Pequenos notáveis: livros inesquecíveis com menos de 200 páginas

11 01 2018

 

 

 

Jorge Franco (1955) Flores e llivros, ost, 80x100Flores e livros

Jorge Franco (Brasil, 1955)

óleo sobre tela,  80 x 100 cm

 

 

Estamos bem próximo do Carnaval, que é cedo este ano. Falta menos de um mês.  Alguns de nós já se preocupam com leituras breves para preencher os dias de folga, se não somos foliões.  Aqui vai, então,  a lista de sugestões dos livros com menos de 200 páginas,  que eu li desde o Carnaval do ano passado.  Mais abaixo coloco a lista inteira com recomendações feitas em anos anteriores.  São diversos autores e anos de publicação variados.  Mas se vocês quiserem ainda dá tempo de comprar em um sebo virtual e receber suas escolhas antes das pequenas férias.

 

 

 

Slide1

 

 

A lista está por data de publicação e alfabética de acordo com o título:

 

Lidos desde a última seleção:

 

A caderneta vermelha, Antoine Laurain, Alfaguara: 2016, 134 páginas – FICÇÃO

Enclausurado, Ian McEwan, Cia das Letras: 2016, 200 páginas, — FICÇÃO

Tribunal da quinta-feira, Michel Laub, Cia das Letras: 2016, 184 páginas – FICÇÃO

A resistência, Julián Fuks, Cia das Letras: 2015, 144 páginas – FICÇÃO

Diário da queda, Michel Laub, Cia das Letras: 2011, 152 páginas — FICÇÃO

A vida peculiar de um carteiro solitário, Denis Thériault, Casa da Palavra: 2015, 128 páginas — FICÇÃO

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes, Rocco: 2014, 128 páginas – ENSAIO/MEMÓRIAS

A vida do livreiro A.J. Fikry,Gabrielle Zevin, Paralela: 2014, 186 páginas — FICÇÃO

O fuzil de caça, Yasushi Inoue, Estação Liberdade: 2010, 102 páginas – FICÇÃO

Três cavalos, Erri de Luca, Letras Italianas: 2006, 112 páginas — FICÇÃO

 

leitura de verão, 3

 

 

A lista completa de livros recomendados  hoje e no passado, leituras com menos de 200 páginas prontas para as breves férias.

 

Literatura Brasileira

Tribunal da quinta-feira, Michel Laub, Cia das Letras: 2016, 184 páginas – FICÇÃO

A resistência, Julián Fuks, Cia das Letras: 2015, 144 páginas – FICÇÃO

Deserto, Luís S. Krausz, Benvirá: 2013, 149 páginas – MEMÓRIAS/FICÇÃO

Nihonjin, Oscar Nakasato, Benvirá: 2011, 176 páginas — FICÇÃO

A vida não é justa, Andréa Pachá, Nova Fronteira: 2012, 192 páginas – CRÔNICAS

Diário da queda, Michel Laub, Cia das Letras: 2011, 152 páginas — FICÇÃO

Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós, Cosac Naïf: 2011, 75 páginas  — FICÇÃO

Jornada com Rupert, Salim Miguel, Record:2008, 176 páginas, FICÇÃO

O pintor de retratos, Luiz Antônio de Assis Brasil, L&PM: 2003, 182 páginas — FICÇÃO

Concerto Campestre, Luiz Antonio de Assis Brasi, L&PM: 1997, 176 páginas — FICÇÃO

 

Literatura Estrangeira

A caderneta vermelha, Antoine Laurain, Alfaguara: 2016, 134 páginas – FICÇÃO

Enclausurado, Ian McEwan, Cia das Letras: 2016, 200 páginas, — FICÇÃO

O leitor do trem das 6h27, Jean-Paul Didierlaurent, Intrínseca: 2015, 176 páginas – FICÇÃO

O livro secreto, Grégory Samak, Intrínseca: 2015, 176 páginas — FICÇÃO

A vida peculiar de um carteiro solitário, Denis Thériault, Casa da Palavra: 2015, 128 páginas — FICÇÃO

Tua, Claudia Piñeiro, Verus: 2015, 140 páginas – POLICIAL LEVE

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes, Rocco: 2014, 128 páginas – ENSAIO/MEMÓRIAS

A vida do livreiro A.J. Fikry, Gabrielle Zevin, Paralela: 2014, 186 páginas — FICÇÃO

