E você, quando crescer vai ser o quê? Homenagem às mulheres cientistas de renome

1 10 2012

Mulheres fenomenais, s/d

[DETALHE]

Maragaret Warfield (EUA, contemporânea)

Serigrafia

Margaret Warfield

O jornal virtual da organização Brain Pickings tem hoje um artigo maravilhoso em que mostra seis posteres minimalistas e desenhados por Hydrogene Portifolio que celebram seis mulheres fenomenais  das ciências ( e aqui uso o título do quadro acima que escolhi para esta postagem).  Faço da homenagem deles a minha também na esperança de incentivar as meninas e jovens a se tornarem cientistas.

Marie Curie (1867-1934) foi uma cientista polonesa.  Trabalhou na França onde desenvolveu suas descobertas no campo da radiotiavidade. Foi a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com o Prêmio Nobel: Física, em 1903 (dividido com seu marido, Pierre Curie, e Becquerel) e Química, em 1911 pela descoberta dos elementos químicos rádio e polônio.

Jane Goodall (1934) nasceu na Inglaterra.  Dedica-se  há mais de 45 anos ao estudo dos chimpanzés, suas interações familiares e sociais.  Batalhadora pela conservação do meio ambiente e defensora dos direitos dos animais.

Grace Hopper (1906-1992) nasceu em Nova York . Foi uma cientista de computação e uma oficial da marinha americana.  Pioneira no campo da computação foi uma das primeiras programadoras contribuindo entre outros feitos para os alicerces da linguagem COBOL.

Rosalind Franklin (1920-1958) nasceu na Inglaterra. Biofísica, sua grande contribuição foi no entendimento das estruturas moleculares do DNA, do RNA, dos virus e do carvão.

Rachel Carson — (1907-1964) nasceu nos Estados Unidos.  Foi bióloga-marinha e trabalhou com a proteção ao meio ambiente.  Seu livro Primavera Silenciosa deu origem ao movimento de proteção ao meio ambiente no mundo.

Sally Ride (1951-2012), nasceu nos Estados Unidos.  Fisica e astronauta. Foi a primeira mulher a dar a volta na Terra em órbita (1983).

Que as nossas meninas se mirem nesses exemplos.  Nem todo mundo precisa ser modelo ou atriz de televisão para ter sucesso.  Muito sucesso.   Há muito espaço para que outras prendas, outras qualidades sejam reconhecidas. O importante é fazer aquilo de que você gosta.

E você, quando crescer, vai ser o quê?





No reino dos animais — [vertebrados e invertebrados]

20 08 2012

Ilustração de 1890, gravura.

No reino dos animais

Vovô Inácio e Julinho passaram a manhã inteira no fundo do quintal. Sabe o que estavam fazendo? Apanhando minhocas para pescar. Estes pequenos animais são ótimas iscas para peixe.  O terreno era mole e úmido, de modo que o menino e o avô conseguiram reunir grande quantidade de bichinhos.

Julinho arregalou os olhos quando vovô Inácio lhe disse que a minhoca era um animal invertebrado. Nunca tinha ouvido essa palavra. Por isso, não conhecia a sua significação. O bom velhinho então explicou ao neto:

— Chamam-se animais vertebrados, os que têm um esqueleto formado de ossos. No esqueleto existe uma coluna formada de pequenos ossos chamados vértebras. Daí serem chamados de vertebrados os animais que possuem esqueleto. E os que não o têm denominam-se invertebrados.

— Quais são os animais vertebrados?

— O boi, o cavalo, a galinha, o sapo, os peixes. Com os ossos desses animais fabricam-se pentes, botões, cabos de escovas, de facas e muitos objetos úteis.

— E quais são os animais invertebrados?

— A borboleta, a formiga a abelha, a mosca, a barata e milhares de outros animais.

Ouvindo isso, o menino começou a apertar, com força, os próprios braços, pernas e tronco.

— Que é isso, Julinho? Perguntou o avô, intrigado.

