São Paulo, texto de Luiz Marcondes Rocha

17 08 2013

Manoel Costa,Colheita de café,1984,ose, 55 x 46 cmColheita do café, 1984

Manoel Costa (Brasil, 1943)

óleo sobre eucatex, 55 x 46 cm

 São Paulo

Luiz Marcondes Rocha

A cidade de São Paulo continuava nesse período a crescer industrialmente. Houve, na segunda metade do mandato presidencial de Prudente de Morais, uma queda vertical do preço do café. SE em 1889 o preço médio de uma saca de 60 quilos era de quatro libras, caíra a uma libra e meia em 1897. A responsabilidade da crise era atribuída ao aumento da produção, pois que, de 1889 a 1897, passou de quatro para oito milhões de sacas numa produção mundial de doze milhões.

Essa crise, se embaraçou em parte o desenvolvimento industrial de São Paulo, não o paralisou de todo. É que já se consolidavam as condições iniciadas em 1886, com a estruturação, embora incipiente, de um comércio interno crescente ano a ano, proporcionando avanços sucessivos  do setor de indústrias, ainda que sem uma ordenada orientação. Entre essas condições, destacava-se o fato de ter o Estado se ter transformado no maior produtor de café do mundo, bem como o aumento progressivo da população, vegetativo e imigratório. Destaque-se ainda o trabalho assalariado e o nível, embora não muito elevado, mas bem superior ao negro escravo, do padrão de vida do italiano imigrante.

A mentalidade progressista aqui formada tinha a sua origem na ambição que vinha das Bandeiras, levando o bandeirante heróico aos riscos e tocaias dos sertões, à cata de índios para vendê-los e à busca do ouro imaginando e executando o comércio mais rendoso do que as circunstâncias lhe permitiam, sem  se atemorizar dos perigos das florestas traiçoeiras. A ambição do estrangeiro, que aqui aportava não trazendo nada, mas com grande disposição para o trabalho e encontrando um ambiente de igualdade e uma riqueza em pleno desenvolvimento, unia-se ao espírito do paulista, ajudando a apressar a grande marcha do maravilhoso desenvolvimento.

. . . . . . . . . . . . . . . . . .

O empreiteiro era em geral pessoa experimentada, com bons conhecimentos da lavoura e que se encarregava, mediante contrato, da derrubada de matas virgens e da plantação de novos cafezais.

Com o dinheiro economizado, oriundo das empreitadas, o empreiteiro adquiria terras e se incluía no rol dos pequenos proprietários, iniciando a sua própria fazenda.

Pagava-se em média, para formar um cafezal, quatrocentos réis  por pé, pertencendo ainda o fruto do quarto ano ao empreiteiro. Em pouco tempo se transformavam duzentos alqueires  de terra bruta em uma fazenda de 200 mil pés-de-café.

Em: Café e Polenta:romance histórico, Luiz Marcondes Rocha, São Paulo, Martins: 1964, pp.55-56

Luiz Marcondes Rocha (Brasil, ? -? ) advogado, formado pela Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo em 1938. Escritor.

Obras:

Café e Polenta: romance histórico, 1964

A luta econômica do brasileiro, 1967

Maria Rica, s/d





Natureza maravilhosa — mariposa amazônica [Myonia graba]

16 08 2013

Erbessa graba 5628-001aFoto: © Adrian Hoskins

Myonia graba é uma borboleta descrita pela primeira vez em 1899 por Druce.  Habita florestas tropicais encontradas em alturas de 200 a 800 metros.  Essas mariposas são naturais da região amazônica e dos Andes aparecendo  na Colômbia, Equador, Peru e Brasil.

Fonte: Learn about butterflies




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

13 08 2013

pato e galinhaIlustração do livro Chicken Little, M. A. Donohue & Company: Chicago & New York. 1919.

“Galinha que acompanha pato, morre afogada.”

Ilustração encontrada em  Elephant advice.




Por que o brasileiro está longe dos livros?

