Imagem de leitura — Alselm Feuerbach

1 06 2011

Paolo e Francesca, 1864

[personagens de Dante Aleghieri]

Anselm Feuerbach ( Alemanha, 1829-1880)

óleo sobre tela,

Schack Galerie, Munique

Anselm Feuerbach (Alemanha, 1829-1880) nasceu em Speyer, na Alemanha, mas viveu a maior parte de sua vida na Itália entre dois dos maiores centros culturais da península: Roma e Veneza.  Retratou figuras humanas baseando-se em artistas clássicos e  também nos renascentistas italianos.  Também pintou  paisagens com temas mitológicos. Neoclássico.  Morreu em Veneza em 1880, onde vivia desde 1876.





Imagem de leitura — Barbara Jaskiewicz

31 05 2011

Moça lendo no jardim, 2009

Barbara Jaskiewicz ( Polônia, contemporânea)

Óleo sobre tela, 55x 73 cm

www.barbarajaskiewicz.pl

Barbara Jaskiewicz-Socewicz nasceu em Wroclaw na Polônia. Estudou arquitetura na Universidade Tecnologia de Wroclaw.  Pintora em óleos e aquarelas e também desenhista.  Dedicada a uma variedade de gêneros dos retratos à paisagem, cenas urbanas e quase todas as variedades de pintura de gênero.

 

 





Literatura como mensagem política, ainda funciona? E o feminismo?

31 05 2011

Moça lendo, s/d

Mikhail Vasilyevich Nesterov (Rússia, 1862-1942)

óleo sobre tela

No jornal The Independent da semana passada, Arifa Akbar no artigo Is feminism relevant to 21st  century fiction?  levantou algumas questões interessantes que pretendem determinar se o Feminismo ainda tem lugar na literatura contemporânea, ou melhor, na literatura do século XXI.

Qualquer produção literária que queira refletir uma posição política ou social corre o risco de ficar comprometida.  Isso serve para o feminismo, para o socialismo, para escrita revolucionária de direita ou de esquerda, e até mesmo para a literatura com a intenção de mudar dogmas pré-estabelecidos nas sociedades:  dos proselitismos religiosos ao missionarismo contra chagas sociais tais como o racismo, purificação das raças, opções sexuais que por mais perversos que sejam são melhor combatidos de outras formas.  O mesmo acontece quando um escritor é comissionado para escrever um romance em que alguma companhia seja a patrocinadora.

Melina de verde, 1930

Emma Fordyce MacRae (Áustria 1887- EUA, 1974)

óleo sobre tela

www.emmafordycemacrae.com

Um caso que me vem à lembrança é o da escritora inglesa contemporânea Fay Weldon. Conhecida por seus temas sociais e feministas, Fay Weldon — que ficou muito famosa com o romance The life and loves of a she-devil – [no Brasil, A Maligna, vida e amores de uma mulher-demônio, Art:1986] um retumbante sucesso no exterior, transformado em roteiro de filme [de menos sucesso]: Ela é o diabo, 1989, dirigido por Susan Seidelman —  aceitou, no início da década passada,comissão da famosa joalheria Bulgari para que fizesse – ao que tudo indica – um  “product-placement” em um de seus romances.  Isso se resume a um anúncio disfarçado de um produto, como quando as marcas de produtos de beleza, hidratantes e muito outros, aparecem nas novelas televisivas brasileiras, para citar um exemplo.  Fay Weldon foi fartamente criticada pela imprensa inglesa, especializada ou não.  O resultado foi um romance meio sem graça, Conexão Bulgari [Record, 2005].  Falo isso com pesar, porque admiro bastante o trabalho da autora que parece sempre estar antenada para assuntos que afetam o universo do comportamento feminino de maneira inteligente, crítica e bem humorada.

Mas a verdade é que em termos de romancistas feministas, Fay Weldon foi, e ainda é, relevante, assim como muitas de suas contemporâneas e sucessoras como Margaret Drabble entre muitas outras, que trouxeram, para um público muito maior do que aquele que lê ensaios sociológicos, o feminismo do dia a dia da mulher do século XX.  Quais outras escritoras contemporâneas conseguiram atingir a tantas mulheres que não se davam conta de que os problemas que enfrentavam eram o que se chamava de feminismo?  Fay Weldon estava dando voz a uma geração pós Doris Lessing, a verdadeira pioneira do feminismo literário na Inglaterra.

