura de exposições de arte)…

Curiosidade:

A origem do termo vernissage vem do século passado [séc. XIX] quando os artistas boêmios, ao terminar uma obra com verniz, convidavam os amigos para apreciá-la degustando um vinho.

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 127.

 

 





Trova do esquecimento

8 02 2016

 

moça com chapéu sentada, buda,Fabius LorenziIlustração de Fabius Lorenzi.

 

 

Existem coisas na vida

Que não posso compreender:

— Como é que sendo esquecida,

Não te consigo esquecer!

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)





Imagem de leitura — Michel Simonidy

7 02 2016

Poster by Michel SimonidyCartaz Le Figaro, 1900

Michel Simonidy (França, 1870-1933)





Stendhal visita o palácio Barberini em Roma, I

7 02 2016

 

 

FornarinaLa Fornarina, ou Retrato de uma jovem mulher, 1519

Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)

óleo sobre madeira, 85 x 60 cm

Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma

 

 

“A galeria deste palácio está agora reduzida a sete ou oito quadros; mas quatro deles são obras-primas: de início o retrato da célebre Fornarina, amante de Rafael, de autoria do próprio Rafael. Esse retrato cuja autenticidade não pode ser posta em dúvida, pois existem cópias da mesma época, é totalmente diferente da figura que, na galeria de Florença, é dada como o retrato da amante de Rafael, e que foi gravado, com essa indicação, por Morghen. O retrato de Florença não é de Rafael. Em homenagem ao prestígio desse grande nome poderia o leitor perdoar essa pequena digressão?”

 

 

Em: Crônicas italianas, Stendhal, tradução de Sebastião Uchoa Leite, São Paulo, Editora Max Limonad: 1981, p. 101

————–

O retrato a que Stendhal se refere é o seguinte:

port_womLa Fornarina ou Retrato de uma jovem mulher, 1512

Sebastiano del Piombo (Itália, 1485-1547)

óleo sobre madeira, 68 x 55 cm

Galleria degli Uffizi, Florença

 





Turner, anotações de Murilo Mendes

28 01 2016

 

 

111turnePaisagem com rio e baía ao fundo, 1835-40

Joseph Mallord William Turner (GB, 1775-1851)

óleo sobre tela, 93 x 123 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

♦  Vive? Pseudônimo, isolado numa casa de Chelsea, domínio da desordem e da poeira. O irmão de Ruskin refere que nunca viu nada tão impressionante “desde Pompéia”.

 

♦  Ignoram-no os acadêmicos ou não. Entre sábado e segunda-feira eclipsa-se na periferia londrina, instala-se nos bordéis: decifrará ou não o enigma do sexo, suas cores mordentes?

 

♦  Habita, familiar, a faixa do relâmpago, as ruínas do maremoto, a chama extinta, o reino das ondas giróvagas, o balanço dos navios correlativos, a fantasmagoria de Veneza que dorme esquecida em si própria, auto-espectra, a subversão da luz. Não “representa” coisa alguma. O pincel clandestino precede a marcha do impressionismo.

 

♦  É William Turner. A luz interna e a luz externa conjugam-se no seu quadro, onde a manhã anoitece.

 

1973

 

Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980, p. 217.





Na boca do povo: escolha de provérbio popular!

6 01 2016

 

 

dinheiro, loteria, o que fazer, opções, DonaldPato Donald sonha em como gastar o dinheiro da loteria, ilustração Walt Disney.

 

 

“A economia é a base da prosperidade.”





Cães famosos na literatura brasileira

4 01 2016

 

Puppies PaintingIlustração de Ian Ward. www.ianward.co.uk

 

 

 

Hoje passei os olhos num artigo sobre cães literários.  O artigo era americano. Citava o nome de alguns personagens cães que fazem parte da literatura americana. E que passaram a fazer parte da cultura americana em geral.  É claro que disparei para o Google procurando lista semelhante no Brasil.  Achei uma pequena e adicionei um ou outro nome de personagem literário canino, de que me lembrava.

Aqui vai:

 

Amigo Cachorro, Belmiro Braga

Baleia, Graciliano Ramos

Biruta, Lygia Fagundes Telles

Bruno Lichtenstein, de Rubem Braga

Firififi, Dalton Trevisan

Japir, José de Alencar

Madrugada, Orígenes Lessa

Mila, Carlos Heitor Cony

Perigo, de Domingos Pellegrini

Pingo-de-ouro, de Guimarães Rosa

Plutão, Olavo Bilac

Quincas Borba, Machado de Assis

Samba, Maria José Dupré

Tentação, de Clarice Lispector

Tusca, Marina Colasanti

Uno, Walcir Carrasco

Veludo, de Luiz Guimarães

Zig, Rubem Braga

 

Alguém se lembra de outros cães famosos?  Há de haver….

