Texto encontrado em Qeiyafa, decifrado, data do século X a. C.

10 01 2010

 

Um fragmento de cerâmica com cinco linhas de texto e mais de 3.000 anos de idade, descoberto no local onde a Bíblia diz que Davi matou Golias, acaba de ser decifrado e, de acordo com arqueólogos israelenses, é o mais antigo registro de hebraico escrito.   As inscrições estavam em protocananeu –usado por israelitas, filisteus e outros povos da região– e foram descobertas há 18 meses.

O material foi decifrado por Gershon Galil, Professor da cadeira de Estudos Bíblicos da Universidade de Haifa, que identificou a escritura como hebraico. Em comunicado, a instituição afirma que se trata “do mais antigo registro conhecido” em hebraico.   Análises de datação radioativa, feitos para determinar a idade do material, indicam que as inscrições são do século 10 a.C., época do reinado de Davi,  o que as torna quase mil anos mais antigas que os pergaminhos do mar Morto e que provam que o reino de Israel já estava em existência neste período.

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O texto é um manifesto social, referente a escravos, viúvas e órfãos“, disse Galil, acrescentando que as palavras e os conceitos utilizados eram específicos do idioma e da sociedade hebraica da época.   O fragmento foi encontrado perto do portão do local conhecido como “Fortaleza de Elá“, cerca de 30 quilômetros a oeste de Jerusalém, no vale onde se acredita que a batalha entre Davi e Golias aconteceu.   O texto gravado em tinta num pedaço de cerâmica de 15 cm x 16,5 cm foi descoberto há aproximadamente 18 meses em excavações conduzidas pelo Professor Yosef Garfinkel em Khirbet Qeiyafa, no vale do Elá.   Mas até agora a definição da língua em que o texto havia sido escrito não tinha sido feita: até o estudo do prof. Galil, não se sabia se esse texto era de fato em hebreu ou se era de alguma outra língua local.

A definição dada pelo Prof. Galil de que o texto estava escrito em hebreu se baseou no uso de verbos muito específicos do hebreu, e, também, na cultura hebraica, traços que não teriam sido adotados por nenhuma outro grupo cultural da região.  “Esse texto é de caráter social, refere-se a escravos, viúvas e órfãos.   Usa verbos que são característicos do hebreu, como asah (feito) e avad (trabalhado) que eram raramente usados em qualquer outra língua regional.  Palavras específicas que aparecem no texto, como almanah (viúva) são exclusivas do hebreu e são escritas de maneiras distintas em outras línguas locaisO significado do texto tampouco era comum a outras culturas fora da sociedade hebraica, explicou o professor.

O texto exprime preocupação com os membros mais frágeis da sociedade.  Ele também serve de testemunha de que a presença de estrangeiros dentro da sociedade de Israel data de épocas remotas,  e que mesmo então, já clamava por uma  maneira de dar apoio a esses estrangeiros.  Faz também um apelo para o cuidar de viúvas e de órfãos e que o rei – que naquela época tinha a responsabilidade de diminuir a desigualdade social – se envolvesse na questão.   Esse texto é semelhante em conteúdo ás escrituras bíblicas (Isaías 1:17, Salmos 72:3, Êxodo 23:3, entre outros) mas está claramente estabelecido que não foi copiado de nenhum texto bíblico.

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Prof. Galil dá destaque também à localização do achado que foi numa localidade no interior da Judéia.  E explica: se havia escribas na periferia, podemos assumir que aqueles moradores da região central e de Jerusalém deveriam ser melhores escribas.  “Podemos agora manter a premissa de que durante o século X a.C., durante o reinado de Davi, havia escribas capazes de de escrever textos literários  e historiografias complexas tais como os livros dos Juizes e Samuel”.  Ele ainda acrescenta: “a complexidade do texto descoberto em Khirbet Qeiyafa, junto com as construções fortificadas encontradas no local, rejeitam qualquer idéia de negar a existência do Reino de Israel naquela época”.

