Domingo, um passeio no campo!

28 12 2014

 

 

Luiz Pinto, (Brasil 1939) paisagem-do-campo, 2008,ost, 60x80Paisagem, 2008

Luiz Pinto  (MG, 1939)

óleo sobre tela,  60 x 80 cm

 





Viagem, poesia de Odylo Costa Filho

27 12 2014

 

 

Eduardo Cambuí Figueiredo Junior (Brasil, contemporâneo)Av. Paulista com Rua Pamplona, 2004, Óleo sobre tela - 150 x 60 cm - 2004Avenida Paulista com Rua Pamplona, 2004

Eduardo Cambuí Figueiredo Jr (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 150 x 60 cm

 

 

Viagem

 

Odylo Costa Filho

 

Mote:
Veste o terno mais velho, e vai-te embora.
Alphonsus de Guimarães Filho

 

 

Veste o terno mais velho, e vai-te embora.

Atravessa o quintal e pula o muro.

E entre morte do luar e a luz da aurora

parte na antemanhã, ainda no escuro.

 

Bebe as velhas fachadas, as cidades

que a água penetra, ameiga e acaricia;

e nelas o sinal de outras idades

gosto de vinho velho em novo dia.

 

Quando cessar a febre das viagens

e cansares de tudo — das paisagens,

de ignotas gentes e de virgens praias —

 

volta aos brejos natais. Arma tua rede

em pleno campo. E mata tua sede

de pureza nas grandes sapucaias.

 

 

Em: Boca da noite, Odylo Costa Filho, Rio de Janeiro, Salamandra: 1979, p. 58

 

NB: na opinião leiga da Peregrina um dos mais belos sonetos do século XX.

 





Flores para um sábado perfeito!

27 12 2014

 

 

 

Konstantin Christoff – Floral- 1995, - 80x100 cmFloral, 1995

Konstantin Christoff (Bulgária/Brasil, 1923-2011)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm





Imagem de leitura — Ivan Olinsky

26 12 2014

 

 

young-woman-readingIvan Olinsky (1878 – 1962)Jovem lendo, s/d

Ivan Olinsky (Rússia/EUA, 1878-1962)

óleo sobre tela, 60 x 63 cm

Em leilão, 2009





A lenda do algodão, folclore brasileiro

26 12 2014

 

Candido Portinari, Colheita do Algodão, Guache sobre PapelColheita do algodão, 1937

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

guache sobre papel, 37 x 26 cm

Acervo do Palácio Capanema, Rio de Janeiro

 

 

A lenda do algodão

 

Há umas centenas de anos, os índios viviam sem cultivar a terra; tampouco domesticavam os animais. Não fiavam, nem teciam. Era um tempo quando ainda não construíam as malocas que tanto associamos a eles. Moravam em cavernas ou nas copas das árvores mais altas e frondosas, junto aos pássaros e longe dos animais selvagens que não subiam tantos metros acima da terra.

Nessa época havia um pajé, chefe da tribo, chamado Sacaibu. Ele era muito sábio e, vendo que o local onde estavam não oferecia alimentos em abundância, resolveu levar seu povo para outras terras, numa região montanhosa, onde havia muita caça, água fresca das nascentes dos rios próximos e grande variedade de árvores frutíferas que dariam ao seu povo uma alimentação mais rica e equilibrada. Acabaram por se estabelecer numa área verde, a mais plana da região, próxima a um despenhadeiro, que formava um abismo, tão íngreme que a tribo não conseguia descer.

Lá chegando Sacaibu plantou a semente, de uma planta que ele desconhecia, mas que lhe havia sido dada por Tupã, o trovão, o mensageiro que transmitia todas ordens de Deus. Sacaibu ficou feliz ao ver que a semente em pouco tempo germinou e passado algum tempo se transformou em um arbusto frondoso. Para surpresa de todos, ele dava uma flores diferentes: tufos brancos.

Curiosos com a aparência dessas flores, os índios colheram os tufos e começaram a imaginar o que poderia ser feito com eles.

Eventualmente aprenderam a desfiar, tecer, trançar e descobriram que com essas flores podiam fazer corda, cordas fortes, que prendiam ou levantavam muito peso. Com as cordas eles desceram ao longo do abismo e lá embaixo encontraram outro povo, muito adiantado que logo lhes ensinou a cultivar a terra.





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

26 12 2014

 

 

Yêda Gomes - Rio Antigo, o.s.t. - 47 x 34 cm. Assinado e datado 90Rio antigo, 1990

Yeda Gomes (Brasil, ? -?)

óleo sobre tela, 47 x 34 cm





Domingo, um passeio no campo!

