De leitura e raça, texto de José Eduardo Agualusa

4 07 2016

 

 

Henry Lee Battle (American) Girl reading, 2002Menina lendo, 2002

Henry Lee Battle (EUA, contemporâneo)

www.henryleebattle.com

 

 

“Esta deveria ser a questão central: por que não há mais negros nas plateias? A verdade é que continua a existir uma linha de cor separando aqueles que no Brasil têm acesso ao livro e a vasta maioria da população. Para formar escritores é preciso primeiro formar grandes leitores. Se queremos formar bons escritores negros teremos primeiro de formar muitos milhões de leitores negros.”

 

Em: “O arraial da branca atitude”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 04/07/2016, 2º caderno, página 2.

 

O arraial da branca atitude.

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Dona Margarida, poesia de Paulo Setúbal

30 06 2016

Humberto da costa (1948) Mulher na Sacada, o.s.t. - 27 x 22. Ass. dat 84Mulher na sacada, 1984

Humberto da Costa (Brasil, 1941)

óleo sobre tela, 27 x 22 cm

Dona Margarida

Paulo Setúbal

Conheço apenas Dona Margarida

Por tê-la visto, acaso, num salão.

Seu negro olhar, cheio de fogo e vida,

Deixava em cada peito uma ferida,

Em cada peito abria uma paixão.

E eu, como os outros, vendo-a tão querida,

Tão moça, tão formosa, tão feliz,

Trouxe comigo, na alma dolorida,

A funda mágoa, Dona Margarida,

De não ter dito o que dizer lhe quis.

Em: Alma cabocla, poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920] p. 109-110.

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Trova das nuvens

28 06 2016

 

nuvens, elizabeth shippen-greenIlustração Elizabeth Shippen-Green.

 

 

Lá no céu, nuvens brejeiras

fofocando no horizonte,

lembram moças palradeiras,

lavando roupa na fonte!

 

 

(Zeni de Barros Lana)

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Na boca do povo: escolha de provérbio popular!

28 06 2016

 

 

segredoIlustração de Walt Disney.

 

 

“O segredo é a alma do negócio.”

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Imagem de leitura — C. Sampaio

27 06 2016

 

 

C SAMPAIO - Dama em leitura, O.S.T, assinado no canto inferior direito e datado de 1989,25x20 cm.Dama em leitura, 1989

C. Sampaio (Brasil, 1941)

[Márcio Sampaio]

óleo sobre tela, 25 x 20 cm





Resenha: “A vida invisível de Eurídice Gusmão” de Martha Batalha

26 06 2016

 

 

georgina-de-albuBordando, s.d.

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela

 

 

A vida invisível de Eurídice Gusmão se passa nas décadas de 1940 em diante, no Rio de Janeiro. Eurídice Gusmão e sua irmã são mulheres que não se conformavam com a circunscrição de seus papéis atribuídos pela sociedade. Apesar de tentarem, cada qual à sua maneira, nem sempre conseguiam escapar dos destinos projetados para elas inicialmente por familiares e mais tarde por seus  maridos.   Evocativo de uma época, a obra descreve a vida de mulheres da geração de nossas avós. Eu gostaria de poder dizer que só elas, mas também descreve a de nossos pais ou de muitos dos nossos contemporâneos, porque o problema das vidas circunscritas a papeis tradicionais ainda parece enraizado em muitos cantos da nossa terra.

 

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A narrativa se concentra na história de Eurídice contrastada à da irmã, Guida, que havia buscado viver em seus termos, cortando os laços com os pais, libertando-se das expectativas deles e de todos à volta. A tentativa não durou.  E eventualmente, Guida decide pelo comprometimento de suas realizações pessoais para beneficiar a vida do filho.  O mesmo ocorreu com Eurídice, que mais tímida, menos aventureira, também se acomoda no casamento com Antenor, um bancário, bom provedor, mas incapaz de apreciar a energética e inteligente esposa que lhe coubera.  Por manter o lar para seus filhos Eurídice também se anula.  Eurídice passa a vida correndo atrás de alguma brecha que a permitisse achar maior significado em sua própria vida além daquele de mãe e dona de casa.  É frustrada em todas as tentativas. Por fim, encontra consolo ao escrever, passando os dias finais de sua vida em frente à máquina de escrever já bem depois do estabelecimento da ditadura militar de 1964.

