O Sarau ‘Mulher: Corpo, Fala e Escrita‘ será realizado no próximo dia 10 (quarta), no Capitu Café, antiga casa de Machado de Assis, com a presença de nove escritoras que, através de suas obras, levarão os presentes a um lugar de fala, escrita de si e do mundo, de prosa, poesia, conto ou romance, dialogando com a visão real e humana de Clarice Lispector, uma das mais importantes autoras do século XX.
O evento apresenta obras diversas, gêneros e vozes literárias únicas e pessoais.
Autoras e obras
. Carla Moura– autora de “A revolução do automotor: Como superar qualquer desafio, aprendendo a se amar e conquistando o poder da autoconfiança”
. Cibele Laurentino – autora de “Eu, Inútil“
. Georgia Annes – autora de “Onde Minha Poesia te Abraça”
. Ladyce West – autora de “À Meia Voz“
. Marcelle Azeredo – autora de “Morrer de Sede em pleno Mar”
. Mariangela Bazbuz – primeiro livro em processo de escrita
. Marta Velloso – autora de “Entre sedas e algodão“
. Milena Maria Testa – autora de “Sob a Pele de Maria“
. Tais Victa – autora do conto “Para os dias em que estamos à mesa como GH ”
Capitu Café — Rua Cosme Velho, 174 – Cosme Velho, RJ e a Roda de Conversa/Sarau começa às 18h, gratuitamente.
“Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho“
A Hora da Estrela – Clarice Lispector
Sobre as escritoras
. Carla Moura, carioca, 57 anos, graduada em Letras. Doutora em Ciências, cuja obra tem se dedicado a dar voz a populações marginalizadas e invisibilizadas. Autora de livros como “Protagonismo Quilombola: Na Luta Por Saúde e Direitos Sociais”; “Por uma Itaboraí Saudável”, “A Saúde Ambiental e a Perspectiva Local”; “Territória, Participação Popular e Saúde” e “Religiosidade Popular e Saúde”. Seus trabalhos exploram temas como saúde, escrita, educação existencial e espiritualidade.
Instagram: @dracarlamoura
. Cibele Laurentino nasceu em Campina Grande, Paraíba, mas reside em Conde, no mesmo estado, ativista cultural realizando vários eventos culturais. Formada em Gestão em Turismo, atua na área e se dedica à literatura: estudante de Letras e escrita criativa, curadora do prêmio book brasil 2021 e 2022, autora do livro de poesias, Cactus, livro de estreia, de Nobelina, romance que se destaca por sua proposta regionalista premiado em 2021 pelo Edital Maria Pimentel na PB, Todas em mim – livro de contos, lançado em 2022, sendo traduzido e comercializado em espanhol no ano de 2023 pelo grupo editorial Caravana. Ainda em 2022 no mês de julho lançou o romance Eu, Inútil, vencedor como melhor obra de ficção em Portugal no prêmio Ases da literatura. Membro da UBE – PB, membro da ABLC – Academia de Letras de Campina Grande – PB.
Instagram: @cibelelaurentino
. Georgia Annes, carioca, 58 anos. Graduada em Psicologia. “Onde Minha Poesia te Abraça” é seu segundo livro, Editora Arpillera, 2023. Classificada em vários concursos de poesia, sendo um dos destaques da Coletânea Prêmio Off Flip 2023.
Instagram: @georgiaannes.escritora
. Ladyce West, carioca, historiadora da arte formada pela Universidade de Maryland, College Park, EUA. É professora universitária. Embrenhou-se no campo de gerenciamento de instituições artísticas: galerias de arte, centro de artes e companhia teatral. Mais tarde, dedicou-se à sua própria galeria de arte e antiquário, Gessner Art & Antiques em Raleigh, Carolina do Norte. Após quinze anos de atividade, fechou a galeria para retornar ao Brasil, onde vive até hoje. Ladyce é coordenadora de três diferentes grupos de leitura ainda em existência, orientando mais de 40 leitores no Rio de Janeiro: Papa-livros, que completa 21 anos neste mês; Ao pé da Letra. que se encontra há 7 anos e Encontros na Praça, aberto um mês antes da pandemia de 2020 que ainda em existênci, todos para conversar sobre livros.