10 08 2013

Cyril Edward Power, (1872-1951)Tube, 1934, linocut,“Tube” [metrô], 1934

Cyrill Edward Power (Inglaterra, 1871-1951)

gravura em linóleo

Então, do Pará ao Rio Grande do Sul, o brasileiro lê em média 6 minutos por dia. É uma constatação devastadora.  A pesquisa, feita pelo IBGE, como noticiou o jornal O Globo ontem, mostra que lemos 5 vezes menos por dia do que os americanos durante a semana e 6 vezes menos do que eles durante o fim de semana.  Essa leitura inclui qualquer leitura. Não estamos falando simplesmente de romances, de entretenimento.  Dedicamos muito pouco tempo à leitura de qualquer coisa: jornal, texto científico, romance, texto histórico, matemático, poesia, ciências naturais, físicas, qualquer coisa, provavelmente até livros de culinária.

Agora, como é que queremos ir para frente?  Progredir?  Tornar este país competitivo?

Vejo com frequência nas redes sociais um enorme ressentimento contra os nossos vizinhos do norte, os americanos porque “querem dominar o mundo” culturalmente.  Mas, eles pelo menos se dedicam a aprender, a ler, a explandir os conhecimentos.  Domínio cultural, através de filmes, de livros, de programas de televisão acontece mesmo.  É subproduto de um país que se dedicou a uma educação generalizada para toda a população, de uma cultura que se dedicou ao estudo e à leitura.  De um país que dá todo o apoio possível à criatividade quer ela seja científica ou não.  Somos levados no cabresto por eles, sim, culturalmente.  Mas para lutar contra esse domínio, não adianta sair às ruas, nem pedir dinheiro para o governo bancar projetos culturais.  Porque os brasileiros nem sequer sabem da importância desses projetos.  Não sabem porque não lêem.  E niguém nasceu sabendo. E a única maneira de se complementar o que se conhece, o que se sabe é lendo.

Não é culpa da internet.  Hoje para se usar a internet, para se construir uma base de conhecimento que possa levar ao manuseio da internet, da cultura virtual, não se pode ser unicamente um usuário, um visitante das páginas sociais e bater papo com os amigos.  É um erro pensar que visitar os amigos nas redes sociais é dominar a internet, que é progresso.  Para que possamos realmente fazer uma contribuição para o mundo virtual, é necessário saber como virar esse conhecimento técnico a nosso favor.  E no entanto, sem ler, não chegaremos lá.

Não lemos. Portanto não expandimos os nossos cérebros, não aumentamos o nosso conhecimento pragmático ou emocional.  Estamos nos tornando, em passos rápidos, uma cultura de zumbis, de não pensadores.  Em compensação gostamos de vegetar em frente da televisão. 85% do tempo livre dos brasileiros é gasto em frente da televisão. Deixamos assim que outros pensem por nós.

Há horas que dá muito desânimo.

Fonte: Brasileiro passa muito tempo longe dos livros, O GLOBO





Na ribeira deste rio, poema de Fernando Pessoa

9 08 2013

Archimedes Dutra,Pescador na beira do rio,1932,ost, 27 x 35 cmPescador na beira do rio, 1932

Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983)

óleo sobre madeira, 27 x 35 cm

Poema

Fernando Pessoa

Na ribeira deste rio

ou na ribeira daquele

passam meus dias a fio.

Nada me impede, me impele,

me dá calor ou dá frio.

Vou vendo o que o rio faz

quando o rio não faz nada.

Vejo os rastros que ele traz,

numa sequência arrastada,

do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando,

nem bem no rio que passa

mas só no que estou pensando,

porque o bem dele é que faça

eu não ver que vai passando.

Vou na ribeira do rio

que está aqui ou ali,

e do seu curso me fio,

porque, se o vi ou não vi,

ele passa e eu confio.

Em: Antologia poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, p. 150-151.





O que é um sucesso editorial no Brasil?

9 08 2013

Yan-Nascimbene-19 Yan Nascimbene

Ilustração Yan Nascimbene.

