Tombo, poesia infantil de Maria Dinorah

8 09 2010
Pato Donald leva um tombo, ilustração Walt Disney.

Tombo

                                             Maria Dinorah

 

A rua ri

de meu tombo.

Henrique

ri que se rola.

João se rola de rir.

Levanto

meio sem jeito

e rio

riso sem graça,

enquanto,

de tanto riso

se sacode toda a praça!

Em: Poesia fora da estante, Ed. Vera Aguiar e Simone Assumpção, Porto Alegre, Projeto: 2007

 

 

 

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Maria Dinorah Luz do Prado (Porto Alegre, 1925 — Porto Alegre, 2007) professora e escritora de livros infanto-juvenis.  Escreveu aproximadamente cem títulos.

Algumas obras:

Alvorecer

Boi Boá

Bom-dia, Maria

A caranguejola do Zeca e outras estórias

O Cata-vento

Chapéu de vento

O coelho Dim-dim

Coração de papel

A coragem de crescer

Coragem de sonhar

O desafio da liberdade

Dobrando o silêncio

Dom Gato

Ensinando com poesia

A Fábrica das gaiolas

Felpudo e olhogrande

Festa no Parcão

A flauta do silêncio

A flautinha do Pirulin

O galo superdotado

A gaitinha do sseu Zé

Os gêmeos

Geometria de sombra

Giroflê giroflá

Guardados de afeto: repensando a alfabetização

Histórias de fadas e prendas

Hora nua

Iara Aruana

A lagoa encantada

O livro infantil e a formação do leitor

O livro na sala de aula

O macaco preguiçoso e outras estórias

Mata-tira-tirarei

A medida do sorriso

Menino na avenida

Meu verde mar azul

O ontem do amanhã

Um pai para Vinícius

Panela no fogo, barriga vazia

Piá também conta causo

Pinto verde e outras estórias

Pitangas e vaga-lumes

O poema da flor

Poesia Sapeca

Pra falar de amor

Quando explodem as estrelas

Que falta que ela nos faz

A Semente Mágica

Seu Zé

Simplesmente Maria

Solidão e mel

Tem que dar certo

O Território da infância

Três voltas de ciranda

Uma e una

O ursinho azul

Ver de ver

Verso e reverso: poemas de Natal

Vinte pontos de uma vez

O vôo do pássaro e  outras histórias





Lembranças de alguns SETES de SETEMBRO

6 09 2010

 3º REGIMENTO DE CARROS DE COMBATE levando o pavilhão nacional. Parada de 7/09/1969 em frente ao Ministério do Exército, antigo Ministério da Guerra, Rio de Janeiro. Foto: Exército Brasileiro. [http://www.defesanet.com.br/history/m-3.htm]

Até os meus nove anos, o feriado da Independência do Brasil trazia a invariável recordação de muito calor, sol a pino, uso obrigatório de chapeuzinho de palha, fome, sede, irritação, nervos a flor da pele e grande incômodo ao chegar em casa, com a minha pele muito clara, queimada, vermelha, a pinicar pelo resto do dia.  Não era conseqüência de uma ida à praia.  Não. Praia era coisa corriqueira aqui no Rio de Janeiro, para os fins-de-semana comuns do resto do ano, gastos com manhãs no Arpoador, onde o mar, com ondas baixinhas, era próprio para crianças.  As memórias do incômodo apontam para papai que sempre nos levava para ver a parada de Sete de Setembro, no centro da cidade.

