Trecho na Quinta da Boa Vista, 1941
Armando Pacheco (Brasil,1913 – 1965)
óleo sobre tela , 34 x 25 cm
Trecho na Quinta da Boa Vista, 1941
Armando Pacheco (Brasil,1913 – 1965)
óleo sobre tela , 34 x 25 cm
Pierre de Nolhac, retratado por seu filho, 1909
Henri de Nolhac (França, 1884-1948)
óleo sobre tela
É o que se dá com todos os grandes escritores: a beleza de suas frases é imprevisível, como a de uma mulher que ainda não conhecemos; é criação, porque se aplica a um objeto exterior em que eles pensam — e não a si — e que ainda não expressaram. Um autor de memórias de nossos dias que quisesse imitar disfarçadamente a Saint-Simon poderia em rigor escrever a primeira linha do retrato de Villars: “Era um homem corpulento, moreno… de fisionomia viva, franca, impressiva”, mas que determinismo lhe poderá fazer encontrar a segunda linha que começa por: “E na verdade um tanto aloucado”? A verdadeira variedade está nessa plenitude de elementos reais e imprevistos, no ramo carregado de flores azuis surgindo, contra toda expectativa, da sebe primaveril, que parecia incapaz de suportar mais flores; ao passo que a imitação puramente formal da variedade (e o mesmo se poderia argumentar quanto às outras qualidades do estilo) não passa de vazio e uniformidade, isto é, o contrário da variedade, e se com isso conseguem os imitadores provocar a ilusão e a lembrança da verdadeira variedade é tão somente para as pessoas que não a souberam compreender nas obras-primas.
Em: À sombra das raparigas em flor, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana
Natureza morta
Adolfo Fonzari (Itália-Brasil, 1880-1950)
óleo sobre tela, 85 x 78 cm
Mangas e marmelos
Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 60 x 46 cm
Moça sentada, lendo ao lado de uma mesa
Charles Henry Tenré (França, 1854-1926)
óleo sobre tela, 74 x 61 cm
Jardim florido
Elizabeth Peña (Peru, contemporânea)
óleo sobre tela, 76 x 76 cm
“Era uma dessas manhãs ensolaradas da primavera limenha, em que os gerânios amanhecem mais arrebatados, as rosas mais perfumadas e as primaveras mais crespas, quando um famoso galeno da cidade, o doutor Alberto de Quinteros — testa ampla, nariz aquilino, olhar penetrante, retidão e bondade no espírito —, abriu os olhos e espreguiçou-se em sua espaçosa residência de San Isidro. Viu, através das cortinas transparentes, o sol dourando o gramado do bem-cuidado jardim cercado por canteiros de crótons, a limpeza do céu, a alegria das flores, e teve essa sensação de bem-estar proporcionada por oito horas de sono reparador e uma consciência tranquila.“
Mario Vargas Llosa, Tia Julia e o escrevinhador
Casario
Antonio Ferrigno (Itália-Brasil, 1863 – 1940)
óleo sobre madeira. 35 x 27 cm
Adélia Prado
Ao entardecer no mato, a casa entre
bananeiras, pés de manjericão e cravo-santo,
aparece dourada. Dentro dela, agachados,
na porta da rua, sentados no fogão, ou aí mesmo,
rápidos como se fossem ao Êxodo, comem
feijão com arroz, taioba, ora-pro-nobis,
muitas vezes abóbora.
Depois, café na canequinha e pito.
O que um homem precisa pra falar,
entre enxada e sono: Louvado seja Deus!
Engenho de Dentro
Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)
óleo sobre tela, 60 x 73 cm
No caminho de São Tomé das Letras, MG
Funchal Garcia (Brasil, 1899-1979)
óleo tela, 74 x 100 cm