Egito: florestamento de uma área igual à do Panamá!

13 11 2010
Ilustração Maurício de Sousa.

No dia 9 de novembro foi noticiado que o governo egípcio está desafiando a natureza ao regar áreas desérticas com água reaproveitada para convertê-las em florestas.  O sucesso da operação já arborizou uma superfície equivalente ao território do Panamá, na América Central.   A diferença verificada após a intervenção humana é dramática: onde antes havia uma paisagem desértica e inóspita, agora há áreas verdes cobertas de árvores de alto valor econômico como álamos, papiros e eucaliptos.

Tudo isso foi possível graças à água.  Esta é uma água especial, pois é re-aproveitamento da água que os80 milhões de egípcios poluem e desperdiçam todos os dias.  Ironicamente, esta é a melhor opção para as chamadas “florestas feitas à mão”. “A água residual pode transformar o que não é fértil, como o deserto, em algo fértil, já que contém nitrogênio, micronutrientes e substâncias orgânicas ricas para a terra“, disse o professor do Instituto de Pesquisa de Solo, Água e Meio Ambiente Nabil Kandil, especializado na análise de terrenos desérticos adequados para florestamento.

A opinião é compartilhada pelo professor do Departamento de Pesquisa de Contaminação da Água, Hamdy el Awady, que até ressalta a superioridade das plantas regadas com água reaproveitada. “Esse tipo de água tem muito mais nutrientes do que a água tratada e, por isso, é uma fonte extra de nutrição que pode fazer com que as plantas resistentes aos climas hostis cresçam mais rápidas e tenham até olhas mais verdes“, explica El Awady.

Os dois professores sabem bem a importância de equilibrar a oferta e a demanda em um país que produz 7 milhões de m cúbicos de água residual ao ano e que, ao mesmo tempo, tem 95% de seu território coberto por desertos estéreis ou com pouca vegetação.

O Egito transforma o deserto em florestas.

Ao todo, há 34 florestas ao longo do país, localizadas em cidades como Ismailia e Sinai, no norte, e em regiões turísticas do sul, como Luxor e Assuã, num total de 71,4 mil km quadrados que equivalem à superfície total do Panamá. De acordo com o Governo egípcio, há outras dez florestas em processo de “construção”, em uma área de 18,6 mil quilômetros quadrados.

Os mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantados até agora são resultado das análises de solo, clima e água que possibilitaram a escolha das espécies de árvores capazes de sobreviverem em condições extremas. “A boa notícia é que as plantas são seletivas. São elas que selecionam a quantidade de água e os nutrientes necessários para sobreviver“, explica El Awady.

A maioria das espécies cultivadas até agora são árvores como álamos, papiros, casuarinas e eucaliptos, semeadas para responder à demanda de madeira do país, além plantas para produzir bicombustíveis como a jatrofa e a jojoba, e para fabricar óleo, como a colza, a soja e o girassol.

Para Kandil, estes resultados são a prova de que “o problema não é a terra, pois no Egito há de sobra, mas de onde extrair a água“. E obtê-la das estações de tratamento primário – onde são eliminados os poluentes sólidos – foi a saída mais barata, especialmente porque os sistemas de irrigação que transportam e bombeiam o líquido são os mesmos utilizados há anos pelos camponeses egípcios.

Apesar de esta água exigir precaução devido à presença de poluentes e os impactos da mudança no ecossistema para a biodiversidade sejam desconhecidos, o projeto, implementado pelo Ministério de Agricultura em parceria com o de Meio Ambiente, parece ter obtido sucesso.

De acordo com Kandil, as “florestas feitas à mão” não só combatem as secas, a desertificação e a erosão, mas “aproveitam a água residual, maximizam o benefício para os agricultores e satisfazem as necessidades de madeira do Egito, gerando benefícios econômicos para o país”, acrescenta.

Ilustrador desconhecido.