— Não é nada, vovô. Estou vendo se tenho esqueleto. Graças a Deus, sou um vertebrado!

Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, edição especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro Editora Agir: 1952.





E lá vai Vênus, passando em frente ao sol…

5 06 2012

Nesta terça e na quarta poderá ser visto o raríssimo trânsito de Vênus:  o trânsito de Vênus ocorre quando o planeta passa em frente ao Sol. A próxima vez que ele ocorrer vai ser em 2117. O evento é um dos mais aguardados no calendário astronômico.No Brasil, apenas o extremo noroeste (Acre, Roraima e oeste da Amazônia) poderá ver, hoje ao por do sol.

Sobre essa ocasião, o astrônomo Gustavo Rojas, encarregado do observatório da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) disse:  “Ele tem uma frequência que é meio estranha. A última vez que aconteceu foi oito anos atrás, em 2004, e a próxima será em 2117. O ciclo todo demora 243 anos. Acontece uma vez, acontece oito anos depois, daí se passam 121 anos e meio, aí acontece mais dois com oito anos de diferença e depois mais uma pausa de 105 anos e meio; é um  fenômeno periódico, mas não de uma periodicidade do tipo a que estamos acostumados.”

Podemos ver apenas os trânsitos de Vênus e de Mercúrio. O motivo é muito simples: só vemos passar na frente do Sol corpos que estão entre nós e a nossa estrela. O trânsito do primeiro planeta do Sistema Solar é bem mais frequente, tivemos um em 2006 e depois teremos em 2016, 2019 e 2032, afirma Rojas.

O trânsito de Vênus já foi usado para medir a distância média da Terra ao Sol – a famosa unidade astronômica (UA), uma das unidades de distância usadas pelos cientistas. Além disso, o tamanho desse planeta já foi calculado com um desses eventos e até foi descoberto que ele tem atmosfera. Contudo, hoje temos métodos mais precisos para descobrir esses dados. “Não tem mais relevância científica (…) mas você continua investigando, porque, de repente, pode ocorrer um evento que você não está prevendo“, diz o pesquisador.

Contudo, os trânsitos de planetas fora do Sistema Solar hoje são utilizados exatamente para descobri-los. A passagem desses corpos em frente as suas estrelas causa mudanças no brilho, o que permite aos astrônomos registrá-los. A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) vai observar o evento de terça-feira para tentar melhorar ainda mais essa técnica.

Fonte: TERRA





5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.

5 06 2012

Brasil, lençóis maranhenses.

O que você vai fazer hoje, para preservar o meio ambiente?

Brasil, Serra Gaúcha.

O que você vai mudar no seu dia a dia para preservar o meio ambiente?

Brasil, cavalos selvagens em Roraima.

Quantas árvores você vai plantar neste ano?

Brasil, Canyon Guartelá, PR.

Vai organizar um mutirão para limpar o rio mais próximo de sua casa?

Brasil, Pantanal Matogrossense.

Que tal comer carne bovina só uma vez por semana? ou por mês?

Brasil, Chapada da Diamantina, BA.

Não lave mais as calçadas!

Pense bem, nas pequenas coisas, nos pequenos gestos que cada um de nós pode fazer para preservar o nosso planeta.

E aja!

É o seu futuro, é o futuro de seus filhos, netos, bisnetos, das gerações seguintes que estão nas suas mãos.

Levante-se, arregace as mangas e trabalhe para um futuro melhor!





Um tesouro de joias encontrado em Tel Megiddo, Israel

23 05 2012

Joia encontrada em Tel Megiddo, Israel, em um jarro de cerâmica, enterrado há 3.000 anos.

Arqueólogos da Universidade de Tel Aviv apresentaram ao público, no início dessa semana, um tesouro encontrado em um jarro envolto em tecidos e escondido em uma casa no norte de Israel  há mais de 3.000 anos atrás.  O jarro, escavado de uma casa em Tel Megiddo, no Vale de Jezreel no norte de Israel, é um lugar incomum para encontrar joias, de acordo com os arqueólogos da Universidade de Tel Aviv. Entre as peças está um belo par de brincos decorados com cabras selvagens.