Hora da leitura, s/d

John Weiss ( EUA, contemporâneo)

Gravura, 30 x 28 cm

Sempre me senti em cima do muro quanto a feminização dos estudos nas artes.  Duas de minhas melhores amigas, que se formaram em história da arte comigo, tornaram-se especialistas em assuntos feministas, uma delas, hoje,  é diretora da Faculdade de Estudos Feministas de uma grande universidade americana.  E apesar de ter abraçado o movimento feminista com zelo, de ter pertencido à National Organization for Women, sempre achei que um momento chegaria, em que estas especializações não teriam mais sentido de existir.  Talvez fosse pura esperança, de que um dia o trabalho feminino fosse considerado do mesmo valor que o masculino.  Por outro lado, reconheço que até mesmo no fechado círculo dos historiadores da arte, muitas foram as mulheres pintoras e escultoras, cujos trabalhos, que não deixavam nada a desejar em relação aos dos seus colegas homens, só vieram a ser mais ou menos conhecidas  depois que algumas portas se abriram para a pesquisa de campo nesse setor.  Foram e ainda são décadas e décadas de dedicação nos porões de museus conhecidos à procura de artefatos dessas artistas plásticas, desbravadoras das artes.  E os resultados se acumulam.  E não teriam aparecido não fosse a dedicação, a devoção à uma causa, das historiadoras de arte feministas.  Um dos exemplos mais convincentes é o caso da pintora americana Mary Cassatt, que era considerada uma boa pintora impressionista americana, mas que só obteve o lugar de destaque que hoje exibe depois que houve abertura em dois campos de pesquisa que sofriam preconceito:  arte americana (EUA) — quando tudo o que era considerado bom era europeu; e arte por uma mulher, com temas exclusivamente femininos.  A abertura dos estudos feministas e de estudo da arte americana — a princípio muito esparsos — nas maiores universidades dos EUA só se deu mesmo a partir da década de 1970.  E o lucro cultural, além dos valores econômicos que essas “descobertas”  trouxeram é enorme, impossível mesmo de se calcular.  Para não se falar na auto-estima de metade da população do mundo.  O mesmo aconteceu na literatura: nos EUA duas escritoras “re-descobertas” foram Kate Chopin e Charlotte Perkins Gillman.  Dou exemplos dos EUA, porque foi lá que passei grande parte da minha vida profissional, mas o mesmo aconteceu na maioria dos países do ocidente.

Jovem mãe no jardim, s/d

Mary Cassatt (EUA, 1844-1926)

Acredito que nas artes visuais assim como nas literárias haja realmente uma grande diferença de enfoque entre os sexos.  Uma das minhas decisões mais radicais na década de 1990, foi no campo da literatura, eu não iria ler NADA, absolutamente NADA escrito por um homem.   Como leio muito, foi uma década de intenso perambular pela criatividade feminina.  E confesso que adorei, porque há uma diferença palpável na percepção do mundo, da realidade, da fantasia entre homens e mulheres.   O que nos preocupa não é necessariamente o que preocupa um escritor homem.  Menciono isso porque o artigo do jornal The Independent mencionado acima questiona se ainda há a necessidade de se ter um prêmio literário, nesse caso o Orange Prize, exclusivo para  escritoras mulheres. [O Orange começou em 1996 com o propósito de premiar escritoras mulheres, por sua excelência, originalidade.] Não sei.  Provavelmente ainda há.  Ainda que eu acredite — talvez até fantasie — que daqui a uns poucos anos essas divisões não sejam necessárias.  Exemplos das ganhadoras do Orange Prize mostram que o prêmio não foi em vão:  Barbara Kingsolver (2010), Rose Tremain (2008), Zadie Smith (2006).

Mas ao que tudo indica, pelo menos ultimamente, há um sentimento  de aversão, bem delineado, ao feminismo,  uma posição que se reflete na capa e no conteúdo do último número da Revista Granta, [nº 115],  que, numa alusão a um palavrão em inglês,  intitula esta publicação de  The F. word.   Nesse meio tempo, como lembrou Arifa Akbar, a Austrália considera inaugurar um prêmio literário exclusivamente para mulheres.  O que parece é que o Feminismo está mudando de cara.  A fase inicial de contestação e a fase de reconhecimento, pelo menos em alguns lugares do mundo, já se esgotaram.  Talvez não haja oxigênio suficiente para que o Feminismo sobreviva como o conhecemos.  Uma nova variação deve estar a caminho, sem alguns excessos, talvez mais inclusiva.  Talvez seja essa a variação a despontar.  Nada muito diferente da conhecida evolução Darwiniana.  Esperemos.

