Palavras para lembrar — José Saramago

11 09 2014

 

 

Clara Cohan (EUA 1950s) Humanities Series (1994-1995) Man on steos oil on panelHomem na escada, 1995

[Série Ciências Humanas]

Clara Cohan (EUA, 1950)

óleo sobre madeira

 

“Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não.”

 

José Saramago





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

10 09 2014

 

 

MANOEL CONSTANTINO (1899-1976) - Peras, Cesto e Copo sobre a Mesa, óleo s madeira, 29 x 36. Assinado e datado (1937)Peras, cesto e copo sobre a mesa,1937

Manoel Constantino (Brasil, 1899-1976)

óleo sobre madeira, 29 x 36 cm





Generosidade, poesia de Cyra de Queiroz Barbosa

10 09 2014

 

 

gb_panneau aPanneau decorativo, 1921

Guttmann Bicho (Brasil, 1888-1955)

óleo sobre tela, 153 x 148 cm

MNBA — Museu Nacional de Belas Artes, RJ

 

 

Generosidade

 

Cyra de Queiroz Barbosa

 

à tia Nida

 

Os gatos da vizinhança

faminto, órfãos, pelados,

achavam pouso e aconchego

junto dela em nossa casa,

Mimoso, Dina, Miquito,

tantos outros — nem me lembro!

Ah! tinha a gata Pretinha

que lhe dava tão fecunda

cada vez ninhada inteira.

 

Era leite no pratinho

ou dado na mamadeira.

Enroscavam-se na colcha

de retalhos costurados,

cresciam e para ela

de miau! Miau! Miau!

serenata era cantada.

 

Não só de gatos gostava

a boa titia Nida.

Seus sobrinhos eram seus filhos

e mais outro de outro sangue

em amor reconheceu.

Por eles se abriu em risos

por eles muito sofreu.

Nada pedindo ou cobrando,

generosamente dando

a vida — tudo o que tinha —

para quem nem era seu.

 

 

Em: Moenda: painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rio de Janeiro, Rocco:1980, pp. 49-50





Os Retirantes, texto de Francisco de Barros Júnior

9 09 2014

 

 

1203069992_fCriança morta, 1944

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 176 x 190 cm

MASP — Museu de Arte de São Paulo, SP

 

 

Quem não conhece sua história está fadado a repeti-la.

 

 

“Era 1928, com o café valorizado, em vésperas do craque de seu famigerado Instituto, São Paulo era a Meca dos nordestinos que rumavam para as suas fazendas. Agenciadores traziam-nos aos milhares nas terceiras classes dos vapores do Loide ou pela navegação do S. Francisco. Foi porém tal o êxodo, que um decreto proibiu a saída de trabalhadores de um para outro estado. Essa proibição mais acirrou a ânsia de emigrarem, e famílias se reuniam, viajando as duzentas e cinquenta ou trezentas léguas até Montes Claros. Vinham a pé pelos trilhos e caminhos incertos das caatingas, gastando dois a três meses nessa trágica peregrinação, juntando mais cruzes às que guardam os esqueléticos corpos de inocentes crianças, mulheres enfraquecidas pelas privações, e velhos abatidos pela fome, sede, ou antigas mazelas agravadas. Umas sepulturas são recentes, outras mais antigas, as dos que, anos antes, seguiam o mesmo rumo.

As mães levam nos braços, a sugar-lhes os peitos mirrados e sem leite, criancinhas magríssimas, mal protegidas por panos sujos e esfarrapados. Outras, levam filhos de dois e três anos inteiramente nus, montados nos quadris. Jumentinhos, a que chamam “jegues”, desaparecem sob cargas fabulosas, sobre as quais ainda vão encarapitados moleques de sete e oito anos.

Léguas e léguas, dias seguidos sob a soalheira estorricante, economizando avaramente restinho de água quente no fundo do surrão de couro de cabra, sem encontrar cacimba ou brejo, onde possam escavar em busca do vital elemento. Caminham parte da noite à luz das estrelas que brilham desusadamente na atmosfera sem umidade. Quando o cansaço é grande, acampam sob o pano esfarrapado de barracas, à sombra problemática de árvores desfolhadas. Os jegues roem cascas de árvores e passam dias e dias sem beber, caminhando sem parar, sob o peso da sua carga, de cabeça baixa e olhos semicerrados.”

 

Em:  Caçando e pescando por todo o Brasil, 3ª série: no planalto mineiro, no São Francisco, na Bahia, de Francisco de Barros Júnior, São Paulo, Melhoramentos: s/d, pp. 86-87.

Francisco Carvalho de Barros Júnior (Campinas, 14 de dezembro de 1883 — 1969) foi um escritor e naturalista brasileiro que ganhou em 1961 o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria de literatura infanto-juvenil.

Francisco Carvalho de Barros Júnior, patrono da cadeira n° 16 da Academia Jundiaiense de Letras, colaborou em vários jornais e revistas e é o autor da série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil, um relato de viagens pelo Brasil na primeira metade do século XX, descrevendo diversos aspectos das regiões visitadas (entre outros botânica, animais e populações caboclas e indígenas).