Instagram: @escritora.ladycewest
. Marcelle Azeredo é formada em Comunicação Social pela Faculdade da Cidade/Rio de Janeiro. Escritora, jornalista, comunicadora e a mente por trás da página @palavralivrerj. Ministra oficinas de escrita criativa. Tempo de Delicadeza é seu primeiro livro publicado em 2020 e O Morrer de Sede em pleno Mar de 2023 é seu romance de estreia.
Instagram: @azeredomarcelle
. Mariangela Bazbuz é psicanalista e amante da literatura desde sempre; dedicou boa parte da vida à Saúde Pública e à formação em psicanálise pela Escola do Campo Lacaniano. Sua incursão na escrita fora até então voltada para os textos técnicos, tendo alguns publicados; após aposentar-se do serviço público, aventura-se na escrita poética, sendo Clarice Lispector sua principal mentora. Participou de 2 coletâneas em 2023, a “Letras e Tramas” pela editora Arpillera e “Antologia Casa Gueto” pela editora Patuá, ambas lançadas na FLIP. Teve uma crônica selecionada para compor a antologia “ Nós 2: textos de autoria feminina”, que será publicada este ano pelo Selo Off Flip. Em processo de escrita do primeiro livro.
Instagram: @literarterra
. Marta Velloso, nascida em Niterói, sempre gostou de ler e escrever. Na adolescência escrevia diários. Em 2020, aposentada pela Fiocruz, ingressou no Instituto Estação das Letras (IEL) na oficina de Elias Fajardo: “Produzindo seu livro de ficção”. Em 2023, publicou seu primeiro romance pela Editora 7 Letras: “Entre sedas e algodão”. Inspirada em relatos de família, criou a história da avó, Júlia, e da sua irmã bastarda, Dorcelina. Ambas viviam na Casa Grande e dividiam o mesmo quarto. Julia segue a tradição da família. Já Dorcelina, estuda e procura ajudar seus irmãos de cor. Duas mulheres que viveram vidas opostas, Marta é uma mistura das duas.
Instagram: @marta.velloso
Milena Maria Testa é alagoana, pós-graduada em Literatura, membro do Coletivo Escreviventes e colaboradora da curadoria da revista “Contos de Samsara”. Leitora crítica, participou de coletâneas e teve êxito no concurso literário da Academia Alagoana de Letras de 2019 e na classificação para o Prêmio Carolina Maria de Jesus, em 2023, entre outros. Sua obra de ficção e autoficção trata das vivências e memórias como processo de acolhimento de si e do outro. Publicou Cúmplices Insones de Noites Insanas, em 2022, e O Coronel e o Mensageiro do Coronavírus, em 2023, ano em que também lançou “Sob a Pele de Maria”, pela Ed. Patuá. Tem um romance de formação e um livro de poemas aguardando publicação, além de um romance na seara do insólito em fase de escrita. Milena apresenta amostras de seu trabalho no perfil do Instagram @milmarias.escritora.
. Taís Victa, escritora carioca, Doutoranda na UFRJ, uma das finalistas premiadas no I Concurso Rio de Contos da Funarj e Matter Produções. É autora do conto “Para os dias em que estamos à mesa como GH.”
Há algo romântico, que não consigo resistir, e portanto passo para vocês, em notícias como esta que me chegou, hoje, através de um email da Artnet. Este par de vasos, na fotografia acima, foi encontrado em uma residência na Inglaterra. O dono, um homem nos seus trinta e tantos anos, limpava a casa de sua mãe em Portsmouth.
Esses vasos não são imponentes; têm um pouco menos de 25 cm de altura. São, como vemos, arredondados (por isso chamados de “moonflasks” [frascos de lua]. São em porcelana e têm decoração em azul com representações de morcegos e pêssegos. Por que? Porque esse animal e essa fruta têm importante simbologia na cultura chinesa. Morcegos representam fortuna, virtude, saúde, felicidade e uma morte tranquila. Pêssegos, se referem à longevidade, associados ao deus da vida longa, Shoulin, na religião Taoista. Pêssegos também representam saúde e felicidade e são um símbolo popular da primavera.