Primeiro foi encontrado o jarro de cerâmica, em 2010.  Datando de aproximadamente  1100 a.C.  O jarro havia provavelmente pertencido a uma mulher cananéia, que talvez morasse na casa. Canaã era uma região histórica formada pelo que hoje é  Israel, Palestina, Líbano e partes da Síria e da Jordânia. Tel Megiddo era uma importante cidade-estado nesta região até o século X a.C.

Vasilha de cerâmica em que as joias estavam escondidas, século X a.C. Foto cortesia Megiddo Archological Team.

Segundo o Prof. Israel Finkelstein, do Departamento de arqueologia e culturas do oriente médio da Universidade de Tel Aviv, o jarro foi encontrado em 2010, mas permaneceu por limpar, enquanto aguardavam uma análise molecular do seu conteúdo. Quando  a equipe foi finalmente capaz de lavar a sujeira, encontrou peças de jóias, incluindo um anel, brincos e pérolas, escondidas no bojo do vaso.

Os pesquisadores acreditam que a coleção, que foi descoberta nas ruínas de uma casa particular na zona norte de Megiddo, pertence a um período de tempo chamado “Idade do Ferro  I,” e que pelo menos algumas das peças podem ter sua origem no Egito. Alguns dos materiais e desenhos apresentados nas joias, incluindo contas feitas de cornalina, pedra semi preciosa, são consistentes com desenhos egípcios da mesma época.

Tel Megiddo, Foto: Rafael Ben-Ari.

Quando os pesquisadores removeram o jarro de cerâmica a partir do local da escavação, eles não tinham ideia de que havia alguma coisa dentro. As joias foram bem preservadas e haviam sido envoltas em tecidos, mas as circunstâncias que as rodeiam são bastante misteriosas.  É quase certo de que o jarro não fosse o lugar de guardar as joias normalmente. “É claro que as pessoas tentaram esconder a coleção, e por algum motivo eles não foram capazes de voltar para buscá-lo.” — concluiu  o Prof Ussishkin que notando que os proprietários poderiam ter morrido ou sido obrigados a fugir.  Ele acredita que esta tenha sido uma coleção de joias de uma mulher de Canaã, que morava nessa casa.

Contas de ouro e cornelia encontradas junto às joias. Foto cortesia Megiddo Archological Team.

A variedade das joias também é fora do comum. Embora a coleção inclua um número brincos comuns, em forma de lua crescente, de origem de Canaã, os arqueólogos encontraram também  conjunto de itens de ouro e um número de contas feitas de cornalina, pedras semi preciosas cujo uso era frequente na fabricação de joias egípcias naquela época. Isso aponta para uma forte conexão egípcia, seja em influência ou origem. Essa conexão não seria surpreendente, segundo o professor Cline, que afirmou que as interações entre o Egito e Tel Megiddo são bem conhecidas durante a Idade do Bronze e a Idade do Ferro.

Quatro pares de brincos de ouro em forma de crescente.

O item mais notável, de acordo com os pesquisadores, é um brinco de ouro com padrão de peças moldadas na forma de cabras selvagens. “Para itens exclusivos, como esse, trabalhamos para encontrar paralelos para ajudar a colocar os itens em suas corretas configurações culturais e cronológica, mas, neste caso, ainda não encontramos nada“, dizem os pesquisadores.

Anel com um desenho gravado de peixe. Foto cortesia Megiddo Archological Team

Este achado adiciona outro aspecto fascinante a este sítio arqueológico: Tel Megiddo era uma  importante cidade-estado de Canaã,  até o início do século X a.C.  e um centro muito importante do Reino do Norte de Israel nos séculos IX e VIII a.C.  Esse é um sítio arqueológico com multicamadas, de vários períodos de tempo claramente diferenciados, e neste período, existem de 10 a 11 estratos bem datados através da análise de radiocarbono. “Essa sequência de datas de radiocarbono não existe em nenhum outro lugar na região“, diz o professor Finkelstein.

