Então, meninas onde estão suas contribuições para a Wikipedia?

2 02 2011

Nina na minha mesa, 2000

Andrew Paquette ( EUA, contemporâneo)

aquarela sobre papel,  25 x 35 cm

http://www.paqart.com/

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No dia 30 de janeiro o jornal The New York Times publicou um artigo Define gender gap?  Look up Wikipedia contibutors list, de Noam Cohen sobre a enorme diferença de gênero entre os contribuintes da Wikipedia.  Eu e muitos de meus amigos ficamos surpresos com essa diferença.  Só 13% dos contribuintes da enciclopédia virtual é composta de mulheres.  Esta notícia se torna ainda mais surpreendente quando consideramos que as mulheres em grande parte dos países ocidentais têm maior número de anos de educação formal.

Outra surpresa foi saber que a maioria dos contribuintes está no patamar de 25 anos de idade e por causa da menor participação feminina nessa enciclopédia coletiva, há assuntos de relevância para as mulheres com muito menos ênfase do que assuntos de típico interesse masculino.

Sou uma das mulheres que contribui, talvez não tão regularmente quanto poderia, para a Wikipedia.  Por que? 

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Notei, há algum tempo, que quando procurava uma informaçãozinha básica sobre um autor brasileiro ou sobre um assunto nosso, havia muito pouco na enciclopédia em português.   Há muita coisa sobre os esportes.  Mas pouco de cultura.  Há muito sobre filmes, pouco sobre autores do passado.  Há muito sobre televisão e seus artistas.  Há pouco sobre pequenos heróis da nossa história.  Quase nada sobre mulheres de influência nos séculos passados. 

Parte do problema é a nossa própria difusão da cultura.  Parte é que as pessoas de maior idade que possivelmente poderiam contribuir  mais, não são tão adeptas à internet.  São diferenças culturais e de gerações. 

Com a criação deste blog, descobri que eu poderia dar a minha pequena contribuição.  Não necessariamente porque eu saiba mais do que outras pessoas, mas porque, talvez, eu tenha tido mais acesso a informações.  E informação é tudo.  É a divulgação de informação que faz as pessoas pensarem em soluções  para problemas do dia dia de maneira criativa, “fora da caixa”.

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Café au lait, 2006

Pepper Peterson (EUA, contemporânea)

óleo sobre placa de madeira

www.pepperpeterson.com

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Tenho tentado contribuir com a Wikipedia, essa enciclopédia virtual coletiva, postando informações que eu mesma fui obrigada a pesquisar para poder dar informações mais sólidas sobre o que escrevo na Peregrina Cultural.  Mas confesso que tenho tido uma preguiça enorme de colocar lá na Wikipedia o que coloco no blog, repetir a informação.

Às vezes tomo coragem e por dois dias seguidos ponho alguns dados.  Mas não faço isso com regularidade suficiente para dominar os “padrões de estilo” do portal.  Resultado: para entrar, por exemplo, informações sobre os escritores: Wilson Woodrow Rodrigues e Sabino de Campos, coisa que fiz recentemente, acho que foi até na semana passada,  penei.  Editei os textos diversas vezes, muitas vezes mesmo, uma coisa que a Wikipedia prefere que não seja feita.  Assim mesmo, os verbetes, até hoje, ainda não estão de acordo com as regras da Wikipedia. 

Por que acho tão difícil?  Porque gasto muito tempo tentando achar respostas para dúvidas irritantes, procurando informações com as quais perco a paciência, detalhistas demais: como entrar título de obra?  O que deve levar letras maiúsculas?  O que deve ter um link para outra página?  E assim por diante.  Essa necessidade de se entrar tudo de acordo com o sistema deles, que é diferente de muitos, tem-me afastado do portal como contribuinte.   Seria fenomenal se eles tivessem alguém que pudesse fazer isso por mim.  Porque eu certamente poderia usar uma secretária! 

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Amadeu começa a escrever,  será?  Ilustração Walt Disney.

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Muitos não confiam num trabalho coletivo desse porte. Nem tudo que está lá é correto.  Mas o que é correto é tão maior, mas muito, muito maior do que o incorreto, que pode  ser considerado insignificante e em geral é consertado rapidamente.  E vejo que a divulgação de informação correta no portal da Wikipedia é uma das grandes contribuições que esta organização fez mundialmente; uma grande contribuição para nivelar acesso a informações e aumento do conhecimento geral no planeta.  É um documento do saber coletivo.  Lindo não é mesmo?   E gosto dela por isso.  Gosto de estar lá dando a minha contribuição de formiguinha. 

