Anedota sobre Alexandre Dumas Pai na revista O Espelho de 1859

4 09 2013

Eileen, c1949. Anne Redpath (Scottish, 1895-1965)

Eileen, c. 1949

Ann Redpath (Escócia, 1895-1965)

óleo sobre madeira

Ferens Art Gallery, Hull Museums, Grã Bretanha

“Na noite da primeira representação da Dama das Camélias, de A. Dumas filho, um folhetinista encontrando A. Dumas pai junto à escada do vaudeville, disse-lhe com ar malicioso:

— Ora confesse que o Sr. entrou nesta peça, que toma nela alguma parte.

— Pois não! respondeu o espirituoso romancista: fui eu que fiz o autor.”

***

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 17,  25 de dezembro de 1859, p.11. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 218.





Palavras para lembrar — Provérbio árabe

2 09 2013

Olga Lysenko, reading-in-outdoor-cafe, ost, 20x20cmLendo em um café em Paris

Olga Lysenko (Rússia, radicada na Inglaterra)

“Livros, caminhos e dias dão ao homem sabedoria”.

Provérbio árabe





Imagem de leitura — Lucile Blanch

1 09 2013

Lucile BlanchGittel, c, 1940

Lucile Blanch (EUA, 1895-1981)

Lucile Blanch nasceu em Minnesota em 1895, filha da pintora e litógrafa Lucille Linquist. Durante a Primeira Guerra Mundial ela estudou no Minneapolis School of Art com quem seria mais tarde seu marido,  Arnold Blanch. Lá conheceu outros artistas de maior renome tais como Harry Gottlieb e Adolf Dehn. Depois foi para Nova York onde se casou  com Arnold Blanch. Juntos ajudaram a construir a Colônia de Arte em Woodstock, no estado de Nova York. Divorciaram -se em 1935. Lucile Blanch faleceu em 1981.





Minuto de sabedoria — Florbela Espanca

22 08 2013

david emile joseph denoter_la_lectureA Leitura

David Émile Joseph de Noter (Bélgica, 1818-1892)

óleo sobre tela

Coleção Particular

“Ama-se quem se ama e não quem se quer amar.”

180px-Espanca_Florbela   Florbela Espanca





Imagem de leitura — Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky

19 08 2013

Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky (Russia 1868-Alemanha 1945) mulher lendo no jardim, 1915Mulher lendo no jardim, 1915

Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky (Rússia, 1868-1945)

óleo sobre tela

Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky nasceu em Smolensk Governorate em 1868. Estudou na Academia de Arte Semyon Rachinsky; aprendeu a pintar ícones na Troitse-Sergiyeva Lavra em 1883 e pintura moderna na Escola de Pintura Escultura e Arquitetura de Moscou de 1884 a 1889, indo depois aprimorar sua tecnica em São Petersburgo na Academia Imperial das Artes nos anos de 1894 e 1895. Na década de 1890 foi para a França onde estudou e ateliês particulares.  Especializou-se em pintura de gênero, concentrando-se no retrato de camponeses, retratos e na paisagem no estilo impressionista. Faleceu em Berlim em 1945.





Imagem de leitura — Jan van Eyck

15 08 2013

1152px-Retable_de_l'Agneau_mystique_(1) detalhe MariaPainel da Virgem Maria, 1432

Um dos painéis do Retábulo da Catedral de Ghent

Jan van Eyck (Flandres, c. 1390-c. 1440)

óleo sobre madeira

Igreja de São Bavo, Ghent, Bélgica

Jan van Eyck nasceu um pouco antes de 1395 em Maaseik, em Flandres, hoje Bélgica.  Um de quatro irmãos todos pintores. Chamado de alquimista e de inventor da pintura a óleo – o que não é verdade, mas foi quem levou a pintura a óleo a um nível nunca antes imaginado. Foi membro da corte, embaixador, agente secreto, uma lenda em sua própria era. Um dos maiores pintores que o mundo ocidental já conheceu. Faleceu por volta de 1441 em Flandres.

Pintores na época de Jan van Eyck não eram treinados em academias ou universidades. Eram educados enquanto trabalhavam como aprendizes — por anos — nas oficinas de outros artistas já estabelecidos na guilda de São Lucas. No sistema de oficinas ou ateliês, a um único homem seria dado o crédito para uma pintura em que muitas pessoas haviam trabalhado. A um artista aprendiz pode ser dada a tarefa de pintar fundos ou brocados, fazer cópias e pastiches para venda comercial, ou simplesmente preparar  os painéis de madeira e moagem de pigmentos. Além de completar as tarefas atribuídas pelo mestre, assistentes nas oficinas criavam seu próprio trabalho no estilo de seu mestre.





