Imagem de leitura — Annick Bouvattier

29 09 2011

Mulher lendo, s/d

Annick Bouvattier (França, 1964)

óleo

http://annickbouvattier.com

Annick Bouvattier nasceu em Nevers em 1964.  Quebrando a tradição familiar, não estudou medicina, mas se formou em desenho de moda, pela conhecida instituição  Berçot – Marie Rucki.  Depois de formada trabalhou para a alta-costura, mas sua inclinação era mais ligada ao cenema e à propaganda.  Em 1990, depois de estudar pintura, passou a se dedicar exclusivamente à pintura, onde se carateriza pelos temas do universo feminino.  Reside em Paris.





A noiva do tigre, de Téa Obreht, o folclore europeu em nova roupagem

29 09 2011

O tigre na floresta, 1891

Henri Rousseau, le Douanier ( França,1844-1910)

óleo sobre tela, 162 x 130 cm

The National Gallery, Londres.

Assim como milhões de pessoas hoje, cresci com as imagens dos contos de fadas dos desenhos animados de Walt Disney.  São encantadores apesar de estarem longe das histórias ouvidas e recontadas por nossos antepassados, reunidas no século XIX por Andersen ou pelos Irmãos Grimm.  Mesmo depois de ter o desenho animado Bambi rejeitado por educadores atuais, sob a alegação de triste demais para as crianças de hoje, podemos dizer que Walt Disney foi o precursor dos contos de fadas limpinhos, engraçadinhos, passados pela assepsia americana, histórias com maldades limitadas, sem crueldade, diluídas dos terrores de antanho, que a turma do politicamente correto, hoje, entende como o preferencial para a proteção emocional de nossas crianças.  É importante, no entanto, lembrar que a maioria dos contos de fadas tem raízes no folclore europeu, em crenças seculares, ainda vivas nas imaginações das pequenas aldeias, tecidas com os preconceitos culturais de séculos.   Essas antigas histórias refletem a cultura de povos que lutaram pela sobrevivência nos mesmos lugares, nas mesmas regiões geográficas, rejeitando bravamente invasores de outros grupos, outras tribos.  A repetição dessas histórias folclóricas,  até hoje é comum e muitas vezes o pouco que resta de uma identidade cultural, que luta para sobreviver.  São justamente essas lendas que adicionam grande encantamento à narrativa de A noiva do tigre, de Téa Obreht [Leya: 2011].

Esse romance parece um produto criado pela necessidade de honrar uma herança cultural rica,  de não deixar morrer a memória de um povo.  Passado na antiga Iugoslávia – que tinha aproximadamente a área total do estado do Piauí e hoje está subdividida em 6 países [Croácia, Bósnia-Herzegovina, Eslovênia, Macedônia, Sérvia e Montenegro e um protetorado da ONU Kosovo] – parece natural que o choque das guerras, o medo do extermínio, da perda da memória coletiva, esteja presente nos sobreviventes.  Mas o que surpreende nessa narrativa é a habilidade da autora de não situar o romance em nenhum lugar específico além dos Bálcãs, [ela nasceu em Belgrado, hoje parte da Sérvia]; não especificar a época [exceto que foi depois das guerras] e fazer a transição de uma possível narrativa realista para uma narrativa onírica sem emendas.  Um feito extraordinário.

No romance acompanhamos uma pequena viagem feita por Natália, uma médica, que tendo perdido o avô recentemente, aproveita a missão de inoculação de crianças de uma aldeia distante, para recolher os objetos de uso pessoal de seu avô que morreu longe de casa, num lugarejo de fácil acesso à cidade costeira onde a vacinação ocorre.  Nesse ínterim, ela relembra o avô, as histórias que ele contava.  E ficamos a par de alguns mitos e crendices que ainda estão presentes nos dias de hoje, relativos aos rituais de enterro e salvação das almas dos mortos.