Todo ano era a mesma coisa: garrafa térmica com água e lanchinho na merendeira escolar: uma caixinha miniatura de passas sem caroço.  E lá partíamos nós para observar o interminável desfilar de soldados, militares, ex-combatentes, tropas da Marinha, do Exército, da Aeronáutica.  Vinham canhões.  Passavam sobre nossas cabeças aviões fazendo malabarismos.  Do desfile eu só gostava mesmo da cavalaria e principalmente dos Dragões da Independência.  Ah, como eram bonitos!  E elegantes!  E o pelo de seus cavalos tinha um lustre dourado, um brilho cuidadosamente obtido pelo escovar e tratar do pelo.  Eram magníficos.  Mas custavam a chegar, se não me engano eles fechavam o desfile…

Meu pai deveria ter ido à guerra.  À Segunda Guerra Mundial.   Mas era muito míope, demais mesmo.  Ficou por cá.  Trabalhou na censura de cartas dos Correios e Telégrafos,  já que lia fluentemente o alemão, além do inglês e francês.  Na minha imaginação, ele trabalhou muito bem, como parte da “resistência brasileira.”  Mas pai é sempre herói para filha encantada…   Hoje, no entanto, olhando para trás, acho que sua empolgação com a parada de Sete de Setembro tinha muito a ver com isso.  O não ter ido lutar na Itália.  O saber de amigos e companheiros perdidos em solo europeu. 

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Periscópio de papelão e espelhos.

De todo o evento, no entanto, o que mais me atraía, e acabava me seduzindo a voltar no próximo ano, eram os periscópios que levávamos.  Eu era fascinada com o objeto.  Como uma caixa de papelão, comprida, aberta nas pontas, com um espelho em cada lado, podia me mostrar o que se passava lá na frente, além daquele mundaréu de gente que obstruía a visão das tropas desfilando?  Como funcionava?   Eu gostava tanto da peça que já maiorzinha, abdicava em favor do meu irmão do meio, a montaria nos ombros de papai, para melhor me posicionar para o desfile.  A grande fascinação vinha ao descobrir que a caixa era vazada, e não tinha motor!   E eram bonitos os nossos periscópios, provavelmente comprados em camelôs especializados na data, porque tinham uma bandeirinha do Brasil colada em duas faces diferentes das caixas…  Eram especiais! 

De volta à casa, depois das paradas, os periscópios rolavam ainda por aqui e ali, ao longo do dia, antes que mamãe — que nunca nos acompanhava — desaparecesse com eles, sabe-se lá para onde.  Mas nesse ínterim brincávamos de guerra — eu e meu irmão —  cada qual com seu submarino imaginário, escondidos por trás do caimento da toalha, ao redor da mesa  ainda posta do almoço, enquanto os adultos, pai, mãe, avós se deliciavam com um cafezinho e jogavam conversa fora.   Lembrei-me dessas brincadeiras quando vi há uns poucos dias a ilustração abaixo, que trouxe essa enorme onda de memórias…  Ah! o poder das imagens!

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2010

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O medo, poesia de Henrique Simas

3 09 2010

O grito, 1893

Edward Münch ( Noruega, 1863 – 1944 )

óleo, têmpera e pastel sobre papelão

91 x 74cm

Galeria Nacional, Oslo, Noruega

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O medo

Henrique Simas

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É o gigante da alma que me segue

Marcando-me por dentro, todo e sempre

(Como os sonhos, os donos de mim mesmo).

Não consigo afastá-lo do caminho;

Pergunto-me, duvido, adio, fujo

Conhecendo-me nunca intimamente.

São dezenas de sonhos, são projetos

De rasgos voluntários sem começo,

São estrelas perdidas no escuro

De uma infância culpada do presente,

Cordilheira dos Andes do futuro.

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Em: Horizonte vertical, Rio de Janeiro, Olimpica: 1967, p.25

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Henrique Simas ( Belém, PA, 1922) poeta, diplomado em direito, professor e advogado.

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Obras:

Instabilidade do canto, poesia, 1963

Horizonte Vertical, poesia, 1967

1949 não terminou, prosa, 1977

Cresce menino cresce, prosa, 1989

Encantamentos, 1994

Branca de Neve, prosa, 1999





Amo o Brasil, poesia de Bastos Tigre para a semana da pátria

31 08 2010

Mickey e Pateta vão ao Brasil, Ilustração Walt Disney.

 

Amo o Brasil

                                     Bastos Tigre

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Amo este céu constelado

Céu do Brasil — manto azul —

Sobre ele, em ouro bordado,

Vê-se o Cruzeiro do Sul.