Em comunicado, a Universidade de Haifa afirma que “a descoberta de um exemplo tão antigo de escrita hebraica torna possível que a Bíblia tenha sido escrita vários séculos antes das estimativas atuais“.   “As inscrições têm conteúdo semelhante às escrituras bíblicas, mas fica claro que não são cópias de nenhum texto da Bíblia“, afirma a universidade.

Fontes:  

Esciencenews  e Folha On Line





Meninas: maior igualdade, melhor em matemática

9 01 2010

Um estudo realizado nos EUA mostra que, em países onde há mais igualdade entre os sexos, as meninas tendem a ter um melhor desempenho em matemática do que os meninos – apesar de terem menos confiança do que eles na matéria.

A pesquisa, realizada em três universidades americanas e publicada na revista da Associação Americana de Psicologia, mostra ainda que a falta de confiança das meninas em suas habilidades, no mundo inteiro, pode explicar por que elas acabam optando menos por carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.  “Estereótipos sobre inferioridade feminina em matemática são um contraste claro com os verdadeiros dados científicos“, disse Nicole Else-Quest, professora de psicologia da Villanova University e principal autora do estudo.

Nossos resultados mostram que as meninas obtêm os mesmos resultados que os meninos quando recebem as ferramentas educacionais corretas e têm modelos de mulheres que fazem sucesso na carreira científica.”  Else-Quest e sua equipe analisaram dados de dois estudos internacionais que, juntos, englobam mais de 493 mil estudantes entre 14 e 16 anos, em 69 países.

Um estudo se concentra no conhecimento geral do aluno sobre matemática, e o outro avalia a habilidade de cada um de usar suas habilidades matemáticas no mundo real, além de verificarem o nível de confiança do estudante e o quanto acreditavam que saber matemática seria importante em suas carreiras.    Segundo os cientistas, os resultados apresentavam poucas diferenças em relação ao sexo do aluno, mas havia muitas variações entre meninos e meninas de país para país.

Os pesquisadores também perceberam que, em países onde o nível da educação das mulheres e seu envolvimento político era melhor, as meninas tendiam a ter um melhor desempenho em matemática.   “Esta análise nos mostra que, enquanto a qualidade da educação e o currículo afetam o aprendizado das crianças, também pesam o valor que escolas, professores e pais dão a ele. As meninas podem ter um desempenho igual ao dos meninos se forem incentivadas“, afirmou Else-Quest.

Fonte: Terra





Neandertais mais sofisticados: uso de cosméticos maquiadores descoberto

9 01 2010

Uma equipe de pesquisadores disse que encontrou as primeiras evidências convincentes de que o homem de Neandertal pintava o corpo e usava bijuteria há 50 mil anos.    Conchas contendo resíduos de pigmentos usados para este fim foram encontradas em dois sítios arqueológicos em Múrcia, no sul da Espanha.

O arqueólogo português, João Zilhão, que lidera a equipe a partir da Universidade de Bristol, na Inglaterra, disse que foram examinadas conchas que eram usadas como utensílios para a misturar e armazenar pigmentos.  Bastões pretos com um pigmento à base de manganês podem ter sido usados como tinta para o corpo. Artefatos semelhantes foram encontrados na África no passado.  “(Mas) esta é a primeira evidência segura do uso de cosméticos“, disse o arqueólogo à BBC. “A utilização destas receitas complexas é novidade. É mais do que tinta para o corpo.”

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Os cientistas encontraram fragmentos de um pigmento amarelo que, segundo eles, pode ter sido usado como base para maquiagem.   Descobriram também um pó vermelho junto com manchas de um mineral negro brilhante.   Algumas das conchas, entalhadas e pintadas com cores fortes, podem, também, terem sido usadas como bijuteria.

Até agora, muitos especialistas acreditavam que só os seres humanos modernos usavam maquiagem como adorno ou para rituais.  Durante um período na pré-história Neandertais e humanos podem ter compartilhado a Terra, mas João Zilhão disse que a descoberta de sua equipe data de 10 mil anos antes do contato entre ambos e, portanto, ela não indicaria uma influência humana. Zilhão vê na prática do uso de pintura corporal e bijuteria um certo grau de sofisticação.

