Tumba de mestre-cervejeiro descoberta em Luxor

4 01 2014

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Um mestre-cervejeiro da corte certamente tinha um bom status social no antigo Egito.  Podemos concluir isso depois que especialistas japoneses descobriram em Luxor, no sul do Egito, uma tumba de um chefe cervejeiro, da época de Ramsés II, ou seja, dos séculos XII a XI antes da Era Comum.  Sua cervejaria era dedicada à deusa Mut.   Sabemos disso graças às descobertas anunciadas no dia 2 de janeiro, pelo ministro egípcio de Antiguidades, importantes detalhes da vida cotidiana do dono da cervejaria, identificado como Junsu-Im-Heb, [ou Khonso Em Heb] é um passo importante para se reconstruir a vida diária dos cidadãos da civilização do Nilo.  A família do mestre cervejeiro, que também está retratada, viveu a 3.200 anos atrás.

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Jiri Kondo, chefe da equipe da universidade japonesa de Waseda, explicou que o sepulcro foi descoberto enquanto faziam trabalhos de limpeza para um estudo da tumba TT-47, pertencente a um alto funcionário da época do rei Amenhotep III.

As pinturas murais encontradas mostram diversos aspectos da vida diária da época e da família de Junsu-Im-Heb. Mostram com naturalidade a relação entre um marido, sua esposa e seus filhos, e também como faziam suas práticas religiosas. Seu estudo trará valioso conhecimento sobre o cotidiano da vida a mais de 3.000 anos passados.

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A tumba, repleta de pinturas murais, foi construída numa planta em formato de T, tem dois salões além da câmara mortuária e mostra curiosas cenas do dia a dia, retratando inclusive a admiração de diferentes pessoas antes de um ritual funerário, conhecido como “Abrir a Boca” da época.  Curiosamente esta tumba está ligada à câmara mortuária de uma pessoa chamada Houn, mas ainda não identificada. Além das paredes laterais internas, o teto da tumba também mostra imagens pintadas com delicadeza, imagens precisas e de grande beleza.  Há também a uma pintura representando o pôr do sol.

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Se você está intrigado com essa tumba, e se pergunta por que um mestre cervejeiro teria o status de importância para justificar tanto luxo, talvez seja bom lembrar que uma das primeiras bebidas feitas pelo homem foi a cerveja, que era na antiguidade consumida por todos, jovens, velhos e crianças. Era bebida por ricos e pobres e a cerveja fazia parte dos rituais religiosos diários e em grandes cerimônias. No Egito antigo a cerveja era mais doce e mais grossa do que a bebida que conhecemos hoje.

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Para evitar o saque o governo egípcio aumentou a segurança em torno da tumba até que sejam analisadas todas suas partes. Eventualmente o público terá acesso aos achados nessa tumba. Luxor é uma cidade de 500.000 habitantes, localizada às margens do Nilo, no sul do Egito. É considerada um museu ao ar-livre por causa do grande número de templos e tumbas faraônicas encontradas lá.

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Fontes: The Atlantic, Terra — Fotos: Luxor Times e France Press.





Domingo, um passeio no campo!

15 12 2013

Lucilio de albuquerque. paisagem, 1917, ost, PESPPaisagem, 1917

Lucílio de Albuquerque (Brasil, 1887-1939)

óleo sobre tela, 35 x 50 cm

PESP — Pinacoteca do Estado de São Paulo





A estrela polar — poesia de Vinícius de Moraes

14 12 2013

noite, ceu, estrelas,Nicolas Gouny - cueillir des étoilesIlustração de Nicolas Gouny.

A estrela polar

Vinicius de Moraes

Eu vi a estrela polar

Chorando em cima do mar

Eu vi a estrela polar

Nas costas de Portugal!

Desde então não seja Vênus

A mais pura das estrelas

A estrela polar não brilha

Se humilha no firmamento

Parece uma criancinha

Enjeitada pelo frio

Estrelinha franciscana

Teresinha, mariana

Perdida no Polo Norte

De toda a tristeza humana.

Em: Poemas para a Infância – antologia escolar – de Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, s.d., p.18.





A cor púrpura dos imperadores

4 12 2013

Jean-Leon_Gerome_Pollice_VersoPollice Verso, 1872

Jean-Leon Gerôme (França 1824-1904)

óleo sobre tela

Museu de Arte de Phoenix, Arizona

A cor roxa era um símbolo de status na antiga Roma: só os imperadores tinham direito a usá-la.  A cor imperial, uma tintura especial feita de conchas marinhas do molusco Murex, era importada da cidade de Tiro no Líbano. Os fenícios tinham o monopólio sobre esta tintura roxa, feita pelo esmagamento milhares de conchas do mar chamadas de Murex Mediterrâneo.  E porque era bastante rara, essa cor foi reservada, em muitas culturas da antiguidade para a realeza ou nobreza. Na época do Império Romano era considerada uma traição se qualquer pessoa que se vestisse totalmente de roxo.  A trábea, uma toga totalmente púrpura e usada em ocasiões especiais, só podia ser vestida pelo imperador.  Só as estátuas de deuses podiam dividir esse privilégio dos imperadores: portar a cor púrpura.  Mas, é bom lembrar que o imperador romano era um associado dos deuses. Mortais,  como reis, senadores, jovens filhos de senadores, profetas e alguns outros sacerdotes importantes foram autorizados a ter listras roxas em suas togas. A largura da faixa variava de acordo com o seu status. O roxo era uma honra exclusiva do imperador.

