Imagem de leitura — Nicolai Fechin

2 09 2010

A atriz Lillian Gish, como Romola,  1925

Nicolai Fechin ( Rússia, 1881- EUA, 1955)

Óleo sobre tela,  125 x 114 cm

Coleção Particular

Nicolai Ivanovitch Fechin nasceu em Kazan, Rússia, em 1881.  Aos treze anos  tornou-se aluno na Escola de Arte de Kazan, que era uma filial da Academia Imperial de Arte de São Petersburgo, para onde foi depois de completar os seus estudos em Kazan.  Lá, foi um aluno brilhante e por isso mesmo teve bolsas de estudos por seis anos consecutivos.  Logo atingiu fama internacional.  No início da revolução comunista na Rússia, sua fama lhe valeu e recebeu ajuda em sair do país de colecionadores internacionais principalmente de seus colecionadores nos EUA.  Emigrando, estabeleceu-se em Nova York, onde ensinou na Academia de Arte de Nova York.   Em 1924 ganhou primeiro prêmio de retrato da Exposição da National Academy.    Mas a tuberculose não o deixou residir num local tão frio e mudou-se com a família para o clima seco do Novo México.  Mais tarde depois de seu divórcio, Nicolai Fechin se estabelece em Los Angeles na Califórnia.  Seu sucesso em solo americano permitiu que o pintor viajasse extensamente  pelo sudeste asiático onde tentou residir, mas retornou à Califórnia onde permaneceu até a morte, em 1955.





Imagem de leitura — Charlotte J. Weeks

12 08 2010

Menina pequena lendo, 1890

Charlotte J. Weeks  (Grã-Bretanha, sem datas)

Óleo sobre tela, 91 x 74cm

NOTA:  Esta é toda a informação que tenho, resultado de três leilões realizados na Inglaterra.  Não tenho nenhuma outra informação sobre a pintora, além de dois outros quadros que também foram a leilão na última década.  Informações serão bem-vindas.





Imagem de leitura — Henri Gervex

10 08 2010

Bailarina lendo O FIGARO, s/d

Henri Gervex (França, 1852-1929)

Óleo sobre madeira, 27 x 21cm

Henri Gervex nasceu na França em 1852. Estudou com Pierre Brisset e com Alexandre Cabanel na Escola de Belas Artes de Paris. Pintor acadêmico dedicado aos retratos único ou em grupo, à pintura de gênero e à pintura histórica.  Seus nus artísticos eram encantadores e ficou famoso com eles.  Além da pintura à óleo Gervex foi um grande pintor em pastel.  Morreu em 1929.





Uma visita à galeria do Sr. Walter em Bel-Ami de Guy de Maupassant

9 08 2010

 

Conde Ludovico Lepic e senhoras vendo uma exposição, s/d

Julius LeBlanc Stewart ( EUA, 1855-1919)

Óleo sobre tela, 39 x 28 cm

Coleção Particular

Há uma passagem no romance de Guy de Maupassant, Bel-Ami, que se tornou extremamente  sedutora para mim.  Ela conta da visita que o personagem principal, Duroy, faz a um conhecido, e do prazer e orgulho que o dono da casa tem em mostrar a Duroy sua coleção de quadros.   Li e reli o trecho, várias vezes.  Os pintores são todos conhecidos, ativos em Paris no final do século XIX.   Só os quadros mencionados, esses sim, parecem ser produtos da imaginação de Guy de Maupassant.  No entanto, o escritor mostra grande familiaridade com o mundo artístico da época:  todos os títulos e  descrições das cenas representadas na coleção do Senhor Walter, que visitamos juntamente com Duroy, se encaixam perfeitamente com os temas e os  títulos e, digamos assim, preocupações estéticas de cada pintor mencionado.  A minha curiosidade venceu e contra qualquer aspiração que eu poderia ter de mostrar bom senso resolvi a todo custo achar representações de quadros equivalentes aos da suposta coleção de arte do Sr. Walter.  Como não poderia deixar de ser, não há caçada que se preze sem mostra das presas, assim, coloco aqui não só a passagem do livro mas sobretudo as telas que encontrei que seriam equivalentes — na maneira do possível — as que formariam o acervo do colecionador retratado por Maupassant. 