Se olharmos o número de verbetes em português em comparação com o número de verbetes em outras línguas, a gente sai perdendo.  Vamos nos lembrar que os verbetes em português, incluem: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, Macau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.  Países com população muito menor que essa toda  têm muito mais verbetes do que nós.  Depois reclamamos da falta de conhecimento “lá fora” sobre o que é nosso.  Mas o que estamos fazendo para divulgar esse conhecimento aqui e lá fora?

Lendo o artigo ontem sobre a falta de mulheres como contribuintes da Wikipedia, voltei a criar coragem e tentar diminuir essa diferença.  Quem sabe se você que está lendo esta postagem não se candidata?  Cada qual faz um pouquinho e brasileiros e o mundo terão mais acesso e mais conhecimento sobre as nossas coisas, a nossa cultura.  Anime-se!





Imagem de leitura — Woouterus Verschuur

1 02 2011

Homem lendo num inteior com dois cachorros, s/d

Woouterus Verschuur ( Holanda, 1818-1874)

Óleo sobre painel de madeira,  21 x 29 cm

Coleção Particular

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Wouter  Verschuur,  O velho,  ( Holanda, 1812-1874) Nasceu em Amsterdã e começou seus estudos na pintura com os paisagistas e especialistas em pintura animal: Pieter Gerardus van Os e Cornelis Steffelaar.  Seu treino inclui fazer cópias de quadros do pintor do século XVII, Philips Wouerman, um outro especialista em pintura de gênero que inclui estábulos, cavalos e paisagens que se tornaram mais tarde algumas das especialidades do pintor. Começou sua carreira de pintor independente aos 15 anos e teve sucesso suficiente para poder viajar por toda parte aprimorando as suas técnicas, principalmente na Suíça e na Alemanha.  Seu filho também pintor, leva o cognome de  Wouter  Verschuur,  O jovem.





Imagem de leitura — Robert Sarsony

31 01 2011

Moda de verão, s/d

Robert Sarsony ( EUA, 1938)

óleo sobre tela,  75cm x 60 cm

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Robert Sarsony (EUA, 1938) é um pintor autodidata, que começou a expor em galerias de Nova Jersey, nos Estados Unidos, em 1963.  De 1969 a 1974 ele fez uma série de quadros baseados em ilustrações de livros e revistas dos anos 20 aos anos 40; deu o nome a essa série de Pop-Antiques.  Atualmente ele se dedica mais à pintura de gênero com muita atenção aos efeitos de luz.





Outras citações visuais de Vik Muniz: um pedido de responsabilidade política e social

28 01 2011

 Narciso, c.1597-99

Caravaggio, [Michelangelo Merisi da Caravaggio](1571-1610)

óleo sobre tela,  110 x 92 cm

Galeria Nacional de Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma

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Narciso, d’ après Caravaggio

Vik Muniz ( Brasil, 1961)

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Narciso, na mitologia grega, foi um caçador conhecido por sua beleza.  Muito orgulhoso, não gostava de ninguém, pois não considerava ninguém à sua altura. As ninfas que ele rejeitou, belíssimas todas,  pediram aos deuses que fosse castigado por sua arrogância.   Por isso os deuses o fizeram apaixonar-se pela sua própria imagem refletida num lago. Narciso morre afogado ao tentar abraçar a imagem refletida.   A citação dessa imagem por Vik Muniz traz a implicação do nosso próprio suicídio: estamos nos afogando nos restos dos nossos desejos.

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Atlas, segurando o globo celestial, 1646

Giovanni Francesco Barbieri, conhecido como Guercino (1591-1666)

óleo sobre tela,  127 x 101 cm

Museu Mozzi Bardini, Florença

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Atlas, d’après Guercino

Vik Muniz ( Brasil, 1961)

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Atlas, filho de Gaia e de Urano era um dos Titãs gregos.  Ele cometeu o erro, de junto com seu irmão Cronus de lutar contra Zeus.  Foi então condenado por este a carregar a esfera celeste nos ombros.