Outro ângulo do espetacular brinco de cabras encontrado no vasilhame.

A camada em que a joia foi encontrada já foi datada do século XI a.C., logo após o fim do domínio egípcio no século XII a.C. Ou a joia foi deixada para trás na retirada egípcia ou as pessoas que possuíam as joias foram influenciadas pela cultura egípcia. Os pesquisadores esperam que a análise dos tecidos em que as joias foram embrulhadas e das joias propriamente ditas, possam dizer-lhes mais sobre as origens da coleção. Se o ouro é puro em vez de uma mistura de ouro e prata, por exemplo, será mais provável que essas joias tenham vindo do Egito, uma região que era pobre em recursos de prata, mas rico em ouro.

FONTE: SCIENCE DAILY





Perguntas sobre o cosmos para mentes investigadoras

19 05 2012

Astronomia, ilustração de Margret Boriss [cartão postal].

A revista Smithsonian  Magazine publicou uma lista com dez das questões mais intrigantes sobre o cosmos, perguntas que os cientistas ainda não conseguiram responder, cujas respostas encontradas ainda não foram  satisfatórias.  Listo essas questões abaixo para que nós todos possamos pensar nas soluções, cada qual usando suas habilidades.  Mas ainda não sabemos as respostas certas.  Ativem suas imaginações, seus conhecimentos e mãos à obra:

1 – O que são as bolhas de Fermi?

As bolhas são enormes estruturas misteriosas que emanam do centro da Via Láctea e se expandem por aproximadamente  20.000 anos-luz ou  acima e abaixo do plano galáctico. O estranho fenômeno, descoberto pela primeira vez em 2010, é composto de emissões de super-alta energia de raios gama e raios-X , invisíveis a olho nu.

2 – A galáxia retangular

Este ano, os astrônomos avistaram um corpo celeste, a cerca de 70 milhões de anos-luz de distância, com uma aparência que é única no universo visível, formada mais ou menos como um retângulo. É a LEDA galáxia 074886.  Enquanto a maioria das galáxias tem  forma de disco, elipses tridimensionais ou bolhas irregulares, esta parece  ser retangular ou formar  um losango.

3 – Campo magnético da lua

Um dos maiores mistérios da lua: por que apenas algumas partes da crosta lunar parecem ter um  campo magnético?  Esta questão  tem intrigado astrônomos por décadas.  Seria  o magnetismo  uma relíquia de um asteroide de 120 quilômetros de largura que colidiu com o polo sul da Lua cerca de 4,5 bilhões de anos?  Ou esse campo magnético pode ser relacionado a outros pequenos, os impactos mais recentes?

Tintin no espaço, ilustração Hergé.

4. Por que os pulsares pulsam?

Os pulsares são estrelas de nêutrons distantes, que giram rapidamente.  Elas emitem um feixe de radiação eletromagnética em intervalos regulares, como um raio de um farol marítimo rotativo no litoral.   Esse fenômeno conhecido desde de a descoberta do primeiro pulsar, em 1967, ainda está sem resposta.  E a pergunta é composta: o que faz o pulsar pulsar?  E o que faz um pulsar ocasionalmente parar de pulsar?  Para voltar a pulsar centenas de dias mais tarde?  Qual a razão de uma oscilação nas correntes magnéticas de um pulsar?

5. O que é a matéria escura?

O que é exatamente essa energia escura, que compreende 70 por cento do universo? O que é a matéria escura?  A energia escura não é o único material escuro no cosmos: cerca de 25 por cento do universo é composto por outro material, totalmente separado desse, também escuro, a que chamamos matéria escura. Completamente invisível para os telescópios e ao olho humano, não emite nem absorve luz visível (ou qualquer forma de radiação eletromagnética), mas tem efeito gravitacional evidente nos movimentos de aglomerados de galáxias e estrelas individuais.