As pessoas têm que acabar com essa idéia de que os Neandertais eram débeis mentais“, afirmou. O estudo foi divulgado em Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Fonte: Terra





Paleontologia:descobertas as mais antigas pegadas de animal de 4 patas

8 01 2010
Foto: BBC

A prova mais antiga de um animal de quatro patas caminhando no solo foi descoberta na Polônia. Rochas de uma mina desativada nas montanhas da Santa Cruz, na Polônia, trazem “pegadas” de uma criatura desconhecida que viveu há 397 milhões de anos.   Diversos “caminhos” foram identificados nas Minas Zachelmie. Eles representam o movimento de diversos animais quando se movimentavam pela região que nessa época era um lamaçal tropical de ribeirinho, no Periodo Devoniano  da Terra.  

 

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O artigo com a descoberta é o destaque de capa da revista científica Nature. Segundo os cientistas, é possível inclusive perceber os “dedos” do animal. A equipe de cientistas afirma que com a descoberta é um indício de que os primeiros vertebrados terrestres podem ter aparecido milhões de anos antes do que se acreditava.

Este lugar revelou o que eu considero alguns dos fósseis mais incríveis que já achei na minha carreira como paleontólogo“, disse Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia, que trabalhou na pesquisa. “As pegadas nos dão o registro mais antigo de como nossos ancestrais distantes saíram da água, se moveram pelo solo e deram seus primeiros passos.” 

Foto: BBC

Os animais eram provavelmente semelhantes a crocodilos e teriam tido um estilo de vida semelhante aos dos anfíbios (que só vieram a surgir milhões de anos depois).  O tamanho das pegadas indica que eles teriam mais de dois metros de tamanho. A equipe de cientistas da Polônia e da Suécia criou uma imagem hipotética do animal a partir da pegada.  Os pesquisadores reconstruíram pelos desenhos das pegadas como essas criaturas moviam suas “ancas”,  “cotovelos” e “joelhos”.

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Antes da descoberta na Polônia, o fóssil mais antigo com características semelhantes era de 375 milhões de anos atrás.   A teoria é que as primeiras criaturas na terra vieram dos peixes que tinham guelras em lóbulos.  A hora exata que dessa transição tem sido uma um dos campos mais ativos de pesquisa na área, nos últimos anos.  Paleontologistas acreditam que esta transição foi rápida, mas em etapas.  Talvez o mais conhecido fossil desta passage seja o organismo conhecido como Tikaalik roseae, um animal com características intermediárias entre peixe e quadrúpedes. 

Reconstrução período devoniano.  UERJ.

 

Fontes para o artigo:

Parte da tradução: Terra

Outra fonte: BBC





Filhotes fofos: bebê leopardo e sua mamãe

8 01 2010

 

Aqui está Tumai.  Ela é uma mamãe leopardo muito orgulhose de sua prole que está com 10 semanas.  Foram  4 filhotes: dois meninos e duas meninas!  Tumai mora no  Zoológico de Washington DC, nos Estados Unidos.





E você? O que sabe sobre o “erro de Aristóteles”?

7 01 2010
Ilustração, Walt Disney.  Pato Donald estuda matemática.

Há mais de 2.300 anos, Aristóteles errou.  Agora, no ano passado, um turbilhão de atividades acadêmicas está de repente se aproximando de uma resposta para um problema similar à pergunta de quantas pessoas cabem em um fusca da Volkswagen ou em uma cabine telefônica.  Com a diferença de que, nesse caso, os matemáticos não têm pensado no agrupamento de pessoas, mas de sólidos geométricos conhecidos como tetraedros.

