Imagem de leitura — Mauro Cano

4 02 2014

Marcia. Mauro Cano, born 1978 in Mendoza, Argentina.Márcia, 2008

Mauro Cano (Argentina, 1978)

óleo sobre tela,  150 x 240 cm

www. maurocanoarte.com

Mauro Cano nasceu em Mendoza, na Argentina em 1978. Estudou na Universidade Nacional de Cuyo em sua cidade natal.  Recipiente de diversos prêmios e colocado nas principais colecões de arte do país.





Dominância anglófona…

3 02 2014

Anthony A. González, Reading a Poem_de Daily Painters of Texas de ANTHONY A. GONZÁLEZLendo um poema

Anthony A. González (EUA)

óleo sobre tela

www.obra-de-gonzalez.com

Bisbilhotando na internet hoje, cheguei a essa estatística que coloco abaixo porque me pareceu estarrecedora, os dados são de 2007 ou seja quase sete anos atrás, mas acredito que não tenha havido qualquer mudança significativa. Refere-se a livros publicados em tradução.

2% dos livros publicados no Reino Unido e nos Estados Unidos são traduções.

13% na Alemanha

27% na França

28% na Espanha

40% na Turquia

70% na Eslovênia

Não tenho os dados sobre o Brasil. Não achei. Talvez não tenha sabido procurar. Talvez caia sob o véu do silêncio que aflige a nossa cena editorial.

Essas estatísticas foram mencionadas no artigo Writers attack ‘overrated’ Anglo-American literature at Jaipur Festival, do jornal inglês The Guardian, sobre a acusação de escritores não anglófonos da dominância mundial da literatura produzida nos países de língua inglesa.  Não vou entrar no assunto, nessa postagem, mas me pergunto se no século XIX também havia muita reclamação sobre a dominância do francês nas letras mundiais, que dadas as devidas proporções me parece ter sido igualmente abrangente.  Fica aqui a consideração.





Perdoa, poesia de Maria Pagano de Botana

28 01 2014

Bernard rolland-la-lectureA leitura

Bernard Rolland (França, contemporâneo)

acrílica sobre tela

Perdoa

Maria Pagano de Botana

Se o vento desfolhar do teu jardim as rosas

E as deixar pelo chão espalhadas à toa,

Cruza os braços, fitando as roseiras graciosas,

— E a maldade do vento, em silêncio, perdoa!

Se a poeira vier ferir teus olhos, na estrada,

Deixa que o teu olhar tranquilamente doa,

Eleva para o azul as pálpebras, mais nada…

— E a maldade do pó, com ternura, perdoa!

Se alguém encher de fel teu coração dorido,

Sem que do teu pesar um dia se condoa,

Não maldigas: esquece o insulto recebido,

E a maldade do mundo, em lágrimas, perdoa!

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 342.

Maria Pagano de Botana  ( Pederneiras, SP, 1909)  [ Baronesa de Santa Inês] Poeta, cronista, professora, jornalista .  Pseudônimos:  Marlon, Maria do Rosário.

Obras:

Do sonho à realidade, crônicas, 1945

Canteiro humilde, pensamentos, 1948

Amor fonte de vida, poesia, 1950

Luzes e imagens, 1972, biografia romanceada





Imagem de leitura — Annette Kagy

27 01 2014

Annette Kagy, harlequin-divasDivas do Harlequim [série de livros de romance], 2009

Annette Kagy (EUA, contemporânea)

Pastel sobre papel lixa, 56 x 72 cm





Minuto de sabedoria — Abe Kobo

24 01 2014

Auguste Macke, elisabeth lebdo com frutas à mesa, 1908Elizabeth lendo com frutas à mesa, 1908

Augusto Macke (Alemanha, 1887-1914)

óleo sobre tela

“A liberdade não consiste só em seguir a sua própria vontade, mas às vezes também em fugir dela.”

images  Abe Kobo





Retrato na praia, poema de Carlos Pena Filho

21 01 2014

Julia lendo e descansando na praia, s/d

Nancy Salamouny (Líbano, contemporânea)

http://nancysalamouny.blogspot.com

Retrato na praia

Carlos Pena Filho

Ei-la ao sol, como um claro desafio

ao tenuíssimo azul predominante.

Debruçada na areia e assim, diante

do mar, é um animal rude e bravio.

Bem perto, há um comentário sobre estio,

mormaço e sonolência. Lá, distante,

muito vagos indícios de um navio

que ela talvez contemple nesse instante.

Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza

por seu corpo salgado, enxuto e belo,

como se nuvem fosse, ou quase brisa.

E desce pelos seus braços, e rodeia

seu brevíssimo e branco tornozelo,

onde se aquece e cresce, e se incendeia.

Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição.