Amo estas matas virentes

Verdes, de eterno verdor

Onde há frutos recendentes,

De delicioso sabor.

Amo esta água cristalina

Dos rios, viva, a correr,

Fazendo mato e campina

Serra e vale florescer.

As belas árvores amo,

Povoadas de passarinhos,

Onde a vida em cada ramo

Palpita em flores e ninhos.

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Água e mata, céu e terra

Flores do campo gentis,

Amo tudo quanto encerra

Meu grande e belo País.

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Amo as amáveis cantigas

Que ouvi, criancinha, a cantar,

 Em doces vozes amigas,

No berço me acalentar.

Amo a nossa gente boa

Feita só de coração,

Que, por vingança, perdoa

E esquece por compaixão.

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Amo os nomes bem-fadados,

Dos que lutaram por nós;

Dos nossos antepassados,

Avós dos nossos avós.

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Poetas, sábios e guerreiros

Que a história em seus livros traz,

Nobres heróis brasilleiros

Grandes na guerra e na paz.

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Em tudo que amo e bendigo

A minha pátria se vê.

Amo, porque amo!  Não digo

Nem que me perguntem por quê.

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Amo os meus pais.  Necessito

Dizer por que amo os meus pais?

Assim proclamo, assim grito:

Amo o Brasil!  Nada mais.

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Sinto-o em mim, no mais profundo

Da minh’alma juvenil.

Adoro a Deus; e no mundo

Amo, adoro o meu Brasil.

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Em: Antologia Poética, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982

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Que lembranças você deixará para os seus sobreviventes?

30 08 2010

Gerânios em potes, ilustração sem nome do autor.

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Recentemente participei de uma reunião de família lembrando a data de aniversário de uma tia que se estivesse viva faria cem anos. Duas gerações se recordaram de momentos em que tia Maria-Emília havia tido um papel importante: por um gesto, uma palavra, uma série de atitudes; por seus quitutes – Quadradinhos Norma, de longe o favorito da família: certamente o meu, além de suas Barquetes de queijo. Depois de algumas semanas desse encontro, nem sei a razão, vim a me lembrar de outra faceta, outro aspecto de sua influência nas minhas memórias, que não cheguei a relatar naquela noite: o seu jardim, mais especificamente seus gerânios.

Essa foi a minha única tia que morava em casa com jardim. Cidadã urbana, crescendo no Rio de Janeiro, num edifício de apartamentos, jardins sempre foram, para mim, entidades de outro mundo, mantidas por jardineiros, mais ou menos capazes, que dobravam como porteiros, ou vice-versa. Sempre gostei de jardins, mas sua manutenção era algo altamente misterioso.

Um dos meus primeiros encontros com os mistérios do jardim de tia Maria-Emília foi quando, aluna da terceira série, tive como dever de casa levar uma plantinha para a sala de aula, colocá-la na janela e cuidar dela. Já tínhamos a essa altura, criado feijão em algodão molhado, e batatas doces em água, cujas folhas caíam felizes de vasos pendurados na parede da escola. Com o novo projeto em mente rumamos, mamãe e eu, à casa de titia. Lá, encantada com as avencas, plantinhas mimosas que cresciam na pedra úmida do morro por trás da casa, recebi das mãos de minha tia meu primeiro projeto de jardinagem. Foram na verdade três avencas levadas para a escola em sucessivos projetos de jardinagem frustrados. Consegui matar a todas três durante o ano letivo. Mamãe já estava sem graça de pedir mudas à minha tia… Paramos o projeto. Papai me arranjou um cacto que não cresceu nem morreu. Simplesmente existiu pelo resto do ano. Achei daí por diante que não tinha muita afinidade com jardins além de apreciar sua sombra, suas flores e seus perfumes. Isso eu sabia fazer!

