Carlos Oswald (Brasil, 1882-1971)
óleo sobre tela, 54 x 81 cm
Anne Redpath (Escócia, 1895-1965)
aquarela sobre papel
Nem todo livro de ficção fica conhecido pelo estilo poético do autor, pelo torneio de frases. O de Fredrik Backman será lembrado pelo oposto: consegue extrair grandes emoções, através da narrativa fria e impassível detalhando as idiossincrasias de um personagem carrancudo e sem senso de humor. Talvez por isso, esse improvável herói literário consiga desde o primeiro capítulo cativar o leitor. Todos nós conhecemos alguma versão de Ove. Quem não tem na família, no bairro, no emprego, algum conhecido que mantém hábitos de pensamento e ação rígidos? Os cinquenta e nove anos de posicionamentos imutáveis são a coluna dorsal de Ove, o homem simples que habita essas páginas. Suas verdades incontestáveis e valores incorruptíveis são a essência do seu caráter.
Apesar de sua postura irredutível sobre muitos aspectos do dia a dia, Ove é capaz de grandes paixões. Paixões cegas, que não admitem qualquer desvio. Elas podem ser pela marca de um carro ou por uma mulher. Através dessas paixões conhecemos a lealdade desse herói escandinavo. Nos apaixonamos por ele assim como Sonja, sua esposa, o fez.
Quando encontramos Ove, ele está deprimido. Aposentado aos cinquenta e nove e viúvo, sente o peso da solidão. Tudo o que deseja é seguir o caminho dela. No outro lado. A vida perdeu a razão de ser. Planeja cuidadosamente um suicídio. Depois outro e ainda outro, mas é interrompido cada vez pela mão do acaso, na figura de vizinhos bisbilhoteiros, que parecem tão determinados nas suas demandas quanto ele na sua decisão. Porque se trata de pessoa tão meticulosa, o dar errado de cada tentativa é inesperado. Narrado com objetividade a situação leva o leitor a rir. Não só a sorrir. Mas rir. Com gosto. Divertido.
No entanto, logo depois, nas conclusões dos capítulos somos presentados com um pensamento de Ove, sucinto, que exprime sua dor, seu amor, a falta que Sonja lhe faz. E do riso brotam as lágrimas. Com a mesma facilidade.
Fredrik BackmanUm homem chamado Ove demonstra a necessidade humana de ser útil, e de ser membro de um grupo. Na falta do amor, amigos mostram como a nossa presença é importante para o melhor desempenho deles. Mesmo o mais turrão dos homens, a pessoa menos gentil de um grupo, tem com que contribuir para o bem estar de todos e de si próprio. Essa é uma história que faz bem à alma e nos eleva. Acabamos a leitura com a lembrança do que nos faz humanos. Poucas histórias conseguem isso. Divertido e sensível, recomendo a todos, homens e mulheres, jovens ou anciãos. É tempo de lembrar do nosso mais importante quinhão: a cooperação. E de sua consequência, a aceitação.
Rafael Falco (Argélia/Brasil, 1885-1967),
óleo sobre tela colada em placa, 30 x 20 cm
Coleção Fabiano Wolff
[com localização e dedicatória no verso ao pintor EmílioWolff]
Em 2011, neste blog, lancei um pergunta sobre o pintor brasileiro Rafael Falco, que poucos conhecem por nome, mas que muitos conhecem pelas obras históricas tal como Tiradentes ante o carrasco, de 1941, que de vez em quando aparece na televisão como pano de fundo de entrevistas políticas porque faz parte do acervo da Câmara dos Deputados em Brasília. Minha pergunta: por que conhecemos tão pouco a respeito de alguém cuja obra apareceu em verso de papel moeda, em ilustrações de livros de história? [Rafael Falco, um pintor brasileiro. Alguém tem mais informações?] Esse questionamento levou a um interessante diálogo, de alguns anos, que permanece vivo até hoje com familiares do pintor, colecionadores e outros estudiosos da pintura brasileira.
Por causa desse questionamento informações adicionais foram publicadas sobre a obra de Rafael Falco como ilustrador da revista Caça e Pesca, cujas fotos foram gentilmente cedidas por Paulo Araújo de Almeida, chegaram ao blog em 2012. [Pintor Rafael Falco, ilustrador da revista Caça e Pesca]
Rafael Falco (Argélia-Brasil, 1885-1967)
óleo sobre tela, 44 x 36cm
Coleção Fabiano Wolff
Hoje voltamos ao assunto através da coleção particular de Fabiano Wolff que, atenciosamente, cedeu fotografias de três obras de Rafael Falco: a paisagem retratando o balneário de Piçarras em Santa Catarina, a natureza morta com uva, garrafa e tacho de cobre e o retrato do pintor brasileiro Emílio Wolff, todos postados aqui.
Retrato do pintor Emílio Wolf, 1952
Rafael Falco (Argélia-Brasil, 1885-1967)
óleo sobre tela, 44x 36 cm
Coleção Fabiano Wolff
[com data e dedicatória do pintor ao amigo pintor]
A técnica de Rafael Falco parece bastante influenciada pelo impressionismo. Ainda que eu não tenha visto nenhuma dessas obras em pessoa, posso observar a pincelada solta, desprendida. Há realce da luz.
Se você também tem uma obra de Rafael Falco, e gostaria de contribuir para esse tema por favor nos contate. Tenha cuidado com a fotografia. Mande-me os detalhes das obras: técnica, tamanho, localização. E teremos grande prazer em continuar com o tema.
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905-1974)
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
Elizabeth Peyton (EUA, 1965)
óleo sobre madeira, 35 x 39 cm
The Art Institute of Chicago

Na biblioteca há mil sábios
a nosso inteiro dispor.
Sem querer mover os lábios,
cada livro é um professor.
(A. A. de Assis)