Nesta semana o jornal gaúcho Zero Hora publicou duas matérias de interesse para quem se preocupa com a baixa taxa de leitura no Brasil.  O foco de ambas as publicações foi o número de volumes impressos por título.  Nos grandes centros do Brasil, parece que a leitura anda aumentando.  Cá pela zona sul do Rio de Janeiro, ir a uma livraria no fim de semana é ocasião certa de encontrar dezenas de pessoas se acotovelando, como se livros estivessem sendo distribuídos gratuitamente.  Além disso, podemos ter a certeza de encontrar casualmente vizinhos, amigos, colegas de trabalho que, sem combinação prévia, acabam emendando a compra de um livro em um bate-papo informal no café da livraria ou no café mais próximo.  Quer a livraria fique num shopping ou tenha portas abertas para a rua, o burburinho no local é de aquecer o coração de quem se preocupa com a educação brasileira.

Mas observando o número de exemplares publicados nas nossas edições de sucesso, os números parecem ridiculamente pequenos para o tamanho da nossa população.  As maiores tiragens de livros no país são de 600.000 – seiscentos mil – volumes.  Nesse nicho ficam os autores de grandes vendas internacionais como a trilogia iniciada com o volume 50 tons de cinza de E. L. James. O último volume da trilogia, 50 tons de liberdade, já saiu com mais de 500.000 – quinhentos mil —  exemplares impressos. Parece muito não é mesmo?  Mas somos 197.000.000  — cento e noventa e sete milhões – 600.000 exemplares são equivalentes a  ⅓ de 1%.  Parece insignificante.  E essa é a maior tiragem de um livro no Brasil.  Triste.

adam_pekalski menino dragãoIlustração Adam Pekalski.

Grandes sucessos editoriais de autores brasileiros têm ainda menores tiragens.  Aqui focamos nos brasileiros. Os dois títulos de maior tiragem são elevados pelas religiões em que se firmam.

Ágape, do padre Marcelo Rossi – 500.000

Casamento blindado de Cristiane e Ricardo Cardoso – filha e genro do Bispo Edir Macedo – 230.000

Só depois é que encontramos o mega-seller Laurentino Gomes.

1889 – tem edição de 200.000

Seguido por:

Manuscrito encontrado em Accra de Paulo Coelho  — 100.000

Luís Fernando Veríssimo – novo título ainda não divulgado – sairá com 100.000 também

Carcereiros de Dráuzio Varella – 80.000

Guia politicamente incorreto da filosofia – Luís Felipe Pondé – 50.000

A graça da coisa de Martha Medeiros – 50.000

Mas há também o que poderíamos chamar de círculo vicioso.  De acordo com o Consultor Editorial Carlos Carrenho, as tiragens grandes não refletem só a expectativa das editoras.  As livrarias também preferem os livros com maior tiragem.  De acordo com ele “A primeira coisa que as livrarias perguntam é qual a tiragem inicial. Usam a informação para avaliar o tamanho da aposta naquele título.”

Assim fica difícil quebrar barreiras.  Se as livrarias não estão interessadas em tiragens menores, como pode o autor aumentar as suas vendas até que consiga um número razoável em volume de venda?  Porque diferente de outros países as nossas editoras não se dedicam a promover os títulos que publicam.  Comparo com os Estados Unidos, onde morei por muitos anos, e não vejo por aqui a dedicação que as editoras de lá dão ao promover os livros que publicam.  É claro que lá também se pede muito dos escritores.  Eles viajam de uma costa a outra do país dando entrevistas e se encontrando com leitores em livrarias, cafés, grupos de leitura, exaustivamente.  Isso não vejo acontecer por aqui fora do eixo Rio-São Paulo.  Ocasionalmente sim, mas não regularmente.

Temos ainda muito o que fazer no Brasil.

FONTES:

Saiba quais são os livros de maior tiragem no Brasil

Tiragens iniciais gigantescas de livros indicam tendências de mercado e estratégia de vendas





Quadrinha para o Dia dos Pais

8 08 2013

papai e filhinha

Dia dos Pais,  eu  desejo

que seja um dia de brilhos,

que a brisa leve o meu beijo

a  cada  pai  e  seus filhos!

(Delcy Canalles)





A realidade supera a imaginação: “A vida não é justa” de Andréa Pachá

7 08 2013

gaudi_mainFachada da Casa Batlló, construída em 1875-1877

Reformada por Gaudí entre 1904-1906

Antoni Gaudí (Espanha, 1852-1926)

43 Paseo de Grácia, Barcelona, Espanha

No Ano Novo, uma decisão que parecia pequena e inconsequente: ler mais não-ficção durante o ano acabou sendo, de todas as decisões que tomei e que ainda espero cumprir, a que mais tem-me agradado e já penso em repeti-la, porque há momentos, como da leitura de A vida não é justa de Andréa Pachá, juíza da 1ª Vara de Família de Petrópolis, em que o contato com o mundo real, além da ficção, tornou-se muito prazeroso.