É extraordinária a quantidade de artigos escritos sobre isso no ano passado“, disse Henry Cohn, matemático da Microsoft Research New England. O tetraedro é um objeto simples de quatro lados, cada um, um triângulo. Para o problema do agrupamento, pesquisadores estão observando os chamados tetraedros regulares, cujos lados são idênticos a um triângulo equilátero. Jogadores de Dungeons & Dragons reconhecem esse formato triangular de pirâmide em um dado usado no jogo.

Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível. Mas não é o que acontece, e 1,8 mil anos se passaram para que alguém apontasse que ele estava errado. Mesmo depois disso, o agrupamento de tetraedros atraiu pouco interesse. Mais séculos se passaram.

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Aristóteles equivocadamente acreditava que tetraedros regulares idênticos agrupados perfeitamente, como cubos idênticos, não deixavam espaços entre eles, preenchendo 100% do espaço disponível.

Um enigma similar sobre qual a melhor forma de agrupar esferas idênticas possui uma história mais célebre.   Aqui, a resposta era óbvia.  Elas devem ser empilhadas como laranjas no supermercado (com uma densidade de agrupamento de 74%), e foi isso que Johannes Kepler conjecturou em 1611.   Mas provar o óbvio levou quase quatro séculos, até Thomas C. Hales, um matemático da Universidade de Pittsburgh, conseguir esse feito em 1998 com a ajuda de um computador.

Com os tetraedros, o melhor arranjo de agrupamento não é óbvio, e depois de ter sido constatado que os tetraedros não se agrupavam perfeitamente, ficou a impressão de que eles não se agrupavam bem de maneira alguma. Em 2006, dois pesquisadores da Universidade de Princeton, Salvatore Torquato, um químico, e John H. Conway, um matemático, relataram que a melhor forma de agrupamento encontrada por eles preenchia menos de 72% do espaço – um agrupamento mais espaçado do que o das esferas.

Isso contestava a conjectura matemática de que, entre os chamados objetos convexos (sem cavidades, buracos ou orifícios), as esferas teriam o agrupamento ideal mais espaçado.

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Aristóteles contemplando o busto de Homero, 1653

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669)

Óleo sobre tela,  143,5 x 136,5 cm

The Metropolitan Museum of Art, NY

O artigo de Princeton levou Paul M. Chaikin, professor de física da Universidade de Nova York, a comprar centenas de dados tetraedros e pedir a um aluno do ensino médio que enchesse aquários de peixes e outros recipientes com eles. “Imediatamente, percebemos que conseguíamos um agrupamento maior do que 72%“, disse Chaikin, que havia trabalhado anteriormente com Torquato no agrupamento de esferas achatadas, ou elipsóides. (Descobriu-se que as esferas achatadas têm um agrupamento mais denso do que as esferas regulares.)

O artigo de Princeton também levou Jeffrey C. Lagarias, professor de matemática da Universidade de Michigan, a pedir que Elizabeth Chen, uma de suas alunas de mestrado, estudasse o agrupamento de tetraedros. Chen se recorda do que Lagarias lhe disse: “Você precisa superá-los. Se você superá-los, será muito bom para você.

Chen examinou centenas de arranjos ao longo das semanas subsequentes, e, ela disse, “vários deles se destacaram pela alta densidade.” Seu melhor arranjo facilmente superou o de Conway e Torquato, com uma densidade de agrupamento de quase 78%, superior ao das esferas.

Na verdade, nem meu orientador acreditou em mim”, Chen se lembra. Depois de produzir modelos físicos dos tetraedros e demonstrar os padrões de agrupamento, ela convenceu Lagarias de que seus agrupamentos eram tão densos quanto ela havia afirmado e finalmente publicou sua descoberta há um ano.

Enquanto isso, Sharon C. Glotzer, professora de engenharia química, também da Universidade de Michigan, estava interessada em descobrir se os tetraedros podiam se agrupar como cristais líquidos. “Nos envolvemos nisso porque estávamos tentando desenvolver novos materiais com propriedades ópticas interessantes para a Força Aérea“, ela disse.