No século XVI, o cartógrafo Mercator, colocou a imagem de Atlas, carregando a Terra, e não o céu, na primeira página de seu livro de mapas.  Isso porque o local para onde Atlas foi a mando de Zeus segurar a esfera celeste era conhecido pelos gregos como o fim do mundo, onde é hoje o oceano Atlântico, cujo nome deriva desse Titã.  A partir desse momento, Atlas passa a ser representado, por muitos, como segurando a Terra ou o peso do mundo.

O Atlas de Vick Muniz carrega o peso do lixo do mundo.

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Passadeira, 1904

Pablo Picasso (Espanha,1881–1973)

óleo sobre tela, 116.2 x 73 cm

The Solomon Guggenheim, Foundation, Nova York

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Isis, mulher Passando a ferro,

Vick Muniz

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Obras de pintura do chamado Período Azul de Picasso se concentraram em grande parte no retrato dos marginalizados, das classes sociais mais carentes, que tanto preocupavam a imaginação européia do final do século XIX até as primeiras duas décadas do século XX.  Dançarinos, atores circenses, trabalhadores braçais foram tema de muitos artistas plásticos que os retratavam como as pessoas fatigadas, exploradas e economicamente desfavorecidas que eram.

Vik Muniz não perdeu a ocasião de fazer seu próprio comentário sobre os catadores de lixo do Jardim Gramacho sob essa mesma luz ao citar a Passadeira de Pablo Picasso.

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Saturno devorando seu filho, 1819-23

Francisco Goya, (Espanha, 1746-1828)

Óleo sobre tela, 146 × 83 cm

Museu do Prado, Madri

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Saturno devorando seu filho, d’ après Goya

Vik Muniz (Brasil, 1961)

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Saturno, o rei dos Titãs, foi avisado que um de seus filhos iria tirá-lo do trono, derrubá-lo.  Aterrorizado com essa profecia, ele não os deixou crescer, devorando um a um os quase doze filhos que teve. Nenhuma das crianças sobreviveu.  Ele, na loucura de permanecer e de garantir seu poder, não deixa espaço para a próxima geração, separa sua consciência de seus sentimentos e corta a conexão que tem com a vida futura.

Vik Muniz nos mostra como agimos à semelhança de Saturno, preocupados com o nosso viver, sem considerar que o nosso lixo virá a matar as futuras gerações.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011

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VIDEO DE COMO A OBRA É FEITA

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Imagem de leitura — Édouard Manet

28 01 2011

Senhora lendo, 1879-80

Édouard Manet ( França, 1832-1883)

Óleo sobre tela, 61 x 51cm

Instituto de Arte de Chicago

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Édouard Manet (França, 1832 — 1883) Pintor e artista gráfico, foi de grande importância no desenvolvimento do estilo impressionista, por seus seguidores, tornando-se um dos mais importantes artistas plásticos do século XIX.  Revolucionário não só nas técnicas de pintura mas também pelos temas que escolheu retratar. Um dos pais da arte moderna do século XX.





Jacques-Louis David e Vik Muniz, unidos pelo lixo

27 01 2011

A morte de Marat, 1793

Jacques-Louis David ( França, 1748-1825)

óleo sobre tela 165 x 128 cm

Museu Real de Belas Artes, Bruxelas

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O noticiário da semana tem-se dedicado ao documentário Lixo Extraordinário, de Lucy Walker, codirigido por Karen Harley e João Jardim.  Uma produção anglo-brasileira que se tornou candidata ao Oscar de 2011.  Apesar de as estrelas do documentário serem os próprios catadores do Lixão em Jardim Gramacho, o filme está centrado na obra do artista plástico brasileiro Vik Muniz junto aos catadores.

Ainda não vi o documentário.  Mas fui atraída para o assunto: primeiro, se entendi bem, pelo caráter de denúncia ambiental e a preocupação com as 7.000 pessoas que dependem do trabalho no lixão, que está programado para fechar em 2012.  E segundo, a obra de Vik Muniz em si, responsável pela imagem que se tornou símbolo do documentário.