A difícil arte da matemática na Grécia antiga, texto de Leonard Mlodinow

13 08 2013

Domenico-Fetti_Archimedes_1620Arquimedes pensativo, 1620

Domenico Fetti (Itália, 1588-1623)

óleo sobre tela, 98 x 73 cm

Galeria de Obras dos Velhos Mestres [Gemaldegalerie Alte Meisters] Dresden

Você reclama das aulas de matemática?  Pois veja a difícil arte da matemática da Grécia antiga:

“…em Atenas, no século V a. C., no ápice da civilização grega, uma pessoa que quisesse escrever um número usava uma espécie de código alfabético. As primeiras nove das 24 letras do alfabeto grego representavam os números que chamamos de 1 a 9. As seguintes nove letras representavam os números que chamamos 10, 20, 30 e assim por diante. E as seis últimas letras, além de três símbolos adicionais, representavam as primeiras nove centenas (100, 200 e assim por diante, até 900). Se você tem problemas com a artimética hoje em dia, imagine como seria subtrair ΔΓΘ de ΩΨΠ! Para complicar ainda mais as coisas, a ordem na qual as unidades, dezenas e centenas eram escritas não importava: às vezes as centenas vinham em primeiro, às vezes em último e às vezes a ordem era ignorada completamente. Para completar, os gregos não tinham zero.

O conceito de zero chegou à Grécia quando Alexandre invadiu o império Babilônico, em 331 a. C. Mesmo então, embora os alexandrinos tenham começado a usar o zero para denotar a ausência de um número, ele não era empregado como um número por si só. Na matemática moderna, o número 0 possui duas propriedades fundamentais: na adição, é o número que, quando somado a qualquer outro, deixa-o inalterado, e na multiplicação é o número que, quando multiplicado por qualquer outro, mantém-se ele próprio inalterado. Esse conceito não foi introduzido até o século IX, pelo matemático indiano Mahavira.

Mesmo depois do desenvolvimento de um sistema numérico utilizável, passariam-se muitos séculos até que as pessoas reconhecessem adição, subtração, multiplicação e divisão como as operações aritméticas fundamentais — e, lentamente, percebessem que certos símbolos convenientes poderiam facilitar bastante sua manipulação.”

Em: O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas, Leonard Mlodinow, tradução Diego Alfaro, Rio de Janeiro, Zahar: 2009, p. 44-45





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

12 08 2013

???????????????????????????????Leitura de Mário Puzzo, Paço Imperial.




Por que o brasileiro está longe dos livros?

10 08 2013

Cyril Edward Power, (1872-1951)Tube, 1934, linocut,“Tube” [metrô], 1934

Cyrill Edward Power (Inglaterra, 1871-1951)

gravura em linóleo

Então, do Pará ao Rio Grande do Sul, o brasileiro lê em média 6 minutos por dia. É uma constatação devastadora.  A pesquisa, feita pelo IBGE, como noticiou o jornal O Globo ontem, mostra que lemos 5 vezes menos por dia do que os americanos durante a semana e 6 vezes menos do que eles durante o fim de semana.  Essa leitura inclui qualquer leitura. Não estamos falando simplesmente de romances, de entretenimento.  Dedicamos muito pouco tempo à leitura de qualquer coisa: jornal, texto científico, romance, texto histórico, matemático, poesia, ciências naturais, físicas, qualquer coisa, provavelmente até livros de culinária.

Agora, como é que queremos ir para frente?  Progredir?  Tornar este país competitivo?

Vejo com frequência nas redes sociais um enorme ressentimento contra os nossos vizinhos do norte, os americanos porque “querem dominar o mundo” culturalmente.  Mas, eles pelo menos se dedicam a aprender, a ler, a explandir os conhecimentos.  Domínio cultural, através de filmes, de livros, de programas de televisão acontece mesmo.  É subproduto de um país que se dedicou a uma educação generalizada para toda a população, de uma cultura que se dedicou ao estudo e à leitura.  De um país que dá todo o apoio possível à criatividade quer ela seja científica ou não.  Somos levados no cabresto por eles, sim, culturalmente.  Mas para lutar contra esse domínio, não adianta sair às ruas, nem pedir dinheiro para o governo bancar projetos culturais.  Porque os brasileiros nem sequer sabem da importância desses projetos.  Não sabem porque não lêem.  E niguém nasceu sabendo. E a única maneira de se complementar o que se conhece, o que se sabe é lendo.

Não é culpa da internet.  Hoje para se usar a internet, para se construir uma base de conhecimento que possa levar ao manuseio da internet, da cultura virtual, não se pode ser unicamente um usuário, um visitante das páginas sociais e bater papo com os amigos.  É um erro pensar que visitar os amigos nas redes sociais é dominar a internet, que é progresso.  Para que possamos realmente fazer uma contribuição para o mundo virtual, é necessário saber como virar esse conhecimento técnico a nosso favor.  E no entanto, sem ler, não chegaremos lá.