©Ladyce West, 2011





Imagem de leitura — Zélio Andrezzo

30 05 2011

Leitura Matinal, s/d

Zélio Andrezzo ( Brasil, 1948)

óleo sobre tela,  80 x 60 cm

Zélio Andrezzo nasceu em Florianópolis em 1948.  Mudou-se para São Paulo em 1964.   Pintor e desenhista, estudou na Associação Paulista de Belas Artes.   Andrezzo dedicou-se inicialmente à retratação e figuração humana, tendo frequentado diversos cursos com pintores italianos.  Retratista, pintor figurativo que também se dedicado à pintura de gênero.





Imagem de leitura — Alex Katz

28 05 2011

Round Hill, 1977

Alex Katz (EUA, 1927)

óleo sobre tela,  180 x 244 cm

Los Angeles County Museum of Art

Alex Katz nasceu em Booklyn, Nova York em 1927.   Estudou pintura na Escola de Pintura e Escultura Skowhegan, na cidade de Skowhegan, no  Maine.  Sua primeira exposição solo foi em 1954.  Nos anos 60, influenciado pelas mídias: televisão, cinema e pela propaganda de rua, começou a pintar em grande escala, quadros de proporções enormes.  Tornou-se uma das grandes figuras da Pop-art nos Estados Unidos.  Seu relacionamento com poetas e escritores e com o teatro se estreitou através dos anos.   Sua página na rede:  www.alexkatz.com

 





Biblioteca no metrô, um programa de sucesso

27 05 2011

Compatimento C, trem 293, 1938

Edward Hopper ( EUA,1882-1967)

óleo sobre tela,  50 x 45

IBM Corporation, Armonk, Nova York

Ler em público, no metrô, na sala de espera, na fila do banco ainda é um comportamento mais raro no Rio de Janeiro do que na maioria das cidades americanas, inglesas e de muitos países da Europa continental. É interessante notar, no entanto, que cada vez mais vemos pessoas lendo em lugares públicos, bem mais do que se via algum tempo atrás quando comecei uma brincadeira de fotografar pessoas lendo em público.  Quem está familiarizado com este blog sabe que no seu primeiro ano de existência – 2008 – ainda postei muitas fotos que eu mesma tirei de pessoas lendo em lugares públicos.  Acho que uma alavanca para essa leitura em lugar público deva-se em parte ao sucesso dos projetos de bibliotecas públicas localizadas nos metrôs das grandes cidades brasileiras.

No metrô do Rio de Janeiro a Biblioteca Livros & Trilhos já funciona há mais de 4 anos, e está localizada na estação do metrô da Central.  O projeto é fruto de uma parceria de três elementosMetrô Rio, Instituto Brasil Leitor e da iniciativa privada.  No final de 2010 esta biblioteca contava com 8.000 sócios e próximo de 80.000 empréstimos.

Aconchego, 1976

Beryl Cook ( Inglaterra, 1926 – 2008)

Óleo sobre madeira e colagem de jornal

www.berylcook.org

A Biblioteca Livros e Trilhos foi inspirada pelas Bibliotecas Embarque na Leitura do metrô paulista, que hoje conta com 5 bibliotecas nas estações Santa Cecília, Luz, Tatuapé, Paraíso e Brás (CPTM) que também são fruto do Instituto Brasil Leitor.

O sucesso dessas bibliotecas é muito claro quando se contabiliza o número de sócios e  o número de empréstimos, mas o exemplo mais concreto desse sucesso pode ser visto no menino Lucas Reis de Lima Silva, 9 anos, morador de Osasco, região metropolitana de São Paulo.   Esse menino, que adora nadar e fazer educação física durante as tardes, depois da escola, ganhou no mês passado, o título de campeão das Bibliotecas Embarque na Leitura, de São Paulo.  Entre o público de sua faixa etária, Lucas foi o que mais tomou livros emprestados: 190 livros em 2 anos.

Lucas pega livros emprestado na biblioteca do Metrô instalada na Estação Santa Cecília, Foto: Tiago Queiroz/AE

Lucas, que passa pela estação Santa Cecília todos os dias com a mãe, foi quem pediu  para que ambos se tornassem sócios da biblioteca.   D. Valéria, sua mãe, é uma grande incentivadora da leitura. Ambos logo se acostumaram a retirar livros na estação, mas quando se trata de volume de leitura, Lucas passa sua mãe, que em média tira 2 livros por mês para ler.  Ele mesmo admite que a leitura tem o ajudado bastante na escola.  “Quando tem ditado na escola, aparecem palavras que já li nos livros e acerto tudo.”