O uso sustentável dos recursos do solo e da água está diretamente ligado à segurança alimentar, saúde pública, e aos benefícios econômicos e sociais de um país. Em muitos casos, o efluente municipal tratado representa um importante recurso hídrico que poderia se constituir em um recurso valioso se adequada e eficazmente utilizado.

Por outro lado, o lançamento no solo de efluentes urbanos descontroladamente é uma das formas mais graves de poluição ambiental, e representa uma clara ameaça à saúde humana e ao desenvolvimento sustentável. Na maioria dos países de baixa renda em todo o mundo, os efluentes de esgoto normalmente são eliminados através de descargas diretas em canais locais, rios, lagos ou no mar, às vezes sem nenhum tratamento.

Portanto, enfrentar as ameaças de descontrole do despejo de esgoto tem sido uma prioridade desde 1995 com o  Programa Global de Ação (GPA) para a Proteção do Ambiente Marinho de Atividades Terrestres.

O Egito produz um total estimado de 2,4 bilhões de metros cúbicos de águas residuais municipais a cada ano. O tratamento parcial desta grande quantidade custa para saneamento, 600 milhões libras egípcias (o equivalente de EUA $ 100 milhões) anualmente, ao governo.  Além disso, o Egito tem cerca de 90% de sua área de terra deserto, e sofre de uma evidente falta de cobertura vegetal.  A cobertura vegetal é necessária por razões ambientais (mudanças climáticas, desertificação), e as florestas por razões econômicas (O Egito importa madeira para a sua indústria [alor estimado: US$ 900 milhões/ano).

Até recentemente  no Egito havia duas maneiras de lidar com o problema do esgoto: (a) a água de esgoto tratada era descarregada em terra deserta nas proximidades  — o que constitui um alto risco de poluição do solo e da água subterrânea;  (b) descarregamento do esgoto tratado no mar e lagoas costeiras, [diretamente ou indiretamente]  através de vias navegáveis e canais de drenagem — também uma proposta de alto risco para a saúde e o meio ambiente marinho.

 

Ilustração Walt Disney.

No entanto, o Egito optou por uma abordagem inovadora para responder aos assustadores desafios ambientais que aumenta  a proporção verde de sua área territorial.   O governo egípcio, desde o início de 1990, introduziu um plano nacional de reutilização de águas residuais.   Desenvolveu o estabelecimento florestas plantadas pelo homem, com árvores madeireiras.  Essas florestas são irrigadas com água de esgoto tratada vinda de vários locais no deserto.  O plano é de âmbito nacional e atualmente é empregado junto a algumas cidades de alta ou média densidades populacionais.

Experimentos de florestamento foram realizadas em vários locais, em planos pilotos baseados em diferentes solos, climas e condições ambientais. No momento, 13 florestas foram estabelecidas em diferentes áreas nas províncias de Ismailia, Menoufia, Gizé, Alexandria e Dakahlia, no Baixo Egito; e em Luxor, Assuã e Qena, no Alto Egito.  Também focaram no deserto ocidental e no Sul do Sinai, com uma área total prevista de cerca de 6.000 Feddan (equivalente a cerca de 2700 hectares). As experiências-piloto realizadas até agora têm sido extremamente bem sucedidas, e mostraram resultados promissores, com inúmeros benefícios ambientais, econômicos e sociais.

Várias instituições e órgãos do governo estão à frente dos projetos: Ministério Egípcio de Estado para Assuntos Ambientais, Ministérios da Agricultura e reclamação de terras, Governo Local, Eletricidade, Recursos Hídricos e Irrigação.  As comunidades locais e agricultores estiveram ativamente envolvidos nas diferentes fases da criação e da operação dessas florestas.

A abordagem egípcia tem a seguinte fórmula:

ÁGUAS DE RESÍDUOS + TERRA = ÁRVORES VERDES

Esta abordagem prática, além de lidar com os problemas de esgoto e com a desertificação – além dos óbvios benefícios econômicos — trata eficazmente de vários elementos importantes de desenvolvimento ambiental e sustentável:

– Redução das cargas poluentes para o ambiente marinho, costeiro e deserto

– Proteção dos habitats marítimos e costeiros e da biodiversidade.

