Manoel Martins Menacho (Brasil, 1926-2011)
óleo sobre tela, 40 x 60 cm
Ilustração Liska Piloto.
Nesses teus braços aperta
aquele que queiras mais
a morte é tortura certa
a vida é gozo fugaz…
(Gilka Machado)
A travessia de Caronte, 1919
José Banlliure y Gil (Espanha, 1855-1937)
Óleo sobre tela , 176 x 103 cm
Museu de Belas Artes de Valencia, Espanha
“Ainda persiste o hábito nas pequenas cidades do interior de colocar moedas nos olhos dos defuntos sob o pretexto de manter suas pálpebras cerradas.
O costume foi herdado dos portugueses, nos tempos coloniais, e mudou com o correr dos anos. Primitivamente se colocava um pão e uma moeda debaixo da cabeça do morto.
O pão era para mostrar que não morrera de fome. O dinheiro para entregar a São Pedro, a fim de que abrisse as portas do céu.
Os portugueses não tiraram essa superstição do nada. Veio dos gregos que acreditavam em um rio subterrâneo, separando o mundo dos vivos do mundo do além. Um cão de três cabeças, Cérbero, guardava a porta do reino da morte.
Os gregos punham moedas na boca do defunto e um bolo nas suas mãos. As moedas serviam para pagar Caronte, o barqueiro que fazia a travessia do rio. O bolo era para acalmar a fúria de Cérbero.
Como a corrupção é tão antiga quanto o homem, as famílias mais ricas enchiam a boca do finado de moedas, na suposição de que Caronte o faria passar antes dos demais defuntos.
Com o correr dos tempos, a religião dos gregos, povoada de deuses e deusas muito humanos, foi cedendo lugar a outras crenças. Mas as superstições ficaram, com algumas modificações no ritual e profunda transformação nas justificativas.”
Em: Notas curiosas da espécie humana, Jayme Copstein, Porto Alegre, Editora AGE:2002, p.108
Stella Leonardos
Foi vime que nasce à toa
Debruçado na lagoa,
Colhido de manhã cedo.
Já viu garça azul que voa,
Já viu rastro de canoa,
Já escutou vento e arvoredo.
Por isso a fragrância boa,
Esse cheiro de segredo.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.11
Édouard Manet (França, 1832-1883)
óleo sobre tela, 39 x 53 cm
Sterling e Francine Clark Art Institute, Williamstown, EUA
Yoshiya Takaoka (Japão/Brasil, 1909-1978)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Nossa homenagem a FLIP — Festa Literária Internacional de Paraty
Baía de Napoles do Posilipo, c.1770
Pietro Fabris (Itália, ativo 1740-1792)
óleo sobre tela, 75 x 128 cm
Compton Verney, GB
“Às onze horas, o trem entrava na estação de Nápoles. O frio continua forte, mas há sol em Nápoles.
“Vedere Napoli, poi morire“. Essa frase sugestiva inventada por um sentimental num belo por do sol de uma tarde de primavera, não está adequada para um frio dia de inverno como hoje. Nápoles é uma bela cidade, alegre, movimentada, cheia de vida. Tomei um automóvel e passei pelos lugares principais. As praias são bonitas, o Mediterrâneo é de um azul intenso, o porto cheio de chaminés de grandes e pequenos navios, as montanhas ao longe se confundem com o azul do céu; e de um lado, numa elevação, o Vesúvio lançava, para o ar, rolos de fumaça negra, vagaroso e concentrado, como um velho marinheiro sentado na porta de casa e cachimbando, enquanto o pensamento procura seguir o rasto da fumaça para países distantes, percorridos na mocidade. Tomei apartamentos no hotel Isotta-Genève, no quinto andar. Através da janela, vejo o Vesúvio sempre fumegando. Passei a tarde dando um passeio pelo centro da cidade e, à noite não saí. A baía é encantadora, mas quem vem do Rio de Janeiro não pode achar encantos em outras baías.”
Em: O romance de Teresa Bernard, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Ed. Brasiliense Ltda: 1945, 4ª edição, pp. 311-12
José Maria Ribeiro (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm
Maria Thereza de Andrade Cunha
Desce,
sonora
como uma prece,
que canta e chora,
a voz do sino…
Seis horas. Voa
uma ave, a toa,
sem destino!…
Na serra em frente,
languidamente,
o sol desmaia.
A brisa bole
na folha mole
da samambaia,
que se despenca
da jarra.
Uma cigarra
chia, estridente.
Virente,
um pé de avenca,
num canto escuro
do muro,
dorme tranquilo.
Cricrila um grilo.
Rosas vermelhas,
despetaladas,
tombam cansadas.
Abelhas
voam ainda,
na tarde linda.
Das trepadeiras
pendem flores
de muitas cores.
Nuvens douradas
vão apressadas,
ligeiras…
Aonde irão?
— O vento as leva;
logo, na treva,
morrerão.
Nesse momento
o firmamento
é ouro e azul.
Taful,
a ramaria,
verde, se agita.
É o fim do dia.
Que luz bendita
nos alumia!
Depois, violeta
se há de tornar
a tarde
que arde.
— Pintor
pega a palheta,
por favor,
e vá copiar
na tela
a tarde bela!
…Tão colorida
que é a vida.
Em: É primavera… escuta., Maria Thereza de Andrade Cunha, Rio de Janeiro, 1949, p.65-67.
Homem com cachorro, ilustração de 1929.