Trova dos namorados

12 06 2025
Ilustração anos 50

 

 

Em teus braços aninhada,

tenho, ao alcance da mão,

toda uma noite estrelada,

todo o sol no coração.

 

(Colombina)

 





Imagem de leitura: Fabio Cipolla

12 06 2025

Uma leitura divertida

Fabio Cipolla (Itália, 1852-1935?)

óleo sobre tela, 28 x 54 cm

Coleção Particular





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

11 06 2025

Pecado original, 2001

Júlio Passos (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 70 x 120 cm

 

Morango, 1998

Renato Meziat (Brasil, 1952)

óleo sobre tela, 100×100 cm





Eu, pintora: Louise Abbéma

10 06 2025

Autorretrato, c. 1900

Louise Abbéma (França, 1853-1927)

óleo sobre tela





Aurora Boreal, poema de Antonio Gedeão

10 06 2025
Ilustração, Thomas Crane

 

 

Aurora boreal

 

Antonio Gedeão

 

Tenho quarenta janelas

nas paredes do meu quarto.

Sem vidros nem bambinelas

posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol,

por outra a luz do luar,

por outra a luz das estrelas

que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea

como um vapor de algodão,

por aquela a luz dos homens,

pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,

pela menor a certeza,

pela da frente a beleza

que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança

de quatro lados iguais,

quatro arestas, quatro vértices,

quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,

que as vigias são redondas,

e o sonho afaga e embala

à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,

por aquela entra a saudade,

e o desejo, e a humildade,

e o silêncio, e a surpresa,

e o amor dos homens, e o tédio,

e o medo, e a melancolia,

e essa fome sem remédio

a que se chama poesia,

e a inocência, e a bondade,

e a dor própria, e a dor alheia,

e a paixão que se incendeia,

e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco,

e o grande pássaro negro

que se olham obliquamente,

arrepiados de medo,

todos os risos e choros,

todas as fomes e sedes,

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.

 

Oh janelas do meu quarto,

quem vos pudesse rasgar!

Com tanta janela aberta

falta-me a luz e o ar.

 

 

 

António Gedeão, Obra Poética, Edições João Sá da Costa, Lisboa, 2001





A morte de Roland, ou a Canção de Roland

10 06 2025

Batalha de Roncesvales, em 778: morte de Roland. c. 1455-1460

Jean Fouquet (França, ? – 1481)

Iluminura das Grandes Crônicas da França

Biblioteca Nacional da França, Paris

 

 

A Canção de Roland é um poema do século XI, talvez a mais antiga canção épica, que dá início à literatura francesa, mesmo tendo sido, na sua forma original, escrita em uma língua românica.  A obra inspirou muitas outras criações sobre a França e circulou por toda a Europa.  Ela narra a morte heroica de Roland, no campo de batalha de Roncesvales.  A batalha aconteceu no dia 15 de agosto de 778, e Roland, que era sobrinho de Carlos Magno, comandava o exército da retaguarda, formado pelos Doze Pares de França, um grupo lendário de cavaleiros associados a Carlos Magno.  Na tropa liderada por Roland os cavaleiros são: Roland, Olivier, Gérin, Gérier, Bérenger, Otto, Samson, Engelier, Ivon, Ivory, Anséïs e Girart de Roussillon.  Mas em outros poemas e lendas da época, esses cavaleiros poderiam ser outros.  Como há muitas versões da Canção de Roland, todas em manuscritos que deram por sua vez origem a outras tantas lendas, é difícil de precisar exatamente quem fazia parte desse exército ou aqueles cuja existência são pura lenda. 

Roland morreu numa batalha na região basca da França.  A tropa vinha da Península Ibérica onde lutava contra os sarracenos.  Dependendo da versão os autores do massacre de Roncesvales, podem ser tanto bascos quanto muçulmanos.  Sabe-se que essa batalha realmente ocorreu, está historicamente comprovada e em espírito pertence ao contexto das Cruzadas e da Reconquista cristã da Península Ibérica. 