Te tratarei como uma rainha, Rosa Montero, Nova Fronteira: 2014, 192 páginas FICÇÃO

Amsterdam, Ian McEwan, Companhia das Letras: 2012, 192 páginas — FICÇÃO

O sentido de um fim, Julian Barnes, Rocco: 2012, 160 páginas – FICÇÃO

Uma bela escapada, Anna Gavalda, Rocco: 2011, 144 páginas — FICÇÃO

O aprendizado da srta. Beatrice Hempel, Sarah Shun-lien Bynum, Rocco:  2011, 192 páginas — CONTOS

O fuzil de caça, Yasushi Inoue, Estação Liberdade: 2010, 102 páginas – FICÇÃO

As avós, Doris Lessing,  Companhia das Letras: 2007, 97 páginas — FICÇÃO

Balzac e a costureirinha chinesa, Dai Sijie, Alfaguara: 2007, 168 páginas – FICÇÃO

Os da minha rua, Ondjaki, Língua Geral:2007,  160 páginas — FICÇÃO

Na praia, Ian McEwan, Cia das Letras: 2007, 136 páginas – FICÇÃO

A trégua, Mário Benedetti, Alfaguara:2007, 179 páginas — FICÇÃO

Bom dia, camaradas!, Ondjaki, Agir: 2006, 144 páginas — MEMÓRIAS/FICÇÃO

A casa de papel, Carlos Maria Dominguez, Francis: 2006, 104 páginas — FICÇÃO

Três cavalos, Erri de Luca, Letras Italianas: 2006, 112 páginas — FICÇÃO

O último amigo, Tahar Ben Jalloun, Bertrand Brasil: 2006, 128 páginas — FICÇÃO

O testamento do Senhor Napumoceno, Germano Almeida, Companhia das Letras: 2000, 160 páginas — FICÇÃO

As brasas, Sándor Márai, Companhia das Letras: 1999, 176 páginas – FICÇÃO

A acompanhante, Nina Berberova, Imago: 1997, 97 páginas – FICÇÃO

Kitchen, Banana Yoshimoto, Nova Fronteira: 1988, 168 páginas – CONTOS

Nuvens de pássaros brancos, Yasunari Kawabata, Nova Fronteira: 1969, 190 páginas — FICÇÃO





“A sombra do jardineiro”, texto de Joanna Cannon

10 01 2018

 

 

 

jardim, jardineiro, jardinagem, primavera, Pierre Brissaud, House and Garden 1930-03Jardinagem, ilustração  Pierre Brissaud, capa de House & Garden, março, 1930.

 

 

 

“Ficamos ao lado de um canteiro, delimitado  com barbantes e estacas num ziguezague de misteriosa organização.

Eric Lamb cruzou os braços e olhou para o horizonte.

— Qual a coisa mais importante em um jardim? — perguntou.

Também cruzamos os braços para nos ajudar a pensar.

— Água? — sugeri

— Sol? — arriscou Tilly.

Eric Lamb sorriu e balançou a cabeça.

— Barbante? — falei num ato de puro desespero.

Quando ele parou de rir, descruzou os braços e disse:

— A coisa mais importante em um jardim  é a sombra de um jardineiro.

Cheguei então à conclusão de que Eric Lamb era muito esperto, se bem que ainda não soubesse exatamente por quê. Havia nele uma desenvoltura, uma sabedoria sem pressa que se alongava pelo chão como sua sombra. Olhei para o jardim e vi borboletas brancas dançando em torno de dálias, frésias e gerânios. Havia um coral de cores cantando para atrair minha atenção e era como se eu o ouvisse pela primeira vez. Pensei, então, na fileira de cenouras que tinha plantado um ano antes (cenouras que nunca sobreviveram, porque eu as desenterrava sem parar para conferir se ainda estavam vivas) e me senti meio agoniada.

— Como você sabe onde plantar as coisas? — perguntei. — Como sabe onde vão crescer?

Eric Lamb botou as mãos na cintura, observou o jardim justo conosco e então acenou com a cabeça para o horizonte. Eu podia ver onde a terra havia comido seus dedos e se instalado nas fissuras de sua pele.

— Planta-se igual com igual — ele respondeu. — Não faz sentido plantar um anêmona num campo cheio de girassóis, não é mesmo?

Tilly e eu respondemos ao mesmo tempo:

— Não.