***

Duroy havia levantado os olhos para as paredes, à falta de outra ocupação, e o Senhor Walter lhe gritou de longe, num visível desejo de fazer valer seus objetos: — Está olhando meus quadros? — O meus destacou-se. — Vou mostrá-los. — E apanhou um candelabro para que ficassem visíveis todos os detalhes.

— Aqui, as paisagens — disse ele.

No centro da parede, via-se uma grande tela de Guillemet, uma praia na Normandia, sob um céu de borrasca.  Por baixo, um bosque, de Harpignies, depois uma planície da Argélia por Guillemet, com um camelo no horizonte, um grande camelo de pernas longas, semelhante a um estranho monumento.

Paisagem costeira com figuras, s/d

Jean Baptiste Antoine Guillemet (França, 1843-1918)

óleo sobre tela

***

Paisagem, s/d

Henri-Joseph Harpignies ( França, 1819-1916)

Óleo sobre tela

Walter passou à parede seguinte e anunciou com um tom sério, de mestre-de-cerimônias:  — A grande pintura. — Eram quatro telas:  Uma visita ao hospital, de Gervex.  A ceifeira, por Bastien-Lepage; Uma viúva, por Bouguereau, e Execução, por Jean-Paul Laurens.  Esta última obra representava um padre sendo fuzilado na parede de sua igreja, por um destacamento de azuis.

A colheita, 1880

Bastien Lepage (França, 1848-1884)

Óleo sobre tela

***

O dia dos mortos, 1859

William Adolphe Bouguereau ( França, 1825-1905)

Óleo sobre tela

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A execução do Duque d’Enghien, s/d

Jean-Paul Laurens (França, 1838-1921)

Um sorriso passou pela figura grave de Walter ao indicar a parede seguinte: — Aqui os fantasistas, — Via-se em primeiro lugar uma pequena tela de Jean Béraud, intitulada O alto e o baixo.  Era uma parisiense bonita subindo a escada dum bonde em marcha.  Sua cabeça parecia no nível do tejadilho, e os senhores sentados nos bancos descobriam, com satisfação ávida, o rosto jovem que vinha ao encontro deles, enquanto os homens, de pé na plataforma de baixo, olhavam as pernas da moça, com expressões diferentes de despeito e desejo.

Jovem mulher atravessando a rua, s/d

Jean Béraud (França, 1849-1936)

óleo sobre tela

***

Walter segurava a lâmpada no alto e repetia rindo, com um trejeito maroto: — Hein?  não é engraçado?  não é engraçãdo?

Depois iluminou um Salvamento de Lambert.

No meio de uma mesa vazia, um gatinho sentado sobre o traseiro, examinava com espanto e perplexidade uma mosca afogando-se num copo d’água.  Tinha uma pata levantada, pronta a apanhar o inseto com um golpe rápido.  Mas não estava completamente decidido.  Hesitava.  Que Faria?

Depois do jantar, s/d

Louis Eugène Lambert ( França, 1825-1900)

óleo sobre tela

O patrão mostrou depois um Detaille: A lição, que representava um soldado na caserna, ensinando a um cãozinho a tocar tambor, e declarou: — Aqui há espírito!

Duroy ria com um riso aprovador e extasiava-se: — Como é encantador, como é encantador, encan… — Parou bruscamente, ao ouvir, por trás dele, a voz da Senhora de Marelle, que acabava de entrar.

1806: Ponto avançado da cavalaria,  sem data

Jean-Baptiste Edouard Detaille ( França 1848-1912)

óleo sobre tela.

O diretor continuava a iluminar as telas e explicá-las. 

Mostrava agora uma aquarela de Maurice Leloir: O obstáculo.  Era uma cadeirinha parada, por se achar a rua obstruída por uma luta entre dois homens do povo, dois valentões, brigando como Hércules.  E pela janela da cadeirinha, via-se um lindo rosto de mulher que olhava… que olhava… sem impaciência, sem medo, e com certa admiração, o combate dos dois brutos.