Não é uma obra prima, não irá ganhar o prêmio Nobel de literatura.  No entanto, à medida que considerei esse livro para resenha, cresceu minha admiração. É um bom livro. Pelo assunto abordado e bem retratado, A vida invisível de Eurídice Gusmão, é uma boa escolha de leitura que aborda as limitações da mulher na sociedade carioca, das gerações que viveram através do século XX.  Só por esse esforço deveria ser aplaudido.

 

 

martha_batalha_5_credito_jorge_lunaMartha Batalha

 

Meus problemas com essa obra não se limitam ao tom puramente evocativo.  Não há um crescendo de informações. Não há resolução de conflitos, nem mesmo no final.  Falta-lhe agilidade, ação e diálogos. A narrativa, ainda que impecável, é distante. No entanto, retrata muito bem uma época e é perfeitamente dispensável a explicação da autora no início e no fim do livro sobre a existência  de certos personagens ou sobre as obras escritas por Eurídice Gusmão.  É chocho.

Mas me aventuro a dizer que se você gostou de Arroz de Palma, romance de Francisco Azevedo, é provável que goste deste livro, por sua evocação de uma época.

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Trova dos meus amigos

23 06 2016

 

 

andandoTurma da Mônica, ©  Maurício de Sousa.

 

 

Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim.

 

(Izo Goldman)

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Uma noite para lembrar, encontro com o escritor Ronaldo Wrobel

20 06 2016

 

 

Encontro com Ronaldo WrobelEncontro do Grupo de Leitura Papalivros, com o escritor Ronaldo Wrobel, 19/06/2016.

 

 

Foi uma noite especial para o Papalivros. A visita do escritor Ronaldo Wrobel, a dois dias do lançamento oficial do livro O romance inacabado de Sofia Stern, gerou uma conversa estimulante sobre o processo criativo [lançamento no RJ: Livraria da Travessa, Shopping do Leblon, dia 21 às 19 horas, aberto ao público].

Uma coisa é ler.  Outra é ouvir do escritor os porquês das escolhas que fez como autor: localização, época, personagens.  O que foi cortado, o que foi detalhado, o que existe no mundo em que vivemos e o que vem da imaginação do autor são perguntas, divagações, que durante a leitura raramente fazemos mas que estão presentes no dia a dia do escritor.

 

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Saber que um manuscrito de mais de quatrocentas páginas  vai para o prelo com um pouco mais da metade, porque o autor cortou “na própria carne” para tornar seu texto mais enxuto, é surpreendente.

Por todos os detalhes  que dividiu conosco do processo criativo, o grupo Papalivros está grato a Ronaldo Wrobel pela franqueza, carinho, gentileza, cuidado  e sobretudo o excelente humor com que nos tratou.

Fica a recomendação da leitura: O romance inacabado de Sofia Stern, Ronaldo Wrobel, Editora Record: 2016.

 

Resenha

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Trova das histórias escritas

18 06 2016

 

 

escola, jessie willcox smithsssssIlustração de Jessie Willcox Smith, 1928, para capa da Revista Good Housekeeping.

 

 

Quebra-cabeças é a vida,

e as letras peças de amor,

formando, após reunidas

histórias de glória ou dor!

 

 

(João Paulo Ouverney)

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Sublinhando…

17 06 2016

 

 

 

Frances Jones BannermanJardim de inverno, 1883

Frances Jones Bannerman (Canadá, 1855-1940)

óleo sobre tela, 63 x 79 cm

Halifax Public Archives

 

 

“Murcha em meu peito a rosa da alegria
e uma só flor viceja — a da saudade.”

 

 

Domingos de Castro Lopes (Brasil, 1862-?) em Dia e Noite.

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