— O que é uma anêmona? — sussurrou Tilly.

— Não tenho ideia — sussurrei de volta.

Acho que Eric Lamb percebeu.

— Porque a anêmona morreria — explicou. — Ela precisa de coisas diferentes. Para cada coisa existe um lugar lógico, e se uma coisa estiver onde deveria estar, então vai florescer.

— Mas como você sabe? — indagou Tilly. –, como você sabe se uma coisa está no lugar certo?

Experiência.

Ele apontou para nossas silhuetas, que se derramavam pelo cimento. A dele, grande e sábia, como um carvalho, e a minha e de Tilly, finas, esguias e incertas.

— Continuem a criar sombras — disse ele. — Se criarem sombras suficientes, chegará a hora em que saberão todas as respostas.”

 

 

Em: Entre cabras e ovelhas, Joanna Cannon, tradução de Celina Portocarrero, São Paulo, Editora Morro Branco: 2017, pp. 236-237.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

10 01 2018

 

 

 

DJANIRAMelancias e Janela serigrafia a cores sobre papel, 50 x 33 cm. Assinada e datada no canto inferior direito, 1966.Melancias e Janela, 1966

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914 – 1979)

serigrafia a cores sobre papel, 50 x 33 cm

 





9 de janeiro e uma saudade

9 01 2018

 

 

 

Regina Antonia Fontenelle ReisRegina Antônia Fontenelle Reis

 

 

Todos os anos no dia nove de janeiro homenageio mentalmente uma de minhas grandes amigas que se foi, muito antes do tempo. Regina Antônia Fontenelle Reis não foi uma amiga de infância, mas quase.  Eu a conheci por volta dos meus 16 anos.  Ela era um pouquinho mais velha, mas não muito.  Namorou e casou com meu primo irmão, quase irmão mais velho, que me acompanhava nas festas, na praia, no cinema, na vida. Tínhamos muito em comum dentro da familiaridade de uma vida inteira de férias, brincadeiras, carnavais, passeios.   Morávamos no mesmo bairro e ele e sua irmã se aproximavam de mim em idade.   Dizer que a primeira vez que vi Regina foi como participante de uma gincana, na qual competiam alunos da PUC-Rio, pode dar a ideia do crescimento de uma amizade superficial.  Mas, a partir deste dia, passamos a nos ver quase todos os fins de semana, pela meia dúzia de anos que se seguiram até minha ida para fora do Brasil, onde fiquei décadas.  Mas todas as vezes que vinha ao Brasil, podia não ver todas as pessoas que conhecia, mas certamente me encontrava com Regina algumas vezes durante minha estadia.

Namorados a tiracolo Regina e eu fomos nos conhecendo e compreendendo naqueles anos iniciais.  Ela foi uma das pessoas mais criativas que conheci.  Formada em jornalismo teve uma breve carreira no jornal O Globo, até engravidar de sua primeira filha, minha afilhada.  Depois dedicou-se à maternidade até descobrir o teatro.  Era dramaturga.  Escreveu peças infantis e para adultos. Tocava piano.  Escreveu peças infantis com música e letra de sua autoria. Regina era também uma sonhadora.  Não havia um centímetro de praticidade em seu mundo e decidia fazer ou não alguma coisa, respondendo simplesmente às suas sensibilidades.  Se havia uma maneira prática e direta de resolver algo, você podia apostar que ela não iria optar por esta solução.  Era mística, também, quando adolescente pensou em ser freira.  E quando mencionava isso eu a imaginava como Santa Teresa em êxtase de Bernini.  Viajou por diversas religiões africanas e voltou ao cristianismo.  Pelo menos na última vez que a vi.  Dedicava-se de corpo e alma aquilo em que acreditava, apesar dos sacrifícios exigidos dela.  Em inglês há uma palavra cuja tradução não reflete bem seu total significado.  Whimsical.  Regina era whimsical: extravagante no pensar e no amar; mutável no dia a dia.  Ela fluía de um assunto ao outro. Era um tanto inconstante… uma borboleta perpetuamente à procura do essencial para sua alma, indo de flor em flor, de paixão em paixão. Entregando-se.  E também fazendo felizes aqueles que a amaram justamente por essas qualidades nem sempre bem compreendidas. Regina era uma força de amor.  Amou seus filhos, ainda que muitas vezes de maneira caprichosa, quase excêntrica. Adorava estar grávida,  gostava daqueles nove meses de espera.  Uma vez me confessou que, por ela, estaria grávida a vida inteira, pois seu corpo se sentia completo desta maneira.  Não é por acaso que teve quatro filhos, maravilhosos.  E hoje, muitos anos depois de sua morte, quando os vejo, cada um  me traz dela uma pontinha, um relampejo dessa amiga, pequenos detalhes que eles não sabem mostram sua presença entre nós.