Mas nada disso, explica o que acho romântico sobre esses vasos. O homem que os encontrou pensou que eram bonitos, mas nunca imaginou que fossem ser motivo de uma guerra de lances no leilão para onde ele havia mandado alguns pertences de sua mãe. Não pensou também que ele poderia fazer a reforma na casa, de que precisava, e no mesmo ano sair de férias, graças a esses vasos chineses porque suas economias não davam para tanto exagero.
Inicialmente o herdeiro dos vasos levou-os a um antiquário. Este, na dúvida, consultou o leiloeiro regional Nesbit que aceitou os vasos para venda como reproduções contemporâneas de vasos do século XVIII, mesmo apresentando marcas de Qianlong, 5º imperador manchu da dinastia Qing. Isso porque há no mercado tão boas cópias com as mesmas marcas,feitas pelos próprios chineses de obras que eles mesmos produziram em séculos passados que provar que algo é antigo às vezes se torna extremamente difícil. Os vasos foram a leilão com o lance inicial de £100 (cem libras) [R$640]. E como todo bom leiloeiro dos dias de hoje, o catálogo com as fotos foi para a web.
No momento que as fotos atingiram o mercado um interesse fora do comum sobre esses vasos fez-se sentir, antes do leilão. O leiloeiro chamou um especialista que verificou que os vasos seriam, de fato, do século XVIII. Quando o leilão aconteceu, em vinte minutos, um comprador chinês, levou os vasos pela quantia de £327.000 [2.093.856,21, hoje]. Um vendedor muito feliz, tenho certeza, poderá fazer a reforma na casa e ainda tirar as férias que planejava.
óleo, acrílica, crayon e lápis sobre tela, 121 x 121 cm
Meus alunos sabem que observar Naturezas Mortas do mesmo pintor, é uma boa maneira de entender o desenvolvimento de sua arte. Qualquer outro assunto a que esse artista possa se dedicar não especifica tanto os caminhos tomados. E quase todos os pintores se dedicam ao tema. Primeiro, porque quem teve um mínimo de aulas de pintura ou desenho dedicou-se à Natureza Morta, de frutos, legumes, peixes, comida em geral e logo em seguida às representações de flores em jarros, flores sobre mesas, em cestos. São tradicionalmente os primeiros temas exercitados pelo iniciante para aprender perspectiva, combinação e contraste de cores, organização dos elementos na tela, aprender o básico do desenho e da pintura. Segundo, se o pintor deseja continuar na arte figurativa terá nas Natureza Mortas o seu sustento mais imediato, pois, mesmo nos dias de hoje, o público em geral prefere temas com que possa se identificar e todos nós conhecemos comidas e plantas. Com esta perspectiva, procuro sempre ver nos pintores figurativos de hoje, aquilo que fizeram para renovar este tema milenar. Sim, milenar, porque nas salas de arquitetura romana, como aquelas encontradas em Herculano e Pompeia vemos algumas Naturezas Mortas impressionantes em pintura mural.
A rainha em sua alcova, 2019
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica e folha de ouro sobre tela, 182 x 182 cm
Gosto imensamente da obra de Robert Kushner. Ele se dedica há muitos anos à reinvenção da Natureza Morta. Desde dos anos 70, quando participou do movimento Pattern and Decoration, procura aquilo que o pós-modernismo na América não tinha. Sua descoberta foi cor e com isso a “explosão” de energia.
Lady Calandium [Tinhorão], 2016
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica e folha de ouro sobre tela, 182 x 182 cm
Suas telas exibem grande riqueza de influências, honestamente adquiridas e digeridas de tal maneira que se transformam em estilo próprio, em assinatura visual de uma maneira específica de ser. Nela encontramos obviamente ecos de Henri Matisse, veja a superimposição de padrões, de estamparia; de Georgia O’ Keefe na delicadeza do contorno de folhas e flores; da arte oriental, não só das gravuras japonesas que tanto influenciaram os impressionistas, mas também a arte oriental islâmica, na riqueza das folhas de ouro sobre tela.
