
Noite de verão na ilha de Sando, 1890
Eilif Peterssen (Noruega, 1862 – 1928)
Coleção Particular

Noite de verão na ilha de Sando, 1890
Eilif Peterssen (Noruega, 1862 – 1928)
Coleção Particular
Imersão mística
Charles-Clos Olsommer (Suíça, 1883 – 1966)
Primavera em Saint Hubert, c. 1915
Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866 – 1944)
óleo sobre tela, 36 x 49 cm
Coleção Airton Queiroz
Menina lendo próximo à janela
Chen Bolan (China, 1955)
Jovem em oração lendo o Livro de Horas, 1520
Ambrosius Benson ( Itália, 1495 – Flandres, 1550)
óleo sobre madeira, 21 x 13 cm
Museu do Louvre, Paris
Uma das consequências inesperadas do IV Concílio de Latrão, também chamado de O grande Concílio, em 1215, sob liderança do papa Inocêncio III, foi o nascimento da leitura silenciosa, individual.
Neste concílio, o maior concílio ecumênico da Idade Média, a Igreja decidiu que as confissões de pecados seriam mandatórias para o povo, para as massas. E que todo cristão que tivesse atingido a idade de discrição (primeira comunhão) deveria, pelo menos uma vez ao ano, confessar seus pecados ao padre de sua paróquia. (cânone 21, conhecido como Omnis utriusque sexus).
Até então a catequese tinha base no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Seguia-se os passos da Igreja nos seus primórdios em que fiéis passavam seus bens para a causa cristã e dividiam tudo entre eles. Com esse espírito houve maior adesão de leigos à Igreja e, entre outros hábitos, a leitura da Bíblia era comunitária. O sistema feudal muito colaborou para a manutenção de atitudes comunitárias.
A Igreja sempre considerou importante manter domínio sobre a interpretação dos Evangelhos, portanto, não foi sem controvérsia, que aceitou os hábitos comunitários, baseados nos primórdios do desenvolvimento cristão. O concílio de 1215, tentou colocar um fim nisso, trazendo, entre outras modificações, a leitura para o âmbito individual. Enquanto a confissão individual foi uma tentativa da Igreja de se aproximar do povo, conhecer as verdadeiras preocupações do indivíduo, na intimidade do confessionário pessoal, íntimo e velado.

Com esta decisão o conceito de moralidade na Europa passou de externo, comunitário, onde todos eram responsáveis por todos; para ser pessoal, ou seja, moralidade dependente do caráter, do juízo pessoal e não mais dependente do julgamento da comunidade. O nascimento da responsabilidade individual, que dois séculos depois fomentou o humanismo da Renascença, no século XIII deu espaço a hábitos solitários, como a leitura individual.
Mais tarde, esse individualismo na leitura, foi auxiliado com a invenção dos tipos móveis de Gutenberg que permitiu a publicação de livros com custo muito menor.
Mesmo assim, a leitura, silenciosa, individual, crescendo no íntimo do leitor, só passou a ser comum em meados do século XVIII. Até então, a leitura pública era comum.

Homem lendo livro para menina da fronteira, 2011
Alfredo Rodriguez (Mexico, 1954)
óleo sobre tela
Acho que já nos encontramos
Arne Westerman (EUA, 1927 – 2017)
acrílica sobre tela, 60 x 76 cm
Leitura entre brancos
Monica Castanys (Espanha, 1973)
óleo sobre tela, 60 x 60 cm
O mundo dos livros, ilustração de Jean-François Martin.
Ernest Hemingway
Interior, Hesnes, Noruega , 1925
Albert Marquet (França, 1875 – 1947)
óleo sobre tela