– Aumento da disponibilidade de água para o desenvolvimento

– Redução das concentrações de CO2 na atmosfera

– Construir e melhorar a capacidade dos peritos locais e nacionais

– Utilização de abordagens inovadoras e eficazes na gestão municipal de águas residuais

– Chegada aos objetivos da GPA e do Plano de Ação Estratégica de Águas Residuais Municipais a nível nacional.

– Garantia de sustentabilidade a longo prazo através do uso da renda gerada a partir de madeira das florestas e dos projetos associados complementares.

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Este artigo é a edição, corte e tradução livre de de dois artigos:

Terra   Andrew K Fletcher





Você sabia que aprender a ler modifica o cérebro?

11 11 2010

O aprendizado da leitura, um fenômeno recente demais para ter influenciado nossa evolução genética, tem um impacto importante sobre o cérebro, que se adapta e utiliza, independente da idade da alfabetização, regiões cerebrais destinadas a outras funções.  “Não existe um sistema cerebral inato especializado na leitura, temos que fazer uma colagem, utilizar sistemas que já existem“, explicou à AFP Laurent Cohen, do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm) e um dos coordenadores, ao lado de Stanislas Dehaene, do estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science.

Os pesquisadores conseguiram medir, através de um IRM (imagem por ressonância magnética), a atividade cerebral de 63 adultos voluntários com diferentes índices de alfabetização: 10 analfabetos, 22 pessoas alfabetizadas na idade adulta e 31 pessoas alfabetizadas na infância.   O estudo foi feito entre o Brasil e Portugal, países onde crianças analfabetas eram algo “relativamente frequente” há apenas algumas décadas.  Os adultos foram submetidos a diferentes estímulos, tais como frases orais e escritas, palavras, rostos, etc.

Os pesquisadores constataram que o impacto da alfabetização sobre o cérebro “era maior do que os estudos anteriores davam a entender”, e afeta tanto áreas visuais do cérebro quanto setores dedicados à fala.  “O aprendizado da leitura ativa o sistema visual nas regiões especializadas na forma escrita das letras, o que é normal, mas também nas regiões visuais primárias, onde chega toda a informação visual“, afirmou Cohen.

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Assim, para pessoas que aprendem a ler, as respostas aumentam também nas regiões primitivas “quando apresentamos quadros horizontais, já que nossa leitura é horizontal, mas não quando apresentamos quadros verticais“, segundo o especialista.  O cérebro recorre também a zonas especializadas na língua escrita, uma vez que a leitura “ativa o sistema da fala” para tomar consciência dos sons, e permite “estabelecer relações entre o sistema visual e o sistema de fala, as letras escritas e os sons“, destacou Cohen.

Aprender a ler, mesmo na idade adulta, provoca no cérebro uma redistribuição de uma parte de seus recursos. Deste modo, o reconhecimento visual dos objetos e de rostos cede parcialmente terreno à medida em que aprendemos a ler, e se desloca “parcialmente para o hemisfério direito”. Os cientistas ainda não sabem se aprender a ler tem consequências negativas sobre nossa capacidade de reconhecimento de rostos.

Os pesquisadores também constataram que a alfabetização na idade adulta tem o mesmo impacto sobre o cérebro que o aprendizado durante a infância. Nos adultos que aprendem a ler, “as mudanças que isto provoca são quase as mesmas” verificadas em pessoas que foram alfabetizadas na infância.

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FONTE:  Terra





Novidades sobre as jibóias

4 11 2010

Ilustração de Rosiland Solomon.

Pesquisa realizada por cientistas da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, indica que a jiboia constritora da à luz sem manter relações sexuais com machos da espécie. As informações são do site da Discovery News.

A descoberta faz com que a jiboia constritora passe a fazer parte da lista de animais que não precisam de um macho para ter filhos. A lista inclui outras espécies de cobras, espécies de tubarão, o dragão de Komodo, espécies de lagarto e outros.