21 12 2014

 

 

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPingo sedento, 2008

Plínio Afonso Franz (Brasil, 1943)

acrílica sobre tela, 80 x 60 cm





Poema de Natal, Jorge de Lima

21 12 2014

 

Aldemir Martins, natividade, ost, 1969Natividade, 1969

Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)

óleo sobre tela

 

 

Poema de Natal

Jorge de Lima

 

 

ERA UM POEMA frequente,

repetido,

com o menino nos braços

de uma virgem.

Desse poema presente

e sempre ouvido,

os tempos e os espaços tinham origem,

 

pois à origem do poema

sempre havia

essa virgem e o infante

e a poesia.

E era o início e era a extrema

da criação,

era o eterno e era o instante

da canção.

 

Publicado em Rio, Rio de Janeiro, 1951

 

Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. IV, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974.p. 58





Alguém em quem se espelhar…

20 12 2014

 

monroe-pop-art-roy-lichtensteinNão me importo em viver em um mundo de homens, desde que eu possa ser uma mulher nele…” Ilustração à maneira de Roy Lichtenstein.

[Não consegui nenhuma referência idônea sobre a autoria dessa obra].

 

 

A conversa entre amigas questionava em quem nos espelhamos quando adolescentes.  O grupo de mulheres de idades e experiências variadas, entre elas umas que haviam quebrado paradigmas e sucedido onde anteriormente acreditava-se que não poderiam, constatou que teria sido muito bom, se na nossa juventude tivéssemos tido exemplos de mulheres, que pensando fora da “caixa social”, tivessem servido de modelo para o caminho do sucesso. Ninguém confundiu sucesso com fama, o que acontece com frequência. Falávamos de sucesso como realização pessoal ou profissional, atingindo gols e preenchendo sonhos que vão além do que é esperado do sexo feminino na nossa sociedade. Surpreende que nenhuma das presentes teve o apoio de um exemplo a seguir, de uma pessoa em quem se espelhar.

Nas últimas décadas, ocasionalmente, ao terminar um livro ou ver um filme, ponderei: “Se eu tivesse tido acesso a essa informação…; se eu tivesse tido conhecimento de que mulheres podiam…”  minha vida talvez tivesse sido diferente. Não que eu fosse rodeada de maus exemplos. Não é isso, mas o meu temperamento aventureiro e rebelde encontrou pouca repercussão na família, quase nenhum entendimento e raríssimas palavras de incentivo. Nossos valores eram por demais tradicionais, enraizados na classe média carioca. Além do mais, era mais fácil para a família não dar permissão do que ter que se questionar sobre atitudes tomadas automaticamente. Essa falta de “aprovação familiar” muito me custou em termos de timidez e coragem para enfrentar sozinha os tabus que me rodeavam.

Era difícil imaginar uma reprovação familiar maior do que minhas atitudes e desejos já incitavam. Permanecer no seio familiar e enfrentar um estresse diário por querer um rumo divergente daquele para o qual eu havia sido programada, teria sido mais fácil, muito mais fácil, se eu tivesse tido um exemplo de sucesso à minha frente, que houvesse de alguma maneira quebrado tabus, superado dificuldades. Não que eu quisesse fazer coisas do arco da velha, mas havia muita circunscrição às profissões possíveis, aos namorados, aos amigos, ao ir e vir. Tudo, uma grande bobagem que não levava em consideração a jovem de dezesseis, dezessete anos, mas unicamente os medos e preocupações sociais dos mais velhos. Hoje, não sei se teria sido uma boa médica. É provável que não. É provável que tivesse, enfim, depois de erros e acertos, encontrado o meu caminho nas ciências humanas como de fato o fiz, mas voltando os olhos para o passado, acredito que teria sido mais satisfatório, e muito menos dramático, ter tido a oportunidade de errar por mim mesma.

Essa longa divagação sobre as escolhas que jovens mulheres fazem tem muito a ver com uma sincronicidade de eventos, todos na mesma semana: o encontro com essas amigas, a leitura do livro de Maria Thereza Wolff, Minha vida em Ipanema, o filme O Sorriso da Monalisa e o conhecimento recentemente adquirido de algumas ONGs americanas dedicadas a dar exatamente esse tipo de apoio a jovens que queiram expandir os papeis para os quais estão programados. Ter conhecimento de pessoas que passaram por dificuldades semelhantes pode certamente abrir as portas da mente, deixar entreabertas as passagens, para que a coragem de enfrentar as lutas se faça sentir.  Essas lutas fazem parte do crescimento emocional, interior, de um adulto responsável. Como os americanos, acredito que “role models”, pessoas em quem podemos nos espelhar, são importantes para o adolescente e ajudam a que se ultrapasse as barreiras pessoais com maior facilidade.





Flores para um sábado perfeito!

20 12 2014

 

 

Juliana Marcante, flores-coloridas-2013, acrilica st, 100x 150Flores coloridas, 2013

Juliana Marcante (Brasil, contemporânea)

acrílica sobre tela, 100 x 150 cm