Glotzer e seus colegas criaram um programa de computador que simulava o agrupamento dos tetraedros e seu arranjo sob compressão. Em vez de cristais líquidos, eles descobriram estruturas complexas de quasicristais, com padrões quase, mas não exatamente, repetidos. “Essa foi a coisa mais surpreendente e maluca“, Glotzer disse.

Examinando os quasicristais, eles conseguiram encontrar uma estrutura periódica que representou outro salto na densidade de agrupamento: superior a 85%. No mês passado, quando essa descoberta ficou pronta para publicação na revista Nature, um grupo da Universidade Cornell, usando um método de pesquisa diferente, encontrou outro agrupamento com densidade similar.

Mas enquanto a estrutura de Glotzer era surpreendentemente complexa “um padrão de repetição formado por 82 tetraedros “, o cristal da Cornell era surpreendentemente simples, com apenas quatro elementos. Também é surpreendente para os pesquisadores o fato dos tetraedros nas simulações de Glotzer tenderem a estruturas complexas de quasicristais quando o melhor agrupamento é na verdade uma estrutura muito mais simples.

Isso faz parte da surpresa em relação a isso“, disse Cohn, da Microsoft Research. “Cada um desses agrupamentos parece muito diferente.” Alguns dias antes do Natal, Torquato e Yang Jiao, aluno de mestrado, relataram que haviam ajustado a estrutura da Cornell, aumentando ligeiramente a densidade de agrupamento para 85,55%.

Ficaria chocado se esse agrupamento atual fosse o mais denso“, Torquato disse em entrevista na semana passada. “Ele é apenas o mais denso por enquanto.”

Torquato não precisa ficar chocado. Na segunda-feira, Chen, aluna de mestrado da Universidade de Michigan, divulgou um novo avanço, que descreve uma família de agrupamentos que incluem as últimas estruturas de Cornell e Princeton. Mas ele também inclui um melhor agrupamento. O cálculo foi verificado por simulações do grupo de Glotzer. O novo recorde mundial de densidade de agrupamento de tetraedros: 85,63%.

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Tradução: Amy Traduções

Artigo original no The New York Times.  Em português:  Terra





O homem da Idade da pedra já demarcava espaços para diferentes atividades

4 01 2010

A arqueologia não é só a busca por posses, habilidades e crenças de culturas antigas. Também se trata de espaços de habitação.   Escavações recentes em Israel parecem mostrar que ancestrais humanos da Idade da Pedra começaram, em um estágio surpreendentemente precoce, a organizar seus espaços habitacionais ao ar livre em grupos separados para diferentes atividades.

Uma área era usada principalmente para preparar e comer os alimentos, e outra, a mais de 7 metros de distância, era usada para a produção de ferramentas de pedra.   Arqueólogos que relataram as descobertas neste mês na revista “Science” disseram que ter áreas separadas para diferentes atividades indicava “um conceito formalizado de espaço habitacional, que muitas vezes reflete uma sofisticada cognição“.    A surpresa, segundo os arqueólogos, foi descobrir a evidência disso em um assentamento que foi ocupado há 790 mil anos. Esses padrões de vida e trabalho antes eram associados apenas ao Homo sapiens moderno e, portanto, um comportamento que só emergiu nos últimos 200 mil anos.

No relato, Nira Alperson-Afil e seus colegas observaram que “o uso moderno do espaço requer organização social e comunicação entre membros do grupo, e acredita-se que isso envolva parentesco, gênero, posição e habilidades“.    Alperson-Afil, arqueóloga da Universidade Hebraica em Jerusalém, e pesquisadores da Alemanha, Israel e Estados Unidos analisaram os resquícios de Gesher Benot Ya’aqov, no vale do rio Jordão, onde ancestrais humanos viveram na margem de um lago antigo. Níveis superpostos de artefatos indicavam que o local foi ocupado por um período de 100 mil anos.

