Imagem de leitura — Jeanne Rhéaume

8 10 2010

Retrato de mulher, 1947

Jeanne Rhéaume ( Canada, 1915-2000)

Óleo sobre tela,

Museu Nacional de Belas Artes de Quebec

Jeanne Leblanc Rhéaume nasceu em Montreal em 1915. Estudou na Art Association de Montreal com Goodridge Roberts. A partir de 1945, Jeanne Rhéaume participou de diversas exposições coletivas na sua cidade natal  e também em Toronto, Québec, Ottawa, Winnipeg, Vancouver, New York, Roma e Paris além de exposições individuais em Montreal, Ottawa, Québec, Roma e Florença. Trabalhou numa grande variedade de técnicas incluindo óleos, aquarelas, acrílicas e tapeçarias.





A costureira e o cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles

1 10 2010

 

O Cangaceiro, 1988

Aldemir Martins ( Brasil, 1922-2006)

Acrílica sobre tela, 55 x 46 cm

Este ano, pelas minhas contas, li 39 livros de ficção tanto brasileira quanto estrangeira, e acho que acabei de ler o melhor de 2010.  Se não for o melhor ficarei surpresa.  Isso me levará a considerar  o ano extraordinário pela riqueza de bons textos: significa que ainda vou ter surpresas mais espetaculares do que tive com o livro de Frances de Pontes Peebles, intitulado A Costureira e o Cangaceiro [Nova Fronteira: 2009].  Foram 616 páginas que virei com prazer, curiosidade, ansiedade pelo desfecho e ainda fiquei com o gosto de “quero-mais”.

Este é um romance enraizado no estado de Pernambuco, que segue a vida de duas irmãs nascidas no início do século XX numa pequena cidade do interior do estado.  Emília só pensa em sair dali.  Faz de tudo para o conseguir.  Luzia que, ainda criança sofreu um acidente que a deixou com uma deficiência física, se vê sem futuro.  Mas a vida traz surpresas para ambas.  Cada qual persegue e procura um sonho, uma maneira de se realizar.  Seus caminhos são muito diversos, mas mesmo assim há uma forte conexão entre elas, que sem se falarem conseguem se manter “em contato” uma com a outra.  Nesse ínterim, a história do Brasil,  que no início do século parecia uma simples continuação do século XIX, dá uma guinada e Vargas sobe ao poder.  A vida de cada uma é inesperadamente virada pelo avesso com essa mudança feita lá no sudeste do país, por um gaúcho.   Ao longo do caminho, aprendemos muito sobre o Brasil, sobre a política regional de Pernambuco, sobre a oligarquia brasileira.  Ao fechar o volume, compreendemos que além de seguirmos as peripécias dessas duas mulheres fortes e corajosas, seguimos também os caminhos do país e em particular do estado de Pernambuco.  Finalmente compreende-se  a duplicidade das vidas urbana e do sertão em Pernambuco, que como irmãs gêmeas xifópagas, não podem ou conseguem viver separadamente.

Raramente temos um romance brasileiro – um romance histórico – com a precisão de detalhes dados de forma interessante sobre um específico período.  O que Frances de Pontes Peebles faz, é criar duas personagens críveis, na base de “gente como a gente”, e colocá-las interagindo com a sociedade brasileira já estabelecida.  As duas irmãs encontram por si só os caminhos que as levam a viver e sobreviver num mundo que só tem horizontes muito limitados para cada uma delas.  E nessa luta, nessa garra de não sucumbir às demandas sociais, nessa ânsia que ambas demonstram de sair do patamar em que ficariam, caso permanecessem na pequenina Taquaritinga do Norte, aprendemos sobre o Brasil, sobre a sociedade brasileira de uma época em que mal se votava e que nem as mulheres tinham direito ao voto. 

O que faz esse romance tão especial?  São muitas as razões: a voz narrativa, forte, sedutora.  Mas há mais: personagens interessantes e complexos: não nos encontramos com os típicos estereótipos nordestinos quer nos personagens, quer na paisagem; cada detalhe descrito encontra sua razão de ser ao longo da narrativa, até mesmo os que parecem estar lá para dar uma ambientação; na falta de outra documentação, a reconstituição histórica é maravilhosamente baseada nos trajes de época—que marcam a vida da costureira e nos levam através das décadas em questão.  Não há excessos.  Os detalhes fazem a história e seus personagens tridimensionais, o roteiro se mostra bem amarrado, e parece incrível dizer-se isso de um romance de mais de 600 páginas: mas é sucinto.  Como uma boa costureira, Frances de Pontes Peebles não dá ponto sem nó. 