Como eram necessários milhares – dizem que até 10.000 – moluscos Murex para tingir uma única toga, a tintura roxa valia muito dinheiro e, portanto, passou a simbolizar tanto a riqueza como o poder.  As leis suntuárias romanas foram impostas para conter as despesas das pessoas em relação à alimentação, entretenimento e roupas.  Elas também  estabeleceram que só o imperador podia usar a toga púrpura. As leis suntuárias eram também uma maneira fácil e imediata de identificar posição e privilégio.  As penalidades de violação dessas leis poderiam ser duras: multas, perda de bens, títulos e até mesmo a vida. Com elas a estrutura de classes se manteve completamente independente da riqueza de uma pessoa.

Na verdade, a cor púrpura para tingir tecidos se manteve rara e muito cara até meados do século XIX.  Em 1856, o jovem químico inglês William Henry Perkin criou acidentalmente um composto sintético roxo durante uma tentativa de sintetizar o quinino, uma droga usada contra a malária. Ele observou que o composto podia ser usado para tingir tecido e patenteou o corante que começou a fabricar como anilina roxa e púrpura de Tiro.  Fez uma grande fortuna com isso.





A obra de ficção mais antiga do mundo!!!

14 11 2013

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Estandarte de UR, 2600 a.C.  [DETALHE]

Concha, calcário, lápis-lázuli e betume

Cemitério Real,Tumba Real, provavelmente do rei Ur-Pabilsag, Iraque.

Museu Britânico,Londres.

Você sabia que a história de ficção mais antiga que conhecemos  vem da Mesopotâmia? Pois os Sumérios, que ocupavam o vale entre os rios Tigre e Eufrates, uma região de solo muito fértil que hoje faz parte do estado do Iraque, foram os primeiros a desenvolver a escrita – escrita cuneiforme – por isso mesmo são os autores da primeira história de ficção, que se conhece.  A versão mais antiga que temos dessa obra é de 18 séculos antes da Era Comum [século XVIII a. C.]. Essa obra em versos, chama-se em português A epopéia de Gilgamesh, e conta a história de Gilgamesh e companheiro de aventuras Enkidu. Quando Enkidu morre, Gilgamesh se vê questionando a morte e sai à procura da vida eterna. Acredita-se que essa obra seja o resultado da compilação de diversos poemas e lendas tradicionais do povo sumério, contadas de uma forma poética. É aqui que aparece a primeira referência, anterior à da Bíblia, do Dilúvio Universal.

Há diversas traduções dessa obra para o português e também algumas versões para o público infantil.

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Gravuras de Redouté: herança de Josefina de Beauharnais

12 11 2013

Josephine bonaparte, firmin massot, ostJosephine de Beauharnais, 1812

Firmin Massot (França, 1766-1849)

óleo sobre tela, 32 x 28 cm

Coleção Particular

Josefina de Beauharnais teve só dez anos para deixar uma bela herança cultural para as gerações futuras.  Durante os seis anos em que foi Imperatriz da França adquiriu, renovou e cuidou do Castelo de Malmaison, no meio de um imenso parque em Paris.  Lá plantou uma grande variedade de plantas exóticas, que o marido mandava dos lugares que conquistava. Josefina continuou residindo em Malmaison e cuidando dos jardins, mesmo depois do divórcio.  Conseguiu manter o parque com todas as plantas exóticas até sua morte quatro anos mais tarde.  De todas as plantas que cultivava a ex-esposa de Napoleão Bonaparte preferia as rosas. E não só se dedicava a cultivá-las como a desenvolver novos exemplares.

Redoute_-_Rosa_gallica_flore_giganteo_brighter-1000pxRosa Gallica flore giganteo

Redoute - Rose TricoloreRosa Tricolore

Redoute --  Rosa BengaleRosa Bengale Thé Hyménée

Em 1798 Josefina de Beauharnais se tornou patrocinadora do pintor Pierre-Joseph Redouté, que havia sido pintor da corte de Maria Antonieta.  Redouté era não só um excelente aquarelista mas também um botânico.  Foram sua competência e arte as qualidades que o levaram a sobreviver o período de turbulência na França durante a Revolução Francesa e também ao Reino do Terror, para então, ser reconhecido também pela imperatriz Josefina.