Obras:

Série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil

Primeira série: Brasil-Sul, 1945

Segunda Série: Mato Grosso Goiás, 1947

Terceira Série: Planalto Mineiro – o São Francisco e a Bahia, 1949

Quarta Série: Norte,  Nordeste,  Marajó, Grandes Lagos, o Madeira, o Mamoré, 1950

Quinta Série: Purus e Acre, 1952

Sexta Série: Araguaia e Tocantins, 1952

Tragédias Caboclas, 1955, contos

Três Garotos em Férias no Rio Tietê, 1951, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraná, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraguai, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Aquidauana, infanto-juvenil





Nossas cidades — São Paulo

8 09 2014

 

 

Giancarlo Zorlini, Parque Manequinho Lopes, Ibirapuera, 1998, ost, 50 x 60Parque Manequinho Lopes, Ibirapuera, 1998

Giancarlo Zorlini (São Paulo, 1931)

óleo sobre tela,  50 x 60 cm





Imagem de leitura — Alexandru Ciucurencu

8 09 2014

 

 

Alexandru-CiucurencuAmigos, 1945

Alexandru Ciucurencu (Romênia, 1903-1977)

óleo sobre tela, 78 x 63 cm

 





Juntem suas economias! Mona Lisa à venda?

7 09 2014

 

0monalis

Mona Lisa (La Gioconda) c. 1503-5

Leonardo da Vinci (1452-1519)

Óleo sobre madeira, 77 x 53 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

Há dois dias o jornal da O Globo anunciou que a tela mais famosa do mundo, Mona Lisa de Leonardo da Vinci está sendo considerada como um bem a ser vendido pelo governo francês para equilibrar as finanças do país.

Avaliado em USD$2.500.000.000,00 [dois e meio bilhões de dólares], sua venda facilitaria o período difícil em que a França se encontra.  Duvido muito que isso chegue a se concretizar.

Acho que o povo francês não aceitaria essa venda.  A Mona Lisa, o Louvre, a cultura francesa, estão todos muito bem tecidos uns nos outros, apesar de a Mona Lisa ter sido pintada por um italiano.   Leonardo, que morreu na França, levou essa tela com ele, primeiro de Florença para Milão, depois de Milão para a França onde se abrigou nos últimos anos de vida.  Além disso o quadro está na França desde o século XVI, quando François I o adquiriu ou do próprio Leonardo, ou do seu espólio.

Além disso, o turismo gerado pela tela — diga-se há muita gente que só vai ao Louvre para ver a Mona Lisa e nada mais —  iria agora passar para outro país?  Vamos ver a Mona Lisa em Dubai?  Ou em Xangai?  Tenho dúvidas.

É mais certo que Hollande esteja querendo mostrar ao povo da França a gravidade da crise econômica. Esperemos.

 





Domingo, um passeio no campo!

7 09 2014

 

 

JOÃO BATISTA DE PAULA FONSECA (1889 - 1960). Paineira em Flor, óleo stela, 54 x 66. Assinado e datado (1945Paineira em flor, 1945

João Batista de Paula Fonseca (Brasil, 1889-1960)

óleo sobre tela, 54 x 66 cm





A hora precisa do nascimento do Impressionismo

7 09 2014

 

la-sci-sn-impressionism-monet-astronomy-201409-001Impressão, nascer do sol, 1872

Claude Monet (França, 1840-1926)

óleo sobre tela,  48 x 63 cm

Museu Marmottan Monet, Paris

 

 

A grande surpresa da semana foi saber a hora precisa em que Claude Monet pintou o quadro que deu o nome ao movimento artístico mais popular do final do século XIX: o impressionismo.  É fato conhecido que, o responsável pelo batismo do movimento que surgia, foi o crítico de arte Louis Leroy.  Sua reação negativa à obra, no jornal satírico Le Charivari,  quando comentava a arte mostrada no Salão dos Independentes de 1874, se utilizava do título do quadro de Claude Monet, reproduzido acima,  com a intenção de debochar do que estava sendo exposto. De nada adiantou a crítica de Leroy, pois o movimento que se iniciava, ainda sem proposta clara e sem destino previsível, tornou-se o mais popular entre os amantes  da arte nas gerações seguintes.

O impressionismo continua até hoje a maneira de pintar que mais consegue novos adeptos, quer apreciadores da arte, quer pintores amadores ou profissionais. Prova do interesse sobre os impressionistas pode ser obtida na preocupação do físico Donald Olson, da Universidade do Estado do Texas, em São Marcos, que não só descobriu o lugar preciso de onde Monet havia pintado a cena acima [da janela de seu hotel no Le Havre], como observando e estudando centenas de  fotografias e mapas, comparando-as com a imagem representada por Monet, e ajustando matematicamente suas contas, levando em consideração, inclusive,  as horas de distanciamento de Le Havre do meridiano de Greenwich, conseguiu precisar a localização de Monet e a hora em que o sol estava como na tela: 15 de novembro de 1872, à 7: 35 da manhã.

Para saber o processo pelo qual o Prof. Olson chegou a essa conclusão é uma boa ideia ler o texto do artigo: Physicist puts time on timeless Monet painting, no Los Angeles Times, de 3 de Setembro de 2014.





7 de setembro, Dia da Independência!

7 09 2014

 

 

Aldemir Martins,Independência (óleo sobre tela, 122x103 cm)Independência, s.d.

Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)

óleo sobre tela, 122 x 103cm

 

7 de setembro, Independência do Brasil!