Quem tem “Medo de voar” com Erica Jong no dias de hoje?

6 10 2013

CRI_151186Aniversário, 1915

Marc Chagall (Rússia, 1887– França1985)

óleo sobre papelão , 81 x 100 cm

MOMA, Nova York

Foi com assombro que me lembrei hoje do livro de Erica Jong Fear of Flying [Medo de Voar — nos dias de hoje publicado no Brasil em formato bolso]. NPR [National Public Radio] nos Estados Unidos comemorou os quarenta anos da publicação desse livro que se tornou, quase imediatamente após sua publicação, um marco no movimento pela igualdade de direitos das mulheres.  Minha leitura desse romance, onde a heroína se dá ao direito de querer e gostar de ter uma vida sexual ativa, foi um tempinho depois da publicação. Eu estava na faculdade, nos Estados Unidos, quando o li e mesmo assim foi um livro de grande impacto.  Não era, nem pretendia ser, uma obra  de grande valor literário.  Mas foi marcante. Na época, eu morava em Baltimore e viajava todos os dias, ida e volta, de trem para College Park,  mais ou menos uma hora de viagem entre as cidades, para estudar na Universidade de Maryland.  Lembro-me de ler este livro nessas longas viagens de trem; e de que, encabulada com o realismo das cenas retratadas, encapei o volume com papel de presente, para não alardear o que eu lia.  A mente era pudica, mesmo que eu já fosse casada.  Na época eu era membro da NOW (National Organization for Women], totalmente engajada,  defendendo, o que considerava ser uma das maiores injustiças no mundo, um dos direitos femininos mais básicos, ainda não completamente satisfeito: a igualdade de salários entre os que fazem o mesmo trabalho.  Nunca voltei a ler Medo de voar.  Já sugeri sua leitura a algumas amigas. Tenho certeza de que se o relesse hoje perderia sua mágica, porque para tudo há o momento certo e revisitar o passado em geral desaponta.  Mas não podia deixar de marcar essa passagem assim como a própria NPR não pode deixar de fazê-lo.  É o retrato de uma época, de uma preocupação.  Um momento da história cultural.





Quadrinha das pedras no caminho

6 10 2013

jardinagem anne andersonIlustração de Anne Anderson

Quando as pedras do caminho
causam lágrimas e dores,
basta um gesto de carinho
para mudá-las em flores.

(Lucina Long)





Imagem de leitura — Blaise Vlaho Bukovac

5 10 2013

 

ladyreading-bukovacMoça lendo, 1912

Blaise Vlaho Bukovac (Croácia, 1855-1922)

óleo sobre tela, 73 x 96 cm

Coleção Particular

Bukovac nasceu  Biagio Faggioni, na cidade de Cavtat ao sul de Dubrovnik na Dalmácia. Seu pai era um italiano de Gênova e sua mãe era de ascendência croata. Bukovac recebeu formação artística em Paris, para onde ele foi enviado pelo patrono (Knez) Medo Pucić . Seus pequenos estudos e esboços encantaram seu professor,  Alexandre Cabanel e Bukovac se tornou um estudante na prestigiada École des Beaux-Arts. Bukovac morreu em Praga .





Flores para um sábado perfeito!

5 10 2013

Bernardo de Souza Pereira (1895-1985) Hortênsias, 1966, ose, 67x51Hortênsias, 1966

Bernardino de Souza Pereira (Brasil, 1895-1985)

óleo sobre eucatex, 67 x 51 cm





Uma lista curiosa: livros abandonados em hotéis

5 10 2013

1948833

Ode a uma pilha de livros de arte, 2012

Paul Bloomfield (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela colada em madeira, 60 x 50 cm

www.paulbloomfield.artspan.com

A cadeia de hoteis inglesa Travelodge recolheu no ano passado 22.648 livros que foram ou esquecidos ou abandonados em suas dependências.  Como acontece todos os anos, a companhia hospedeira conta e faz a lista completa dos livros encontrados.  No ano passado  50 tons de cinza foi o livro mais encontrado pela companhia.  Não é de surpreender já que foi um dos maiores best-sellers de todos os tempos no mundo inteiro.  Este ano, a mesma autora, E. L. James, encabeça a lista com o livro Cinquenta tons de liberdade.