Das curiosidades marcantes do jardim de titia havia a abundância das flores azuis da Bela-Emília, arbustos que ladeavam a escada de entrada. Até hoje, quando passo pela praça Antero de Quental no Leblon e vejo Belas-Emílias florindo em profusão passa-me pela mente a casa de titia. Havia também uma grande bananeira na frente da casa – só decorativa: um leque gigante de plumagem verde, cujos frutos não eram comestíveis e um cantinho, numa jardineira alta, fazendo divisa com a casa ao lado, onde titia plantava gerânios: coloridas bolotas de flores vermelho alaranjadas. Como eu gostava daquelas flores e de seu perfume!

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Cartão Postal de felicidades, originário da Holanda

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Minha tia Maria-Emília visitou a Europa comigo. Não fisicamente. Mas esteve presente nos meus pensamentos quando passei pelos Alpes austríacos, onde, num início de primavera, muitas jardineiras, penduradas logo abaixo dos peitoris das janelas, apareciam cheias de gerânios. Essas flores arredondadas ajudavam a decorar as casas de madeira do Tirol, feitas já bastante alegres pelas pinturas de guirlandas coloridas em seus exteriores. Nessa mesma viajem, mais tarde, quando atravessei para a Itália, logo apareceu tia Maria-Emília, de novo, apreciando comigo os gerânios que cascateavam pelas paredes de estuque antigo, caindo das sacadas de Veneza.

Quando finalmente tive minha primeira casa com jardim, na época em que morei nos Estados Unidos, resolvi logo, logo, plantar gerânios em vasos de barro colocados em pontos de grande visibilidade na varanda de madeira — um deck – que arrematava os fundos da casa e de onde podíamos inspecionar o quintal. Gostaria naquele momento de ter tido o conselho de tia Maria-Emília. Principalmente depois que descobri ser alérgica ao gerânio. Alérgica ao óleo perfumado de suas folhas aveludadas. Alergia de contato, só. Facilmente resolvido com um par de luvas ou até mesmo, quando o desejo de tocar na maciez de suas folhas arredondadas e crespinhas na borda me tiravam do sério, com uma lavagem das mãos, rápida, com sabonete, imediatamente depois do toque sedutor. Mesmo assim, insisti nesse passatempo. Mas o gerânio não se dá bem durante o inverno americano. Deixado do lado de fora, morre com o frio. Trazido para dentro de casa, tampouco sobrevive, não recebe luz suficiente pelos meses de outono/inverno para permanecer saudável. Não tinha jeito.

Essas lembranças me assaltaram quando decidi, recentemente, no meio de uma noite mal dormida, com algumas horas em claro, na madrugada carioca, colocar alguns gerânios no peitoril da janela de meu quarto. Tenho certeza de que esta decisão me levará a lembrar daqueles ótimos momentos de uma infância feliz e despreocupada, e muitas vezes ainda me lembrarei de minha tia.

Nunca sabemos pelo que seremos lembrados depois de nossa morte. Nem se chegaremos a ser lembrados — bem ou mal —     pelas pessoas que nos conheceram.  Dizem que continuamos vivos enquanto somos lembrados pelos que aqui ainda se encontram. Às vezes achamos que seremos lembrados por alguns ditos, por nossos escritos, mas raramente imaginamos que nossos pequenos projetos sejam causa das recordações que deixamos para trás.  Mas acredito que é o que se faz com paixão, por puro prazer, aquilo que nos imortaliza, nem que seja por uma ou duas mais gerações.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2010





Cantiga — poesia infantil de Maria de Sousa da Silveira

16 08 2010
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Cantiga

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                                                                Maria de Sousa da Silveira

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Ô peixe, peixinho,

Me ensina a nadar,

Quero ver belezas

Do fundo do mar.

Vem tu, passarinho,

As asas me dar

Para eu ir bem alto

A voar, voar.

Já estou enjoado

De na terra andar;

Novas aventuras

Eu quero tentar.

Não, não, ó peixinho,~

Não quero nadar;

Pesacdor malvado

Me pode matar.

Não, não passarinho,

Não quero voar;

Caçador malvado

Me pode matar.