Não lemos. Portanto não expandimos os nossos cérebros, não aumentamos o nosso conhecimento pragmático ou emocional.  Estamos nos tornando, em passos rápidos, uma cultura de zumbis, de não pensadores.  Em compensação gostamos de vegetar em frente da televisão. 85% do tempo livre dos brasileiros é gasto em frente da televisão. Deixamos assim que outros pensem por nós.

Há horas que dá muito desânimo.

Fonte: Brasileiro passa muito tempo longe dos livros, O GLOBO





O que é um sucesso editorial no Brasil?

9 08 2013

Yan-Nascimbene-19 Yan Nascimbene

Ilustração Yan Nascimbene.

Nesta semana o jornal gaúcho Zero Hora publicou duas matérias de interesse para quem se preocupa com a baixa taxa de leitura no Brasil.  O foco de ambas as publicações foi o número de volumes impressos por título.  Nos grandes centros do Brasil, parece que a leitura anda aumentando.  Cá pela zona sul do Rio de Janeiro, ir a uma livraria no fim de semana é ocasião certa de encontrar dezenas de pessoas se acotovelando, como se livros estivessem sendo distribuídos gratuitamente.  Além disso, podemos ter a certeza de encontrar casualmente vizinhos, amigos, colegas de trabalho que, sem combinação prévia, acabam emendando a compra de um livro em um bate-papo informal no café da livraria ou no café mais próximo.  Quer a livraria fique num shopping ou tenha portas abertas para a rua, o burburinho no local é de aquecer o coração de quem se preocupa com a educação brasileira.

Mas observando o número de exemplares publicados nas nossas edições de sucesso, os números parecem ridiculamente pequenos para o tamanho da nossa população.  As maiores tiragens de livros no país são de 600.000 – seiscentos mil – volumes.  Nesse nicho ficam os autores de grandes vendas internacionais como a trilogia iniciada com o volume 50 tons de cinza de E. L. James. O último volume da trilogia, 50 tons de liberdade, já saiu com mais de 500.000 – quinhentos mil —  exemplares impressos. Parece muito não é mesmo?  Mas somos 197.000.000  — cento e noventa e sete milhões – 600.000 exemplares são equivalentes a  ⅓ de 1%.  Parece insignificante.  E essa é a maior tiragem de um livro no Brasil.  Triste.

adam_pekalski menino dragãoIlustração Adam Pekalski.

Grandes sucessos editoriais de autores brasileiros têm ainda menores tiragens.  Aqui focamos nos brasileiros. Os dois títulos de maior tiragem são elevados pelas religiões em que se firmam.

Ágape, do padre Marcelo Rossi – 500.000

Casamento blindado de Cristiane e Ricardo Cardoso – filha e genro do Bispo Edir Macedo – 230.000

Só depois é que encontramos o mega-seller Laurentino Gomes.

1889 – tem edição de 200.000

Seguido por:

Manuscrito encontrado em Accra de Paulo Coelho  — 100.000

Luís Fernando Veríssimo – novo título ainda não divulgado – sairá com 100.000 também

Carcereiros de Dráuzio Varella – 80.000

Guia politicamente incorreto da filosofia – Luís Felipe Pondé – 50.000

A graça da coisa de Martha Medeiros – 50.000

Mas há também o que poderíamos chamar de círculo vicioso.  De acordo com o Consultor Editorial Carlos Carrenho, as tiragens grandes não refletem só a expectativa das editoras.  As livrarias também preferem os livros com maior tiragem.  De acordo com ele “A primeira coisa que as livrarias perguntam é qual a tiragem inicial. Usam a informação para avaliar o tamanho da aposta naquele título.”

Assim fica difícil quebrar barreiras.  Se as livrarias não estão interessadas em tiragens menores, como pode o autor aumentar as suas vendas até que consiga um número razoável em volume de venda?  Porque diferente de outros países as nossas editoras não se dedicam a promover os títulos que publicam.  Comparo com os Estados Unidos, onde morei por muitos anos, e não vejo por aqui a dedicação que as editoras de lá dão ao promover os livros que publicam.  É claro que lá também se pede muito dos escritores.  Eles viajam de uma costa a outra do país dando entrevistas e se encontrando com leitores em livrarias, cafés, grupos de leitura, exaustivamente.  Isso não vejo acontecer por aqui fora do eixo Rio-São Paulo.  Ocasionalmente sim, mas não regularmente.

Temos ainda muito o que fazer no Brasil.

FONTES:

Saiba quais são os livros de maior tiragem no Brasil

Tiragens iniciais gigantescas de livros indicam tendências de mercado e estratégia de vendas