Carlos Pena Filho  nasceu no Recife, em 1929.  Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1955

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral (obra reunida), 1959

Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983





Imagem de leitura — Wincenty Wodzinowski

20 01 2014

Wincenty Wodzinowski (1866 – 1940, Polonia )Filha do artistaFilha do artista, s/d

Wincenty Wodzinowski (Polônia, 1866-1940)

óleo sobre tela





Palavras para lembrar — Edmund Wilson

17 01 2014

Girl in Green by Sara HaydenJovem de verde, 1899

Sarah Sewell Hayden (EUA, 1862-1939)

óleo sobre tela

Sheldon Museum of Art, Lincoln, NE

“Duas pessoas nunca leem o mesmo livro”.

Edmund Wilson (1895-1972)





Imagem de leitura — Elvira Bach

14 01 2014

Bach, Elvira (1951) Lesende 02Leitora (2), 2005

Elvira Bach (Alemanha, 1951)

www.elvirabach.com





1200 anos atrás já se sabia da necessidade de uma boa educação!

13 01 2014

learning-to-readAprendendo a ler, s/d

Iluminura.

Desconheço a identificação do manuscrito.

Carlos Magno, também chamado de “O Pai da Europa”, unificou grande parte do território da Europa Ocidental, que estava subdividida em pequenos domínios desde a queda do império romano.  Além de ser um grande guerreiro e administrador, Carlos Magno acreditava na boa educação.  Durante o seu reinado fomentou a melhoria da educação e patrocínio nas artes, literatura, e arquitetura, o que levou seu reinado a ser mais tarde denominado de Renascimento Carolíngio. [final do século VIII ao século IX].  Em suas diversas campanhas entrou em contato com a cultura e observou a qualidade do ensino em outros lugares, na Espanha visigótica, na Inglaterra anglo-saxã, e na Itália lombarda. Vendo o progresso do ensino em outras culturas fez questão de aumentar a oferta de escolas e de scriptorias monásticas, lugar dedicado às cópias de livros, nos rincões do seu reino. Sua contribuição para a cultura ocidental não foi pequena já que a maioria das obras sobreviventes hoje do latim clássico foram copiadas e preservadas por estudiosos no reino carolíngio.

A falta de alfabetização latina na Europa Ocidental do século VIII causou problemas para os governantes carolíngios, limitando severamente o número de pessoas capazes de servir como escribas da corte em sociedades onde o latim era valorizado. Ainda mais preocupante para alguns governantes foi o fato de nem todos os párocos possuírem a habilidade de ler a Bíblia Vulgata. Um problema adicional é que o latim vulgar do Império Romano do Ocidente  tardio começou a divergir abrindo portas para os dialetos regionais, os precursores das línguas latinas de hoje, e estavam se tornando mutuamente ininteligíveis, prevenindo estudiosos de uma parte da Europa se comunicarem  com pessoas de outra parte da Europa.

Carlos Magno ordenou a criação de escolas no documento chamado Carta de Pensamento Moderno, emitido em 787.  Seu programa de reforma tinha como objetivo atrair muitos dos principais estudiosos cristãos para sua corte.  Chamou primeiro os italianos: Pedro de Pisa, Paulino de Aquileia e Paulo, o Diácono. Mais tarde chamou o espanhol Teodolfo de Orléans, Alcuíno de York e Joseph Scottus, irlandês.  Entre os esforços principais do reino carolíngio está a organização de um currículo padronizado para uso nas escolas recém-criadas; o desenvolvimento da minúscula carolíngia, um “livro de mão” [cartilha] que introduziu uso de letras minúsculas. A versão padronizada do latim também foi desenvolvida, permitindo a cunhagem de novas palavras ao mesmo tempo que mantinha as regras gramaticais do latim clássico. Este latim medieval tornou-se uma linguagem comum de bolsa de estudos e administradores,  permitindo que viajantes pudessem se fazer entender em várias regiões da Europa. Carlos Magno tornou o sistema educacional um pouco mais acessível, ainda que não abrangesse a sociedade inteira. As escolas carolíngias foram organizadas de acordo com o princípio de sete artes liberais, com os estudos divididos em dois níveis: o Trivium (gramática, retórica e lógica) e o Quadrivium (aritmética, astronomia, geometria e música).

Carlos Magno criou bolsas de estudos, incentivou as artes liberais na corte, providenciou para que seus filhos e netos fossem educados com esmero. Seguindo a tradição de igualdade entre os sexos, comum nas culturas germânicas, Carlos Magno tratou com o mesmo cuidado da educação das mulheres de sua família (3 filhos e 5 filhas). Já rei, dedicou-se à sua própria educação, tendo como tutor Pedro de Pisa, com quem aprendeu gramática; Alcuíno, com quem estudou retórica, dialética (lógica) e astronomia (era muito curioso sobre o movimento das estrelas), e Einhard, que o ajudou em seus estudos de aritmética.