Neste pequeno livro de vinhetas  jurídicas, vemos a crônica do dia a dia brasileiro e com ela delineia-se um retrato da criatividade nativa quando a tarefa é encarar os tropeços da vida. A narradora, a juíza, tem um toque suave na linguagem, acarinhado por humor comedido e afável no relato dessas fatias de vida real.  Mas acima de tudo Andréa Pachá tem compaixão.  E por causa disso, muitos dos casos, que, de outra feita, poderíamos ignorar passando os olhos superficialmente, tornam-se pontos de apoio para a reavaliação da nossa gente,  do nosso sistema de valores, da nossa brasilidade.  Estamos a nos olhar no espelho.  E a surpresa é boa, muito melhor do que o esperado.

a_vida_nao_e_justa_-_capa_frente_1

Depois dessa leitura parece que a realidade é mais fantasiosa do que a imaginação dos romancistas. No entanto, o escritor, qualquer escritor de ficção, é uma só pessoa e tem como limite sua experiência. Na leitura dessa coleção de crônicas, com cada página virada, vemos uma miríade de comportamentos que retratam variadas narrativas de vida; uma pluralidade de soluções, por vezes desencontradas, mas vividas por personagens reais, cada  qual  interpretando a vida com seu próprio vernáculo.O resultado final para o leitor é ser testemunha, junto com Andréa Pachá, da imensa riqueza do comportamento humano, além da profunda solidão encontrada no âmago de todos nós.

andrea_pachaAndréa Pachá

A metáfora que encontrei para descrever o resultado da leitura foram as fachadas dos prédios do arquiteto espanhol Antoni Gaudí, cuja Casa Batlló ilustro acima.  Formadas por mosaicos de objetos nem sempre belos (garrafas, cacos de vidro, cacos de cerâmicas, canecas, pratos de louça do diário) essas fachadas tornam-se padrões de beleza universal quando assimiladas, em conjunto, e superpostas de maneira estética.  Assim também vi a nossa gente, o nosso  povo retratado por Pachá. Nem sempre tomadas individualmente essas pessoas são belas, por dentro. Mas cada qual com sua maneira de viver, de sofrer, exerce a atividade mais cara que nos é dada, a liberdade de interpretação da vida: pode ser a mulher que por seguir os preceitos de sua nova fé não se aninha mais na cama do marido, ou o amigo de uma mãe solteira que adota o filho dela como seu, sem compromisso matrimonial. As razões e as soluções são inesperadas, às vezes deselegantes, frequentemente inacreditáveis, mas o resultado no todo é belíssimo. Triste. Mas belo. E me deu o que às vezes tem-me faltado: confiança no ser humano. Fé em um futuro melhor. Imprevisível, mas provavelmente melhor.





Quadrinha do bom pintor

5 08 2013

pintor, patetaPateta vira pintor, ilustração Walt Disney.

O bom pintor, quando pinta

para dar vida à aquarela,

põe mais amor do que tinta

no sentimento da tela.

(José Lucas de Barros)





Marcos de Oliveira um artista brasileiro

3 08 2013

_DSC7302 marcos de oliveiraMetamorfose II

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 160 x 200 cm

www.marcosdeoliveira.com

Acredito que tudo tem o seu tempo.  Mas hoje quase duvidei desse aforismo.  Imaginem vocês que em maio deste ano recebi, muito gentilmente, um email do ateliê do artista plástico, natural da Bahia, mas radicado em São Paulo, Marcos de Oliveira.  Este email veio assim do nada, uma surpresa, um presente.  Dava-me os links para que eu pudesse conhecer seus trabalhos, uma bela obra contemporânea.