6. Reciclagem Galáctica

As galáxias se proliferam formando novas estrelas a um ritmo que parece consumir mais matéria do que elas realmente têm dentro de si. A Via Láctea, por exemplo, parece transformar, a cada ano, o equivalente a  um sol em poeira e gás, em estrelas novas, mas sem ter matéria livre suficiente para continuar com esse processo por longo prazo. Será que as galáxias reciclam gás expelido para produzirem novas estrelas?  É assim que suprem a matéria-prima que parece faltar?

7. Onde está todo o lítio?

Modelos do Big Bang indicam que o elemento lítio deve ser abundante em todo o universo. O mistério, neste caso, é bastante simples: não é abundante coisa nenhuma! Observações de estrelas antigas, formadas a partir de material semelhante ao que é produzido pelo Big Bang, revelam quantidades de lítio duas a três vezes mais baixa do que a prevista pelos modelos teóricos. Para onde foi todo o lítio?

Céu estrelado, autoria: M.D.

8. Tem alguém aí?

Em 1961, o astrofísico Frank Drake criou uma equação altamente controversa: Multiplicou toda uma série de elementos relacionados à probabilidade de vida extraterrestre [a taxa de formação de estrelas no universo, a fração de estrelas com planetas, a fração de planetas com condições adequadas para a vida, etc], isso feito,  ele chegou à conclusão que é muito provável a existência de vida inteligente em outros planetas.  As recentes descobertas de planetas distantes, que poderiam teoricamente abrigar vida, aumentaram as esperanças de detectarmos extraterrestres, se apenas continuarmos procurando.  Mas onde eles estarão?

9. Como será o fim do Universo?

Agora acreditamos que o universo começou com o Big Bang. Mas como isso vai acabar? Baseado em uma série de fatores, teóricos não têm uma única resposta.  O destino do universo pode tomar uma de várias formas diferentes. Se a quantidade de energia escura não é o suficiente para resistir à força de compressão da gravidade, o universo inteiro pode entrar em colapso em um único ponto, como uma imagem espelhada do Big Bang, conhecido como o Big Crunch.  Mas recentemente,  há indicações de que um Big Crunch é menos provável do que um Big Chill, quando a energia escura obrigará o universo em uma expansão lenta, gradual e tudo o que restar serão  estrelas e planetas mortos, pairando em temperaturas pouco acima do zero absoluto . Se a energia escura está presente o suficiente para sobrepujar todas as outras forças, um cenário de Big Rip poderia ocorrer, em que todas as galáxias, estrelas e até mesmo átomos são dilacerados.   Alguma sugestão diferente?

10. Em todo o Multiverso

Os físicos teóricos especulam que nosso universo pode não ser o único de sua espécie. A ideia é que o nosso universo existe dentro de uma bolha, universos alternativos e vários estão contidos dentro de suas próprias bolhas distintas. Nestes outros universos, as constantes-  e mesmo as leis da física, podem diferir drasticamente daquilo que conhecemos. Apesar da semelhança da teoria à ficção científica, os astrônomos estão agora à procura de evidências físicas que poderiam indicar colisões com outros universos.





O mundo geek se agita: seríamos uma imagem holográfica?

16 05 2012

Origami, década de 1990

Yuli Geszti (Hungria, 1953- no Brasil desde 1957)

acríica sobre tela, 80 x 80 cm

Para quem se interessa por ficção científica, sugiro a fascinante entrevista na revista Wired : Theoretical Physicist Brian Greene Thinks You Might Be a Hologram,  [Brian Greene, o teórico da física, acredita que você possa ser um holograma] com  Brian Greene autor de The Fabric of the Cosmos, livro que serviu de base para o programa da televisão pública nos Estado Unidos [PBS], com o mesmo título.  Sem deixar de lembrar o quanto essas ideias são difíceis de ser entendidas, até mesmo por físicos que trabalham com isso no dia a dia, Brian Greene explicou que só levou adiante as pesquisas de Leonard Susskind e Gerard’t Hooft , que ao considerarem  alternativas para o que acontece com informações que entram nos buracos negros, desenvolveram a ideia de que  o objeto que cai num buraco negro pode ser representado por dados em duas dimensões.  Brian Greene então  questionou se o reverso também não seria verdadeiro.