Ver a lista dos mais abandonados, deixados, esquecidos ou lidos e deixados para trás nos quartos de hotel nos dá aquele prazer benigno da bisbilhotice.  Mas não deixa de ser uma curiosa maneira de constatarmos a popularidade de autores e títulos.  Aqui está então a lista do livros mais achados pelo pessoal do hotel.

1. Fifty Shades Freed, E.L. James
2. Bared To You, Sylvia Day
3. The Marriage Bargain, Jennifer Probst
4. Gone Girl, Gillian Flynn
5. The Casual Vacancy, J.K. Rowling
6. Fifty Shades Of Grey, E.L. James
7. Reflected In You, Sylvia Day
8. My Time, Bradley Wiggins
9. Entwined With You, Sylvia Day
10. Fifty Shades Darker, E.L. James
11. My Story, Cheryl Cole
12. The Marriage Trap, Jennifer Probst
13. Camp David, David Walliams
14. Call The Midwife, Jennifer Worth
15. Before I Go To Sleep, S.J. Watson
16. The Marriage Mistake, Jennifer Probst
17. The Racketeer, John Grisham
18. The Carrier, Sophie Hannah
19. Oh Dear Silvia, Dawn French
20. The Great Gatsby , F. Scott Fitzgerald

Fonte: Book Patrol





Minutos de sabedoria — Padre Antônio Vieira

4 10 2013

CRIANÇAS Henri-Jules-Jean Geoffroy (conhecido como Geo) (França, 1853-1924)  de volta à escolaDe volta à escola

Henri-Jules Jean Geoffroy, dito GEO (França, 1853-1924)

aquarela sobre papel

“A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor.”

padrevieira

 Padre Antônio Vieira





Uma cadeira vazia…

4 10 2013

Edward Alfred CucuelChá no parque

Edward Alfred Cucuel (EUA,1875-1954)

óleo sobre tela

A vida é um sopro.  Disseram-me isso na semana passada quando passei uns dias um pouco desorientada: uma amiga de muitos anos morreu subitamente, em casa. Olga tinha idade.  Era uma senhora. Cabeça e corpo em ótimo estado.  Só a asma crônica dava trabalho de vez em quando. Mas estava de viagem marcada para Inhotim daqui a umas semanas e no início deste ano já havia passeado pela América Latina, em uma de suas inúmeras viagens com membros da família.

 Já conheci Olga aposentada. Havia trabalhado usando seu maravilhoso senso estético:  havia sido designer de azulejaria para uma grande companhia brasileira. Mas era uma artista fora do trabalho também, tendo se dedicado à pintura por muitos e muitos anos. Grande senso estético.  Tudo que resolvia fazer com as mãos saía bonito.  Equilibrado.  No meu aniversário, este ano, fez uma toalha de mesa para mim, belíssima, colorida, uma combinação elegante de variados chitões.  Em boutiques de cama e mesa  seria vendida por uma pequena fortuna. Era audaciosa no design. Cores vibrantes. Ideias destemidas.  Como no quadro/escultura em que ripas pintadas e espaçadas, brincavam com o espaço nulo entre elas. Que efeito!

Olga era uma das mulheres que entrou para o grupo de leitura há dez anos.  Era das mais antigas.  Veio pelas mãos de uma amiga em comum.  A amiga foi embora.  Olga ficou.  E nos deu, a todos nós, grandes lições.  Ensinou pelo exemplo.  A independência era um de seus traços mais marcantes. Além da generosidade, do senso de humor e da impaciência com os que se dedicavam às lamentações.   No grupo de leitura primava por opiniões sinceras, complexas e invariavelmente certeiras. Tinha uma maneira única de interpretar. Lembro-me de algumas ocasiões em que defendeu um livro mesmo quando dezesseis outras pessoas o criticaram.  O cemitério de Praga, de Umberto Eco, foi um desses.