Rosa_sulfurea_1000pxRosa Sulfurea

Rosa_Damascena_Celsiana_1000pxRosa Damascena Celsiana

Redoute_-_Rosa_gallica_purpuro-violacea_magnaRosa gallica purpuro violacea magna

Redouté, nascido na Bélgica, havia aprendido a arte da pintura em casa:  seu pai e avô haviam sido pintores também.  Uma vez em Paris, começou a trabalhar com o irmão na decoração de interiores, mas a carreira como ilustrador botânico acabou o seduzindo quando, em 1786, foi orientado pelo botânico Charles Louis L’Héritier de Brutelle e René Desfontaines, encantados com suas aquarelas, a se dedicar a este ramo emergente que combinava a arte com a ciência.

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Rosa noisettiana

Redoute - rosa-lumila-pierre-joseph-redouteRosa lumila

Rosa_alba_Regalis_1000pxRosa alba regalis

Foi durante o patrocínio da imperatriz Josefina que Redouté pintou algumas  das mais belas aquarelas de plantas e flores exóticas.  E depois da morte de sua patrocinadora, Redouté publicou diversos livros de gravuras baseados em suas aquarelas.  A precisão dos detalhes que retratava na pintura, a delicadeza e quase transparência das pétalas desenhadas com cuidado, o colorido muitas vezes em degradé na mesma pétala, tudo contribuiu para que suas gravuras fossem apreciadas até os dias de hoje. Elas são também preciosos documentos de algumas plantas que hoje se tornaram raras.  Redouté morreu em 1840.  Juntos Josefina de Beauharnais e Redouté deixaram uma grande contribuição para as gerações futuras.  Ela, por ter-se dedicado ao desenvolvimento e plantio de plantas exóticas. Ele por tê-las documentado com suas aquarelas e distribuído seu conhecimento com suas gravuras. Hoje Malmaison é a sede do Senado francês e seus jardins são uma pequena percentagem daqueles tratados por Josefina.

Pierre-Joseph_Redouté_-_Rosa_Bifera_Macrocarpa_-_WGA19030Rosa bífera macrocarpa

Redoute_-_Rosa_gallica_pontiana-1000pxRosa gallica pontiana

Rosa_indica_fragrans_1000px RedoutéRosa indica fragrans

Redoute_-_Rosa_centifolia_foliacea-1000pxRosa centifolia foliace





Flores para um sábado perfeito!

2 11 2013

GILBERTO TROMPOWSKY(1912 - 1982)Natureza Morta, 1976,oseNatureza Morta, 1976

Gilberto Trompowsky (Brasil, 1912- 1982)

óleo sobre eucatex





Curiosidade sobre a cenoura e a Holanda

31 10 2013

sir-nathaniel-bacon-cookmaid-with-still-life-of-vegetables-and-fruit-c-1620-5Cozinheira com natureza morta de legumes e frutas, c. 1620-1625

Sir Nathaniel Bacon (Inglaterra,1585-1627)

óleo sobre tela, 151 x 247

Tate Gallery, Londres

A cenoura existe em diversas cores. Elas podem ser brancas, amarelas, negras, roxas ou vermelhas.  As de cor laranja, mais comuns na nossa mesa, são um cultivo especial que provavelmente foi desenvolvido na Holanda,  no século XVI.  Dizem os holandeses que elas foram criadas para honrar a Casa de Orange, que liderou a revolta holandesa contra a Espanha e mais tarde se tornou a família real do país. A cor laranja ainda é a cor oficial da Holanda e também é a cor oficial da camisa do time de futebol daquele país, além de ser um símbolo do patriotismo no país.





O branco e o timbira, poesia de Bruno Seabra

30 10 2013

josé teófilo de jesus , (Brasil, 1757-1847)indio com animais,América

José Teófilo de Jesus (Brasil, 1758-1847)

óleo sobre tela, 65 x 82 cm

Museu de Arte da Bahia, Salvador

O branco e o timbira

(Indígena Brasileiro)

Bruno Seabra

—-

O branco disse ao timbira:

— Não me inspiram, sertanejo,

Estes bosques, estas matas;

— Nem eu vejo

De que te ufanes aqui:

Vem comigo — minha terras

Tem mais lindas variedades

Vida, amor, ouro, prazeres,

Nas cidades

Tudo enfim, terás — ali. —

O timbira disse ao branco:

— Cariúra, deixa a cidade,

__ Vem viver co’o sertanejo,

Aqui tens a liberdade.

(1858)

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 5, de outubro de 1859, p.69. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 9





Natureza maravilhosa — caracol de lábios brancos

27 10 2013

Yellow-Snail-423x550Foto: Wikipedia

Este é o caracol de lábios brancos, (Cepaea hortensis). É um molusco terrestre de tamanho médio que habita a Europa Ocidental e Central.   Mais informações veja White-lipped snail.