Frances de Pontes Peebles

É necessário ressaltar a excelente tradução de Maria Helena Rouanet, cujo texto em português é riquíssimo em vocabulário e flui com uma destreza de mestre.  Uma das melhores traduções que encontrei recentemente de romances estrangeiros.   Frances de Pontes Peebles nasceu no Brasil,  mas passou grande parte de sua vida nos Estados Unidos.  Filha de mãe brasileira e de pai americano ela se sente mais à vontade no uso da língua inglesa.  E antes deste romance – que é o seu primeiro,  já havia publicado contos nos Estados Unidos.  Hoje ela mora no Brasil e quem quiser pode seguir suas aventuras aqui: http://francesdepontespeebles.com/

Não perca essa leitura.  Você vai adorar!   O meu grupo de leitura aprovou este romance por unanimidade.  É realmente muito bom.





Imagem de leitura — Alexander Zerdini-Kruse

30 09 2010

No quintal em Fire Island, 1964

Alexander Zerdini-Kruse ( EUA,  1888-1972)

Óleo sobre madeira, 50 x 40 cm

Alexander Zerdini Kruse  nasceu  em Nova York em 1888, onde estudou com John Sloan, Robert Henri e George Luks.  Trabalhou em sua cidade natal por toda sua vida.  Foi lá que também se tornou um crítico de arte para o jornal The Brooklin Eagle.   Mais tarde escrevia uma coluna para o New York Post, titulada Arte com a minúsculo.   Exerceu a profissão de professor no Brooklin College, no Riverside Museum.   Foi um pintor de todos os gêneros, retratista, artista gráfico, gravurista e litógrafo.  Faleceu na Califórnia em 1972.





Imagem de leitura — Bessie Ellen Davidson

27 09 2010

O livro verde, s/d

Bessie Ellen Davidson ( Austrália 1879-1965)

Óleo sobre tela

National Gallery of Art, Austrália

Bessie Ellen Davidson (Austrália, 1879- França, 1965). Seus primeiros estudos em arte, em 1889, foram com Rose McPherson em sua cidade natal, Adelaide.   Em 1904 deixou a Austrália para a Europa.  Primeiro para Munique, mas em pouco tempo foi para Paris, onde se tornou aluna da Académie de la Grande Chaumière, estudando com René Prinet.  Os pintores franceses Raphael Collin e Gustave Courtois,e o Americano Richard Miller também foram seus mestres.  Retornou à Austrália em 1906, onde montou um ateliê com a amiga pintora Margaret Preston.  Seu trabalho inclui naturezas mortas, retratos, cenas de interior e paisagens.   Em 1910 ela volta à Europa por onde viaja até a chegada da Primeira Grande Guerra.  Volta para a Austrália em 1914, mas a preocupação com a Primeira Grande Guerra a leva de volta a Paris, onde ela se torna voluntária da Cruz Vermelha, chegando a dirigir um hospital.  Ao final da guerra, Bessie Ellen Davison se estabelece na Europa, expondo regularmente.  Ela se abriga na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial  onde continua a pintar, só voltando a Paris depois do fim da guerra.  Bessie Davidson morreu aos 85 anos em 1965, na França.





Imagem de leitura — Corinne Hartley

26 09 2010

Tempo de descanso, s/d

Corinne Hartley ( EUA, contemporânea)

Óleo sobre tela

Corinne Hartley nasceu nos Estados Unidos e estudou no Chouinard Art Institute em Los Angeles  e depois na Pasadena School of Fine Arts.  Foi uma ilustradora de livros por 30 anos enquanto também mantinha  sua carreira artística.   Trabalha com aquarelas, óleos e esculturas em barro.





FLORES, de Oscar Araripe na Galeria Manuel Bandeira na ABL

24 09 2010
Galeria Manuel Bandeira, Academia Brasileira de Letras.  Foto: Ladyce West

Desde o início de setembro a Galeria Manuel Bandeira, da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, está com uma exposição do artista carioca, radicado em Tiradentes, MG,  Oscar Araripe.  A mostra, intitulada FLORES, é uma excelente e sucinta demonstração do estilo leve e risonho desse pintor que tem como característica a pintura gestual e um uso de cores quase expressionista.  A assinatura pictórica de Oscar Araripe está justamente na alegria transmitida pela sua escolha de temas e cores.  Suas flores, ocasionalmente tão leves quanto borboletas, transmitem uma imensa leveza, felicidade, jocosidade que não pode deixar o observador indiferente. 

Flores XXII, 2010

Oscar Araripe, ( Rio de Janeiro, contemporâneo)

Acrílica sobre tela sintética.  110x120cm.

Tradicionalmente o tema das telas apresentadas nessa exposição cairia no gênero: Natureza Morta, que trata da representação pictórica de flores, frutos, entre outros objetos inanimados.  Esses temas tradicionais retornam às primeiras representações na civilização ocidental onde tanto na Grécia como na Roma antigas pintores já compunham cenas inteiras com flores e frutos e outros objetos.  Mas o movimento capturado nas telas de Oscar Araripe, as cores, a alegria brigam para serem consideradas “naturezas vivas”.  

Galeria Manuel Bandeira, ABL, exposição de Oscar Araripe.  Foto: Ladyce West.