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É melhor na terra

Eu querer ficar,

E com o que tenho

Eu me contentar.

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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

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Maria de Sousa da Silveira (`Petrópolis, RJ 1914).  Curso o Colégio Sion no Rio de Janeiro.  Poeta principalmente de poesias infantis.

Obras:

A Coelhinha Branca

O País Encantadoda Robustez e do Bom Humor

O casaco do vovôzinho

As quatro meninas

Um sonho extraordinário

A famílias rezende, prosa

Para gente miúda recitar, poesia

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Quadrinha infantil da galinha

14 08 2010

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Logo que bota seu ovo,

A galinha, que é a tal,

Para fazer propaganda

Arma um barulho infernal.

(Walter Nieble de Freitas)





A língua do Nhem — poesia infantil de Cecília Meireles

6 08 2010

 

 

 Ilustração, Maurício de Sousa.
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A língua do Nhem

                                         Cecília Meireles

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Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também

a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

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Em: Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:

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Veja este poema musicado numa animação infantil em homenagem à maturidade, com poesia de Cecília Meireles e música de Dércio Marques.

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Quadrinha infantil para o Dia dos Pais

4 08 2010

Pai – nome bem pequenino

Que encerra tanto valor:

Traduz confiança, carinho,

 Força, bondade e amor.

(Walter Nieble de Freitas)





História, poema para a infância de Álvaro Moreyra

2 08 2010

 

Cartaz do 1º centenário da Independência do Brasil.

História

                                                                      Álvaro Moreyra

Dom Pedro Primeiro

chegou de viagem

e trouxe o Brasil.

Foi lá no Ipiranga,

Foi lá em São Paulo,

que ele gritou, ( Deus!)

que tudo era nosso,

que tinha de ser

Brasil brasileiro!

Brasil enfeitado

de verde e amarelo,

no campo, no mato,

no rio, no mar,

e lá na montanha!

Brasil namorado

chamando outras raças

para amart e criar

a raça mais linda

de todo esse mundo!…

Em: Poesia brasileira para a infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968

 

Álvaro Maria da Soledade Pinto da Fonseca Velhinho Rodrigues Moreira da Silva, ou simplesmente Álvaro Moreyra (Porto Alegre, 23 de novembro de 1888 — Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1964) completou o curso de ciências e letras (1907). Em 1908, iniciou-se no jornalismo, participando da vida literária. No Rio de Janeiro (1910), entregou-se ao jornalismo na redação do “Fon-Fon“, a revista que atuava no Simbolismo. Diplomou-se em direito (1912). No terreno propriamente teatral, fundou, junto com Eugênia Moreira, o “Teatro de Brinquedo”. Membro da ABL, contista, poeta, teatrólogo, comentarista de rádio, jornalista.

NOTA: Modificou voluntariamente o longo nome de família para Álvaro Moreyra, com y, para que esta letra “representasse as supressões” destes nomes.

Obras :

A Boneca Vestida de Arlequim,  1927  

A Cidade mulher , 1923  

A Dama de Espadas , 1945  

A Lenda das Rosas, 1916  

Adão, Eva e Outros Membros da Família, 1929  

As Amargas, Não , 1954  

Casa Desmoronada , 1909  

Cada um carrega o seu deserto, 1994

Circo , 1929  

Cocaína, 1924  

De Volta da U.R.S.S. , 1937  

Degenerada,  1909  

Elegia da bruma , 1910  

Família Difini – 100 Brasil, 1988

Havia uma Oliveira no Jardim, 1958  

Legenda da luz e da vida, 1911  

Lenda das rosas, 1916

O Brasil Continua, 1933  

O Crime de Silvestre Bonnard , 1963  

O Outro lado da vida , 1921  

Os Dias nos Olhos , 1955  

Os Moedeiros Falsos , 1939  

Porta Aberta , 1944  

Semeadores de Gloria; Memorias de  1939  

Tempo Perdido , 1936  

Um Sorriso para Tudo,  1915