No programa televisivo The Fabric of the Cosmos Brian Greene considera algumas das propostas da física moderna que têm estranhas características, mas que são de fato ideias que com base sólida na pesquisa matemática e em dados tirados da observação.  Entre essas estão a definição do que é o tempo, um conceito que afeta toda a nossa vida mas do qual sabemos pouco;  o conceito de espaço, isso tudo que nos cerca;  comunicação entre objetos distantes entre si; ele aborda também a mecânica quantum e como ele mesmo diz, o que ainda pode ser considerado mais revolucionário, o conceito de que o nosso universo não seja único e sim parte de um grupo de universos a que se dá o nome de multiverso.

Perguntado sobre suas preferências no mundo da ficção científica, Brian Greene listou Isaac Asimov como seu autor favorito, seguido de  Ray Bradbury.  Ele prefere a ficção científica que tem a verdadeira ciência como base e aconselha escritores de ficção cientifica para manterem-se o mais próximo possível dos conhecimentos científicos, deixando que a própria ciência oriente o desenvolvimento da história.  “Mude o que for necessário só sobre aquilo que está às margens do conhecimento.  No caso em particular do buraco negro modifique a realidade, dê asas à imaginação na beiras do conhecimento para fazer a história se desenvolver, mas mantenha o que já se sabe da ciência intacto.  Este sim seria um objetivo construtivo.”

Sobre os universos paralelos – realidades tão presentes nos dias de hoje na ficção científica – Brian Greene, que se dedicou ao assunto no livro The Hidden Reality, garante que seria muito difícil viajar de um universo ao outro, mesmo com a possibilidade de haver mais que um universo paralelo, como por exemplo, o universo paralelo previsto pela mecânica quantum que difere substancialmente daquele previsto pela cosmologia, ou ainda a versão da teoria das cordas.

Se você lê em inglês e tem interesse em ficção científica, sugiro que clique no link do artigo citado acima. E  ainda que acompanhe o vídeo com o debate do 11º  Isaac Asimov Debate que coloco aqui abaixo, lembrando que leva quase 2 horas.  Bom proveito!





Ninho de ovos de dinossauros descobertos na Chechênia

13 04 2012

Cientistas da república islâmica da Chechênia, no Cáucaso, que faz parte da Federação Russa, descobriram um “esconderijo” de ovos fossilizados de dinossauros em uma área montanhosa no sul da república. Uma equipe de geógrafos fez a descoberta em uma expedição para estudar duas cachoeiras até então desconhecidas numa área intocada no Sharoyski , Distrito da Chechênia.

Existem pedras nas encostas da montanha e entre eles notamos uma espécie de globos lisos e macios“, afirmou Magomed Dzhabrailov, geógrafo da Universidade do Estado da Chechênia. “Chegamos perto e vimos que não eram pedras. Concluímos, então, que eram ovos de dinossauro, por causa das cascas, claras e gemas que eram bem nítidas. O diâmetro do ovo varia entre 63 centímetros e um metro“, contou.  “A visão transversal [de um dos ovos] mostra que a sua casca, gema e albúmen são muito bem-circunscritos. Tiramos várias amostras para verificar a composição física e química dos fósseis.”

Um grupo de paleontologistas foi enviado a Moscou para estudar as amostras e conduzir testes de radiocarbono nas mesmas.  Os cientistas acreditam que os ovos – cerca de quarenta  — foram colocados por um dinossauro herbívoro que viveu cerca de 60 milhões de anos atrás, época de extinção dos dinossauros no planeta.