Flores, tem um eco de arte francesa, de Matisse: são as cores, é o desenhista por trás do pintor,  é a superimposição de imagens dando um ar de estamparia.  Mas, conhecendo outros trabalhos, anteriores, de Oscar Araripe e principalmente suas paisagens sabemos que se trata de um vocabulário personalíssimo,  de uma sofisticação desenvolvida pelo traço rápido e preciso que aparece mesmo na tinta, longe do esboço de desenhos.

Oscar Araripe

É um prazer percorrer esta pequena – 31 telas – exposição  e sair da galeria leve, feliz, de bem com a vida.  Recomendo a visita, vale a pena!

Para contato com o pintor: www.oscarararipe.com.br

 

SERVIÇO

Flores

Exposição de telas de Oscar Araripe

Até dia 8 de outubro

Galeria Manuel Bandeira

Mezanino do Palácio Austregésilo de Athayde

Academia Brasileira de Letras

Av. Presidente Wilson ao lado do Petit Trianon

CENTRO

Rio de Janeiro

Horário: de 2ª  a 6ª feira das 13 às 18 horas

ENTRADA FRANCA





Imagem de leitura — Michel Charvet

17 09 2010

Rezando, s/d

Michel Charvet ( França, contemporâneo)

óleo sobre tela, 54 x 30 cm

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Michel Charvet é um artista contemporâneo francês, que começou cedo a se interessar pela pintura e a desenvolver um estilo influenciado pelas pinturas flamengas dos séculos XVII ao XIX.  Sua palheta se restringe em geral às cores usadas por esses mestres ainda que suas composições sejam bastante clássicas no estilo francês.   Seu interesse inicial, e até hoje sua principal fonte de inspiração,  está no retrato; ainda que tenha daí partido para cenas da vida rural e pintura de gênero inspirada por antigos camponeses num estilo próximo ao romantismo do século XIX e que encontra forte afinidade com o folclore rural. Um de seu focos é a região da Alsácia.  Michel Charvet é um artista plenamente premiado tanto na França como em outros países

http://www.michel-charvet.fr/





Minha terra, poema de Luiz Peixoto

17 09 2010

Tropical, 1994

Carlos H. Sörensen ( Brasil 1928-2008)

Encáustica sobre tela

40 x 50 cm

Minha terra

Luiz Peixoto

Minha terra

tem uma índia morena,

toda enfeitada de penas,

que anda caçando ao luar.

Minha terra

tem também uma palmeira,

parece a rede maneira,

ao vento, a se balançar.

Minha terra,

que tem do céu a beleza,

que tem do mar a tristeza,

tem outra coisa  também:

Minha terra,

na sua simplicidade,

tem a palavra saudade,

que as outras terras não têm.

Em: Poesia de Luiz Peixoto, Rio de Janeiro, Editora Brasil-América:1964, p.17

Luiz Carlos Peixoto de Castro, ( Niterói, RJ 2/2/1889 – RJ, RJ 14/11/ 1973). Foi poeta, letrista, cenógrafo, teatrólogo, diretor de teatro, pintor, caricaturista e escultor.





Imagem de leitura — Vilmos Aba-Novák

5 09 2010

Retrato do Dr. Janos Kovacs lendo, 1921

Vilmos Aba-Novák (Hungria, 1894-1941)

Óleo sobre tela

Vilmos Aba-Novák nasceu em Budapeste em 1894.  Foi pintor e artista gráfico.  Um dos grandes representantes da arte moderna na Hungria.   Esteve na Escola de Arte de 1912 a 1914, onde trabalhou sob a tutela de Adolf Fényes.  Daí,  completou seus estudos na escola de Belas Artes em Budapeste.  Ensinou mais tarde na mesma Escola de Belas Artes de 1939 até sua morte em 1941.





O medo, poesia de Henrique Simas

3 09 2010

O grito, 1893

Edward Münch ( Noruega, 1863 – 1944 )

óleo, têmpera e pastel sobre papelão

91 x 74cm

Galeria Nacional, Oslo, Noruega

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O medo

Henrique Simas

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É o gigante da alma que me segue

Marcando-me por dentro, todo e sempre

(Como os sonhos, os donos de mim mesmo).

Não consigo afastá-lo do caminho;

Pergunto-me, duvido, adio, fujo

Conhecendo-me nunca intimamente.

São dezenas de sonhos, são projetos

De rasgos voluntários sem começo,

São estrelas perdidas no escuro

De uma infância culpada do presente,

Cordilheira dos Andes do futuro.

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Em: Horizonte vertical, Rio de Janeiro, Olimpica: 1967, p.25

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Henrique Simas ( Belém, PA, 1922) poeta, diplomado em direito, professor e advogado.

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Obras:

Instabilidade do canto, poesia, 1963

Horizonte Vertical, poesia, 1967

1949 não terminou, prosa, 1977

Cresce menino cresce, prosa, 1989

Encantamentos, 1994

Branca de Neve, prosa, 1999