Os cientistas, agora, tentam descobrir se alguns dinossauros eram capazes de dar à luz sem sexo, já que o fenômeno é reportado em todas as linhagens de vertebrados, exceto mamíferos, e em grande número de espécies de invertebrados.

O estudo foi iniciado após uma jiboia ter dado à luz 22 filhotes cor de caramelo. A suspeita surgiu pois o macho que havia mantido relações com a cobra não possuía os genes que possibilitariam as cobras nascerem com essa cor.

Fonte: TERRA





Filhote fofo — sagui bigodeiro

31 10 2010

Gêmeos de sagui bigodeiro nasceram nesta quinta-feira, 28, no zoológico de Hanover, na Alemanha. Na imagem, o pai, Fritz, carrega ambos dentro de sua área no zoo. 

O sagui bigodeiro é uma espécie brasileira, da Amazônia. Vive, em média, 15 anos e chega a pesar, no máximo, 900 g. Corre risco de extinção principalmente por causa do tráfico de animais, além da destruição de seu habitat.

Fonte: Terra





Irmãos e tão diferentes: dois bebês de onça pintada!

22 10 2010
Foto: Agência EFE

O zoológico grego Attica, na Grécia, mostrou ao mundo, ontem, uma bela mamãe jaguar negra com seus dois filhotinhos: uma oncinha pintada negra e uma oncinha pintada de pelo cor de mel.  Como sabemos ambas têm pintas, porque mesmo o jaguar negro tem pintas escuras que são mais difíceis de serem distinguidas de longe, por não oferecerem contraste com a pelagem do fundo.    A aparição desses filhotes de dois meses que têm diferentes cores traz à mente as pequeninas surpresas genéticas com as quais convivemos, no nosso dia a dia.  Nas fotos, distribuídas ontem pela agência de notícias EFE, as oncinhas bebês nem parecem ter a mesma, imponente, mãe em comum.  Mas os dois bebês são verdadeiros irmãos, não pertencem a duas raças diferentes, a diferença entre eles aparece por uma mutação genética na qual os indivíduos produzem mais melanina do que o normal, o que provoca um maior escurecimento da pelagem desses animais.

A onça-pintada é o único membro da família das panteras a ser encontrado nas Américas. Sua pelagem típica é amarelo-dourada com pintas pretas na cabeça, pescoço e patas. Mas também há onças de pelagem escura. “É uma variedade da onça-pintada (Panthera onca), apenas possui uma variedade melânica“, explica Vincent Kurt, biólogo da divisão técnica e de fauna do IBAMA.

Antigamente a onça pintada era encontrada desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina.  Mas, este animal está extinto no país da América do Norte, é raro no México,  mas ainda pode ser encontrado na América Latina.  Inclusive no Brasil.   O jaguar ou a onça pintada – dois nomes para o mesmo animal, pode chegar a 135 kg. Sua mordida é considerada a de maior potência dentre os felinos do mundo. Vive em vários tipos de habitat, desde florestas como a Amazônica e Mata Atlântica, até em ambientes como o Pantanal e o cerrado.

É bom lembrar que a onça-pintada (Panthera onca), também pode ser chamada de onça, jaguar ou jaguaretê.  É um grande gato, ou seja, pertence à família dos felídeos e é carnívora [come carne].   E que ela é um dos símbolos da fauna brasileira.

Ela praticamente habita o Brasil inteiro, mas prefere morar em zonas que não sejam descampadas.  Aqui no país, os estados em que a onça-pintada existe são: AC, AM, AP, BA, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PI, PR, RJ, RO, RR, RS, SC, SP e TO.

FONTE: Terra





Os pergaminhos do Mar Morto na internet

21 10 2010

Rabino lendo, s/d

Alfred Lakos (República Checa 1870-1961)

Óleo sobre madeira, 17,5 x 24, 5 cm

Os manuscritos do Mar Morto, documentos com mais de 2000 anos de idade e os mais antigos manuscritos conhecidos em língua hebraica, poderão ser vistos em um arquivo online graças a uma nova iniciativa revelada pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pelo Google. O projeto vai dar aos usuários da internet a oportunidade de visualizar os pergaminhos, digitalizados em alta definição.