Fontes: RIA NOVOSTI e Terra





Uma verdadeira história de re-nascimento, para nos alegrar nessa Páscoa!

6 04 2012

Quatro dos dezoito patinhos zarros de Madagascar, nascidos em cativeiro.

Dezoito patinhos, filhotes de zarros, os patos selvagens mais raros do mundo, nativos de Madagascar e em processo de extinção, nasceram ontem em um centro de reprodução em cativeiro, onde estão sendo monitorados. Com esse pequeno número de filhotes, cientistas deram um passo incrível para a recuperação da espécie, já que com esta “explosão populacional”, aumenta-se em 30% toda a população mundial conhecida, do gênero Aythya innotata, hoje  reduzida a 60 patos adultos.

No final dos anos 90, cientistas acreditavam que os zarros de Madagascar estivessem extintos.  No entanto, alguns espécimes foram redescobertos em 2006, depois que uma expedição ao Lago Matsaborimena – também conhecido como Lago Vermelho – revelou a existência de 22 zarros.  Só 22 desses patos cor de canela que pareciam livres na natureza.

Os grupos Wildfowl and Wetlands Trust e Durrell Wildlife Conservation Trust, que coordenaram o projeto de reprodução, disseram que esse tipo de iniciativa pode salvar as espécies em extinção.  As duas entidades de conservação da natureza lançaram uma missão de emergência para garantir a sobrevivência da espécie em 2009. O objetivo era coletar ovos para começar um programa de reprodução em cativeiro. Eles pegaram 24 ovos dos ninhos do Lago Matsaborimena. Inicialmente os ovos foram sendo chocados dentro de uma banheira de hotel, enquanto o centro de reprodução estava sendo construído em Antsohihy, na ilha próxima da costa da África.

Os filhotes que nasceram nestas condições inusitadas agora estão dando à luz a sua primeira ninhada. “Estes patinhos representam um passo incrível na luta para salvar os zarros da extinção“, diz o biólogo Glyn Young, da Durrell Wildlife Conservation Trust.

Ambientalistas dizem que a espécie continua a ser extremamente vulnerável à extinção de eventos únicos como a poluição ou surto da doença.

Dr. Glyn Young, um biólogo de conservação com Durrell Wildlife Conservation Trust, um dos parceiros no programa de melhoramento, disse: “Sete anos atrás, as pessoas pensavam que este pássaro já estivesse extinto, mas a descoberta de uma população pequena e agora a chegada desses patinhos levou a esperança real de que as aves possam um dia voltar à natureza novamente.”

O projecto de conservação, que também envolve o Wildfowl e Wetlands Trust (WWT), o Fundo Peregrine, Asity Madagascar e o governo de Madagáscar, estuda a população selvagem de zarros para entender por que ela está em declínio e onde seria o melhor lugar para liberar o grupo de criado em cativeiro.

Entre as preocupações dos cientistas  está a taxa de sucesso muito baixa de reprodução, quando deixados à natureza, por exemplo, no Lago Matsaborimena, o último lugar natural e selvagem onde eles se congregaram.

Peter Cranswick, diretor de recuperação de espécies em WWT, disse: “Embora Lake Matsaborimena seja o último esconderijo para os patos, está longe de ser ideal como um habitat.  Nossas investigações iniciais sugerem que há pouco alimentoe isso pode ser responsável pela baixa sobrevivência dos patinhos, nascido no lugar. Na verdade, eles estão morrendo de fome”

Cranswick disse que a equipe havia identificado alguns lagos onde as condições físicas eram potencialmente boas  como lugares reprodutores para os zarros.  Mas como acredita-se que a pesca  seja um fator responsável pelo declínio da população de patos zarros  e as comunidades locais dependem da pesca, o sucesso de um esquema de reintrodução dos patos à natureza depende de apoio local, das comunidades e de se encontrar uma solução que beneficie a moradores e aos pássaros.