 

Adicionando sugestões dos leitores:

Floquinho, Maurício de Sousa

 





Filhotes fofos — urso marrom

3 01 2016

 

 

bear-cubs-and-mom-bigDois ursinhos com sua mamãe.





Resenha: “Beije-me onde o sol não alcança”, de Mary del Priore

1 01 2016

 

 

VICENTE LEITE - Paisagem com Casario, O.S.M,Casa de Fazenda

Vicente Leite (Brasil, 1900-1941)

óleo sobre madeira

 

 

Tenho a impressão de que sempre lerei os livros de Mary del Priore com prazer. A história me fascina e meu conhecimento da história do Brasil tem se beneficiado muito com os livros da autora. Continuei sendo beneficiada pelo seu conhecimento na leitura de Beije-me onde o sol não alcança, o primeiro livro de ficção histórica de Mary del Priore. O volume de informações sobre o século XIX, tanto das fazendas cafeeiras do estado do Rio de Janeiro, como sobre a capital do império; o manancial de informações sobre costumes da época desde o aparecimento do espiritismo no interior ou de como um padre local resolveu essa questão; das roupas, da divisão dos escravos entre aqueles que trabalhavam dentro de casa, dos que trabalhavam no campo e dos que vendiam produtos para seus senhores, tudo isso foi fascinante.

Também de grande valia foi saber como os títulos nobiliárquicos eram adquiridos, por quem; que havia homens negros barões; saber dos paralelos entre a escravidão no Brasil e aquela na Rússia; saber como as fazendas cafeeiras de meados do século XIX no Rio de Janeiro eram organizadas, tudo isso foi de uma riqueza tão grande que no momento reconheço que não posso medi-la porque sei que são informações a que poderei recorrer quando e se necessário no futuro.

 

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Mas como obra de ficção esse livro deixa a desejar. Talvez por querer iluminar o leitor com seu conhecimento Mary del Priore perca a oportunidade de fazer uma história mais lesta, mais dinâmica. Muito do que ela passa talvez fosse melhor administrado através de ações, de diálogo. Tenho a impressão de que deu-se uma batalha entre a autora historiadora e a ficcionista. A historiadora venceu. Não perdemos com isso, como leitores, porque a informação continua lá. O que perdemos foi a sensação de que esses personagens (que foram reais) existiram de fato, em carne e osso. Que a vida, dinâmica, feliz e cruel era vivida. Mesmo assim essa é uma leitura é pra lá de interessante.

 

Mary Del PrioreMary del Priore

Não sei se por marketing, por tentar encontrar uma maneira de popularizar essa vinheta da vida brasileira, acho que a descrição da capa “O triângulo amoroso de um conde russo, uma baronesa do café e uma ex-escrava no século XIX”, um exagero. É claro, tudo isso está no texto, mas a importância desse triângulo amoroso não é tão relevante quanto a capa dá a entender. Foi marketing e desnecessário porque a história é ótima, mesmo antes da amante ex-escrava entrar em cena e mais da metade do livro se passa sem que ela entre na história.

De qualquer modo, uma boa leitura e muito enriquecedora.

 

NOTA: Excelentes notas e bibliografia no final da obra.





Texto de Natal, Marques Rebelo

20 12 2015

 

 

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“22 de dezembro [1939]

 

MacLean é lacônico – Merry Christmas! Por que não escreveu Feliz Natal? O cartão traz o carimbo da censura.

 

 

23 de dezembro [1939]
Antevéspera chuvosa de Natal, sem que o calor aplaque. Peregrinação de pés molhados por lojas superlotadas na morosa demanda de presentes que satisfaçam ao gosto e ao preço, mormente ao preço, que os presenteados são muitos e as finanças estão arrebentadas. Ninguém foi esquecido. Nos casos de dúvida, livro é sempre uma boa solução. O presente mais fácil foi o de Felicidade – colar de galalite arlequinhalmente multicor.

 

Chegamos derreados. Eurico nos esperava com a lata de talco mais estapafúrdia que vi na minha vida, desculpando-se por não ter trazido Lenarico e Eurilena. Levou uma gravata, leve, de verão.”

 

 

Em: O trapicheiro, Marques Rebelo, 1º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1959, 1ª edição, numerada.