Bondinho do Pão de Açúcar, 1974
Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)
óleo sobre tela, 42 x 64 cm
Bondinho do Pão de Açúcar, 1974
Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)
óleo sobre tela, 42 x 64 cm
Rafael Sanzio (Urbino, 1483-1583)
Afresco
Villa Farnesina, Roma
Sean Salai, S. J. — Na sua opinião como classicista, o que os antigos gregos e romanos nos ensinam como seres humanos?
Camille Paglia — Sigo os passos de meu herói cultural, Oscar Wilde, não concordo com a implícita suposição moralista que a literatura ou a arte “ensinam” algo para nós. Elas simplesmente abrem a nossa visão para um mundo maior, ou nos permitem ver o mundo através de uma lente diferente. A cultura greco-romana que está se afastando rapidamente da educação universitária americana, é uma das duas tradições fundamentais da civilização ocidental; a outra é a judaico-cristã. Essas tradições se entrelaçaram e se influenciaram mutuamente ao longo dos séculos, produzindo uma complexidade titânica do ocidente, tanto para o bem quanto para o mal. Ignorar ou minimizar o passado greco-romano é colocar antolhos intelectuais, mas é isso que vem exatamente acontecendo à medida que as faculdades abandonam gradualmente, a grande, cronológica, visão panorâmica da antiguidade clássica, em cursos de dois semestres, que fora enfatizada no passado. A trajetória, agora, está no “presentismo”, uma concentração míope na sociedade desde a Renascença – por falar nisso, um termo humanístico nobre, que está sendo descartado implacavelmente e substituído pela amorfa entidade marxista, “Proto-Modernidade”.
Em: “The Catholic Pagan:10 questions for Camille Paglia“, America: the national catholic review, 25 de fevereiro de 2015.
[Tradução é minha]
Norman Rockwell (EUA, 1894-1978)
“Na biblioteca da universidade passeava entre a estantes, em meio a milhares de livros, inalando o odor mofado do couro, do tecido e das páginas ressecadas como se fosse um incenso exótico. Às vezes se detinha, tirava um volume das prateleiras e o segurava em suas mãos grandes, que vibravam com o contato, ainda insólito, com a lombada, a capa e as páginas dóceis. Depois, folheava o livro, lendo um parágrafo aqui e ali, seus dedos rígidos virando as páginas, quase temerosos de destruir com seu desajeitamento o precioso conteúdo.
Não tinha amigos, pela primeira vez em sua vida teve consciência de sua solidão. Às vezes, de noite em seu sótão, erguia os olhos de um livro que estava lendo e espiava os cantos escuros de seu quarto, onde a luz do lampião tremulava contra as sombras. Se olhasse fixo e atentamente, a escuridão se reuniria numa luz, que assumia a forma insubstancial do que estivera lendo. E ele sentia que estava fora do tempo, como sentira naquele dia na aula em que Archer Sloane falara com ele. O passado avolumava-se da escuridão onde jazia, e os mortos se erguiam para viver à sua frente, e juntos, fluíam para o presente entre os vivos, e assim, por um intenso instante, ele tinha a sensação de unir-se a eles numa única e densa realidade da qual não podia escapar. Tristão, Isolda a bela, caminhavam à sua frente; Helena, e o brilhantes Paris, seus rostos graves de amargura, erguiam-se da treva. E Stoner se sentia mais próximo deles do que de seus colegas que iam de aula em aula, hospedados numa grande universidade em Columbia, no Missouri, e que caminhavam distraídos em meio ao ar do Midwest.”
Em: Stoner, John Williams, Rio de Janeiro, Rádio Londres:2014, tradução de Marcos Maffei, páginas 21-22.
Hans Olaf Heyerdhal (Noruega, 1857-1913)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Galeria Nacional, Oslo
Modesto Brocos (Espanha/Brasil, 1852-1936)
óleo sobre tela, 199 x 166 cm
MNBA [Museu Nacional de Belas Artes], Rio de Janeiro
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“A verdade é que ainda persiste em Portugal uma certa saudade imperial e, sobretudo, uma enorme ignorância no que diz respeito à história do próprio idioma. É sempre bom recordar que antes de Portugal colonizar a África, os africanos colonizaram a Península Ibérica durante oitocentos anos. A língua portuguesa deve muito ao árabe. A partir do século XVI, com a expansão portuguesa, a língua começa a enriquecer-se, incorporando vocábulos bantos e ameríndios, expressões e provérbios dessas línguas, etc.. A minha língua é esta criação coletiva de brasileiros, angolanos, portugueses, moçambicanos, caboverdianos, santomenses, guineenses e timorenses. A minha língua é uma mulata feliz, fértil, generosa, que namorou com o tupi e com o ioruba, e ainda hoje se entrega alegremente ao quimbundo, ao quicongo ou ao ronga, se deixando engravidar por todos esses idiomas.”
Em: “Um brinquedo de criar prodígios“, José Eduardo Agualusa, O Globo, 30/03/2015, 2º caderno, página 2.
Sasha Hartslief (África do Sul, 1974)
óleo sobre tela, 67 x 70 cm
Doris Lessing