Encontrados por acaso por um pastor beduíno em 1947 nas cavernas localizadas em Qumran, próximas ao Mar Morto, os textos dos pergaminhos contêm fragmentos de todos os livros do Antigo Testamento, exceto Ester, e de vários livros apócrifos e escrituras das seitas.  Esta coleção de textos bíblicos foi um dos achados arqueológicos mais importantes do século XX e é composta por 30 mil fragmentos que juntos formam 900 manuscritos.   A importância desses manuscritos para a história da humanidade é tão grande que eles são mantidos, fortemente policiados,  em Jerusalém, em um prédio do Museu de Israel que é também um abrigo nuclear. O pergaminho e papiros estão escritos em hebraico, aramaico e grego, e incluem vários dos mais antigos dos textos conhecidos da Bíblia, incluindo a cópia mais antiga – que se conhece — dos Dez Mandamentos.

As imagens de alta resolução serão disponibilizadas gratuitamente na forma original e com as traduções. “Este projeto vai enriquecer e preservar uma parte importante e significativa do patrimônio mundial, tornando-o acessível a todos na Internet“, disse o professor Yossi Matias, do Google-Israel.  “Vamos continuar com este esforço histórico para fazer todo o conhecimento existente em arquivos e estoques disponíveis a todos.”

Até agora, apenas uma pequena parte dos fragmentos maiores foi apresentada ao público,  para minimizar os danos.  Quando não estão à mostra, esses fragmentos são mantidos em armazenagem sem luz e climatizada.

Nesse projeto, os fragmentos serão fotografados e digitalizados usando vários comprimentos de onda diferentes. Espera-se que as imagens em infravermelho possam vir a expor caracteres atualmente invisíveis a olho nu.  As imagens serão, então, enviadas para um banco de dados e poderão ser objeto de pesquisa on-line, permitindo que estudiosos de todo o mundo a se debrucem sobre os seus detalhes.   “Estamos estabelecendo um marco significativo entre o progresso e o passado para preservar esta herança cultural, este patrimônio único, para as gerações vindouras”, disse Shuka Dorfman, atual chefe do IAA. “O público com um clique do mouse será capaz de acessar livremente a história em toda a sua glamorosa totalidade.

Os internautas poderão participar do que a autoridade de Antiguidades descreveu como “o jogo final de quebra-cabeças”, já que terão a oportunidade de recompor os pergaminhos, juntando peças e até descobrindo novas formas de ler os textos em hebraico antigo, corroídos e descoloridos com o passar dos anos.

As primeiras imagens entrarão na rede nos próximos meses.

FONTES: TerraBBC





Descoberta uma nova e diferente tumba egípcia de 4500 a.C.

19 10 2010
Foto: EPA/SUPREME COUNCIL OF ANTIQUITIES

Arqueólogos anunciaram, no dia 18 de outubro, a descoberta de uma tumba com mais de 4.500 anos de um líder religioso da corte do faraó Quefren. O local fica ao sul da necrópole dos construtores das pirâmides, no Cairo, Egito.  Segundo o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Zahi Hawass, esta é a primeira tumba encontrada na região do platô de Gizé onde as três famosas pirâmides do Egito se encontram.  A tumba data da V dinastia, 2465-2323 a.C., e pertencia a Rudj-ka, o sacerdote que liderava o culto mortuário do faraó Quefren – o faraó responsável pela construção da segunda maior pirâmide de Gizé.  

Foto: Agência EFE

Quefren morreu por volta de 2494 a.C.,  mas o culto religioso dos faraós às vezes se prolongava após suas mortes, de acordo com o arqueólogo e egiptólogo Hawass.  Essa descoberta se difere das feitas até hoje por seu desenho arquitetônico. As paredes dessa tumba eram decoradas com relevos pintados mostrando Rudj-ka e sua esposa em frente a oferendas e em cenas da vida diária.  Autoridades egípcias acreditam que a tumba possa fazer parte de uma grande e desconhecida necrópole em Gizé.