Não sei exatamente como chegamos a ser tão boas amigas, porque éramos muito diferentes.  Mas sempre soubemos aceitar na outra aquilo que nos diferenciava. Nunca tentamos mudar a outra.  Apenas nos aceitamos.  Sinto sua falta até hoje e neste dia que seria seu aniversário finalmente ponho por escrito a minha saudade.

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2018.




Esmerado: pote chinês com tampa e ormolu

9 01 2018

 

 

 

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Pote de porcelana com acabamento em verde-jade [celadon] decorado com desenhos de pinheiro e bambu crescendo por entre pedras, uma corça e dois pássaros em azul cobalto sob o vidrado,  com acabamentos em bronze dourado no estilo de Luis XV e carrapeta final em forma de crisântemo.

Fabricado na China, e na França, 34 x 31 x 21 cm

Coleção Real da Inglaterra, [Royal Trust Collection]© Her Majesty Queen Elizabeth II, 2017

 

393052-1384772594

 

Provavelmente esta é a mesma peça de porcelana listada em 1826 como pertencente ao Pavilhão Brighton, antiga residência real localizada em Brighton, Inglaterra. Depois de importado da China, foi ornamentado com bronze dourado [ormolu].

 

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Imagem de leitura — Ivan Alifan

8 01 2018

 

 

 

01Você perde o que não segura

Ivan Alifan (Rússia, 1989)

óleo sobre tela





Trova da boa mentira

7 01 2018

 

 

 

Genieten (1929)Ouça, cartão postal holandês, 1929.

 

 

 

Você mente quando diz

que me tem um grande amor;

mas isto me faz feliz:

— Minta sempre, por favor…

 

 

(Agmar Murgel Dutra)





O mundo animal de Edgar Hunt

7 01 2018

 

 

 

(c) Museums Sheffield; Supplied by The Public Catalogue FoundationCão e pombos, 1898

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre tela, 51 x 76 cm

Museums Sheffield

 

Primeira postagem do ano da seleção de telas de pintores conhecidos por retratar animais. Aqui temos alguns dos trabalhos de Edgar Hunt, pintor inglês dos séculos XIX e XX (1876-1953). Pintou principalmente animais da fazenda, com particular interesse nos galináceos e em cenas gentis, bucólicas da vida no campo.

 

 

Edgar Hunt 1

Esperando pelo almoço, 1898

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre tela, 61 x 45 cm

Wolverhampton Art Gallery

 

 

Edgar Hunt, uma vista melhorUma vista melhor, 1899

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre tela

 

 

Tug of warCabo de guerra

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre madeira, 15 x 23 cm

 

 

 

Edgar Hunt5, melhores amigosMelhores amigos, 1918

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre madeira, 15 x 23 cm

 

 

(c) Dover Collections; Supplied by The Public Catalogue FoundationBrincando com a morte, 1945

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre tela, 29 x 44 cm

Dover Collection

 

 

hunt 8Burrico, pôneis e galináceos, 1934

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre tela,  51 x 76 cm

 

 

justtime edgar huntNa hora certa, 1903

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre tela,  50 x 68 cm

Sunderland Museum & Winter Gardens

 

 

edgar-hunt-the-farmers-sonO filho do fazendeiro, 1898

Edgar Hunt (GB, 1876 – 1953)

óleo sobre tela,  76 x 115 cm

 

 

 





Domingo, um passeio no campo!

7 01 2018

 

 

 

TELLES JÚNIOR, Jerônimo José,Paisagem,óleo stela, 1882 32 x 46 cmPaisagem, 1882

J. J. Telles Júnior (Brasil, 1851-1914)

óleo sobre tela, 32 x 46 cm





Imagem de leitura — François Gall

6 01 2018

 

 

 

François Gall (Hungria 1912-1987) Plage de TrouvillePraia de Trouville

François Gall (Hungria 1912-1987)

óleo sobre tela, 61 x 81 cm