Um fato curioso a respeito do texto é a linha de emenda entre o real e o folclore, entre as lendas e o que se passa no mundo moderno: um produto literário, O livro da Jângal de Rudyard Kipling.  Para os que, como eu, tiveram seus anos de juventude envolvidos com escotismo, a figura de Shere Khan, o tigre malvado e bandido das histórias contadas pelo escritor inglês, serve de imediato ponto de conexão entre o real e o imaginário.  A presença dessa obra literária em todos os capítulos do livro nos lembra da importância que uma história, que um conto, pode ter para o seu leitor e por fim, como a memória cultural é enriquecida por aqueles livros ou histórias que nos tocam, e que passam a fazer parte de quem somos.

Téa Obreht

A noiva do tigre foi o romance vencedor do prestigiado Orange Prize para ficção por autora mulher, este ano.  No Brasil, teve uma tradução fluente de Santiago Nazarian, mas teve também algumas falhas de edição que fazem o leitor ter reler para entender.  Cito aqui um único exemplo, mas existem outros. “Voltando de Zdrevkov, parei em Kolac para pegar as balas das crianças, segurando a caixa da loja de conveniência do posto de gasolina quando ia fechá-la.” [sic](página 191, abertura do capítulo 8).   Para os amantes de um romance da ficção fantástica esse é um excelente livro.  Para os que gostam de uma forte voz narrativa também.  Há poucos diálogos, e como nas histórias baseadas na memória oral, há alguma repetição.  Mas o encantamento prevalece.





Imagem de leitura — Anna Ancher

28 09 2011

Interior com senhora lendo e papoulas, [ Sra. Lizzy Hohlenberg], 1905

Anna Ancher ( Dinamarca, 1859-1935)

óleo sobre tela, 56 x 65 cm

Museu Skagens, Alemanha

Anna Kirstine Brøndum Ancher nasceu em Skagen, 1859. Estudou pintura em Copenhagem, indo mais tarde para Paris onde aprimorou sua técnica no ateliê de Pierre Puvis de Chavannes.  Em 1880 se casou com o pintor Michael Ancher.  Continuou a pintar depois de casada, pintava sobretudo cenas intimistas de mulheres e crianças nas quais se destaca a riqueza de cores vivas.  Faleceu em 1935.





Imagem de leitura — Willliam Merritt Chase

27 09 2011

Interior do estúdio, c. 1882

William Merritt Chase ( EUA, 1849-1916)

óleo sobre tela, 71 x 102 cm

Broklyn Museum, Nova York

William Merritt Chase nasceu no estado de Indiana em 1849.  Mostrou interesse e habilidade com as artes desdde cedo, estudando com artistas locais como Barton S. Hays e Jacob Cox.   Seus professores o incentivaram a ir para Nova York para estudar mais.  Lá estudou na National Academy of Design.  Vicissitudes financeiras da família o obrigaram a voltar para o interior do país.  Mas continuou seus esforços e çogo conseguiu um grupo de colecionadores abastados que o enviaram à Europa para estudar por dois anos e em troca ele escolheria e compraria quadros de pintores europeus para suas coleções.  De volta para os Estados Unidos, tonou-se um dos grandes expoentes e líderes do impressionismo americano.   Faleceu em 1916.





Reza, poema de Laura Esteves

27 09 2011

Costurando, s/d

Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela

Reza

Laura Esteves

Queria minha avó de volta,

ligeirinha, caminhando

pela antiga alameda.

As balas de limão e laranja

envoltas em papel de seda.

As rezas do ventre-virado,

Simpatias, mau-olhado:

Deus te fez,

Deus te criou,

Deus tire o mal

que em ti entrou.”

Galho de arruda murcho,

doente já sorrindo,

moeda na palma da mão.

Precisa não”.

É só uma ajuda”.

Lá ia o rico dinheiro

Para a fezinha do bicho.

“Sonhei com leque, vai dar pavão.

Grande falseta: leque de ar e cor,

Só podia mesmo ser borboleta”.

Minha avó, matreirinha,

arrumava um jeito de ser feliz.

Foi ela quem me ensinou sobre

alegria, astúcia e sorte.

Foi ela quem demonstrou:

Mulher é sempre mais forte.

Em: Poesia simplesmente, ed. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, ed. autor: 1999.