GUERREIROS DA ANUNCIAÇÃO,AST 200X800 CM  2010 - 2012 marcis de OLIVEIRAGuerreiros da anunciação, 2010-2012

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 200 x 800 cm

www.marcosdeoliveira.com

Mas … Eu estava muito ocupada na primeira metade deste ano.  Havia começado a dar um curso novo para mim, onde recentes pesquisas, com novas dados descobertos nos últimos anos, informações interessantes, tinham que ser incorporadas às minhas poucas notas anteriores.  A preparação dessas aulas acabou tomando muito mais tempo do que eu havia imaginado. Faltou-me tempo até para o blog que costumo organizar com alguma antecedência.  O blog sofreu com um número bem menor de postagens.  Mas o curso ficou redondinho, ainda que um pouquinho mais longo do que o imaginado.

OGUM GUERREIRO,AST 200X160CM SPmARCOS DE OLIVEIRAOgum Guerreiro

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 200 x 160 cm

www.marcosdeoliveira.com

Aí hoje, decidi que era a hora de mostrar a todos alguns trabalhos do Marcos de Oliveira.  Eu me lembrava dele.  Não só porque gostei das telas, mas porque coloquei uma foto de uma das telas dele numa pasta do Windows que abro pelo menos uma vez por dia.  Mas quem disse que eu encontrava o resto das informações? Procurei nas minhas 5 pen drives com imagens de telas, esculturas, etc (ou vocês acham que eu procuro na hora de postar alguma coisa?) Tenho tudo muito organizado porque é muita informação e pouca memória.  Mas quem foi que disse que eu achava?  Achei muita coisa que eu deveria ter deletado há tempos. É como  voltar ao passado, organizando antigas gavetas de papelada:  ideias de artigos, comparações entre uma obra de arte e outra…  Notas sobre um futuro curso, uma futura coleção disso ou daquilo…  Enfim, entrei numa revisão total dos últimos 5 anos de blogagem.,,, E achei!

Obra , Guerreiro Jorge , ast 120x200cm -sp  Coleção Metropolis Tv cultura -spmarcos de oliveiraGuerreiro Jorge

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 120 x 200cm

Coleção Metrópolis TV Cultura, SP

www.marcosdeoliveira.com

E fiquei muito feliz de ter achado porque gostei imensamente de seu trabalho.  Gosto de ver as soluções que ele encontrou.  É evidente que esta é uma pessoa que já digeriu muita informação artística e conseguiu uma solução criativa, única, que leva a sua assinatura, por assim dizer, entre o abstrato e o figurativo.  Se estivéssemos ainda no século XX poderíamos chamá-lo de neo-surrealista.  Mas hoje, na segunda década do século XXI, qualquer denominação de “surrealismo” considero anacrônica.  É também desnecessário rotular.  Além disso, gosto da sua sofisticação no traço e no acabamento.

A METAMORFOSE DO SER,AST 100X190CM Marcos de OliveiraA Metamorfose do Ser

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 100 x 190 cm

www.marcosdeoliveira.com

Só de flanar virtualmente entre as peças no site e no blog dá para perceber algo de sua trajetória.  As cores fortes contrastam com a delicadeza dos detalhes geométricos, onde alguns triângulos até conseguem projetar sombras, como na tela acima.  Tudo indica que Marcos de Oliveira se sente confortável, nesse caminho do meio, entre telas de temática mais abstrata, representando engrenagens de máquinas imaginárias,  como na Metamorfose II (primeira tela desta postagem), como também na execução de telas tradicionalemnte associadas à figura humana como a Madona, abaixo.

MADONNA,AST 200X120 CMMadona

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 120 x 200 cm

www.marcosdeoliveira.com

Há leveza e deliciosa jocosidade nessa Madona, cujos anjinhos e ela própria lembram as enigmáticas imagens das cartas nobres dos baralhos.  Sem deixar as raízes religiosas e também folclóricas dos seus temas, Marcos de Oliveira encontra uma iconografia própria. Ele consegue inserir o seu trabalho numa tradição brasileira, e dialoga com Tarsila do Amaral, Djanira e até mesmo com Rubem Valentim.  E sobretudo encontra e honra o seu próprio caminho.

OGUM, ACRÍLICA SOBRE TUBO DE CARTÃO ,128X25X25 CMOgum

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrilica sobre tubo de cartão, 128 x 25 x 25 cm

www.marcosdeoliveira.com