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Marat (Sebastião)

Vick Muniz (São Paulo, 1961)

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Em nenhum artigo sobre esse documentário consegui ver  alguma menção estabelecendo que a cena retratada por Vik Muniz parodia o trabalho de Jacques-Louis David.  Esse pintor francês retratou em grande estilo, o revolucionário Jean-Paul Marat, seu amigo pessoal,  no momento de sua morte.  Marat foi assassinado por Charlotte Corday —  na banheira em que permanecia boa parte do tempo cheia de água com sais minerais para a imersão que o ajudava a controlar o desconforto causado pela doença de pele que o afligia.   É verdade que esse quadro está entre os mais conhecidos no mundo, mas isso não justifica a falta de menção.   O fato de Marat estar no título não exonera as publicações de mencionarem o original, principalmente porque jornais e revistas têm que assumir que nem todos que os lêem saberão da referência.

Em se tratando de Vik Muniz, seria de se esperar a referência:  afinal este é um artista plástico brasileiro conhecido pelas citações visuais.  São exemplos disso: as Mona Lisas de geléia de uva e de manteiga de amendoim, 1999 e também, a reinterpretação de diversos quadros de Monet e da Última Ceia de Leonardo Da Vinci, entre outros.  Mas precisamos saber por que?  Por que A Morte de Marat, de Jacques-Louis David e não, digamos,  O grito de Edward Munch, ou qualquer outra obra?   Na verdade, por que fazer essa alusão?

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Mona Lisa de Geléia de Uva e Mona Lisa de Manteiga de Amendoim, 1999

Vik Muniz (Brasil, 1961)

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Jean Paul Marat (1743-1793) foi médico, filósofo, cientista , ensaísta, jornalista e panfletário, que ficou mais conhecido por sua participação nos eventos políticos e que na companhia de Danton e de Robespierre levaram a França à Revolução.  Marat advogou reformas básicas a favor dos pobres, e perseguição constante aos Inimigos do Povo.  Foi assassinado por Charlotte Corday, que disfarçada de colaboradora do movimento, chegou à sua casa e o esfaqueou.

Com isso, a alusão que Vik Muniz faz em seu trabalho no Lixão de Caxias passa a ter uma conotação muito mais forte de engajamento político.  No eco visual de um líder revolucionário, que foi assassinado justamente por causa de suas posições em defesa do povo, Vik Muniz faz o seu próprio panfleto revolucionário, seu próprio discurso político.

É por isso que é necessário se prestar atenção às imagens.  Artistas plásticos, pintores, escultores, não chegam ao ápice de uma carreira — como Vik Muniz chegou — sem terem um vocabulário visual bem cultivado, sem terem guardados na memória o impacto das obras de arte que os precederam e seus significados.  A julgar pelas imagens que consegui ver das fotos de Vik Muniz no lixão esse deve ser, de fato, um documentário extraordinário e  rico em citações visuais.  Gostarei de vê-lo.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011

Uma boa análise do quadro de Jacques-Louis David pode ser encontrada no blog Abstração Coletiva.





Imagem de leitura — Iluminura, autor desconhecido

26 01 2011

Diógenes [no barril] e Crates de Tebas — Ilustrando como a pobreza é agradável

Livro dos Bons Costumes de Jacques Legrand, c. 1490

Autor Desconhecido

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NOTA: essa ilustração mostra Crates de Tebas que renunciou à riqueza para manter-se virtuoso.  Crates de Tebas (c. 368- 365  —  288-185 a. C.) foi um filósofo helenistico, que pertenceu à escola cínica de filosofia.  Foi discípulo de Diógenes de Sínope.





Papa-livros, leitura para fevereiro: Jeff em Veneza, morte em Varanasi, de Geoff Dyer

26 01 2011

 

Mulher contemplando o mar , 1933

Max Beckmann (Alemanha, 1884 – EUA, 1950)

Óleo sobre tela

Museu Ludwig, em empréstimo do Museu de Arte de Bremen

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A partir deste mês vou colocar aqui, a escolha que o grupo Papa-livros fez para leitura e discussão.  Assim aqueles que quiserem acompanhar as nossas leituras estarão a postos.

Leitura para FEVEREIRO, discussão a partir do dia 21.

SINOPSE ( com texto das descrições das editoras brasileiras e portuguesa):

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O jornalista Jeff Atman está em Veneza para cobrir a abertura da Bienal de Arte. Espera ver muitas obras de arte, ir a muitas festas e beber muitos bellinis. Não espera conhecer a sedutora irresistível galerista americana e  Laura, que irá mudar completamente a sua curta estadia na cidade e o faz protagonista de um romance incandescente que provoca mudanças e revelações radicais.