Fontes: Terra e Artdaily





O tempo entre costuras, de María Dueñas, uma GRANDE AVENTURA

18 10 2010

A costureira, 1916

Joseph DeCamp (EUA, 1858-1923)

Óleo sobre tela, 36,5 x 28 cm

Corcoran Art Gallery, Washignton DC

Procurando por uma excelente história?  Por um livro que não quer ser esquecido de nenhuma maneira?  Por aquela leitura que nos envolve e empurra para frente e nos obriga a fazer tempo para ler, para saber como tudo se desenrola?  Tenho o livro para você:  O tempo entre costuras, da escritora espanhola María Dueñas  [Planeta Brasil: 2010].   Li este livro compulsivamente e agradeci o tempo chuvoso do fim de semana que me permitiu permanecer em casa com essa maravilhosa história nas mãos.

Este é um romance excitante cujo enredo é complexo e fascinante; é um livro de aventuras e mostra como uma pessoa comum, sem nenhum treino específico além de uma grande vontade de viver e acaba  participando da resistência a um poder absoluto e se torna parte de uma grande causa. Ela é Sira Quiroga ,uma mulher jovem que aprendeu ofício de costureira com sua mãe e que desconhece o pai.  Uma jovem que contava com um futuro certo pela frente, talvez um pouco insosso – é verdade – mas um futuro sólido com um bom e confiável marido.  Às vésperas dos esponsais ela se vira numa outra direção, abandona o noivo e o casamento.  A alavanca é um outro homem.  No entanto, à medida que a história se desenvolve, percebemos que talvez essa jovem costureirinha madrilenha, soubesse intimamente  que a vida poderia ter-lhe reservado muito mais do que um futuro regrado.  Porque ela se joga, sem pára-quedas, na aventura de viver, com todos os altos e baixos que essa decisão poderá lhe trazer.

O pano de fundo das aventuras de Sira Quiroga é a ditadura espanhola de Franco.  Essa situação política, que no início do romance parece ser uma descrição de época, torna-se a verdadeira base para o desenrolar da trama.  A cada capítulo, a cada dezena de páginas, essa ditadura, esse governo de extremos, se mostra como iminência parda, regulando  as ações de todos à sua volta, assim como aquelas de nossa heroína.  Porque esta é uma história de espionagem, de resistência, de contestação a um poder ditatorial.  É uma história de pessoas comuns contribuindo para evitar que a Espanha se tornasse ainda mais envolvida com o poder nazista do que já estava.

María Dueñas

Esta é uma história de ação.  Lembrou-me tantas e tantas outras obras, livros e filmes, que retratam o movimento da resistência francesa ao regime Vichy.   E como aquelas,  O tempo entre costuras  é excitante, sedutor, um verdadeiro rodamoinho de emoções, perigo e de fantasias  aguçadas pelo medo.  Tudo isso centralizado nas ações de uma bela e jovem mulher, costureira, não muito letrada, não muito sofisticada, mas corajosa e inteligente.   Este é um ótimo romance, cinco estrelas, que tem como finalidade uma narrativa rápida, de ação, bem baseada em fatos verídicos, com figuras históricas amplamente documentadas.  Com ele aprende-se um pouco da realidade espanhola nas mãos do Generalíssimo; e um pouco sobre os serviços de espionagem internacionais que se mantinham atentos ao namoro e noivado do governo espanhol com a Alemanha de Hitler.  Uma história que ainda tem muito a ser contada, muito a ser descoberto pelo resto do mundo.

Uma leitura que entretém, sempre, mesmo quando nela aprendemos sobre a Espanha.  Recomendadíssimo.