Estava sempre disposta a fazer algum programa cultural.  Ávida por visitar exposições de arte, por participar de uma palestra. Colocava-se em situações que favoreciam falar inglês e francês, para não perder a fluência em ambas as línguas. E generosa, dispunha-se a dividir conosco sua bela residência.  E nós adorávamos.  Foi lá que celebramos alguns encontros do grupo.  Foi lá que recebemos escritores para um bate-papo com o grupo. Foi uma real participante do Papa-livros.  Deixa 16 amigas que sentirão muito sua falta.  Estou entre elas.

olga abramson 1927-2013Olga Abramson

1927-2013





Palavras para lembrar — John Ruskin

3 10 2013

almada negreiros (Portugal)Almada Negreiros lendo Orpheu 2, colecção privada, LisboaLendo Orfeu nº 2

Almada Negreiros (Portugal, 1893-1970)

Coleção Particular

“Todos os livros podem ser divididos em duas classes, os livros do momento e os livros de todos os tempos.”

John Ruskin





O poder dos livros em uma guerra

3 10 2013

military-library

Livros para os militares americanos em serviço é um programa começado durante a Primeira Guerra Mundial para atender aos soldados que queriam ter alguma coisa para ler quando estivessem de folga.  Foi aí que começou um programa de sucesso. A Associação Americana de Bibliotecárias começou então a entregar livros e revistas aos militares de prontidão, financiados pelas “ações [bônus] de guerra” que levantaram USD$ 5.000.000 – cinco milhões de dólares na época – através de doações da população em geral que foram convertidos na distribuição de mais de 7.000.000 – sete milhões – de livros e revistas, construindo 36 bibliotecas no front, e providenciando livros para mais de 500 locais, incluindo hospitais militares.

 A bibliotecária geral da Marinha dos Estados Unidos, Nellie Moffit, gerencia o programa de bibliotecas para militares, em entrevista para o Serviço de Imprensa das Forças Armadas Americanas, lembrou que este ano eles já investiram  USD $12.000.000 – doze milhões de dólares — em materiais para bibliotecas digitais. Isso significa que esses fundos, uma vez aplicados, fizeram investimento equivalente a  USD$ 725.000.000 – setecentos e vinte cinco milhões de dólares — em materiais e serviços.    O que, sem dúvida, é um grande retorno no investimento do governo.

A crise atual no governo certamente terá reflexos nas bibliotecas militares, e como todos no país eles também terão que lidar com eventuais cortes quer em horas, em pessoal ou em orçamento de materiais. Mas irão tentar minimizar o impacto, se possível, tentar manter os serviços de costume.  As bibliotecas continuam sendo de importância central para o bom estado de espírito e bem estar no terreno de guerra.

Fonte: Book Patrol





Inspirações certeiras de Jonathan Swift e Voltaire?

3 10 2013

523px-J._VERMEER_-_El_astrónomo_(Museo_del_Louvre,_1688)

O astrônomo, 1668

Johannes Vermeer (Holanda,1632-1675)

Óleo sobre tela, 50 x 45 cm

Museu do Louvre, Paris

Jonathan Swift  em 1726 publicou o livro Viagens de Gulliver, hoje considerado uma das obras precursoras da ficção científica. Nesse romance picaresco  no capítulo III, intitulado Viagem a Laputa, astrônomos, personagens de Swift, descrevem duas luas em Marte, mencionando seu tamanho e órbita. A descrição foi bastante próxima da realidade encontrada 150 anos mais tarde, quando  Asaph Hall em 1877 descobriu as luas Phobos e Deimos circulando em volta de Marte.

Mas Swifft não foi o único a escrever sobre as duas luas de Marte.  Voltaire, 24 anos depois de Swift, em 1750, publicou o conto Micromégas, onde também descrevia essas duas luas de Marte.  Teria ele sido influenciado por Swift?  Teriam ambos tido uma ajuda externa?  De algum visitante extra-terrestre?

Hoje há duas crateras em Deimos chamadas de Swift e Voltaire em homenagem a esses dois escritores.