A última visita de Voltaire a Paris, s/d

Maurice Leloir ( França, 1853-1940)

Walter continuava dizendo sempre: — tenho outros nas outras peças seguintes, mas são de gente menos conhecida, menos classificada.  Aqui é o meu salão.  Compro dos jovens do momento, dos mais jovens, e ponho-os de reserva nos quartos mais internos, esperando os autores tornarem-se célebres.  — Depois disse, muito baixo: — É a hora de comprar quadros.  Os pintores morrem de fome.  Não têm dinheiro, não têm dinheiro…

Em: Bel-Ami, Guy de Maupassant, São Paulo, Editora Abril:1981, tradução de Clóvis Ramalhete, pp: 111-113





Imagem de leitura — Julius LeBlanc Stewart

5 08 2010

Lendo em voz alta, 1883

Julius Leblanc Stewart ( EUA, 1855-1919)

Óleo sobre tela, 97 x 118 cm

Julius LeBlanc Stewart ( Filadélfia 1855- Paris 1919).  “O Pintor da Belle-Époque” — Pintor americano que passou a maior parte de sua vida profissional na França.   Filho de um milionário do açúcar, Le Blanc Stweart pintou a vida de luxo de sua família e seus amigos.  Seu pai tornou-se um grande colecionador de arte o que contribuiu para a melhor educação artística de Julius.  Especializou-se em grandes grupos, onde frequentemente se colocava no meio, com um auto-retrato.  Seu talento foi bastante reconhecido e seus trabalhos expostos regularmente no Salão de Paris desde 1878 até o início do século XX.  Ajudou também a divulgar a arte americana em Paris  no Salão de 1894.  Suas pinturas são tão ricas quanto o ambiente que representam.





Imagem de leitura — Marie Louise Cathérine Breslau

4 08 2010

Meninas lendo, 1897

Marie Louise Cathérine Breslau ( Alemanha, 1856-1927)

óleo sobre tela, 80 x 64 cm

Marie Louise Cathérine Breslau, nasceu em Munique, na Alemanha, em dezembro de 1856filha de uma família abastada, seu pai era médico.  Sofrendo de asma, dedicou-se ao desenho desde criança como uma alternativa para passar o tempo.  A família mudou-se para Zurique e mais tarde para Paris.  Foi lá que Marie Louise viveu e trabalhou. Estudou na Academia Julian em Paris.  Em 1901 recebeu a medalha da Região de Honra da França.  Depois de uma exposição de seus trabalhos em 1904, na Galeria Petit atraiu a atenção do público para o  seu trabalho.  Teve uma fama instantânea, mas fugaz.  Faleceu em 1927.





Descobrindo a esposa através dos livros — um trecho de Os Diários de Pedra, de Carol Shields

3 08 2010

Homem lendo, 1881

Vincent van Gogh ( Holanda 1853-1890)

técnica mista: aquarela e carvão

Museu Kröller-Müller, Otterlo, Holanda

Uma passagem das mais interessantes do livro Os diários de pedra de Carol Shields, cuja resenha publiquei recentemente aqui mesmo no blog, mostra a descoberta que um homem faz da mulher que o abandonou, subitamente, sem nada dizer.  A cena se passa no Canadá nos anos 20 do século XX.  É simultaneamente delicada, enternecedora, engraçada.  E fala da solidão, da inabilidade de se demonstrar o amor.  Realmente fascinante.

***

Fazia um ano que ela tinha ido embora quando ele resolveu fazer uma faxina na sala – tapete, cadeiras, tirar o pó e botar tudo para arejar, e no fundo da caixa de costura dela ele encontrou quatro livros pequenos.  Livros românticos, ele achava que se chamava esse tipo, livros femininos, com capa de papel macio.  Nove centavos cada um, o preço estava carimbado nas costas: Livraria dos Nove Centavos.  Não sabia ao certo como ela arranjara aqueles livros, mas imaginava que os tinha comprado do caixeiro-viajante judeu, comprado e lido em segredo, como se ele algum dia fosse negar-lhe esse prazer tão insignificante.