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AQUI: UMA ENTREVISTA COM A AUTORA — EM ESPANHOL

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Filhotes fofos — Tamanduá

18 10 2010

Um lindo filhote de tamanduá faz o primeiro passeio nas costas de sua mamãe, no Sunshine International Aquarium em Tóquio.  Os tamanduás não têm dentes,  eles se valem de uma longa língua pegajosa para chegar às formigas.  Elem podem chegar a comer 35.000 formigas por dia.  O sexo do tamanduá bebê só pode ser determinado depois de alguns meses de vida.





A ficção cientifica no cinema

17 10 2010
Cascão lê notícias no jornal sobre discos voadores, ilustração Maurício de Sousa.

Li hoje m artigo interessante no Booksblog, do jornal inglês The Guardian, que  me levou a pensar sobre os melhores filmes de ficção científica de Hollywood.  A postagem, na verdade, se refere à incapacidade das companhias cinematográficas baseadas em Hollywood de fazerem um filme de ficção científica cuja qualidade possamos considerar perene.   

A premissa é de que a ficção científica é um gênero baseado em idéias.  E que se um filme tem sucesso é porque seu argumento foi capaz de preservar o essencial de cada elemento do gênero. O autor menciona só dois filmes com as qualidades necessárias:  2001 Odisséia no espaço, de Stanley Kubrick  lançado em 19  e Blade Runner: o caçador de andróides, de Ridley Scott, de 1982.

Assim, 2001 teria trazido para a tela algo que pressentimos ser verdade, ao retratar a evolução da existência humana do tempo em que éramos um pouco mais do que grandes macacos até nosso destino intergaláctico retratado no final.  Nosso momento atual é o próprio período de transição.  Por isso o filme nos cala, porque sentimos que nele há algo de verdadeiro.

Por outro lado, em Blade Runner,mostra uma outra realidade que nos toca como intrinsecamente verdadeira  e é projetada na habilidade que nós humanos temos de desumanizar nossos semelhantes quando nos convém.  Sabemos que isso é verdadeiro, temos exemplos todos os dias ao nosso redor que comprovam essa ser uma característica nossa, de seres humanos.

Foto, Contatos Imediatos de Terceiro Grau.

Além dessas observações, concordo com muitos dos outros pontos do argumento.  Gosto particularmente da lembrança de que a ficção científica é um gênero de idéias.  Como tal é um gênero bastante abstrato e quando projetado em imagens pode facilmente parecer pobre em contraste com as nossas imaginações; limitado aos recursos de época, a não ser que sua linha principal repercuta no nosso âmago mais recôndito, como verdades nossas de seres humanos.  É justamente aí que a agulha da balança pesa para um lado ou para o outro quando julgamos filmes de ficção científica que fossem significativos em qualquer época para qualquer geração. E é muito difícil esta balança pesar mais para o lado universal dos nossos sentimentos e daquilo que sabemos ser verdadeiro, quando nos encontramos face a face com uma realidade desconhecida de todos nós, como é mundo sci-fi.

Mas eu gostaria de adicionar um outro  filme que acredito ter os requisitos para se perpetuar:  Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steven Spielberg , lançado em 1977.  Por quê?  Porque também me parece trazer aquelas características que consideramos perenes:  a nossa curiosidade – sem ela não teríamos chegado ao nivel que chegamos na nossa evolução.  E também, o conhecimento intrínseco  que temos, lá nas profundezas de nossos seres, que as chances de sermos o único lugar com vida no universo são pequenas, muito pequenas. Quase inexistentes.  Sabemos, também, que iremos de alguma forma, algum dia,  nos comunicar com estes outros seres, quer de maneira inteligível, quer através de uma comunicação à base de trocas de celulas ou de DNA.  A genialidade do argumeto de Spielberg foi associar essa comunicação a um nivel de grande abstração como o  som, a música. Impossível de ser limitado e de ser descrito de alguma outra forma. 

Então, para ter longa vida a ficção científica no cinema tem que mostrar uma verdade intrínseca nossa, de seres humanos, que repercuta nas nossas almas, e mais ainda, que sua representação não limite a  nossa imaginação, mas ao contrário que nos faça expandi-las.

E você, o que pensa?