Escavações dirigidas por Naama Goren-Inbar, também da Universidade Hebraica, já tinham exposto evidências, relatadas um ano atrás, de que ocupantes do local tinham a habilidade de produzir e controlar fogo. Se isso estiver correto, será o primeiro exemplo definitivo do controle da produção do fogo.    “É um local extraordinário“, disse Alison S. Brooks, professora de antropologia da George Washington University, sem envolvimento com o estudo. “Existem bem poucos locais como esse daquele tempo na África, Oriente Médio ou qualquer outra parte“.  Brooks disse que a evidência de uma lareira “implica um tipo de organização espacial no local“, mas alertou que arqueólogos teriam de estudar as descobertas antes de comentar sobre as interpretações.

A identidade dos ocupantes de Gesher Benot Ya’aqov é desconhecida; nenhum de seus restos mortais foi encontrado ali. Cientistas afirmam que eles podem ter sido Homo erectus, uma espécie que, segundo suposições, deixou a África mais de 1 milhão de anos atrás, ou uma espécie intermediária mais recente da família dos humanos.  A primeira evidência conhecida de ferramentas de pedra está associada a hominídeos que viveram há 2,6 milhões de anos no que hoje é a Etiópia.   A equipe de Alperson-Afil relatou que os ocupantes “produziam com habilidade ferramentas de pedras, abatiam e exploravam sistematicamente animais, coletavam plantas comestíveis e controlavam o fogo“. Rochas, madeira e outros materiais orgânicos queimados mostravam a presença de fogo em lareiras em locais específicos.

Dois coautores, Goren-Inbar e Gonen Sharon, explicaram por e-mail que, se esses fossem o resultado de fogo natural, “esperaríamos que sua distribuição fosse similar à distribuição geral de artefatos de pedra e outros materiais, e não agrupados como estão“.    Na parte norte do local, arqueólogos encontraram uma concentração de fragmentos –pedaços de rochas, ferramentas de pedra para cortar e raspar usadas na preparação de alimentos, pedaços de cascos de caranguejos e espinhas de peixes, várias sementes, nozes, grãos e fragmentos de madeira. O material queimado sugeria a existência de uma lareira ali.

Embora a lapidação da pedra ocorresse de forma abundante na área, presumivelmente relacionada à produção de fogo, a maioria das peças de rochas queimadas foi coletada na parte mais ao sul do local, onde os arqueólogos afirmaram que havia evidências definitivas de lareira. A densidade de artefatos de basalto e calcário mostrou que ali era o centro de produção de ferramentas.  Entre os dois centros de atividade, disseram os pesquisadores, parecia haver apenas artefatos dispersos, nada que sugerisse como a área era usada.  Goren-Inbar e Sharon disseram que “o fato de reconhecermos zonas de atividades e definirmos como algumas das atividades aconteciam já é uma grande descoberta por si só“.

FONTE:  Folhaonline





Filhotes fofos: rinoceronte jogando bola

4 01 2010

rino bebê  com bola 3-10

Um filhote de rinoceronte recém-nascido brinca com uma bola dentro do seu viveiro no zoo de Muenster. A espécie nasceu no dia 20 de setembro e foi rejeitado por sua mãe, Emmi. Agora ele recebe tratamento especial dos biólogos.





Uma mudança na localização do Pólo Norte!

4 01 2010

 

O polo norte magnético da Terra está avançando em direção à Rússia a quase 64 quilômetros por ano devido a mudanças magnéticas no núcleo do planeta, afirma nova pesquisa. O núcleo é profundo demais para que os cientistas detectem diretamente seu campo magnético. Mas os pesquisadores podem inferir os movimentos do campo acompanhando como o campo magnético terrestre muda na superfície e no espaço.

Agora, novos dados analisados sugerem que existe uma região de magnetismo em rápida transformação na superfície do núcleo, possivelmente sendo criada por uma misteriosa “pluma” de magnetismo proveniente do interior do núcleo.

E essa região pode estar deslocando o polo magnético de sua posição de longa data no norte do Canadá, disse Arnaud Chulliat, geofísico do Institut de Physique du Globe de Paris, na França.