 Outra cidade, outro trabalho: desta vez nas margens do Ganges, em Varanasi. Por entre as multidões, os ghats e o caos da mais sagrada cidade hindu, espera-o um tipo diferente de transformação.  Nessa segunda história, um narrador misterioso, que pode ser ou não o mesmo Atman visto em Veneza, tem sua estada ampliada na Índia, em uma missão jornalística. Mas o que seriam apenas alguns dias transformam-se em meses. Assim, entre turistas e peregrinos nas margens do rio Ganges, em Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, ele passa de ator a observador. Torna-se testemunha do romance de um casal de turistas e de episódios que refletem prazeres aos quais renunciaria.

Pontuado por meditações sobre o amor erótico e o anseio espiritual, Jeff em Veneza, Morte em Varanasi confirma Geoff Dyer como um dos mais notáveis escritores da Grã-Bretanha. Com diversas referências a clássicos como Morte em Veneza, de Thomas Mann; O fio da navalha, de Somerset Maugham, e Venice Observed, de Mary McCarthy, foi saudado pela crítica como um livro divertido, elegante, sensual, engraçado, bem-construído e absolutamente fascinante.  

Nessas duas aventuras  o autor aborda o desejo em todas as suas manifestações: o desejo de sensações, de fuga e de se tornar outra pessoa, seja por meio do amor ou da arte, seja através do entorpecimento ou da transformação espiritual. O resultado é um livro repleto de alusões aos mitos sobre essas duas velhas cidades debruçadas sobre a água, que se tornaram ícones da arte ocidental e da religiosidade oriental.

Uma narrativa muito bela sobre amor erótico e desejo espiritual, Jeff em Veneza, Morte em Varanasi é divertido, elegante, sensual, cômico, engenhoso e absolutamente cativante. Consagra Geoff Dyer como um dos mais provocantes e originais escritores britânicos.

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Título: Jeff em Veneza, Morte em Varanasi 

Autor: Geoff Dyer 

Tradução:  José Rubens Siqueira

Editora: Intrinseca 

ISBN: 9788598078861 

Número de Páginas: 320   

 





Imagem de leitura — Nahum Gilboa

25 01 2011

Homem lendo, sd

Nahum Gilboa  (Sophia, Bulgaria 1917 – Israel, 1976)

Aquarela

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Nahum Gilboa estudou na Royal Academy of Art em Sofia, e também na Academia da Grand Chaumiere em Paris.  Quando a Segunda Guerra Mundial começou, o artista e sua esposa fugiram para Israel com imigrantes ilegais em 1937.  Gilboa se tornou parte do movimento Kibbutz mas continuou com seus estudos em arte através de viagens à França e à Itália.  Gilboa pertence à escola de realismo lírico.





O trenzinho da infância leva a Maceió, poesia de Oliveiros Litrento

19 01 2011

Fumareira na estação da Ribeira, em Itapemirim, ES, s/d

Mauro Ferreira ( Brasil, 1958)

óleo sobre tela

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O trenzinho da infância leva a Maceió

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Oliveiros Litrento

Teu namorado pela vida afora,

vou viajando agora pelas matas,

com usinas de cana bordejante

o caminho que vai para Alagoas.

No trenzinho da infância vou chegando

às vilas alagoanas encantadas.

E São José da Lage vai ficando

longe. Logo trem pára em União,

a terra onde nasceu Jorge de Lima.

Satuba, Rio Largo, Fernão Velho:

cidades embalando Bebedouro,

bairro dos pastoris, do Bonifácio

da antiga Maceió, formosa e lírica.

No trenzinho da infância vai passando

o bairro proletário  da Levada

com sururus e cheiro de canoas.

O trem vomita a praia do Sobral

na viagem agora terminando.

Quero rever São Luis, Camaragibe

e conhecer a cidade de Penedo.

Mas fico na Manguaba e o Mundaú.

A meninice, alada como um pássaro,

lâmpada azul de sonho e litoral,

ondula em águas verdes das lagoas

o chão da infância, o meu país natal.

Em:  O Leopardo Azul, Oliveiros Litrento, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1965

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Oliveiros Litrento nasceu em S. Luis de Quitunde, Alagoas, em 1923.