Laura Esteves nasceu no Rio de Janeiro.  É escritora e poeta.  Faz parte do Grupo Poesia Simplesmente.





Imagem de leitura — Srecko Raguz

26 09 2011

Leitoras assíduas, s/d

Srecko Raguz ( Croácia, 1963)

óleo sobre tela,  50 x 90 cm

www.raguz.fr

Srecko Raguz nasceu em Zagreb na Croácia em 1963.  Cursou a Escola de Belas Artes na sua cidade natal.  Logo, logo se interessou pela pintura, principalmente pela pintura em que o gesto rápido pudesse traduzir não só movimento mas também o tempo que passa.  Sua pintura testemunha a brevidade das ações diárias, os momentos fugazes.  Para ver mais de seu trabalho:  www.raguz.com





A noiva judia, poema de Odylo Costa Filho

26 09 2011

Isaac e Rebeca, [ também conhecido como A noiva judia] c. 1666-1667

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Holanda, 1606-1669)

óleo sobre tela

Rijksmuseum, Amsterdã, Holanda

A noiva judia

de Rembrandt

Odylo Costa Filho

Pesada de ouro, vimos juntos

de ouro vestida, espessamente,

aquela noiva que o pintor

carregou de ouro  — e ouro somente.

Não estava, porém, no ouro

que, óleo sobreposto, a vestia,

mas no seu rosto o êxtase pleno

de tranquilidade e alegria.

E era o rosto, e não o vestido,

que nos jurava que seria

feliz para jamais aquela

luminosa noiva judia.

Em: Boca da noite, Odylo Costa Fº, Rio de Janeiro, Salamandra: 1979.

Odylo Costa Filho (MA, 1914- RJ 1979) jornalista, cronista, novelista e poeta.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obra:

 Graça Aranha e outros ensaios, 1934

Distrito da confusão, crônicas, 1945

A faca e o rio, novela, 1965

Tempo de Lisboa e outros poemas, poesia, 1966

Maranhão: São Luís e Alcântara, 1971

Cantiga incompleta, poesia, 1971

    Os bichos do céu, poesia, 1972

Notícias de amor, poesia, 1974

Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão, ensaio, 1975

Boca da noite, poesia, 1979

Um solo amor, antologia poética, 1979

Meus meninos e outros meninos, artigos, 1981 [póstuma]





Imagem de leitura — Angelo Brando

25 09 2011

A Leitura, s/d

Angelo Brando (Itália, 1878-1955)

óleo sobre tela, 46 x 53 cm

Ângelo Brando nasceu  em Maratea em 1878, um de oito irmãos.  Demosntrou desde cedo grande talento artístico ingressando na Academia de Belas Artes de Nápoles ainda menino, para estudar com Michele Cammarano e Vincenzo Volpe.   Logo se tornou um dos expoentes da pintura napolitana.   Ensinou no Liceu Artístico de Nápoles.  Morreu nessa cidade em 1955.





Quadrinha infantil sobre o livro

25 09 2011

Leitura à luz da lâmpada, 1973

Daniele Akmen (França, 1945)

acrílica sobre tela, 116 x 89 cm

Nos momentos de alegria,

Ou nas horas de aflição,

O livro é um companheiro,

É um amigo, um irmão.

(Walter Nieble de Freitas)





Imagem de leitura — Boris Kustodiev

24 09 2011

Retrato da Condessa  Grabowska,  1917

Boris Kustodiev (Rússia, 1878-1927)

óleo sobre tela,  66 x 87 cm

Coleção Particular, Genebra

Boris Kustodiev nasceu em Astracã. Entre 1893 e 1896 estudou com Pavel Vlasov. Mais tarde completou seus estudos com Ilia Repin na Academia Imperial das Artes de Petrogrado,  de quem também foi ajudante.  Estudou também com escultorDmitri Stelletski e com o gravurista Vasili Mate.  Realizou a sua primeira exposição em 1896. Viajou através da França e da Espanha em 1904. Também esteve na Itália em 1907 e em 1909 em Áustria e Alemanha. Nessa época pintou, sobretudo, retratos e pintura de gênero.  Morreu em Leningrado em 1927.