O norte magnético, que é o lugar para onde as agulhas das bússolas realmente apontam, está próximo, mas não exatamente no mesmo lugar do Polo Norte geográfico. Neste momento, o norte magnético está próximo à ilha canadense Ellesmere.

Por séculos, navegadores usam o norte magnético para se orientar quando estão distantes de pontos de referência reconhecíveis. Embora os sistemas de posicionamento global tenham em grande parte substituído essas técnicas tradicionais, muitos ainda consideram as bússolas úteis para se orientar sob a água ou no subterrâneo, onde não há sinal dos satélites de GPS.

O polo norte magnético se deslocou muito pouco desde a época em que os cientistas o localizaram pela primeira vez em 1831. Depois, em 1904, o polo começou a avançar rumo ao nordeste num ritmo constante de 15 km por ano.

Em 1989, ele acelerou novamente, e em 2007 cientistas confirmaram que o polo está agora galopando em direção à Sibéria a um ritmo de 55 a 60 km por ano. Um deslocamento rápido do polo magnético significa que mapas do campo magnético devem ser atualizados com mais frequência para que usuários de bússola façam os ajustes cruciais do norte magnético para o verdadeiro Norte.

Geólogos acreditam que a Terra tem um campo magnético porque o núcleo é formado por um centro de ferro sólido cercado por metal líquido em rápida rotação. Isso cria um “dínamo” que comanda nosso campo magnético. Os cientistas suspeitam há muito tempo que, como o núcleo fundido está em constante movimento, mudanças em seu magnetismo podem estar afetando a localização na superfície do norte magnético.

Embora a nova pesquisa pareça sustentar essa idéia, Chulliat não pode afirmar que o pólo norte vai um dia mudar para a Rússia. “É muito difícil prever”, disse Chulliat.

Além disso, ninguém sabe quando e onde outra mudança no núcleo poderá se manifestar, fazendo o norte magnético se mover rumo a uma nova direção. Chulliat apresentou seu trabalho em um encontro da União Geofísica Americana, em São Francisco.

Tradução: Amy Traduções 

Fonte:  Terra

 





Novas descobertas de tumbas em Saqara, ao sul de Cairo

4 01 2010

Arqueólogos no local das novas descobertas em Ras al Gesr.

 

Uma equipe de arqueólogos egípcios descobriu dois túmulos construídos há 2.500 anos.  Localizados na zona de Ras al Gesr, estes são os túmulos mais antigos encontrados até o momento no sítio arqueológico de Saqara,  a 25 quilômetros ao sul da cidade do Cairo.

Os mausoléus estão enterrados e têm gravuras em vários de seus muros, segundo detalha uma nota do Conselho Supremo de Antiguidades (CSA), divulgada hoje. Uma das duas construções é a de maior dimensão encontrada na região e inclui inúmeros corredores, quartos e salas, explicou Zahi Hawas, secretário-geral do CSA.

Este túmulo é precedido por duas grandes fachadas, parte em deterioração e outra de tijolo, conforme o comunicado. Dois dos quartos, que estão cheios de  material de construção e de terra, levam a uma sala em que,  no seu interior, foram achadas diversas ossadas e vasilhas de cerâmica.

Foto: EFE,  os mausoléus estão enterrados e têm gravuras em vários de seus muros.

Numa outra sala, pequena,  foi descoberto um poço com profundidade de sete metros. Na parte norte do túmulo, também foram encontradas várias múmias de falcões que estão em um bom estado de conservação. Conforme Hawas, o túmulo foi utilizado em mais de uma ocasião e provavelmente depredado no século V depois de Cristo.

Na segunda sepultura, de menores dimensões, embora também seja composta por várias salas, foram encontradas inúmeras vasilhas de cerâmica. O especialista em arqueologia revelou sua satisfação com as descobertas, uma prova que a região de Saqara, onde fica a pirâmide escalonada de Zoser, ainda guarda muitos segredos.

FONTE Terra