Buquê de anêmonas, 2019
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica e folha de ouro sobre tela, 183 x 183 cm
Cortinas Antonela, janelas e iris, 2023
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica, crayon e lápis sobre tela, 122 x 92 cm
Homenagem a Russell Page, 2012
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica e folha de paládio sobre tela, 183 x 234 cm
Meia-noite no Jardim de Cactus da Biblioteca Huntington, 2014
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica e folha de ouro sobre tela, 274 x 335 cm
Doze imperadores vermelhos, 2008
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica e folha de ouro, folha de prata, folha de cobre sobre tela, 182 x 274 cm
Cortinas Antonela, janelas, buquê de flores silvestres e glicínias, 2023
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica, crayon e lápis sobre tela, 152 x 122 cm
Hortênsias, 2019
Robert Kushner (EUA, 1949)
óleo, acrílica, crayon e folha de ouro, 183 x 366 cm
Há um pouco mais de um ano faço um curso com Dany Sakugawa de marketing editorial. Aprendi muito com ela e confesso que estou aprendendo, ainda faço parte de seu grupo. Seu curso não só me ajudou a me ver mais como escritora, que sou, como me deu impulso de sair da concha em que me fechei depois de ficar viúva. Dentre inúmeros exercícios que são aconselhados fazermos estava este, da nossa foto ou grande ou pequena, com palavras chave para indicarmos aos nossos leitores quem somos.
Vocês que me seguem aqui no blog, e são alguns milhares por dia, sabem que não sou muito de falar de mim mesma, de anunciar isto ou aquilo, só o faço quase sob pressão. Nos últimos dois anos tenho feito isso, instigada pelo crescimento das plataformas sociais, pela imensa curiosidade que temos sobre aqueles cujos sites ou contas na internet visitamos com regularidade, e por ter que me atualizar nos caminhos da cultura.
Aqui vai, portanto, o exercício de QUEM SOU? com exatos dez meses de atraso. Ah, sim, algo que não está na foto porque ela foi “pensada” para minha conta no Instagram. Meu nome é Ladyce West. Minha conta no Instagram: @escritora.ladycewest Há outras contas com o meu nome mas serão desativadas, para não criar problemas. Muito obrigada a todos que vêm aqui regularmente, visitam o blog, que se dispõem a comentar. Pode não parecer, mas tenho alguns de vocês em mente, muitas vezes, ao fazer minhas postagens. Um grande abraço a todos. E vamos manter este diálogo vivo!
Ilustração de Arthur Rackham (Inglaterra, 1867-1939). Edição de 1925.
Nesta ilustração vemos o castelo da Bela Adormecida rodeado pelas rosas silvestres, cheias de espinhos. Arthur Rackham ficou conhecido por suas inúmeras ilustrações de livros para crianças além dos contos de fadas dos irmãos Grimm, mas também ilustrou obras para adultos como Sonhos de Uma Noite de Verão de Shakespeare, contos de Edgar Allan Poe, entre outros.
A descrição original do Castelo da Bela Adormecida retratava um palácio na Europa Central, com inúmeros aposentos, escadas em espiral e torres. O encantamento da Bela Adormecida, veio no Século XVIII, quando a princesa Rosamunda nasceu. Para celebrar seu nascimentos doze feiticeiras foram chamadas pelos pais para dar proteção à menina recém-nascida, no entanto uma importante feiticeira foi esquecida na lista de convidados. Ciumenta, raivosa ela prometeu vingança. Assim, no dia em que Rosamunda fez quinze anos, feriu seu dedo no fuso da roca, caindo imediatamente em sono profundo. Cem anos se passariam até que a princesa acordasse. O castelo nesse meio tempo foi completamente coberto por um emaranhado de roseiras silvestres, o que aumentava ainda mais a dificuldade de se chegar ao castelo.
Uma nota de interesse: o castelo do rei Ludwig da Bavária, foi construído inspirado no conto da Bela Adormecida dos irmãos Grimm. Este por sua vez serviu de modelo para o castelo do desenho animado de Walt Disney.