É maravilhoso ver que um jornal do porte do O Estado de São Paulo tenha dedicado seu espaço para a divulgação de tão boas novas, no mês passado.  Depois algumas semanas conturbadas com notícias sobre cartilhas escolares distribuídas pelo governo repletas de erros gramaticais; depois das reportagens na televisão sobre a precariedade de grande parte das escolas brasileiras, é bom voltarmos atrás só uns poucos dias, para nos lembrarmos que ainda há esperança…  de que ainda há crianças que lêem e pais que se preocupam com a educação de seus filhos… que nem tudo parece estar à beira do abismo.

FONTE; Estadão On Line





Imagem de leitura — Tavik Frantisek Simon

26 05 2011

Vilma lendo um livro, c. 1912

Tavik Frantisek Simon ( República Checa, 1877-1942)

óleo sobre tela

www.tfsimon.com

Tavik Frantisek Simon nasceu em 1877, na Boêmia, quando esta ainda era  parte do império austríaco.  Demonstrou aptidão e gosto pela pintura desde cedo e aos 17 anos entrou para a Academia de Arte de Praga.  Formou-se em 1900, não sem antes ter viajado pelos países da costa do Mediterrâneo:  Dalmácia, Bósnia.  Depois de formado, tendo ganho duas bolsas de estudo, foi primeiro para a Itália e depois para Paris.  Ampliou seus conhecimentos e técnica de trabalho nesses dois países e começou a se dedicar à gravura.  Tornou-se um ilustrador de nome, requisitadíssimo e um dos maiores nomes da pintura checa. Faleceu em 1942, na República Checa.





Papa-livros, leitura para junho: Brooklyn, Colm Tóibín

25 05 2011

Sem título

Cesare dell Acqua ( Itália, 1821-1904)

Leitura para JUNHO, discussão a partir do dia 20

Brooklyn, de Colm Tóibín

SINOPSE

No início dos anos 1950, a Irlanda não oferece futuro para jovens como Eilis Lacey. Sem encontrar emprego, ela vive na pequena Enniscorthy com a mãe viúva e a irmã Rose. Mas eis que o padre Flood lhe faz uma oferta de trabalho e moradia no Brooklyn, Estados Unidos. De início apavorada com a ideia de sair do ninho familiar, ela acaba partindo rumo à América.
Triste e solitária em seu novo mundo, a tímida Eilis acaba por estabelecer uma rotina de trabalho diurno e estudo noturno na faculdade de contabilidade. No baile semanal da paróquia, conhece um jovem de origem italiana que aos poucos entra em sua vida. Mas quando começa a se sentir mais livre e segura, Eilis é obrigada a voltar, por algumas semanas, para Enniscorthy. E ali ela se vê, mais uma vez, diante de uma escolha muito difícil.
Sem nunca fazer de Eilis uma heroína clássica, Colm Tóibín trama uma delicada teia de sentimentos ocultos, de aceitação do destino e de sonhos abandonados que deixará o leitor preso à história muito tempo depois de terminar o livro.

EDITORA: Cia das Letras

Ano: 2011

Númeor de páginas: 304





Imagem de leitura — Alexandre Auguste Hannotiau

24 05 2011

 

A leitura no café, s/d

Alexandre Auguste Hannotiau (Bélgica, 1863-1901)

óleo sobre tela, 65 x 54 cm

Leilão da Southeby’s, Nova York, 2004

,

Alexandre Auguste Hannotiau, (1863-1901) nasceu na Bélgica. Estudou na Academia de Bruxelas onde foi aluno de Artan e de Van Hammee.  Pintor de cenas históricas, de gênero, se caracterizando pela vida diária de Bruges e foi também pintor para a decoração de diversos prédios de uso religioso.  Em 1892 tornou-se um dos membros fundadores do círculo artístico Para Arte [ Pour l’Art].  Foi também um grande ilustrador e conhecido desenhista de cartazes.  Foi professor da escola de artes decorativas de Molenbeek-Saint-Jean.





Imagem de leitura — Nicole Etiènne Powell

18 05 2011

Manhã de domingo

Nicole Etiènne (EUA, 1974)

Óleo sobre tela

Nicole Etienne Powell ( EUA, 1974). Nasceu na Califórnia, filha de uma pintora.  Começou desde cedo a experimentar com tintas. Estudou na Universidade da Califórnia-Santa Bárbara e depois na Universidade da Califórnia-Santa Cruz, de onde se graduou em 1997.   Estudou também na Itália, na Escola Lorenzo de Médici, continuando seus estudos com um mestrado em arte na  Academia de Arte de Nova York.  Atualmente mora em Nova York. www.nicoleetiennepowell.com