Ele mesmo começou a ler aqueles livros nas noites de inverno.  Era melhor do que ficar olhando o relógio, ouvindo o seu tique-taque, ou escutando o gelo caindo dos ramos sobre o telhado.  A essa altura ele tinha instalado um pequeno e potente aquecedor a lenha na sala, para esquentar o ambiente, coisa que a esposa vivia pedindo.  Lia, devagar, pois, verdade seja dita, ele nunca em sua vida tinha lido um livro inteiro, da capa à contracapa.  Achava agradável pensar que conseguia decifrar a maioria das palavras, virando as páginas uma por uma, prestando atenção: Lutar por um coração, de Laura Jean Libby, O que o ouro não compra, por uma tal de Sra. Alexander, À mercê do mundo, por Florence Warden e Jane Eyre, de Charlotte Brontë.  Esse último era o seu predileto; havia episódios na história que lhe traziam à garganta uma sensação doce e dolorosa, e nesses momentos ele sentia a esposa perto, separada por algumas batidas do coração, tão perto que ele quase podia estender a mão e acariciar a carne do interior de suas coxas.  Ficava pasmo com a quantidade de pessoas que recheavam aqueles livros.  Cada um era um mundinho, povoado e mobiliado.  E como falava aquela gente dos livros!  Falar, falar, viviam pela língua.  Muito do que diziam era tolice, mas também razoável.  Falar afastava a raiva.  As palavras eram trocadas como se troca dinheiro por mercadoria.  Algumas das frases pareciam poemas, nada do jeito como as pessoas falam na realidade, mas mesmo assim ele as pronunciava em voz alta e as decorava, de modo que, se por algum acaso a esposa resolvesse voltar para casa e retomar o seu lugar, ele estaria pronto.  Se essa bobagem de falar difícil era a maior necessidade dela, ele estaria preparado para satisfazê-la – um vulcão de palavras cheias de doçura e sentimento.  Ó lindos olhos, Ó rosto precioso, Ó pele mais bela.  Ou frases que falavam de coração transbordante, desejo crescendo no peito, súbitas centelhas de um corpo acolhendo outro, ou mesmo a simples declaração de amor: Eu te amo, sussurrou ao ouvido expectante dela.  Adoro-te por inteiro.

Ou, se essas declarações lhe fossem demasiado difíceis, como suspeitava que seriam, iria simplesmente olhá-la nos olhos e pronunciar o nome dela: Clarentine.  Falando a princípio com delicadeza, como se faz para acalmar uma criança arisca, forçando a voz a permanecer suave, falando diretamente para aquele rosto que pertencia para sempre ao Clube Feminino de Ritmo e Movimento mas não a ele, aquele rosto querido e imóvel.  Clarentine.  Clarentine.

Em:  Os diários de pedra, Carol Shields,  tradução de Eliana Sabino, Rio de Janeiro, Editora Record: 1996, páginas 111 e 112.

***

NOTA:  Todas as autoras mencionadas nesse texto existiram de verdade.





Imagem de leitura — Adolf Eberle

29 07 2010

Histórias para antes de dormir, 1872

Adolf Eberle ( Alemanha 1843-1914)

óleo sobre tela

—-

Adolf Eberle nasceu em Munique, na Alemanha em 1843.    Filho do pintor alemão Robert Eberle.  Entrou para a Academia em 1860 onde estudou com  Karl Theodor van Piloty.    Sua pintura foi muito bem recebida na exposição internacional de Munique em 1879, onde recebeu menção honrosa por seus trabalhos. Pintor realista.  Faleceu na sua cidade natal em 1914.





Imagem de leitura — Asta Nörregaard

18 07 2010

Jovem lendo, 1889

Asta  Nörregaard (Noruega 1853-1933)

Óleo sobre tela   50 x 25 cm

Coleção Particular

Asta  Eline Jakobine Nörregaard nasceu na Noruega em 1853.  Pintora de gênero e retratista.  Foi aluna de Knud Bergslien em Christiania de 1872 a 1875, mais tarde estudou com Eilif Peterssen em Munique.  Foi para Paris em 1879 onde permaneceu até 1885.  Lá estudou com Léon Bonnat, Jean-Léon Gerome e Jules-Bastien Lepaje.   Começou a pintar retratos em 1870.  Tema pelo qual se tornou mais conhecida.  Está incluída entre as pintoras mulheres de maior importância naquele país ao lado de Harriet Backer, Kitty Kielland, Ida Lorentzen, Signe  Scheel, Hanneline Røgeberg e Marianne Heske. Foi a pintora [mulher] que primeiro recebeu uma grande comissão oficial: a execução do altar para a Igreja de Gjövik em 1882.   Faleceu em 1933.





Hoje é dia de futebol mundial: a arte de Henri Rousseau

11 07 2010

Jogadores de futebol, 1908

Henri Roussseau, Le Douanier ( França, 1844-1910)

Óleo sobre tela, 100 x 80 cm

Museu Guggenheim, Nova York, EUA