Fontes: Terra, The Daily Mirror





Grande dinossauro com penas descoberto na China

4 04 2012

Desenho que ilustra como seriam os Yutyrannus huali.

Paleontólogos chineses e canadenses descobriram um fóssil do maior dinossauro com penas encontrado até hoje. O tiranossauro chamado de Yutyrannus huali, que significa” belo tirano com penas”, media nove metros e pesava cerca de 1400 quilos. Embora fosse muito menor que o Tiranossauro rex, o peso do novo dinossauro era 40 vezes mais elevado do que o maior dinossauro com penas conhecido até hoje, o Beipiaosaurus.

Apesar de contar com penas de 15 centímetros estes dinossauros que viveram na Terra há 125 milhões de anos eram incapazes de voar. Além de serem muito pesados para saírem do chão, havia uma questão aerodinâmica nas penas que impedia o voo. “As penas eram filamentosas eram estruturalmente mais parecidas com cabelos ou cerdas do que as plumas das aves modernas, portanto não formavam superfície aerodinâmica para o voo“, disse Corwin Sullivan, paleontólogo canadense que participou do estudo publicado no periódico científico Nature.

Os pesquisadores acreditam que as penas tinham a função de isolamento térmico. “Os grandes animais geralmente conseguem conservar o calor mais facilmente. Eu suspeito que que o Y. huali era um animal de sangue quente para que pudesse se beneficiar deste mecanismo de retenção de calor“, disse ao iG Sullivan.

A descoberta foi feita a partir da análise de três esqueletos completos do Yutyrannus huali. Os três esqueletos – um exemplar adulto e dois filhotes -, foram encontrados na província de Liaoning, na China.   Os paleontólogos tinham conhecimento, há mais de uma década, que alguns pequenos dinossauros tiveram plumas semelhantes às dos pássaros, com tamanhos semelhantes às de uma galinha,  graças às descobertas de vários fósseis nesta região chinesa. Mas esse achado mostra que existiu pelo menos uma grande espécie que também tinha penas.

Enquanto os dois filhotes deveriam pesar cerca de meia tonelada, o exemplar adulto teria alcançado 1.400 quilos e nove metros de comprimento, dimensões que o transformam no maior animal com penas que já existiu.  Seu tamanho era consideravelmente menor do que seu primo Tiranossauro Rex, mas quarenta vezes maior do que as espécies com penas anteriormente descobertas.

Engana-se, porém, quem pensa que as penas do “Yutyrannus” eram belas como as de alguns pássaros atuais. Sua plumagem era feita de “simples filamentos e se pareciam com as de um pintinho“, explicou Xu Xing, principal autor do artigo e pesquisador do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados de Pequim.

O caso do Yutyrannus, cujo corpo era apenas parcialmente coberto com penas, pode refletir uma adaptação a um ambiente frio incomum, afirma o estudo. Ao contrário de seu parente, o tiranossauro, que viveu numa época quente, o “Yutyrannus” habitou a Terra em meados do Cretáceo Inferior, um período que se estendeu de 145 milhões de anos a 98 milhões de anos atrás, e no qual as temperaturas caíram. Por isso suas penas devem ter servido para proteção contra o frio, já que supõe-se que esse período tenha sido muito mais frio do que o resto do Cretáceo, 10°C contra 18°C em média.

O estudo revela mais um novo elemento sobre a evolução dos primeiros animais com penas. É possível que a dimensão e a natureza da plumagem “evoluiu de acordo com as mudanças de massa corporal e da temperatura do ambiente“, acreditam os pesquisadores.

Pode-se até considerar, de acordo com o estudo, que o Tiranossauro e seus parentes tiveram penas em partes do corpo.  A descoberta pode ser uma prova de que “as penas estavam muito mais disseminadas do que os cientistas pensavam até poucos anos, pelo menos entre os dinossauros carnívoros“, disse o autor do estudo.

Fonte: Terra, Le Temps