 

A morte de Roland, 1462

Iluminura em de manuscrito

Autor desconhecido

Bruges, Flandres [Bélgica]

 

 

Uma coisa interessante é que a Canção de Roland teve grande popularidade no Brasil no século XIX. Isso graças a um livro de um médico português, Jerónimo de Moreira Carvalho, que escreveu em 1737, portanto no século XVIII, uma continuação da Canção de Roland: Segunda parte da História do Imperador Carlos Magno e dos doze pares de França. Esse romance de cavalaria se tornou leitura de grande sucesso no Brasil do século XIX.  Aliás, esse é um de dois portugueses que escreveram uma continuação de história de Carlos Magno.  O outro,  História nova do Imperador Carlos Magno, e dos doze pares de França de José Alberto Rodrigues, impressa em Lisboa em 1742.  Essa no entanto, não foi popular no Brasil. 

 

 





Nossas cidades: Itanhaém

10 06 2025

Vista de Itanhaém, 1911

Emídio de Souza (Brasil, 1868-1949)

óleo sobre tela colado em eucatex, 29 x 49 cm





Em casa: Anônimo, escola italiana

8 06 2025

Jovem dormindo

Anônimo, Escola italiana

óleo sobre madeira, 55 x 45 cm 





“Nada nos satisfaz”, Michel de Montaigne

7 06 2025
DETALHE  (veja tela inteira abaixo)

Emina, lembranças do Oriente

Louis-Emile Pinel de Grandchamp (França, 1831-1894)

óleo sobre tela 

 

 

Nada nos satisfaz

 

Michel de Montaigne

 

Se ocasionalmente nos ocupássemos em nos exa­minar, e o tempo que gastamos para controlar os outros e para saber das coisas que estão fora de nós o empregás­semos em nos sondar a nós mesmos, facilmente sentiríamos o quanto todo esse nosso composto é feito de peças frágeis e falhas. Acaso não é uma prova singular de imperfeição não conseguirmos assentar o nosso contentamento em coi­sa alguma, e que, mesmo por desejo e imaginação, esteja fora do nosso poder escolher o que nos é necessário? Dis­so dá bom testemunho a grande discussão que sempre houve entre os filósofos para descobrir qual é o soberano bem do homem, a qual ainda perdura e perdurará eterna­mente, sem solução e sem acordo: Enquanto nos escapa, o objecto do nosso desejo sempre nos parece preferível a qualquer outra coisa; vindo a desfrutá-lo, um outro desejo nasce em nós, e a nossa sede é sempre a mesma. (Lucrécio).
Não importa o que venhamos a conhecer e des­frutar, sentimos que não nos satisfaz, e perseguimos cobi­çosos as coisas por vir e desconhecidas, pois as presentes não nos saciam; em minha opinião, não que elas não te­nham o bastante com que nos saciar, mas é que nos apo­deramos delas com mão doentia e desregrada: Pois ele viu que os mortais têm à sua disposição praticamente tudo o que é necessário para a vida; viu homens cumulados de riqueza, honra e glória, orgulhosos da boa reputação de seus ftlhos; e entretanto não havia um único que, em seu foro íntimo, não se remoesse de angústia e cujo cora­ção não se oprimisse com queixas dolorosas; compreendeu então que o defeito estava no próprio recipiente, e que esse defeito corrompia tudo de bom que fosse colocado de fora em seu interior (Lucrécio).
O nosso apetite é indeciso e incerto: não sabe con­servar coisa alguma, nem desfrutar nada da maneira certa. O homem, julgando que isso seja um defeito dessas coi­sas, acumula e alimenta-se de outras coisas que ele não sabe e não conhece, em que aplica os seus desejos e espe­ranças, honrando-as e reverenciando-as; como diz César: Por um vício comum da natureza, acontece termos mais con­fiança e também mais temor em relação às coisas que não vimos e que es­tão ocultas e desconhecidas.

 

Michel de Montaigne, Ensaios

 





Minutos de sabedoria: Shopenhauer

6 06 2025

Menino lendo

Francesc Domingo Segura (Espanha-Brasil,1893-1974)

óleo sobre tela, 74 x 60 cm 

 

 

“Devemos abster-nos, na conversação, de observações críticas, mesmo que sejam as mais bem intencionadas, pois magoar as pessoas é fácil; difícil, se não impossível, é melhorá-las.”

 

Arthur Shopenhauer

Arthur Shopenhauer
(1788-1860)